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FARMACOCINÉTICA

absorção distribuição metabolismo excreção

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Principais vias de administração de fármacos

Enterais: oral, sublingual, retal Parenterais: -Diretas: intravenosa, intramuscular subcutânea -Indireta: cutânea, respiratória, geniturinária

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Profa. Claudia Becker

Via Oral, per oral Via Enteral
Consiste na administração, pela boca, de uma forma farmacêutica que após a deglutição, chega até o TGI (estômago, intestino delgado, intestino grosso) Vantagens: • via mais comum de administração, baixo custo • auto administração, confortável, indolor • Ação local ou sistêmica • atinge concentrações graduais (menor possibilidade de intoxicação) • De fácil aceitação pelo paciente Desvantagens: • quando se desejam efeitos imediatos. Período de latência médio a longo • metabolismo de primeira passagem (ou primeiro passo metabólico) • formação de compostos não-absorvíveis com o conteúdo gástrico • Padrão absorção é variável. • crianças e paciente inconsciente • paciente com êmese (vômitos)
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Profa. Claudia Becker

VIA ORAL Formas Farmacêuticas • • • • • • • comprimidos cápsulas drágeas suspensões emulsões xaropes soluções 4 .

diminuindo assim. 5 . a quantidade de fármaco administrado que chega até a circulação.PRIMEIRO PASSO METABÓLICO Primeiro passo metabólico (ou eliminação de primeira passagem) • é atribuída à passagem da droga pelo fígado e sua conseqüente biotransformação.

para a absorção de fármacos para efeito sistêmico.jugular externa . Latência curta Semelhante a VO • Desvantagens: • uso restrito em pediatria e em pacientes inconscientes. • Formas Farmacêuticas: comprimidos. o metabolismo de primeira passagem. Claudia Becker . soluções. • veias linguais . pastilhas. e do epitélio pouco espesso.maxilar interna .jugular interna . ricamente vascularizada.Via Enteral Via sublingual • É a utilização da mucosa sublingual. 6 Profa.circulação sistêmica • • • • Vantagens evita-se.

• Ocorre redução da eliminação de primeira passagem (50%). Claudia Becker . • • • • Desvantagens: Lesão da mucosa Incômoda Absorção irregular e incompleta • Formas Farmacêuticas: supositórios e enemas. Vantagens: • Utilizada em crianças que não sabem deglutir ou em idosos.Via Enteral Via retal Consiste na aplicação de medicamentos para atuarem localmente ou produzirem efeitos sistêmicos. 7 Profa. • Quando há impossibilidade da via oral.

Claudia Becker .Vias Parenteral Direta Intravenosa • Vantagens: • propicia efeito imediato • biodisponibilidade de 100% • níveis plasmáticos previsíveis • não ocorre absorção • Indicações: • emergências médicas e doenças graves • infusão de grandes volumes 8 Profa.

Claudia Becker .Vias Parenteral Direta Intravenosa Desvantagens: • • • • • • • necessita pessoal treinado necessita assepsia adequada incomodidade para o paciente menor segurança (efeitos tóxicos e adversos) maior custo a menos segura de todas as vias injeção rápida (em bolo) causa aumento da concentração e portanto maior toxicidade • Formas Farmacêuticas: soluções aquosas puras • Métodos de Administração: forma intermitente ou infusão contínua 9 Profa.

10 Profa.Vias Parenteral Direta Intramuscular A absorção depende do fluxo sanguíneo local e do grupo muscular utilizado (músculo deltóide > velocidade de absorção) Vantagens: • Efeito rápido com segurança • Via de depósito ou efeitos sustentados • Fácil aplicação Desvantagens: • dor • desconforto • dano tecidual (lesão de nervos) • Hematoma • Formas Farmacêuticas: soluções aquosas. Claudia Becker . oleosas e suspensões.

