Educação Ambiental: trilhas para cidadania

Neriane Nascimento da Hora Ednalva Ambrósio da Silva Maria de Nazaré dos Remédios Sodré³ Coordenação Geral³ Universidade do Estado do Pará

Introdução
A Educação Ambiental foi proposta na “Declaração sobre o Ambiente Humano” durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano em Estocolmo (Suécia) em 1972, evento que reuniu 113 países do globo, como elemento para enfrentamento da crise ambiental (DIAS, 2003). Lima (2005, p. 116) afirma que “em todo histórico da recente crise ambiental, a educação tem sido lembrada como um instrumento capaz de responder positivamente a essa problemática ao lado de outros meio políticos, econômicos, legais, éticos, científicos e técnicos”. Nesse contexto fez-se notória a participação dos movimentos sociais e posterior inserção de práticas e ações voltadas para as questões ambientais nos contextos escolares. Apesar disso, ainda existe uma dificuldade em entender como seria uma educação voltada para o meio ambiente. Essa dificuldade se dá, em grande parte, devido às diversas concepções de educação ambiental existentes. Dessa forma, o desafio atual é pensar/fazer uma EA que se comprometa com a manutenção e qualidade de vida para todos os seres mantendo o respeito pela vida em âmbito local, regional, nacional e global. Partindo deste pressuposto, foi elaborado o projeto “Educação Ambiental: trilhas para cidadania” que visa sensibilizar jovens com relação as questões socioambientais locais, regionais e mundiais, buscando diversas modalidades de atividades que possibilitem o desenvolvimento de atitudes como cooperação, integração, exercício de potencialidades e do senso crítico e da autonomia, como prática a educação ambiental, para atuar como cidadãos na comunidade onde vivem.

As atividades desenvolvidas favorecerão o diálogo entre os alunos, que demonstraram pré-disposição para um comportamento que indica atitudes desafiadoras mediante as dificuldades de relacionamento que apresentaram no início das oficinas, e ainda boas formas de convivência, apresentando comportamento como ser sujeito à emancipação e ao protagonismo juvenil. Por fim, serão realizadas palestras nas escolas sobre as temáticas levantadas e socialização das atividades desenvolvidas nas escolas dos alunos participantes das oficinas pedagógicas.

Resultados
Como resultado, espera-se a identificação dos problemas ambientais de maior interesse nas comunidades (escolar e não escolar), no sentido de definir ações provenientes dessa e para essa clientela. E a partir daí, promover a articulação e integração dos saberes necessários para a formação da cidadania, envolvendo cada participante num processo de comprometimento sociocultural com o ambiente. Além disso, possibilitar a formação de agentes mediadores dos problemas ambientais mais próximos a sua realidade com possibilidades de intervenções que promovam um viver melhor.

Conclusões
Vivências em educação ambiental com vistas a formação para cidadania são relevantes no processo de construção de uma sociedade mais justa, ecologicamente sustentável e socialmente responsável. A clientela a ser atendida constitui um grupo ambientalmente e socialmente vulnerável, e após o desenvolvimento das atividades poderá, com base nos conhecimentos construídos, ser protagonista de suas mudanças, tanto no âmbito do relacionamento entre os pares, quanto de mudanças em relação ao seu ambiente.

Metodologia
Primeiramente será realizado um levantamento das problemáticas ambientais locais, regionais e mundiais indicadas pelos alunos do ensino fundamental e médio das escolas públicas e particulares do entorno do Centro de Ciências Sociais e Educação/UEPA como importantes de serem trabalhadas no contexto escolar. Para tal, será aplicado um questionário com perguntas aberta e fechadas a 40 alunos do ensino fundamental e 40 alunos do ensino médio das respectivas escolas. Posteriormente, será realizado um mapeamento das principais problemáticas ambientais indicadas pelos alunos. O mapeamento das problemáticas ambientais servirá de base para elaboração de oficinas pedagógicas a serem realizadas com 40 alunos do ensino fundamental de 12 a 14 anos e 40 do Ensino Médio de 15 a 17 anos, atendidos em momentos distintos, das escolas participantes da diagnose. Cada oficina contará com uma carga horária de 2h30, no total serão realizadas 08 oficinas com cada público contabilizando uma carga horária de 20h.

Referências
DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. 8. ed. São Paulo: Gaia, 2003. LIMA, Gustavo Ferreira da Costa. Crise ambiental, educação e cidadania: os desafios da sustentabilidade emancipatória. In: LAYRARGUES, Philippe Pomier; LOUREIRO, Carlos Frederico Bernardo; CASTRO, Ronaldo. (Orgs.). Educação Ambiental: repensando o espaço de cidadania. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2005.