AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM

1. Introdução a Avaliação

• A avaliação escolar, também chamada avaliação
do processo ensino aprendizagem ou avaliação
do rendimento escolar, tem como dimensão de
análise o desempenho do aluno, do professor e
de toda a situação de ensino que se realiza no
contexto escolar.
• O processo avaliativo parte do pressuposto de
que se defrontar com dificuldades é inerente ao
ato de aprender.
São questões típicas de avaliações:


• Que problemas o aluno vem enfrentando?
• Por que não conseguiu alcançar determinados
objetivos?
• Qual o processo de aprendizagem desenvolvido?
• Quais os resultados significativos produzidos
pelo aluno?

• Ensino, avaliação e aprendizagem são elementos
integrantes de um mesmo processo. Definindo-se o
processo de ensino, orienta-se a avaliação na mesma
direção. Decorre daí, que a concepção de avaliação
deve estar em sintonia com as convicções que temos
sobre ensino e aprendizagem.

• A avaliação da aprendizagem, portanto, deve
abarcar a noção de processo, sendo considerada
como um meio e não um fim em si mesma.

2. AVALIAR SEGUNDO OS PRINCIPAIS
AUTORES
• Avaliar segundo Jussara Hoffmann
• A avaliação é reflexão transformada em ação.
• Hoffmann (2004) propõe para a realização da
avaliação, na perspectiva de construção, duas
premissas fundamentais: confiança na possibilidade
do aluno construir as suas próprias verdades;
valorização de suas manifestações e interesses.
• Ela distingue o diálogo entre professor e aluno como
indicador de aprendizagem, necessário à
reformulação de alternativas de solução para que a
construção do saber aconteça.

• Na avaliação mediadora, o professor deve
interpretar a prova, não para saber o que o aluno
não sabe, mas para pensar nas estratégias
pedagógicas que ele deverá utilizar para
interagir com esse discente.

Avaliar segundo Philippe Perrenoud
• A avaliação da aprendizagem, no novo paradigma, é
um processo mediador na construção do currículo e
se encontra intimamente relacionada à gestão da
aprendizagem dos alunos.
• A avaliação é um processo que deve estar a serviço
das individualizações da aprendizagem.
• Avaliar é criar hierarquias de excelência. Avaliar é
privilegiar um modo de estar em aula e no mundo,
valorizando formas e normas de excelência. Avaliar
é prevenir, ante ao fracasso escolar.

• A avaliação não é uma tortura medieval ou uma
invenção para estigmatizar a ignorância de
alguns e celebrar a excelência de outros.

Avaliar segundo Cipriano Luckesi
• Avaliar é o ato de diagnosticar uma experiência,
tendo em vista reorientá-la para produzir o melhor
resultado possível; por isso, não é classificatória,
nem seletiva, ao contrário, é diagnóstica e inclusiva.
• O ato de avaliar é um ato de investigar.
• “A avaliação é uma apreciação qualitativa sobre
dados relevantes do processo de ensino e
aprendizagem que auxilia o professor a tomar
decisões sobre o seu trabalho”. (Cipriano Luckesi,
1998)
Avaliar segundo Antoni Zabala

• Para o autor, a avaliação é o elemento-chave de
todo o processo de ensinar e aprender (...); com
idoneidade(...); com auto-avaliação
(profissionais e alunos). Um olhar, um gesto,
uma expressão de alento ou de confiança, uma
recusa, um não levar em conta o que se fez, uma
manifestação de afeto, tudo isto merece ser
considerado como indicadores para a avaliação
de um aluno.
3. AVALIAÇÃO ESCOLAR
A avaliação qualitativa e contínua é
reconhecida na atual LDB ( Lei 9.394/96 )
• Artigo 24:
V. A verificação do rendimento escolar observará
os seguintes critérios:
a) avaliação contínua e cumulativa do
desempenho do aluno, com prevalência dos
aspectos qualitativos sobre os quantitativos e
dos resultados ao longo do período sobre os de
eventuais provas finais;
b) possibilidade de aceleração de estudos para
alunos com atraso escolar.
Segundo a LDB…
• 1.O processo de avaliação deve ter como objetivo
detectar problemas, servir como diagnóstico da
realidade em função da qualidade que se deseja
atingir.
• 2. A avaliação pode definir o grau do
desenvolvimento e experiência discente; pode e deve
aproveitar o saber do aluno.
• 3. A avaliação deve ser contínua e cumulativa, com
prevalência do qualitativo sobre o quantitativo; deve
ser voltada para a promoção, e não para a
estagnação.






































O inciso V do artigo 24 é o que faz referência
mais explícita ao tipo de processo de avaliação.
Diz o texto:
• V. a verificação do rendimento escolar observará os
seguintes critérios:
• a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho
do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos
sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do
período sobre os de eventuais provas finais;
• b) possibilidade de aceleração de estudos para
alunos com atraso escolar;
• c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries,
mediante verificação do aprendizado. (…)
O artigo 47 da LDB...
• postula no parágrafo primeiro que as
instituições informarão aos interessados, antes
de cada período letivo, os critérios de avaliação.

