Lev Semiónovich

Vigotski (1896-1934)
Biografia
Nasceu em 1896 em Orsha, pequena cidade perto
de Minsk, a capital da Bielo-Rússia, região então
dominada pela Rússia. Era o segundo filho de
uma família de oito irmãos.
Biografia
Seus pais eram de uma família judaica culta e
com boas condições econômicas, o que permitiu a
Vigotski uma formação sólida desde criança.
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Aos 18 anos, matriculou-se no curso de medicina
em Moscou, mas acabou cursando a faculdade de
direito.

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Ingressa no Departamento Acadêmico de História
e Filosofia da Universidade Popular Chaniavski.

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Formado, voltou a Gomel, na Bielo-Rússia, em
1917, ano da revolução bolchevique, que ele
apoiou.
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Ele se dedicou ao trabalho prático de instrução do
povo, lecionando em escolas primárias,
secundárias e profissionalizantes.

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Ainda em Gomel, lecionava além de literatura,
disciplinas como lógica, psicologia, estética, teoria
da arte e filosofia.

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Fundou um laboratório de psicologia – área em
que rapidamente ganhou destaque, graças a sua
cultura enciclopédica, seu pensamento inovador e
sua intensa atividade. Produziu mais de 200
trabalhos científicos.
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Com sua crença em uma sociedade nova, em um
novo homem que viveria nessa sociedade mais
justa e solidária, se envolveu em órgãos oficiais do
governo pós revolução socialista.
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Tornou-se ministro de cultura e formação no
governo de Lenin.
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Buscava auxiliar no desenvolvimento de
investigações que contemplassem desafios de
caráter prático, vivenciados na época.
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Com isso, Vigotski atuou intensamente na área da
Educação, contribuindo com estudos sobre o
aprendizado e o desenvolvimento.
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Tinha contato com crianças portadoras de
deficiências congênitas. Isso estimulou seu estudo
da compreensão dos processos mentais
humanos, assunto principal de seu projeto de
pesquisa.
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Juntamente com Luria e Leontiev, seus
companheiros mais próximos de trabalho, compôs
um grupo de pesquisa na Universidade de
Moscou que era referido como troika na psicologia
russa.
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Dentre as idéias de Vigotski, está o pensamento
de que as características típicas do ser humano
não nascem com o indivíduo, mas resultam da
interação dialética do homem e seu meio sócio-
cultural.
Biografia
Ao mesmo tempo que o ser humano transforma o
seu meio, ele transforma-se a si mesmo. Para o
teórico, a cultura é parte constitutiva da natureza
humana.
Biografia
Ele considera que a mediação dos seres humanos
entre si e deles com o mundo é feita através de
instrumentos técnicos e os sistemas de signos, a
linguagem.
Biografia
Seu envolvimento com o regime da época lhe
custou a censura de suas obras frente à nova
revolução de Stalin.
Biografia
Somando-se a isso, a tensão política entre os
Estados Unidos e a União Soviética após a última
guerra, o trabalho de Lev Semenóvich Vigotski
permaneceu desconhecido a grande parte do
mundo ocidental durante décadas.
Biografia
Quando a Guerra Fria acabou, este patrimônio de
conhecimento começou a ser revelado, ainda que
de modo “purificado” do seu contexto histórico.
Biografia
Ainda hoje no Brasil existem obras que não se
encontram traduzidas para o português, e, além
disso, algumas das existentes (oriundas de
traduções norte-americanas) são fortemente
questionadas em relação às adulterações que
visavam apresentar um Vigotski menos marxista.
Biografia
Vigotski faleceu em Moscou, no dia 11 de junho
de 1934, aos 38 anos, vítima de tuberculose,
doença com que conviveu durante quatorze anos.
Mas qual Vigotski foi
apresentado?
• Foi construída uma imagem bastante linear e
unilateral de Vigotski. Na edição russa de 1956
o texto de Vigotski foi censurado com uma
tarefa precisa: Foram eliminadas todas as
referências a Freud, Sapir, aos pedólogos, a
Blonskij; depois foi mudada a palavra pedologia
para pedagogia, substituindo a palavra “teste”
usada nas pesquisas da pedologia pela palavra
“tarefa”.
Mas qual Vigotski foi
apresentado?
• Também no oriente se confeccionou a tradução
de um outro Vigotski na visão dos americanos.
Vigotski foi rigidamente censurado, com uma
tarefa precisa: eliminar todas as referências a
Marx, Engels e Lenin; simplificar os parágrafos
filosóficos; cortar e assumir (de 300 páginas se
restringe a 150).
Cronologia das obras publicadas
no Brasil
A formação social da mente. São Paulo: Martins
Fontes, 1984.
Livro organizado por pesquisadores americanos, apresenta
um condensado das ideias centrais do autor em relação ao
desenvolvimento das funções psicológicas superiores, à
hipótese da internalização da cultura, da mediação do
outro e do signo. Inclui excertos sobre o problema do
método de investigação, as relações entre
desenvolvimento e aprendizagem, o papel do brinquedo e
a escrita.
Cronologia das obras publicadas
no Brasil
Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins
Fontes, 1987.
Tradução da versão resumida em inglês das
principais teses e argumentos de Vigotski sobre as
relações entre pensamento e linguagem, incluindo
as discussões com Piaget, relatos de pesquisa
sobre a elaboração de conceitos e seu último texto
sobre pensamento e palavra.

