RELAÇÃO ENTRE A PERCEPÇÃO MATERNA DAS PRÁTICAS EDUCATIVAS PARENTAIS E A QUALIDADE DA VINCULAÇÃO DOS FILHOS EM IDADE ESCOLAR

Sónia Simões 1 (ISMT/ICBAS-UP), Pedro Correia (ISMT), Carlos Farate (ISMT/ICBAS-UP), Isabel Soares (UMinho), & Margarida Pocinho (ESTESC/ISMT)

Enquadramento Teórico
A teoria da vinculação perspectiva a parentalidade como construção de um processo recíproco de interacção entre a criança e os pais, capaz de assegurar segurança, protecção e regulação emocional. Nesta perspectiva, o repertório comportamental, cognitivo e emocional da criança sofre alterações ao longo do desenvolvimento, despertando gradualmente padrões interactivos mais complexos, estruturados e diferenciados. Assim, as práticas parentais assentam na interacção entre os pais e a criança e descrevem as acções que os primeiros desenvolvem, através do apoio, do controlo, da modelação, das lições morais e das instruções directas, a fim de que as crianças adquiriram as competências básicas para um desenvolvimento adaptativo.

Objectivos
Este estudo tem por objectivo avaliar a percepção das mães relativamente à qualidade das práticas educativas e aos comportamentos de vinculação dos filhos em idade escolar, e estudar a eventual convergência entre estas percepções.

Método
Trata-se de um estudo transversal, com uma amostra constituída por mães de crianças em idade escolar (6-10 anos) a frequentar escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico do Concelho de Coimbra (N=93).

Participantes
Medidas

O protocolo de investigação é constituído pelos instrumentos EMBU-P e PCV-M: - EMBU-P (Castro, Pablo, Gómez, Arrindel & Toro, 1997, versão Portuguesa de Canavarro, Pereira, & Canavarro, 2003) avalia a percepção do pai e da mãe relativamente à frequência de determinadas práticas educativas na interacção com os filhos em idade escolar e início de adolescência; - Escala de Percepção Materna do Comportamento de Vinculação da Criança - PCV-M (Dias, Soares & Freire, 2002) avalia a percepção da mãe relativamente aos comportamentos de vinculação do filho em idade escolar.

Resultados
Os resultados evidenciam uma convergência entre a qualidade do comportamento de vinculação e a dimensão “suporte emocional” do EMBU-P. Assim, as mães que prestam maior suporte emocional identificam um comportamento de vinculação mais seguro nos seus filhos (ρ=.42, α<.01), enquanto que as mães que referem uma tendência para atitudes de “rejeição” e “tentativa de controlo” nas suas práticas educativas, percepcionam os seus filhos como mais ansiosos, inseguros (ρ=-.27, α<.01) e demonstrando dificuldades de auto-regulação emocional (rejeição: ρ=.42, α<.01; tentativa de controlo: ρ=.22, α<.05).
Tabela 1: Correlações entre as dimensões do EMBU-P e do PCV-M
EMBU-P Suporte Emocional Comportamento Base Segura PCV-M Partilha de Afecto Dificuldades Auto-Regulação Emocional Desejabilidade Social (mães) Score Global PCV-M
* p<.050;

Conclusões
Quanto maior for o suporte emocional dos pais aos seus filhos em idade escolar maior será a capacidade de auto-regulação emocional destes últimos, com um impacto positivo no seu comportamento de vinculação e uma (previsível) influência favorável na aquisição futura de competências desenvolvimentais pelo adolescente.
Bibliografia
Bowlby, J. (1984). Apego e Perda: vol. 1. Apego. São Paulo: Martins Fontes. Canavarro, M. C., & Pereira, A. I. (no prelo). A avaliação dos estilos parentais educativos na perspectiva dos pais: A versão portuguesa do EMBU-P. Psicologia: Teoria, investigação e prática. Cruz, O. (2005). Parentalidade. Coimbra: Quarteto. Dias, P., Soares, I., Freire, T. (2002). Percepção Materna do comportamento de vinculação da criança aos 6 anos: Construção de uma escala. Psicologia: Teoria, Investigação e Prática. Hoghughi, M., & Long, N. (2004) (Ed.). Handbook of parenting: Theory and research for practice. London: Sage Publications. Kerns, K. A. & Richardson, R. A. (2004) (Eds.). Attachment in middle childhood. New York: Guilford Publications. Soares, I. (2007) (Coord.). Relações de vinculação ao longo do desenvolvimento: teoria e avaliação. Braga: Psiquilíbrios Edições.

Rejeição
-.27** ---.42** -.48** -.48**

Tentativa de Controlo
------.22* -------

.39** .39** -.28** .32** .42**

Palavras-chave: crianças em idade escolar, práticas educativas parentais, comportamento de vinculação, EMBU-P, PCV-M

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Bolsa de Doutoramento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia Para mais informações contactar: Sónia Simões (soniasimoes76@gmail.com)

** p<.010 (Rho Spearman Coeficient)

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