• Antes, porém, de saber se os alunos conhecem os
critérios, poderíamos mesmo questionar se os
professores os conhecem.
4. AVALIAR
• A concepção de avaliação deve ir além de uma
visão tradicional, para ser compreendida como
uma parte integrante ao processo educacional.

• A avaliação escolar deve ser mais estudada e
detalhada cientificamente, buscando considerar
relações de afetividade entre professor e aluno
que possam ser garantidas dentro das variadas
formas de avaliação.
Avaliar x Verificar
?
Mas o que significa
avaliar?
• Avaliar – a valere : dar valor
• (Qualitativa)

• Verificar – verum facere : fazer verdadeiro
• (Quantitativa)

Avaliar, em poucas palavras...
• seria identificar quais reforços são necessários
para que o educando recupere o que não
aprendeu em determinado período, procurando
gerar a autonomia do aluno em construir ou
buscar o próprio conhecimento, jamais podendo
implicar em um simples processo classificatório
de aprovação ou reprovação, mas sim um
processo de busca de resultados.
Reafirmando ideias: A Avaliação...
• Não é pontual, é diagnóstica, inclusiva, democrática
e dialógica.
• Examinar e avaliar são práticas completamente
diferentes.
• Avaliar significa subsidiar a construção do melhor
resultado possível e não pura e simplesmente
aprovar ou reprovar alguma coisa. Os exames,
através das provas, engessam a aprendizagem; a
avaliação a constrói fluidamente.
• O ato de avaliar a aprendizagem implica em
acompanhamento e reorientação permanente da
aprendizagem.
Mudando a concepção de avaliação
• Avaliação Processual
• O professor necessita de compreender o que é
avaliar e, ao mesmo tempo, praticar essa
compreensão no cotidiano escolar. Repetir
conceitos de avaliação é uma atitude simples e
banal; o difícil é praticar a avaliação. Isso exige
mudanças internas do educador e do sistema de
ensino
Acompanhamento individualizado
dos alunos

• Avaliação não é sinônimo de ensino
individualizado, mas sim de um rigoroso
acompanhamento e reorientação das atividades,
tendo em vista resultados bem sucedidos.

Avaliação X Resistência a Mudanças
• São três as principais razões da resistência dos
professores com relação às mudanças:
• A Psicológica (biográfica, pessoal)

• A Histórica, decorrente da própria história da
educação.

• A Atual uma vez que vivemos hoje num modelo
de sociedade excludente e os exames expressam
e reproduzem esse modelo de sociedade.
5. CONSTRUÇÃO DA CULTURA
AVALIATIVA MEDIADORA
• Para desenvolver uma cultura da avaliação
mediadora os educadores e a escola necessitam
de praticar essa forma avaliativa e essa prática
realimentará novos estudos e aprofundamentos
de tal modo que um novo entendimento e um
novo modo de ser vai emergindo dentro do
espaço escolar. O que vai dar suporte à mudança
é a prática refletida, investigada.
5.1 Funções da Avaliação
• Selecionar
• Diagnosticar
• Antecipar
• Orientar
• Certificar
• Regular
Essas funções atuam de forma interdependente,
não podendo ser consideradas isoladamente.
5.2 Modalidades de Avaliação
• Diagnóstica – no início do processo, permite
verificar se os alunos possuem os pré-equisitos
necessários para acompanhá-lo;
• Formativa – ocorre durante todo o processo, faz
controle, verifica se os objetivos estão sendo
alcançados;
• Somativa – no final do processo, faz a
classificação dos alunos.
5.3 Tarefas de avaliação
• Verificação – coleta de dados sobre o
aproveitamento dos alunos, através de provas,
exercícios e tarefas ou de meios auxiliares, como
observação de desempenho, entrevistas, etc;
• Qualificação – comprovação dos resultados
alcançados em relação aos objetivos e, conforme
o caso, atribuição de notas ou conceitos;
• Apreciação qualitativa – avaliação propriamente
dita dos resultados, referindo-os a padrões de
desempenho esperados.
Atribuição de notas ou conceitos
• A avaliação, quando não restrita ao julgamento
sobre sucessos e fracassos dos alunos, é um
conjunto de atuações com a função de alimentar,
sustentar e orientar o processo pedagógico.
• É importante lembrar que há diferentes funções
que devem ser consideradas em relação à
avaliação. O que se encontra ainda muito na
escola é a avaliação com funções controladora e
classificatória.
As características da avaliação escolar
• Reflete a unidade objetivos - conteúdos -
métodos – é parte integrante do processo de
ensino e aprendizagem, e não uma etapa isolada;
• Possibilita a revisão do plano de ensino;
• Ajuda a desenvolver capacidades e habilidades;
• Volta-se para a atividade dos alunos;
• Procura ser objetiva;
• Ajuda na autopercepção do professor;
• Reflete valores e expectativas do professor em
relação aos alunos.
5.4 Atribuição de notas ou conceitos
• A avaliação escolar tem também a função de controle,
expressando os resultados em notas ou conceitos que
comprovam a quantidade e a qualidade dos
conhecimentos adquiridos em relação aos objetivos.
6. TÉCNICAS E INTRUMENTOS DE
AVALIÇÃO
• O que afere a significância de um instrumento
não é sua sofisticação, mas o uso que fazemos
dele e das informações que ele nos fornece.