Cronologia das obras publicadas
no Brasil
Teoria e método em Psicologia. São Paulo:
Martins Fontes, 1996.
Coletânea de textos que concentram as discussões e
debates de vigotski com as principais ideias da psicologia
e reflexologia da época. Inclui o texto da conferência
apresentada em 1924 na Universidade de Moscou, “A
consciência como problema da psicologia do
comportamento”, e “O significado histórico da crise da
psicologia. Uma questão metodológica”.
Cronologia das obras publicadas
no Brasil
O desenvolvimento psicológico na infância. São
Paulo: Martins Fontes,1998.
A primeira parte do livro reúne os textos das
conferências de 1932, sobre o desenvolvimento
da infância, enfocando percepção, memória,
pensamento, emoção, imaginação e vontade. A
segunda parte apresenta textos em que Vigotski
discute com psicólogos da época.


Cronologia das obras publicadas
no Brasil
Psicologia da Arte. São Paulo: Martins Fontes,
1998.
Primeiro livro de Vigotski escrito em 1925, consiste em sua
tese de doutorado. Nele Vigotski problematiza a arte como
conhecimento, como procedimento, como catarse; discute
o estatuto da obra de arte, a reação emocional, a recepção
estética; argumenta sobre a arte como técnica social do
sentimento.
Cronologia das obras publicadas
no Brasil
A tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca. São
Paulo: Martins Fontes, 1999.
Escrita em 1915, foi a primeira monografia de
Vigotski no campo da análise literária. Alguns
aspectos foram reelaborados posteriormente,
integrando capítulos de Psicologia da Arte.
Vigotski comenta sobre a realidade da tragédia
feita teatro, os efeitos da obra de arte, a crítica de
leitor.
Cronologia das obras publicadas
no Brasil
Manuscrito de 29. In: Educação e Sociedade. N.
71, 2000.
O texto consiste em um manuscrito de Vigotski,
traduzido diretamente do russo, com anotações de
várias ideias para posterior desenvolvimento.
Apresenta-se assim, por um lado como lacunar e
enigmático, e por outro, inspirador e articulado.
Cronologia das obras publicadas
no Brasil
Psicologia Pedagógica. São Paulo: Martins
Fontes, 2001.
Livro escrito em 1925 para professores, aborda
uma ampla gama de assuntos em psicologia e
educação, com o objetivo de problematizar e
discutir as pesquisas mais recentes na época.
Cronologia das obras publicadas
no Brasil
A construção do pensamento e da linguagem. São
Paulo: Martins Fontes, 2004.
Tradução do texto integral de Vigotski, permite
acompanhar detidamente a problematização e os
argumentos do autor sobre as relações entre pensamento
e linguagem; os percursos e os métodos de investigação
dessas relações; o debate com Piaget sobre a fala
egocêntrica; a elaboração conceitual; questões sobre
pensamento verbal e a fala interna; a função da forma
verbal de linguagem na elaboração histórica da
consciência humana.
Cronologia das obras publicadas
no Brasil
VIGOTSKI, L. S.; LURIA, A. R.; LEONTIEV, A. N.
Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem.
São Paulo: Ícone, 1988.
Organizado por pesquisadores da Universidade de
São Paulo, o livro reúne textos de Vigotski, Luria e
