A ÁFRICA SOBRE OS OLHARES DA ARTE

LITERÁRIA



UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE
IV Simpósio Linguagens e Identidades da/na
Amazônia Sul-Ocidental e do III Colóquio
Internacional “ As Amazônias, as Áfricas e as Áfricas
na Pan-Amazônia”.
QUESTÕES NORTEADORAS
 Como é que uma literatura africana é escrita
num idioma não-africano?

 A partir de que momento esta literatura se
tornar reflexo da vivência desses africanos?

 Qual o mudança na linguística e contexto dessa
literatura?

CONTEXTUALIZANDO A TEMÁTICA
Discutir:

 O que é África

 Visão ocidental da África

 Olhares da África pela arte literária:
José Craveirinha
Eduardo White
O QUE É ÁFRICA
 Etimologicamente a palavra África deriva
Afri que eram povos que viviam próximo a
Cartago. Já nos tempos romanos estes
acrescentaram o sufixo” ca”, com a
denotação de pais ou território.
 . Estima-se que o Egito foi o primeiro
estado a constituir-se na África por volta de
5000 anos.


O QUE É ÁFRICA
 A África é um continente com aproximadamente
900 milhões de pessoas .
 Ocupação de uma área de cerca de 30 mil
quilômetros quadrado.
 A África possui cerca de 54 países
independentes e algumas colônias.
 Colonizado por europeus em especial por
portugueses e ingleses
 Estrutura da África dividida em estados e
línguas de trabalho.

VISÃO OCIDENTAL DA ÁFRICA
“Em outras palavras, não se globaliza inocentemente. Penso
que dificilmente poderemos ter um lugar na globalização, por
que fomos desestruturados. Se você comparar o papel da
África com o dos Estados Unidos, verá os dois polos da
situação na globalização: os globalizadores , que são os
Estados Unidos, e os globalizados, que são os africanos.
Não sei de que lado você se situa; quanto a mim, eu sei que
sou globalizado. A África, como continente, situa-se mais
nesta categoria, por que é uma questão de relação de forças.
É uma questão de saber se somos sujeitos da historia, se
estamos aqui para desempenhar um papel na peça de teatro.
Na realidade, não há peça onde só há atores principais.
Também deve haver figurantes, e nós, africanos , fomos
classificados como figurantes, isto é, como utensílios e
segundas figuras para pôr em destaque os papeis dos
protagonistas.”
Joseph Ki-Zerbo
OLHAR LITERÁRIO(JOSÉ CRAVEIRINHA)
 Nascido em 28 de maio de 1922 em Maputo-
Moçambique, faleceu em 6 de fevereiro de
2003
 Filho de pai algarvio e mãe africana, mas foi
criado por sua madrasta.
 De sua verdadeira mãe permaneceu o
aprendizado da língua Ronga. Língua essa
que contribuiu bastante para a construção de
suas obras literárias.

OLHAR LITERÁRIO(JOSÉ CRAVEIRINHA)
 Ligado às atividades politicas , que deram
origem ao processo de independência de
Moçambique.
 Tendo preso pela policia politica portuguesa
entre 1965 a 1969.
 Jornalista , trabalhou em vários jornais de seu
pais;
 Após a independência de Moçambique , tornou-
se o primeiro presidente da Associação dos
Escritores Moçambicanos-AEMO
 Publicou inúmeros textos para jornais;
 Possui obras poéticas de grande valor, como:
Xigubo


JOSÉ CRAVEIRINHA
 Em Xigubo ,encontramos a identidade
moçambicana, as suas origens, herança
cultural, além de uma linguística e sons
capazes de compor um painel mais ágil e
consistente do mundo o qual esta sendo
representado.
A seguir poemas que representam essa
identidade:

JOSÉ CRAVEIRINHA
Poema : Quero ser tambor
Tambor está velho de gritar
ó velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
só tambor gritando na noite
quente dos trópicos.

E nem flor nascida na mata do
desespero.
Nem rio correndo para o mar
do desespero .
Nem zagaia temperada no lume
vivo do desespero.
Nem mesmo poesia forjada na
dor rubra do desespero.

Nem nada!



Só tambor velho de gritar na lua
cheia da minha terra.
Só tambor de pele curtida ao sol
da minha terra.
Só tambor cavado nos troncos
duros da minha terra !

Eu!
Só tambor rebentando o silencio
amargo da Mafalala.
Só o tambor velho sangrar no
batuque do meu povo.
Só o tambor perdido na escuridão
da noite perdida.
(JOSÉ CRAVEIRINHA)
Poema : Quero ser tambor
Ó velho Deus dos homens
eu quero ser tambor.
E nem rio
E nem flor
e nem zagaia por enquanto
e nem mesmo poesia.

Só tambor ecoando a canção da
força e da vida
Só tambor noite e dia
Dia e noite só tambor
Até a consumação da grande
festa do batuque!
Oh, velho Deus dos homens
Deixa-me ser tambor
Só tambor!




OLHAR LITERÁRIO(JOSÉ CRAVEIRINHA)
Poema : Fabula
Menino gordo comprou um balão e
assoprou
Assoprou com força o balão amarelo.

Menino gordo assoprou assoprou assoprou
O balão inchou
Inchou
E rebentou!

Meninos magros apanharam os restos
E fizeram balõezinhos.





OLHAR LITERÁRIO(EDUARDO WHITE)
 Nascido em 21 de novembro de 1963 em
Quelimane
 O seu sobrenome traz uma curiosidade é o
fato de que a mãe é portuguesa e o pai
moçambicano porém de descendência
inglesa
 Sua poesia é um reflexo de um pais em
reestruturação.
 Função humanizadora
OLHAR LITERÁRIO(EDUARDO WHITE)
 Principais obras: Amar sobre o Indico e O
país de mim

“ O que procurei é levar ao leitor
uma relembrança do que afinal
está em nós ainda vivo, do que
a gente acredita como sendo possível,
como sendo real que é o amor”

(EDUARDO WHITE)
Porquê o amor em meus poemas sempre?
Porquê essa paixão suprema?
Não te perguntes,
Não te expliques,
Inventa e experimenta.

Digo-te
-Eu já amava e escrevia versos
Nas paredes do útero de minha mãe
CONSIDERAÇÕES FINAIS
 Para que se possa compreender a historia da
África é necessário que haja um
distanciamento de toda visão ocidental a qual
estamos inseridos. Caso isso não ocorra
continuaremos com a concepção hegemônica
de que a África é um país sem historia, de
povos iguais e primitivos e incapaz de produzir
cultura e arte e apenas de consumi-las.

REFERENCIAS BIBLIOGRAFIA
 Ki-Zerbo, Joseph
Para quando África?:entrevista com René
Holenstein/Joseph Ki-Zerbo; tradução Carlos
Aboim de Brito- Rio de Janeiro: Pallas, 2006

 África & Brasil: letras em laços/organizadoras
Maris do Carmo Sepúlveda Campo, Maria
Teresa Salgado.- São Caetano do Sul: Yendis
Editora, 2006

Obrigado!

Assume o amor como um oficio
Onde tens que te esmerar,
Repete-o até a perfeição,
Repete-o quantas vezes for preciso
Até dentro dele tudo durar
E ter sentido

Eduardo White

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