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Prof.

Juarez Sanfelice Dias
Email: jsdias@aasp.org.br
juarezdias@puc-campinas.edu.br
DIREITO ECONÔMICO
 Bibliografia:
 Direito Constitucional Econômico – André Ramos
Tavares, Editora Método
 Lições de Direito Econômico, Leonardo Vizeu
Figueiredo – Editora forense
 Direito Concorrencial – Calixto Salomão Filho,
Malheiros Editores
 A ordem econômica na C.F./88, Eros Roberto
Grau.
 CONCEITO de direito econômico:

 ramo do Direito Público que disciplina a
condução da vida econômica da Nação, tendo
como finalidade o estudo, o disciplinamento e a
harmonização das relação jurídicas entre os
entes públicos e os agentes privados, detentores
dos fatores de produção, nos limites
estabelecidos para a intervenção do Estado na
ordem econômica. (Leonardo Vizeu Figueiredo)
 Direito Econômico
 Conceito
 características
 Evolução histórica
 Fontes do direito econômico
 Ordem econômica na C.F./88
 Fundamentos, princípios, objetivos
 Intervenção do Estado/ prestação de
serviços públicos, intervenção direta,
intervenção indireta
 A propriedade privada na C.F./88
Objeto do direito econômico
 A – organização da economia, definindo
juridicamente o sistema e o regime econômicos
a serem adotados pelo Estado.
 B – a condução, ou controle superior, da
economia pelo Estado, uma vez que estabelece
o regime das relações ou equilíbrio de poderes
entre o Estado e os detentores dos fatores de
produção;
 C – o disciplinamento dos centros de decisão
econômica não estatais, enquadrando
macroenonomicamente a atividade e as relações
inerentes à vida econômica.
Características do direito
econômico
 Recenticidade: ramo novo do direito que
teve sua gênese com o intervencionismo
econômico
 Singularidade: é um ramo próprio para o
fato econômico de cada país, não havendo
um conjunto de regras universais
 Mobilidade ou mutabilidade: sujeitas a
constantes mudanças de ordem política e
econômica
 Maleabilidade: utilização de mecanismos
mais céleres, próprios do executivo
(Decretos)
 Ecletismo: ramo do direito público, mas
mesclando valores e princípios do direito
privado.
Relação do direito econômico com
a economia
 Economia é a ciência que estuda a forma
pela qual os indivíduos e a sociedade
interagem com os fatores de produção,
integrando-os em um ciclo econômico
(produção, circulação e consumo). É a
ciência que trata dos fenômenos relativos
à produção, distribuição e consumo de
bens.
 Microeconomia: é a teoria clássica
econômica, baseada nas unidades
individuais da economia, focando-se, tão-
somente, em cada agente econômico e
sua interação com o mercado.
 Macroeconomia: é a teoria moderna
econômica, que teve origem com o
processo de intervenção do Estado na
economia, focando-se no funcionamento
do fenômeno econômico em caráter
coletivo.
 Teoria dos jogos, desenvolvida pelo
matemático suíço John Von Neumann.

 Analisa como os agentes econômicos
definem sua atuação no mercado,
considerando as possíveis ações e
estratégias dos demais agentes
econômicos.

 Prêmio Nobel John Nash, aprofundou os
estudos, com o equilíbrio de Nash.


 Determinado mercado competitivo no qual
nenhum agente pode maximizar seus
resultados, diante da estratégia de outros
agentes. Nenhum dos agentes
experimentará prejuízo em vista da
estratégia de mercado de outros agentes.
 Sistemas econômicos:
 Os sistemas distinguem-se uns dos outros pela
afirmação de determinadas forças produtivas e
determinadas formas de organização material da
produção, a base econômica no seio da qual se
desenvolvem determinadas relações sociais de
produção e a partir da qual se erguem e
instalam determinadas estruturas políticas,
jurídicas, culturais, ideológicas (superestrutura)
 Considera-se capitalista o sistema
econômico no qual as relações de
produção estão assentadas na
propriedade privada dos bens em geral,
especialmente dos de produção, na
liberdade ampla, principalmente de
iniciativa e de concorrência, e,
consequentemente, na livre contratação
de mão-de-obra. (A.R.Tavares)
 O modelo capitalista pressupõe a
liberdade (liberalismo econômico) e a
propriedade dos bens de produção.

