O TEXTO

JORNALÍSTICO
Professor Adriano Moura
IFPE – Campus Recife
Objetivos da Aula
• Com esta aula, esperamos que você
seja capaz de:
• Conhecer a linguagem jornalística
através dos textos disponíveis desta
aula;
• Observar nos exemplos de textos
jornalísticos o uso da linguagem
escrita;
• Desenvolver uma atitude crítica
reflexiva sobre textos jornalísticos
abordados nesta aula;
• Produzir textos jornalístico
contemplando suas características

Características da
linguagem jornalística
• Predomínio da narração, com a presença dos
elementos essenciais de um texto narrativo: fato,
pessoas envolvidas, tempo em que ocorreu o fato, o
lugar onde ocorreu, como e por que ocorreu o fato.
• Predomínio da função referencial da linguagem.
• Linguagem impessoal, clara, precisa, objetiva, direta,
de acordo com o padrão culto da língua.
• Estrutura padrão composta de respostas às seguintes
perguntas básicas: o quê, quem, quando, onde,
como e por quê.

FUNÇÃO
REFERENCIAL
• Função referencial da linguagem: transmite
uma informação objetiva, expõe dados da
realidade de modo objetivo, não faz
comentários, nem avaliação. Geralmente,
o texto apresenta-se na terceira pessoa do
singular ou plural, pois transmite
impessoalidade. A linguagem é denotativa,
ou seja, não há possibilidades de outra
interpretação além da que está exposta.
Em alguns textos é mais predominante
essa função, como: científicos,
jornalísticos, técnicos, didáticos ou em
correspondências comerciais.
Fonte:
Vilarinho (2009)

A linguagem jornalística
• A linguagem jornalística adota o padrão culto da língua, sem, contudo,
perder de vista o universo vocabular do leitor. Exige o emprego do mínimo
de palavras e o máximo de informação, correção, clareza e exatidão.
• Para uma boa redação de textos jornalísticos, observe os procedimentos
expostos a seguir:
• Construa períodos curtos, com no máximo duas ou três linhas, evitando
frases intercaladas ou ordem inversa desnecessária.
• Adote como norma a ordem direta, elaborando frase com a seguinte
estrutura: sujeito, verbo e complemento.
• Empregue o vocabulário usual. Adote esta regra prática: nunca escreva o
que você não diria. Termos técnicos ou difíceis devem ser evitados. Os
termos coloquiais ou de gírias devem ser usados com parcimônia, apenas
em casos especiais.
• Nunca use duas palavras se puder usar uma só.
• Evite os superlativos e adjetivos desnecessários.
• Empregue verbos de ação e prefira a voz ativa, que dinamizam mais a
frase e estimulam o leitor.
Fonte: Martins (1997)

Características da Notícia
• Observe se sua notícia apresenta
título, lead e corpo;
• se o lead menciona a maior parte
das informações essenciais
relacionadas ao fato ocorrido: o
quê, quem, quando, onde, como
e por quê;
• se o corpo contém o
detalhamento do lead;
• se a linguagem empregada é
impessoal,
• e se está adequada aos leitores;
• e segue a variedade padrão da
língua.
CARACTERÍSTICAS DA REPORTAGEM

Informa de modo mais aprofundado
sobre fatos que interessam ao público
a que se destina o jornal ou a revista,
acrescentando opiniões e diferentes
versões, de preferência comprovadas.
Costuma estabelecer conexões entre o
fato central, normalmente enunciado
no lead, e fatos paralelos, por meio de
citações, trechos de entrevistas, boxes
informativos, dados estatísticos,
fotografias etc.
Pode ter caráter opinativo
questionando as causas e os efeitos
dos fatos, interpretando-os, orientando
os leitores.
Linguagem impessoal, objetiva, direta,
de acordo com o padrão culto da
língua.