• A escolha e elaboração dos instrumentos de
avaliação devem ser feitos no planejamento,
quando o educador deve questionar: “O que vou
ensinar?”, “Por que ensino?”, “O alunos podem
aprender isso?”.
• O válido é que, no processo, a avaliação forneça
dados que levem o educador a compreender o
que o aluno aprendeu ou não, para que o mesmo
possa fazer intervenções que ajudem seus alunos
a superar suas dificuldades e avançar. Os
instrumentos podem guiar o olhar do professor
nesse sentido.
• O importante nessa perspectiva é colocar a
avaliação a serviço da inclusão dos alunos no
processo de sua aprendizagem.
• os instrumentos de avaliação devem derivar em
um conjunto de informações sobre o processo de
ensino-aprendizagem que possibilitem ao
educador:
• recolher indícios de crises, sofrimentos, avanços
e conquistas;
• interpretar esses indícios visando a entender as
dificuldades apresentadas pelos alunos, bem
como sistematizar seus avanços;
• rever metas, estabelecer novas diretrizes, propor
outras formas de ensinar, gerando assim novas
aprendizagens;
• Levar o aluno a se entender no processo de
ensino e aprendizagem;
• construir formas de comunicação claras para
mostrar a todos os interessados, tanto o sentido
ou o significado desse processo avaliativo quanto
a situação dos alunos nesse novo contexto.

• A amplitude e variedade de instrumentos e de
informações produzidas juntamente com os
fatos sobre o ensino e a aprendizagem não estão
em sua forma final, sendo necessário buscar, nas
informações fornecidas pelos instrumentos, a
construção de um cenário para a interpretação
da história de cada participante, sob o olhar
único do professor e do próprio aluno.
6.1 Instrumentos de avaliação
• Alguns instrumentos:

• Observação e registro;
• Análise de registros dos alunos;
• Provas;
• Análise de erros.
6.2 Observação e registro pelo
professor
• Proporcionam a interferência imediata do
educador que poderá rever algumas atividades,
propor outras ou avançar no tema em estudo.

• Os registros exigem um constante olhar para as
metas e servem de mapa do processo de
aprendizagem de cada aluno e da classe como
um todo, além de auxiliar na reflexão sobre a
própria prática do professor.
6.3 Análise de registros dos alunos
a) Ao iniciar um novo tema- as produções têm
como objetivo investigar os conhecimentos prévios
dos alunos sobre determinado assunto, e a partir
disso, o professor poderá organizar suas ações
docentes.
b) Após uma atividade- os alunos fazem registros
sobre o que fizeram, aprenderam (ou não) e
perceberam durante a realização de uma atividade
ou bloco de atividades.
c) Ao término de um assunto.
• Pode ser a produção de uma síntese, resumo ou até
mesmo um parecer sobre o tema desenvolvido
6.4 Provas
• As provas são recursos técnicos vinculados aos
exames e não à avaliação.
• As provas traduzem a ideia de exame e não de
avaliação.
• O uso da prova como instrumento pode ser
analisado sob diversas perspectivas.
6.5 Análise de erros

• Olhar para os erros é investigar seus
significados, observá-los segundo diferentes
pontos de vista e, deste modo, possibilitar uma
postura mais crítica sobre o que se sabe e o que
falta aprender.

6.6 Auto-avaliação - Função
Educativa
• É uma avaliação do aluno sobre ele mesmo,
sobre suas atuações, suas aprendizagens, e é
preciso que o educador crie oportunidades para
que isso aconteça.
• A Auto-avaliação tem a função educativa,
pois o aluno faz uma reflexão pessoal de
suas conquistas, seus avanços e necessidades,
observando limites e momentos de superação.
Lembre-se, da Auto- Avaliação!
• Situação de aprendizagem em que o aluno
desenvolve estratégias de análise e interpretação
de suas produções e dos diferentes
procedimentos para se avaliar. É central para a
construção da autonomia dos alunos, cumpre o
papel de contribuir com a objetividade desejada
na avaliação, uma vez que esta só poderá ser
construída com a coordenação dos diferentes
pontos de vista, tanto do aluno quanto do
professor.
6.7 Avaliação entre os pares

• Esse instrumento tem como objetivo, também,
criar em sala de aula um ambiente no qual a
comunicação seja estimulada, o conhecimento
compartilhado e a tolerância desenvolvida como
um valor.
6.8 Portfólio
• O portfólio se constitui em um conjunto
organizado de trabalhos produzidos por um
aluno ao longo de um período de tempo. Tem
como finalidade proporcionar um diálogo entre
os envolvidos no processo avaliativo sobre
aprendizagem e o desenvolvimento de cada um.
• A elaboração do portfólio é de responsabilidade
do aluno, mas tem a supervisão direta do
professor, que auxilia na organização e na
seleção das informações a serem utilizadas.
Estimula seu uso, prevê momentos de trabalho
com a documentação, usa o portfólio no
processo de avaliação e auto-avaliação.