 Segundo Adam Smith, o grande motivador
da atividade econômica é o esforço
uniforme, constante e ininterrupto de todo
o homem para melhorar a sua condição –
ou, mais francamente, o seu interesse
próprio.
 Passa-se a exigir a intervenção do Estado,
como agente essencial para o
desenvolvimento da economia,
considerada única fórmula capaz de
manter o bom funcionamento e o
equilíbrio necessários ao sistema
econômico
 Socialismo – pode ser geralmente
entendido como o sistema econômico
social que se propõe a estabelecer a
propriedade coletiva dos meios de
produção, ambicionando esta solução por
meios pacíficos ou revolucionários (Pinto
Ferreira)
Evolução histórica
 1. Modelo estatal absolutista: declínio
 Direitos e garantias individuais em face do monarca,
marco histórico a Carta de 1215 na Inglaterra do Rei
João Sem Terra.
 Revolução Francesa 1789
 2. Estado democrático de direito
 Estado – absenteísta – defesa externa, segurança
interna, cumprimento dos acordos contratuais
celebrados
 Economia – teoria do liberalismo – mão invisível de
Adam Smith

Adam Smith
 O "núcleo normativo" do liberalismo clássico é a idéia
que economia laissez-faire conseguiria criar uma ordem
espontânea ou mão invisível que beneficiaria a
sociedade, apesar que ele não se opõe a provisão de
alguma produtos básicos pelo governo onde eles são
vistos como limitados. A qualificação clássico é aplicado
retroativamente para distinguir ele do conceito de
liberalismo do século XX e seus movimentos relacionados
como liberalismo social. Liberais clássicos suspeitam de
tudo a não ser o mais mínimo dos governos e são contra
o estado de bem-estar social.
 A Escola Austríaca afirma que a complexidade das
escolhas humanas subjetivas faz com que seja
extremamente difícil (ou indecidível) a modelação
matemática do mercado em evolução e defende uma
abordagem laissez-faire para a economia. Economistas
da Escola Austríaca defendem a estrita aplicação
rigorosa dos acordos contratuais voluntários entre os
agentes econômicos, e afirmam que transações
comerciais devam ser sujeitas à menor imposição
possível de forças que consideram ser coercivas (em
particular a menor quantidade possível de intervenção
do governo).
Friedrich von Hayek
 Primeiros atos normativos – coibição à prática
do truste, Decreto de Allarde, na França, em
1791
 Competition Act – 1889, no Canadá
 Sherman Act, 1890, Estados Unidos:
preocupação com o direito do consumidor. Não
há preocupação com a proteção do concorrente
contra atos desleais do outro concorrente.
 Clayton act e o Federal Trade Comission Act. –
1914
 Direito econômico era sinônimo de direito
antitruste – combate à concentração de
empresas e imposição arbitrária de preços
 Intervenção do estado no domínio
econômico:
 objetivos – no campo econômico:
 manutenção dos mercados internos,
pacificação externa
 No campo social: estabelecer políticas
públicas de redistribuição de rendas e de
inclusão social
 Carta política do México de 05.02.1917:

 Dispôs sobre a propriedade privada,
tratando de sua forma de aquisição,
originária e derivada e autorizando a
desapropriação, condicionando seu uso ao
interesse público, estabelecendo a noção
de função social da propriedade
 Influenciada pela legislação antitruste
norte-americana, combatia a mencionada
Constituição o monopólio, a elevação
artificial do preço de produtos e as
práticas tendentes a eliminar a
concorrência.
 Constituição e declaração dos direitos do
povo trabalhador e explorado, da Rússia,
de 1918.

 Direito deixa de ser formalista e
individualista, para ocupar-se da justiça e
do social.
 Constituição alemã de Weimar, de
11.08.1919
 Estabeleceu que a ordem econômica deve
corresponder aos princípios da justiça,
tendo por objetivo garantir a todos uma
existência conforme a dignidade humana,
só assim ficando assegurada a liberdade
econômica do indivíduo (art. 151)
 Deu maiores relevâncias à função social
da propriedade ao declarar que ela cria
obrigações ao seu titular e que seu uso
deve ser condicionado ao interesse geral
(art. 153)

 Conferiu ainda ao Estado competência
para legislar sobre socialização das
riquezas naturais e as empresas
econômicas (art. 7)
 Constituição espanhola de 1931 –

 Constituição portuguesa de 1933: incluiu um
capítulo dedicado à ordem econômica, devendo
esta visar o máximo de riqueza social ..., poderio
para o Estado e justiça entre os cidadãos. A
liberdade de comércio e indústria tem de ceder
perante as exigências do bem comum o o
Estado deve coordenar e regular superiormente
a vida econômica ...
 Estado democrático de direito –
inicialmente absenteísta inspirada por
Adam Smith – laissez-faire, laissez-passer;
le monde va de lui même.

 Derrocada do liberalismo, nova forma de
posicionamento do poder público,
adotando-se diferentes formas de
posicionamento estatal.
 Estado absolutista

 Revolução francesa (1789)

 Estado democrático de direito: Nação
juridicamente organizada em torno da
Constituição e leis, cujos representantes
gozam da aprovação popular, com
atuação disciplinada e limitada pelo
ordenamento jurídico.

