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Registros de Representação Semiótica

Raymond Duval
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Referências Básicas
 DUVAL, R. Registros de representações semióticas e funcionamento
cognitivo da compreensão em Matemática. In: Aprendizagem em
Matemática. Machado, S. D. A. (org.). pp. 11-33. Campinas, SP: Papirus,
2003.
 DAMM, R. F. Registros de Representação. In: Educação matemática:
uma introdução, pp. 135-154. São Paulo: Educ, 1999.
 Machado, S. D. A. (org.). Aprendizagem em Matemática. Campinas, SP:
Papirus, 2003.
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 Duval propõe um abordagem cognitiva para compreender:
 as dificuldades dos alunos na compreensão da Matemática
 a natureza dessas dificuldades
 A abordagem cognitiva procura descrever o funcionamento cognitivo que
possibilite a um aluno compreender, efetuar e controlar a diversidade dos processos
matemáticos que lhe são propostos.
 Duas questões preliminares são postas para analisar as condições e os problemas da
aprendizagem em Matemática:
 Quais sistemas cognitivos são necessários mobilizar para aceder aos objetos matemáticos
e para efetuar as múltiplas transformações que constituem os tratamentos matemáticos?
 Esses sistemas são os únicos a ser mobilizados por qualquer processo de conhecimento
em outros domínios científicos e práticos, ou, ao contrário, trata-se de sistemas
específicos, cujo desenvolvimento e cuja aquisição são próprios da atividade
matemática?
Teoria cognitivista
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O que caracteriza a atividade matemática do ponto de vista cognitivo?
 A diferença entre a atividade cognitiva requerida pela Matemática e aquela
requerida em outros domínios do conhecimento não deve ser procurada nos
conceitos mas nas seguintes características:
 A importância primordial das representações semióticas
 As possibilidades de tratamento matemático dependem do sistema de representação
utilizado;
 Os objetos matemáticos não são diretamente perceptíveis ou observáveis com a
ajuda de instrumentos.
 A grande variedade de representações semióticas utilizadas em Matemática
 Há 4 tipos diferentes de registros de representação
Caracterizando a atividade matemática
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Caracterizando a atividade matemática
Representação Discursiva Representação Não Discursiva
Registros
Multifuncionais
Os tratamentos não
são algoritmizáveis.
Língua natural
Associações verbais (conceituais).
Formas de raciocinar:
 argumentação a partir de
observações, de crenças...;
 dedução válida a partir de
definição ou de teoremas.
Figuras geométricas planas ou
em perspectivas (configurações
em dimensão 0, 1 , 2 ou 3).
 apreensão operatória e não
somente perceptiva;
 construção com instrumentos.
Registros
Monofuncionais
Os tratamentos são
principalmente
algoritmos.

Sistemas de escritas
 numéricas (binária, decimal,
fracionária ...);
 algébricas;
 simbólicas (línguas formais).
Cálculo
Gráficos cartesianos
 mudanças de sistemas de
coordenadas;
 interpolação, extrapolação.
Quadro extraído (Duval, 2003, p. 14)
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 A originalidade da atividade matemática está na mobilização simultânea de ao
menos dois registros de representação, ou na possibilidade de trocar de registro
de representação.
 Deve existir sempre a possibilidade de passar de um registro ao outro.
 A compreensão em Matemática supõe a coordenação de ao menos dois
registros de representações semióticas.
 Tal coordenação é adquirida naturalmente durante o ensino de Matemática?
Caracterizando a atividade matemática
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 Existem dois tipos de transformações de representações semióticas que são
radicalmente diferentes:
 Tratamentos – transformação permanecendo no mesmo sistema.
 Exemplos: resolver um cálculo ficando no mesmo sistema de escrita numérica ou uma equação
numérica; completar uma figura usando critérios de simetria.
 Conversões – transformação mudando de sistema mas conservando a referência aos
mesmos objetos.
 Exemplos: passar da lei de formação de uma função à sua representação gráfica; passar da
representação fracionária de um número à sua representação decimal.