5 a 2 mL. suspensões e “pellets” • • • • • • • 11 Profa.Vias Parenteral Direta Subcutânea • • Utilização: formas farmacêuticas que liberam pequenas e constantes quantidades de droga Limitações inadequada para grandes volumes (entre 0. Claudia Becker . máx.) inadequada para substâncias irritantes Inconvenientes dor e fibrose local Formas Farmacêuticas soluções.

cremes. geléias e adesivos sólidos (para absorção sistêmica) • Métodos de Administração: aplicação.Vias Parenteral Indireta Cutânea • Pele integra = barreira (efeito tópico) • Pele ferida. queimaduras = via de acesso para a circulação sistêmica. óleos. pomadas. pomadas. Claudia Becker . difusão do fármaco (lipossolubilidade). Efeitos terapêuticos ou possíveis efeitos tóxicos • Absorção depende: • área de exposição. géis. • Formas Farmacêuticas : soluções. loções. suspensões 12 Profa. estado de hidratação da pele. soluções. fricção e banhos • Formas Farmacêuticas: cremes.

Vias Parenteral Indireta Inalatória Compreende a mucosa nasal até os alvéolos pulmonares • efeitos locais e sistêmicos • inalação de gases ou pequenas partículas líquidas ou sólidas geradas por nebulização ou aerossóis Vantagens • permite a aplicação de pequenas doses com diminuição dos efeitos adversos • administração local para efeito sistêmico pela mucosa nasal Limitações • obstrução brônquica • excreção brônquica aumentada 13 Profa. Claudia Becker .

Principais vias de administração de fármacos 14 .

Considerações importantes Vias de administração .

. distribuem-se nos líquidos intersticial ou celular.Distribuição de Drogas As drogas. 16 .v. após absorção ou injeção e.

Competição das drogas pela mesma ligação às proteínas plasmáticas 3) Irrigação sanguínea tecidual 4) Barreiras Biológicas 17 .Distribuição de Drogas • Fatores que afetam a distribuição: 1) Afinidade química ao tecido 2) Ligação às proteínas plasmáticas .

18 .

plasmática do fármaco 19 . Vd = dose conc.Distribuição de Drogas • Volume de distribuição aparente (Vd) É uma estimativa quantitativa da localização tecidual do fármaco e pode ser determinado através da medida do nível plasmático do fármaco.

2 L/kg Atenolol: 0.1 à 0.4 L/kg Neostigmina: 1 à 2 L/kg Paracetamol: 1 à 2 L/kg Morfina: 2 à 5 L/kg Propranolol: 2 à 5 L/kg 20 .2 à 0.2 L/kg Teofilina: 0.1 à 0.Distribuição de Drogas • Exemplos de Vd´s: Varfarina: 0.

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Biotransformação de Drogas conversão enzimática de fármacos em metabólitos 22 .

23 .

• metabolismo  papel importante na excreção do fármaco  produz metabólitos mais polares (hidrossolúveis) que o fármaco original • ocorre principalmente no fígado
– plasma, pulmões, intestino, rins

• enzimas microssomais hepáticas ficam no retículo endoplasmático • reações enzimáticas – divididas em:
– reações da fase I – catabólicas  oxidação, redução, hidrólise – reações da fase II – anabólicas  reações de conjugação

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reações da fase I
• sistema da monooxigenase P450  proteínas do heme  reação de oxidação
– “superfamília” de enzimas (CYP)  74 famílias descritas  3 famílias envolvidas no metabolismo hepático

• além da enzima e do substrato, é necessário a presença de O2, NADPH e NADPH-P450 redutase
– a reação consiste na adição de um átomo de oxigênio ao substrato para formar um grupo OH; o outro átomo do O2 é convertido em H2O

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Goodman & Gilman. LAZO.BRUNTON. PARKER. 2007 27 .

Exemplos de reações catalisadas pelos CYP’s 28 .

2004 29 . Farmacologia.Rang et al.

reações da fase II • reações de conjugação  somente moléculas suscetíveis  com radical hidroxila (-OH). amino (NH2) ou tiol (-SH) • o metabólito conjugado é inativo e mais polar que o seu precursor • grupos formadores de conjugados: – – – – – – glicuronil sulfato metil acetil glicil glutationa 30 .

