You are on page 1of 36

OFICINA DE TUTORES

PAINEL 1


PROMOÇÃO
E
VIGILÂNCIA EM SAUDE


JULHO/2004
História – século XIX aos anos 70 = concepções: miasmática
(miasmas, insalubridade) > monocausal (teoria germes,
agente/hospedeiro) > multicausal (agente+hospedeiro +meio)
= predomínio da clínica (biologicista, espaço de atenção as
pessoas, ausência doenças). OMS/anos 50/60.

Anos 70/80 – renovações conceituais = abrangentes, articulam
saúde com condições de vida. LALONDE (1974) – “campo da
saúde”com 04 dimensões explicativas = biologia + estilos de
vida + meio ambiente + serviços. Carta de Ottawa (1986) –
paz, educação, renda, justiça, equidade etc = saúde.

Evolução > das aproximações negativas = doenças e mortes >
para aproximações positivas = qualidade de vida e produto
social.
ANTECEDENTES DA VIGILÂNCIA EM SAÚDE
As concepções de saúde-doença
Saúde como resultado de um processo de produção social
= qualidade de vida

“Um modo de andar a vida, viver desimpedido, gozar de
boa saúde é poder ficar doente e se recuperar, é um luxo
biológico (CANGUILHEM, 1966)

Saúde como um modo de relação do tipo
equilíbrio/desequilíbrio do homem com seu meio = fatores
humanos,condições ecológicas, estruturas sociais
(HERZLICH, 1969)

Constituição Brasileira/88 – BRASIL = concepção ampliada
de saúde.
ANTECEDENTES DA VIGILÂNCIA EM SAÚDE
As concepções de saúde-doença
Construção social de um novo sistema de saúde.
Processo de longo curso = mudanças político-ideológicas
+ mudanças cognitivo-tecnológicas (MENDES, 1996)

Concepção saúde-doença = negativa para positiva

Paradigma sanitário = flexneriano para produção social
da saúde

Prática sanitária = atenção médica para vigilância em
saúde

Ordem governativa da cidade = gestão médica para
gestão social

NOVOS PARADIGMAS ?
SISTEMAS E PRÁTICAS DE SAÚDE
Origens históricas: o nascimento da medicina social nos
séculos XVIII e XIX = relação entre saúde e condições
(qualidade) de vida

Frank (Áustria), Chadwick, Engels (Inglaterra), Villermé
(Franca), Virchow (Alemanha) = precursores da promoção

Século XX: era bacteriológica/domínio clínica. Anos 60/70
= medicina preventiva (Leavel & Clark) + concepções
contra-hegemônicas (campo da saúde coletiva)

Lalonde (Canadá), Breil, Nunez, Possas, Paim, Bemh,
Laurell, Arouca (América Latina) = subsídios para
movimentos sociais e políticas públicas

MUDANÇAS NOS PADRÕES
SANITÁRIOS PROMOVENDO SAÚDE
Principais conceituações (BUSS, 2000):
a) promoção como atividades dirigidas ao comportamento
dos indivíduos = foco nos estilos de vida + ambiente familiar
(máximo na cultura comunitária). Prioridades = componente
educativo (educação em saúde) + riscos comportamentais
passíveis mudança > hábito fumar, dieta, atividades físicas,
trânsito, etc. Inicialmente utilizada nessa perspectiva
(medicina preventiva).

b) promoção como atividades voltadas ao coletivo dos
indivíduos e ao ambiente (físico, cultural, político, etc).
Através de políticas públicas e de condições favoráveis ao
desenvolvimento da saúde = indivíduos e a comunidade >
reforçada sua capacidade de decisão/participação
(empowerment). Saúde como resultante = vários
fatores/qualidade vida
MUDANÇAS NOS PADRÕES SANITÁRIOS
PROMOVENDO SAÚDE
Detalhando concepção moderna de promocão (últimos 25 anos):

Informe Lalonde – Canadá (1974) + Conferencia Internacional de
Alma-Ata -Cuidados Primários (1978)

Carta de Ottawa (1986) – `como processo de capacitacão da
comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e
saúde` (participação e controle).

Gutierrez (1994) – `conjunto de atividades, processos e recursos,
de ordem institucional, governamental ou da cidadania (...)`
(papel fundamental do Estado = América Latina)

Conferencias Internacionais Promoção - Ottawa (1986), Adelaide
(1988), Sundsvall (1991), Bogotá (1992), Jakarta (1996), México
(2000).
MUDANÇAS NOS PADRÕES SANITÁRIOS
PROMOVENDO SAÚDE
Modelo flexneriano (FLEXNER, 1910) – corpo humano
como mecanismo (máquina), biologismo, individualismo,
especializacão, tecnificacão, curativismo

Atencão médica como base do sistema – expansão da
visão clínica, ênfase na formação especializada,
aprendizado nos hospitais, ensino laboratorial.