Leontiev sobre questões de desenvolvimento e
educação, o brincar da criança, a escrita.
Cronologia das obras publicadas
no Brasil
VIGOTSKI, L. S.; LURIA, A. R. Estudos sobre a
história do comportamento: o macaco, o homem
primitivo e a criança. Porto Alegre: Artes Médicas,
1996.
Nesse estudo, Vigotski e Luria procuram discutir e
argumentar sobre as três linhas constitutivas do
desenvolvimento humano: filogenética, histórico-cultural e
ontogenética. Apresentam e comentam estudos sobre o
desenvolvimento das funções psicológicas superiores.
Perspectivas metodológicas da THC
• perspectiva holística
- processos complexos não podem ser reduzidos aos
processos elementares.
• perspectiva interdisciplinar
-leva em consideração diferentes aspectos como os
individuais, psíquicos, culturais, materiais.
• perspectiva monística
- negava a cisão entre corpo e mente, cognição e emoção,
físico e espírito, ações exteriores e ações interiores.

Aspecto histórico-cultural
• "Cultural" significa que a sociedade
organiza a partir do seu nível de
desenvolvimento os problemas e as tarefas
com as quais cada indivíduo desta
sociedade deve confrontar-se.
Aspecto histórico-cultural
• Isto significa também que a sociedade oferece
as possibilidades e proibições do acesso a
todos os instrumentos e meios materiais e
mentais que permitam soluções.

Aspecto histórico-cultural
• Tanto as possibilidades de acesso como de
proibição são determinadas pelos grupos de
poder que controlam as sociedades, e isto não
foi estudado exaustivamente na abordagem
histórico-cultural, talvez, devido aos problemas
políticos existentes na época.

Aspecto histórico-cultural

• "Histórico" significa que estes meios e
instrumentos foram elaborados em um longo
processo da história social dos homens.
(FICHTNER, 2010, p.8)
Aspecto histórico-cultural
O sujeito é visto como um processo vivo, onde
se encontram três linhas diferentes de
desenvolvimento:

- o processo da filogênesis,
- o processo histórico-cultural e
- o processo da ontogênesis.
Aspecto histórico-cultural
• Em outras palavras: a cultura torna-se parte da
natureza humana num processo histórico que,
ao longo do desenvolvimento da espécie e do
indivíduo, molda o funcionamento psicológico
do homem.
Aspecto histórico-cultural


• Ele pode ser compreendido como resultado de
um processo histórico-cultural, cujo o centro
está o uso social dos instrumentos e meios.
Aspecto histórico-cultural


• No contexto desta metodologia, as áreas de
pesquisa são radicalmente determinadas pela
visão do “sujeito" como processo.
Aspecto histórico-cultural
• Naturalmente o background político deste
período foi determinado por uma mudança
total da sociedade. A abordagem histórico-
cultural espelha a indissolubilidade da relação
entre o sujeito individual e a sociedade que o
contém, numa transformação permanente.
Noções que serão trabalhadas
• lei genética do desenvolvimento cultural;
• atividade reprodutiva e criadora;
• função do meio no desenvolvimento;
• vivência;
• situação social do desenvolvimento;
• crise;
• zona de desenvolvimento iminente;
• funções mentais superiores;
• sentido e significado.