31 .

Biotransformação do paracetamol 32 .

metabólitos ativos Fármacos Inativos cortisona prednisona enalapril Metabólitos Ativos hidrocortisona prednisolona enalaprilato 33 .

metabólitos ativos ou tóxicos Fármaco ativo diazepam morfina Metabólito ativo oxazepam morfina 6-glicuronídeo Fármaco ativo halotano paracetamol Metabólito tóxico ácido trifluruoacético N-acetil-p-benzoquinona amina 34 .

Fatores que modificam a taxa de biotransformação de fármacos • indução enzimática: aumento da atividade da enzima – – – – rifampicina (antibiótico) etanol (álcool etílico) carbamazepina (anticonvulsivante) hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (poluentes) • inibição enzimática – cetoconazol (antifúngico) – gestodeno (anticoncepcional) • polimorfismo genético – variação biológica para a família P450 (CYP) • idade – recém-nascidos e bebês – idosos • doenças – insuficiência hepática 35 .

excreção eliminação do fármaco e/ou de seus metabólitos para fora do organismo 36 .

principais órgãos de excreção de fármacos • • • • • rins bile pulmões pele secreções corporais – leite – lágrima – suor 37 .

rins • principais órgãos excretores • metabólitos apresentam maior taxa de depuração renal que o fármaco inalterado • biotransformação – metabólitos mais hidrossolúveis que o fármaco original 38 .

processos envolvidos na excreção renal de fármacos • filtração glomerular • secreção tubular ativa • reabsorção tubular passiva 39 .

40 .

Filtração glomerular • 20% do fluxo plasmático renal são filtrados no glomérulo • PM< 20.000 Da) – ex: 80% de afinidade às proteinas  20% do fármaco no filtrado 41 .000 Da • a [fármaco] no filtrado é proporcional a sua afinidade às proteínas plasmáticas – albumina (68.

Secreção tubular ativa • 80% do fluxo plasmático passam pelo glomérulo sem sofrer filtração. indo para os capilares peritubulares – potencialmente é o processo mais efetivo na excreção renal de fármacos • algumas moléculas de fármacos podem ser transportadas ativamente dos capilares para o túbulo proximal 42 .

de sulfato e da glicina • penicilina (antibiótico) • probenecida (inibidor competitivo do sistema de transporte – gota) • diuréticos tiazídicos – transporte de substâncias básicas • • • • Dopamina morfina Serotonina amilorida (diurético) 43 .Dois sistemas carreadores não seletivos (bombas) – transporte de substâncias ácidas • ácido úrico • furosemida (diurético) • metabólitos conjugados do ácido glicurônico.

44 .

Reabsorção tubular passiva • se o túbulo for permeável à molécula do fármaco esta é reabsorvida passivamente para os capilares peritubulares – substâncias lipossolúveis têm menor taxa de excreção renal – fármacos ácidos ou bases fracos podem ter sua taxa de excreção renal alterada dependendo do pH da urina 45 .

Biodisponibilidade e Bioequivalência .

Importância: Relacionar a dose e a apresentação do fármaco com sua eficácia • • • . Velocidade e extensão de absorção de um fármaco ficando disponível no local de ação. ppt).Biodisponibilidade absoluta . É um parâmetro farmacocinético dado em porcentagem (porcentagem da droga encontrada no sangue – ppb.F • Concentração de moléculas disponíveis do fármaco (forma ativa e não complexada) no sangue.

80 (ou 80%) indica que 80% do fármaco está disponível na circulação sistêmica. ASC ou AUC) de um gráfico de concentração-tempo representa a quantidade total de fármaco absorvida na circulação depois da administração de uma dose. Um valor de F igual a 0.Determinação das concentrações plasmáticas do fármaco: 1. Para a mesma dose administrada: F = AAC im AAC iv AAC 2. 3. A biodisponibilidade absoluta depois da dose oral é comparada com a da dose intravenosa. . A área abaixo da curva (AAC.