Modelo da producão social (MATUS, 1987) – numa
sociedade haverá sempre um “estoque de saúde” que
poderá acumular-se ou não virtude do jogo social.
Qualidade de vida.

vigilância em saúde como base do sistema – centrada em
03 pilares = problemas, território, e intersetorialidade.
Integralidade nas acões
MUDANÇAS NOS PADRÕES SANITÁRIOS
PROMOVENDO SAÚDE
Ottawa, 1986: 1) Estratégias fundamentais da promoção -
defesa da saúde, capacitação e mediação. 2) Campos
centrais de ação – políticas públicas saudáveis, ambientes
favoráveis a saúde, reforço da ação comunitária,
desenvolvimento de habilidades pessoais, reorientação do
sistema de saúde

MENDES (1996) > Saúde como resultante de fatos
economico-sociais, políticos, cognitivos

Campos conhecimento = interdisciplinaridade

Prática social = intersetorialidade

Tänatos > Eros
MUDANÇAS NOS PADRÕES SANITÁRIOS
PROMOVENDO SAÚDE

1. O enfoque estratégico-situacional – Matus (anos 60 – 70)
America Latina – subsidiar práticas concretas em qualquer dimensão
da realidade social e histórica . Método CENDES/OPAS
No Brasil – Planejamento e Programação Local (SUDS,87-89) –
vários métodos – Método Altair de Planificação Popular (MAPP) e
Planejamento de Projetos Orientado por Objetivos (ZOOP)

2. O Processo de Distritalização da Saúde (Teixeira, 1993; Mendes, 1994)
Na América Latina os SILOS – Sistemas Locais de Saúde – processo
social e político de transformação de práticas
No Brasil a experiência da cooperação Brasil-Itália-OPS – Construção
de Distritos Sanitários (Paim, 1993, 1994; Mendes, 1994; Teixeira,
1994; Silva Junior, 1996; Vilasboas, 1998)
CONSOLIDAÇÃO DA VIGILÂNCIA EM
SAÚDE NO BRASIL

CRISE DO SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE
DIMENSÃO DAS PRÁTICAS EM SAÚDE
ALTERNATIVAS PARA A CRISE DO SISTEMA
MUNICIPALIZAÇÃO + DISTRITALIZAÇÃO
Dupla dimensão
VIGILÂNCIA EM SAÚDE
GERENCIAL TÉCNICA
(Práticas Sanitárias) (Modelo de Atenção)
O CENÁRIO DE CONSTRUÇÃO DA
VIGILÂNCIA EM SAÚDE
A VIGILÂNCIA EM SAÚDE
como


MODELO ASSISTENCIAL
OU
MODELO DE ATENÇÃO


… como uma “razão de ser” – uma
racionalidade; uma espécie de lógica que
orienta a ação...

(Paim, 2003)

MODELO SUJEITO OBJETO MEIOS DE
TRABALHO
FORMAS DE
ORGANIZAÇÃO
Modelo
médico -
assistencial
privatista

Médico
Especialização
Complementariedade
(paramédico)
Doença
(patologia e outras)
Doentes
(clínica e cirurgia)
Tecnologia médica
(ind ivíduo)
Rede de serviços de
saúde
Hospital

Modelo
Sanitarista

Sanitarista
auxiliares

Modos de
transmissão
Fatores de risco

Tecnologia sanitária

Campanhas
sanitárias
Programas especiais
Sistemas de
Vigilância
Epidemiológica e
Sanitária

Modelo d e
Vigilância
da Saúde
Equipe de saúde
População (cidadãos)
Danos, riscos,
necessidades e
determinantes dos
modos de vida e
saúde (condições
de vida e trabalho)
Tecnologia de
comunicação social,
de planejamento
local situacional e
tecnologias médico -
sanitá rias
Políticas públicas
saudáveis
Ações intersetoriais
Intervenções
específicas
(promoção,
prevenção e
recuperação)
Operações sobre
problemas e grupos
populacionais


ANÁLISE DOS MODELOS ASSISTENCIAIS E VIGILÂNCIA EM SAÚDE
REORIENTA A DEMANDA PARA
MELHOR ATENDER A POPULAÇÃO

Os problemas

As necessidades


Modelo Anterior
Ao SUS
Novo Modelo
Assistencial
DEMANDA ORGANIZADA
DEMANDA ESPONTÂNEA
PRORAMAS ESPECIAIS
Fonte: PAIM,1992
ANÁLISE DE TRANSIÇÃO DA DEMANDA
NA PRÁTICA QUAL A DIFERENÇA
DO

MODELO DE VIGILÂNCIA EM
SAÚDE

EM RELAÇÃO AOS OUTROS
MODELOS ?