Tipos de transformações
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 Tratamento
 Chama a atenção porque corresponde a procedimentos de justificação
 De um ponto de vista “pedagógico”, procura-se o melhor registro de representação a ser
utilizado para que os alunos compreendam
 Conversão
 Esse tipo de transformação enfrenta os fenômenos de não-congruência: os alunos não
reconhecem o mesmo objeto através de duas representações diferentes.
 Converter implica em coordenar registros mobilizados
 Os fatores de não-congruência mudam conforme os tipos de registro entre os quais a
conversão é efetuada.
Tipos de transformações
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 Do ponto de vista matemático a conversão intervém somente para escolher o
registro no qual os tratamentos a serem efetuados são mais econômicos, mais
potentes ou para obter um segundo registro que serve de suporte ou de guia aos
tratamentos que se efetuam em um outro registro.
 A conversão não tem papel intrínseco nos processos matemáticos de justificação ou
de prova, pois eles se fazem baseados em um tratamento efetuado em um registro
determinado, necessariamente discursivo.
 É por isso que a conversão não chama a atenção, como se se tratasse somente de
uma atividade lateral, evidente e prévia à “verdadeira” atividade matemática.
A conversão
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 Do ponto de vista cognitivo é a atividade de conversão que aparece como a
atividade de transformação representacional fundamental, aquela que conduz aos
mecanismos subjacentes à compreensão.
 No entanto, essa diferença entre o estrito ponto de vista matemático e ponto de
vista cognitivo não é muitas vezes levada em conta nas pesquisas
em didática e no ensino de matemática.
 É preciso considerar o ponto de vista cognitivo nas análises das aprendizagens
e naquelas dos processos de compreensão.
A conversão
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 Realizar a conversão não é simplesmente traduzir.
 “Uma tal visão é superficial e enganadora [...] a pois a regra de codificação permite
somente uma leitura pontual das representações gráfica. Essa regra não permite
uma apreensão global e qualitativa.”
 Em um processo de conversão existem várias variáveis cognitivas, específicas
do funcionamento de cada registro, que determinam as unidades de significado
pertinentes a serem consideradas em cada um dos registros.
A irredutibilidade da conversão a um tratamento
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 a) variações de congruência e não-congruência
 Comparação entre o registro de chegada e o de partida
 b) heterogeneidade dos dois sentidos de conversão
 Saber converter em um sentido não implica saber converter no sentido contrário.
Dois tipos de fenômenos característicos da
conversão das representações
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 Pesquisas mostram grande insucesso dos alunos em mobilização de diferentes
registros e em efetuar mudanças de registros. Esse fracasso aumenta se as
conversões são não-congruentes.
 Existe um “enclausuramento” de registro que impede o aluno de reconhecer o
mesmo objeto matemático em duas de suas representações bem diferentes.
 A compreensão em Matemática implica a capacidade de mudar de registro, porque
não se deve jamais confundir um objeto e sua representação.
 O acesso aos objetos matemáticos passa necessariamente por representações
semióticas.

Como podemos não confundir um objeto e sua representação se não temos acesso
a esse objeto a não ser por meio de sua representação?
Paradoxo da compreensão em Matemática
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 É por isso que é preciso dispor de, ao menos, dois registros de representação
diferentes: para não confundir um objeto com sua representação.
 É a articulação dos registros que constitui uma condição de acesso à compreensão
em Matemática, e não o inverso, ou seja, o “enclausuramento” em cada registro.
 Dessa forma, a questão que surge é: como um aluno pode aprender a reconhecer
um objeto matemático por meio de múltiplas representações que podem ser feitas
em diferentes registros de representação?
 Distinguir cuidadosamente aquilo que é evidenciado (ressaltado) no tratamento em
um registro e aquilo que é evidenciado em uma conversão;
 Considerar a natureza dos registros (apresentam diferentes graus de dificuldades);
 Analisar a complexidade da atividade de conversão.
Paradoxo da compreensão em Matemática
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 É enganosa a idéia de que todos os registros de um mesmo objeto tenham igual
conteúdo ou que se deixem perceber uns nos outros.
 As representações mentais úteis pertinentes em Matemática são sempre
representações mentais semióticas interiorizadas em interação com um
tratamento de produção externa de representações semióticas.

Concluindo...