Títulos, subtítulos
e legendas
• A primeira página da maioria
dos jornais contém o
resumo das principais
notícias do dia. Para atrair a
atenção do público, essas
notícias vêm acompanhadas
de títulos em letras bem
grandes, chamados
manchetes.
• Essas mesmas notícias são
encontradas pelos leitores
no interior do jornal,
acrescidas de outras
informações.
O título e o leitor
• Toda matéria jornalística – notícia,
reportagem, editorial, crítica,
entrevista, etc. – é encabeçada por um
título.
• O título constitui um resumo, em
poucas palavras, da informação mais
importante do texto.
• Por meio de palavras de uso comum,
ele deve possuir precisão, clareza e
objetividade.
• Veja o que diz o Manual de estilo da
Editora Abril sobre o título:
“O título é a chave. Para funcionar,
precisa ter impacto. Sem impacto não
chamará a atenção, será inútil.”
Como escrever um título
• 1- O título deve, em poucas palavras, anunciar a informação principal do texto
ou descrever com precisão um fato: Governo desiste de aumentar impostos
• 2 - Procure sempre usar verbo nos títulos: eles ganham em impacto e
expressividade.
• 3 - Para dar maior força ao título, recorra normalmente ao presente do
indicativo, e não ao pretérito: Israelenses e palestinos assinam (e
não assinaram) acordo de paz
• 4 - Nos textos noticiosos, o título deverá obrigatoriamente ser extraído do lead;
se isso não for possível, refaça o lead, porque ele não estará incluindo as
informações mais importantes da matéria.
• 5 - Use inicial maiúscula apenas na primeira palavra do título e nos nomes
próprios: Ministro pode ser indiciado / Pacifistas fazem protesto diante da Casa
Branca.
• (...)
• 7 - Nenhuma palavra do título poderá ser separada no fim da linha (nem
mesmo as ligadas por hífen).
• (...)
Martins (1997)

Outras dicas
• 1 - Abreviaturas. Evite abreviar nomes próprios;
quando possível, use São e Santo por extenso. E não
abrevie a indicação dos cargos das pessoas, só são
admitidas reduções das formas de tratamento,
como dr. Jatene, d. Eugênio, pe. Eurico.
• 2 - Adjetivação. O adjetivo, por mais forte que seja,
não substitui a informação específica: Comissão
propõe profundas mudanças no IR / Profundas, no
caso, não dão as informações essenciais: quais e o
valor.
• 3 - Artigo. Pode ser dispensado, na maior parte dos
casos: Peso do pacote divide governo. Conserve
obrigatoriamente o artigo, porém, nas formas de
valor absoluto, como o maior, o menor, o máximo, o
mínimo, os mais velhos, o mais novo, o único, os
menos culpados, o menos instruído, o principal, etc.
• (...)
• 10 - Dizer. Não use o verbo (nem declarar e afirmar)
para entidades, como em: Eletropaulo diz que contas
de luz podem estar erradas. Substitua-o por admite,
nega, contesta, etc.

Outras dicas
• 11 - E. Está vetado o uso da conjunção e no início dos títulos, E o
governo já admite que vai demitir mais servidores.
• (...)
• 17 - Futuro do pretérito não deve ser empregado nos títulos por
transmitir ao leitor idéia de insegurança, eventualidade e falta de
convicção: Aids teria sido a causa de chacina em SP. Uma saída é
recorrer a palavras como pode, deve, possível, provável, ameaça,
espera e outras que contornem a situação.
• 18 - Gerúndio. Evite o gerúndio nos títulos, seja de notícias, seja de
reportagens, artigos, comentários, críticas, crônicas, etc. Eis alguns
exemplos que mostram não ser essa uma boa fórmula para os
títulos: Desenterrando o passado / Cartel de Medellín invadindo o
Brasil. Há sempre uma forma do presente que pode, com vantagem,
substituir o gerúndio.
• 19- Sempre que possível substitua um título com não pela forma
positiva. Ator rejeita prêmio em vez de Ator não aceita prêmio.
• (...)