. Importância: Relacionar a dose e a apresentação do fármaco com sua eficácia .Biodisponibilidades iguais..

CURVA CONCENTRAÇÃO X TEMPO • Concentração eficaz mínima (CEM): concentração plasmática mínima do fármaco que se espera produzir o efeito desejado no paciente. . Janela terapêutica ou índice diferença entre a CTM e a CEM. terapêutico: a • • • Início de ação: o tempo para a concentração no sangue alcançar a CEM. Concentração tóxica mínima (CTM): a menor concentração plasmática do fármaco que produz efeitos tóxicos dose-dependente.

dieta .estado fisiológico .temperatura • Fatores próprios do homem .Forma Farmacêutica . peso . sexo.Estabilidade molecular .Fatores que influenciam a biodisponibilidade • Fatores próprios da droga: .idade.coeficiente de solubilidade .Ciclo hormonal .

necessária: concentração terapêutica – ocorre ação que gera efeito benéfico.Biodisponibilidade • Após a administração do medicamento e a chegada do PA no local de ação. . a concentração das moléculas do fármaco pode ser: .maior que a necessária: concentração superterapêutica ocorre reação exacerbada que provoca reações adversas medicamentosas .menor que a necessária: concentração subterapêuticaocorre ação porém não o suficiente para causar efeito .

. • Tempo Máximo (Tmax): é o tempo necessário para atingir o pico de fármaco no sangue.Outros parâmetros para avaliação da Biodisponibilidade • Pico (Cmax) : é a concentração máxima do fármaco observada no plasma ou no soro sangüíneo. É um parâmetro importante na avaliação da biodisponibilidade de duas formulações. depois da administração de uma dose.

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atividade .

em relação à quantidade absorvida e à velocidade do processo de absorção .Teste de Bioequivalência • O teste de bioequivalência comprova que o medicamento genérico e seu respectivo medicamento de referência apresentam a mesma biodisponibilidade no organismo. ou seja. • não existe diferença estatisticamente significativa entre suas biodisponibilidades.

Mendes. Clinica Médica UNICAMP . DG Depto.

Clinica Médica UNICAMP . DG Depto.Mendes.

Clinica Médica UNICAMP . DG Depto.Mendes.

Mendes. Clinica Médica UNICAMP . DG Depto.

Clinica Médica UNICAMP . DG Depto.Exemplo da importância do parâmetro: Alimentação/jejum Mendes.

Quim. 2005 . Nova. G e cols.De Nucci.

que são administrados pela mesma via extravascular e na mesma dose. 10) Bioequivalência Estudo comparativo entre as biodisponibilidades de dois medicamentos. em sua forma ativa. com o mesmo princípio ativo. 64 .Conceitos básicos em Farmacologia 8) Absorção: Passagem da droga do local administrado para corrente sanguínea sistêmica 9) Biodisponibilidade Refere-se à proporção com que um fármaco administrado atinge a circulação geral. após sofrer influências do organismo. que possuem a mesma indicação terapêutica.

CONCEITOS Concentração eficaz mínima (CEM): concentração plasmática mínima do fármaco que se espera produzir o efeito desejado no paciente. 65 . Concentração tóxica mínima (CTM): a menor concentração plasmática do fármaco que produz efeitos tóxicos dosedependente. Início de ação: o tempo para a concentração no sangue alcançar a CEM. Duração de ação: o tempo em que o nível plasmático permanece igual ou acima do CEM.

Janela terapêutica: a diferença entre a CTM e a CEM. a partir da dose inicial até a eliminação do fármaco no organismo (exemplo de unidade: mg/dL/h). Área sob a curva (ASC): a área total formada sob a curva de concentração plasmática versus tempo. 66 . Tempo para o pico/tempo máximo (Tmáx): tempo para o nível plasmático alcançar a Cmáx.CONCEITOS Pico/concentração máxima (Cmáx): a mais alta concentração que o fármaco atinge na circulação sanguínea.