Controle
de
Causas
Controle de Riscos Controle de Danos
Intervenção
Social
Organizada
Ações Programáticas de Saúde – Oferta Organizada

Políticas
Públicas
Trans –
Setoriais
Vigilância Sanitária
Assistência Médico-hospitalar
Promoção
Da
Saúde
Proteção
Da
Saúde
“Screening”
Diagnóstico
Precoce
Limites
Dano
Reabilitação
Consciência Sanitária e Ecológica / Educação em Saúde
D
e
t
e
r
m
i
n
a
n
t
e
s

s
ó
c
i
o



E
c
o
n
ô
m
i
c
o
s


N
E
C
E
S
S
I
D
A
D
E
S

DIAGRAMA DA VIGILÂNCIA EM SAÚDE
Riscos Exposição
Grupo de
Risco

Expostos
Atuais
Potenciais
Senso Comum
Norma Jurídica
Epidemiologia
Indícios Indícios Casos
Cura
Seqüela
Óbito
Suspeitos Assintomáticos
Exposição Danos
Vigilância
Epidemiológica
Resgata a visão
ampliada de
Saúde

Baseado no
recorte teórico e
metodológico da
determinação
social

Contole de
Causas, Riscos e
Danos

Amplia o Modelo
clássico da
História Natural
das Doença
Fonte: PAIM, 1992
QUAL A CONCEPÇÃO E
COMO SE ESTRUTURAM AS
PRÁTICAS
DA VIGILÂNCIA EM SAÚDE ?
Análise da Situação de saúde de Grupos de populações
(Waldman, 1992)

Integração institucional entre as práticas de Vigilância
Epidemiológica e Vigilância Sanitária (Barata, 1993)

Organização tecnológica do trabalho em saúde,
estruturada por práticas articuladas de prevenção de
doenças e agravos, bem como de promoção,
recuperação e reabilitação da saúde de grupos
populacionais, em suas dimensões coletiva e individual
(Teixeira, Paim & Vilasboas, 1998)
AS CONCEPÇÕES DE
VIGILÂNCIA EM SAÚDE
Tem como objeto do trabalho os problemas selecionados
de saúde de grupos populacionais específicos com uma
base territorial própria e comum (território-população)

Integram um conjunto de outras práticas destinadas a
intervir de forma contínua sobre os mesmos problemas
(integralidade das ações)

Estão organizadas sob a forma de operações (não só por
programas)

Têm por finalidade contribuir para a melhoria das
condições de vida e saúde dos grupos populacionais em
questão
CARACTERÍSTICAS DAS PRÁTICAS DE
VIGILÂNCIA EM SAÚDE
Os gerentes e/ou equipe gerencial do SUS - co-responsáveis
pela saúde-doença de grupos populacionais que vivem e
trabalham nos territórios-processos, desde que viabilizem as
intervenções intra e extra-setoriais a partir de sua liderança
institucional.

Os profissionais executores de práticas de promoção,
prevenção, atenção curativa e reabilitação, desde quando
integrem os trabalhos parcelares da vigilância em saúde.

Os profissionais de outros setores cujas ações possam
contribuir para alterar as condições de vida dos grupos
populacionais em foco.

Os grupos populacionais “objetos” e sujeitos das práticas de
vigilância em saúde, desde que mobilizados e ativos
OS AGENTES DAS PRÁTICAS DE
VIGILÂNCIA EM SAÚDE
Vigilância Epidemiológica -“um conjunto de ações que
proporcionam o conhecimento, detecção ou prevenção de qualquer
mudança nos fatores determinantes e condicionantes da saúde
individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar
as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos”

Vigilância Sanitária -“um conjunto de ações capaz de eliminar,
diminuir, ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas
sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação
de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde”

Vigilância Ambiental -“um conjunto de ações que promovem o
desenvolvimento de condições ambientais ótimas - controle amplo
das ameaças e riscos aos ambientes e a pessoas -, contribuindo
positivamente para a saúde e o bem-estar do homem.”
ESTRUTURAS OPERACIONAIS DA
VIGILÂNCIA EM SAÚDE
PROJETOS ESTRUTURANTES DA
VIGILÂNCIA EM SAÚDE
CIDADES SAUDÁVEIS - “melhoria do seu ambiente físico e social,
com recursos da própria comunidade, elevando os níveis de
realização de suas atividades humanas ...com políticas de saúde
desenvolvidas com a participação social e ações intersetoriais”.
PSF/ACS - “oferecer atenção básica a famílias e a população, de
um território, de forma participativa - com ações de promoção e
proteção à saúde, através de uma equipe multiprofissional”.
CONSÓRCIOS MUNICIPAL E INTERMUNICIPAL - o município como
o espaço privilegiado das práticas em saúde. Gestão participativa
e compartilhada entre os diversos atores sociais na perspectiva da
melhoria da qualidade de vida da população.
DISTRITO SANITÁRIO - unidade operacional mínima do sistema.
Otimizar todos os recursos do(s) município(s)- humanos,
financeiros, físicos - para resolver os problemas de saúde das
populações sob sua responsabilidade”
COMO SE TRABALHA COM A
PROPOSTA