Legenda ou
texto-legenda
• Legenda é uma frase curta,
enxuta, que normalmente
cumpre duas funções:
descreve a ilustração e dá
apoio à matéria. Assim
como o título usa verbos no
presente.
• Por sua vez, o texto-legenda
é uma ampliação da
legenda e contém as
principais informações
sobre o assunto.
No Recife, infância perdida na lama e no lixo
A história dos meninos cujo cotidiano é catar latas na imundície do Canal do Arruda
Publicado em 02/11/2013, às 13h56
Wagner Sarmento e Marina Barbosa
cidades@jc.com.br

Eles nadam onde nem os peixes se atrevem. De longe, suas cabeças se confundem com os entulhos. Pela falta de quase
tudo na terra, mergulham no rio de lixo atrás da sobrevivência. Lá sim tem quase tudo: latinhas, garrafas, papelão, móveis velhos,
restos de comida, moscas, animais mortos. Menos dignidade. Lá, no Canal do Arruda, Zona Norte do Recife, o absurdo é rotina.
Anfíbios e miseráveis catam sonhos onde o pesadelo é retrato soberano. São três meninos da comunidade Saramandaia, melados até o
pescoço da lama do abandono, numa área que o prefeito da capital, Geraldo Julio (PSB), elencou como prioridade de sua gestão e que,
até agora, não viu resultados senão promessas.
O sol inclemente não intimida. É preciso aproveitar a maré baixa, quando os resíduos se acumulam. A cena choca,
intriga, envergonha. Em pleno 2013. Em plena capital pernambucana. Aos olhos de todos. O Canal do Arruda, foz de boa parte do lixo
recifense, é a mina de ouro de Paulo Henrique Félix da Silveira, 9 anos; Tauã Manoel da Silva Alves, 10; e Geivson Félix de Oliveira, 12,
unidos pelo sangue, pela necessidade e pela indiferença do poder público.
Moram em dois barracos na comunidade de Saramandaia, também na Zona Norte, e não hesitam em entrar no fosso.
Antes, era só para tomar banho, diversão infantil ocasional. Há mais de ano, passou a ser ganha-pão. Paulinho via as cerca de cem
famílias que trabalham com reciclagem na região e decidiu tomar o mesmo caminho. Encontrou seu nicho, o pior de todos, e arrastou
os primos.
Paulinho, Galego e Geivson, embora exemplos radicais da realidade, não estão sozinhos. De acordo com o perfil dos
catadores brasileiros elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), baseado no Censo 2010, 3,6% dos 20.166
pernambucanos que trabalham com reciclagem têm entre 10 e 17 anos. São, oficialmente, só 726 crianças e adolescentes no Estado
que tiram seu sustento do lixo. Nas cifras do trabalho infantil em geral, o número sobe para 1.329.229. Na faixa etária dos pequenos
catadores de Saramandaia, até 13 anos de idade, há 665.500 pernambucanos trabalhando, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE).
Paulinho quase se confunde com os entulhos que tomam conta do Canal do Arruda, numa cena que choca e revolta
Foto: Diego Nigro/JC Imagem
Produzindo a Notícia
• Levando em consideração os princípios do
texto jornalístico vistos na aula de hoje, redija
uma notícia com no máximo 2000 caracteres,
contando-se os espaços, contendo título e
subtítulo, sobre um tema de seu interesse.

• Obs.: Seu texto deve ser autêntico. Caso o
mesmo já tenha sido veiculado, total ou
parcialmente, em qualquer órgão de
comunicação sua nota será desconsiderada.

Como não Elaborar um Título
Referências
• ARAÚJO, Ana Paulo de. Textos jornalísticos. Disponível em:
<http://www.infoescola.com/redacao/textos-jornalisticos/>.
Acesso em: 14 dez. 2009.
• CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Texto
e interação: uma proposta de produção textual a partir de
gêneros e projetos. São Paulo: Atual, 2000.
• MARTINS Eduardo. Manual de redação e estilo de O Estado de
S. Paulo. São Paulo: Moderna, 1997.
• http://www.newseum.org/todaysfrontpages/flash/
• VILARINHO, Sabrina. Funções da linguagem. Disponível em:
<http://www.brasilescola.com/gramatica/funcoes-
linguagem.htm>. Acesso em: 27 dez. 2009.