DO MODELO DA

VIGILÂNCIA EM SAÚDE?
ANÁLISE DA SITUAÇÃO DE SAÚDE: conhece a população e o
seu território de atuação

DEFINIÇÃO DA SITUAÇÃO-OBJETIVO: lista e prioriza os
problemas (situações-problemas) mais relevantes encontrados
no território-população

DESENHO DE ESTRATÉGIAS: verificar dentre os problemas
prioritários o que fazer, como fazer, quando fazer e com quem
fazer para solucioná-los

PROGRAMAÇÃO, ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO: define
as operações que terão de ser feitas para resolver de forma
efetiva aos problemas prioritários selecionados, para chegar
onde se deseja
O PROCESSO DE TRABALHO:
O PLANEJAMENTO DA VIGILÂNCIA EM SAÚDE
CONHECER E DIALOGAR COM A POPULAÇÃO
IDENTIFICAR PROBLEMAS NO TERRITÓRIO
TERRITORIALIZAR INFORMAÇÕES
Município
Área de abrangência das US
Microárea de Risco
Distrito Sanitário
Famílias
Fonte: Teixeira, 2000
TERRITORIALIZAÇÃO DOS PROBLEMAS E AÇÕES
DE SAÚDE NO MUNICÍPIO
CAUSAS
CAUSAS
CONSEQUÊNCIAS
CONSEQUÊNCIAS
CONSEQUÊNCIAS
CAUSAS
(Determinantes)
(Condicionantes)
ÁRVORE DE PROBLEMAS
SELECIONAR E PRIORIZAR PROBLEMAS
PROGRAMAR
(Programação Operativa)



DEFINIR
(Plano de Ação)


INTERVIR
(Ação Intersetorial e Comunicativa)
O Planejamento da vigilância em saúde é um
“SABER OPERANTE”
transformador das práticas sanitárias no nível local
e não um instrumento racionalizador de procedimentos
técnicos-gerenciais.
TODOS PLANEJAM, DIALOGAM E PACTUAM
para resolver problemas e necessidades em saúde através da
AÇÃO DIALÓGICA E COMUNICATIVA
entre os diferentes atores sociais que vivem e atuam em
um território.
PORTANTO …
AS POSSIBILIDADES

A VS como – “modo tecnológico de intervenção em saúde”
que incorpora os atuais modelos assistenciais hegemônicos
Articula-se com as propostas da promoção da saúde
Redefine o objeto, os meios, as atividades e as relações
técnicas e sociais
Reorganiza a saúde e a cultura sanitária
Contempla necessidades sociais e os deteminantes
sócioambientais dos problemas
Reforça a autonomia e o protagonismo dos sujeitos –
população e profissionais que trabalham a saúde
Propõe ajudar a produzir saúde sem controlar as pessoas
Representa um “conceito em estado prático” - experimentado
O DESAFIO de “construir o novo”
AS DIFICULDADES

A heterogeneidade da realidade brasileira –
econômica, social, geopolítica, sanitária
Os enraizamentos das culturas sanitária e institucional
A complexidade dos problemas e necessidades em
saúde frente as iniqüidades – necessidades de
mudanças estruturais
A pouca qualificação profissional em saúde coletiva
A lógica biologicista e fragmentada da formação em
saúde
O DESAFIO de “construir o novo”

… poderá ser o cenário em que se
desenvolverão processos distintos:
E O FUTURO …
De um lado, a
“mercantilização
” da prevenção,
com participação
da lógica da
produção,
distribuição e
consumo de
mercadorias no
campo específico
da prevenção de
riscos e agravos
à saúde de
indivíduos e
grupos.
De outro, o
esforço coletivo
pela
“socialização” da
promoção, com a
formação de
novos sujeitos
políticos
coletivos, que se
mobilizem pela
transformação
das condições e
modos de vida
dos diversos
grupos
populacionais.
(Teixeira, 2001)
PROMOÇAO E VIGILÂNCIA EM
SAÚDE