 Estado intervencionista sob duas vertentes
dominantes, o Estado socialista e o Estado
do bem-estar social.

 Modelo socialista – absorção total da
atividade econômica por parte do Estado.


 Socialismo – pode ser geralmente
entendido como o sistema econômico
social que se propõe a estabelecer a
propriedade coletiva dos meios de
produção, ambicionando esta solução por
meios pacíficos ou revolucionários (Pinto
Ferreira)

 Estado interventor – na análise de
Leonardo Vizeu Figueiredo teria sido
apontado como “ineficiente, paternalista e
incompetente, não se revelando capaz de
atender com presteza e eficiência à
demanda dos cidadãos, sendo ainda
responsável por vultosos endividamentos
e déficits nas contas públicas.”
 Retorno comedido ao ideário liberal – Estado
como agente normatizador e regulador da
ordem econômica.

 No Brasil, reforma do Estado:

 Economia globalizada, enfraquecimento do
Estado em relação ao seu poder indutor na
sociedade, ausência de condições para o
desenvolvimento de atividades econômicas,
desestatização da economia.
 Estado social no Brasil – aos poucos foi sendo
abandonado, com a devolução das atividades à
iniciativa privada.

 Poderes crescentes ao Estado de
regulamentação, fiscalização e planejamento da
atividade econômica.

 Estado regulador e fiscalizador, entes
reguladores e autoridades que compõem o
Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência.
 Estado liberal

 Estado intervencionista econômico:
manutenção salutar da ordem econômica, sem
quaisquer preocupações com a ordem social.

 Estado intervencionista social: inclusão
social e justa distribuição de rendas, visando
minorar as desigualdades sociais. Princípio da
solidariedade.

 Estado intervencionista socialista:
coletivização dos fatores de produção.
 Estado intervencionista regulador ou Estado
neoliberal

No Brasil
 Carta Imperial de 1824 – estabeleceu o
direito à propriedade material e
intelectual, assegurando o livre exercício
de atividade profissional, desde que não
atentasse aos costumes públicos (art.
179).
 Carta Republicana de 1891 – liberdade de
associação (art. 72, § 8°) com o fim de
consagrar o livre exercício profissional,
com cunho liberal. Medidas interventivas
no setor de produção agrícola cafeeira.

 Constituição de 1934 – ordem econômica
e social – artigos 115 a 143 – Estado
intervencionista social, mas também com
presença liberal, livre iniciativa e liberdade
de associação (inclusive sindical) como
princípios.
 Depressão mundial que atingiu a
economia cafeeira no Brasil
 O parâmetro mundial de intervenção, com
o fascismo, o nazismo e o comunismo
 Uma demanda social por intervenção, pelo
fim do modelo clássico liberal.

 “Art. 115. A ordem econômica deve ser organizada
conforme os princípios da justiça e as necessidades da
vida nacional, de modo que possibilite a todos existência
digna. Dentro desses limites, é garantida a liberdade
econômica.”
 Artigo 116 – Por motivo de interesse público e
autorizada em lei especial, a União poderá
monopolizar determinada indústria ou atividade
econômica, asseguradas as indenizações
devidas, conforme o artigo 112, n. 17, e
ressalvados os serviços municipalizados ou de
competência dos poderes locais.

 Constituição de 1937 – influenciada pela
Constituição polonesa de 1935,
estabeleceu uma política intervencionista
do Estado no domínio econômico (art.
135), com caráter nacionalista com
concentração de poderes no Executivo.
 Art. 135. Na iniciativa individual, no poder de criação, de
organização e de invenção do indivíduo, exercido nos limites do bem
público, funda-se a riqueza e a prosperidade nacional. A intervenção
do Estado no domínio econômico só se legitima para suprir as
deficiências da iniciativa individual e coordenar os fatores da
produção, de maneira a evitar ou resolver os seus conflitos e
introduzir no jogo das competições individuais o pensamento dos
interesses da Nação, representados pelo Estado. A intervenção no
domínio econômico poderá ser mediata ou imediata, revestindo a
forma do controle, do estímulo ou da gestão direta.”
 Substituição do capitalismo por uma
economia corporativista.

 “Art. 140. A economia da produção será
organizada em corporações, e estas, como
entidades representativas das forças do trabalho
nacional, colocadas sob a assistência e a
proteção do Estado, são órgãos deste e exercem
funções delegadas do poder público.”
 Constituição de 1946 – embora com
caráter intervencionista, busca conciliar a
iniciativa individual com o estímulo estatal,
subordinando os direitos individuais ao
interesse da coletividade.


 “Art. 145. A ordem econômica deve ser organizada
conforme os princípios da justiça social, conciliando a
liberdade de iniciativa com a valorização do trabalho
humano.”

 Artigo 146 estabelece a possibilidade de
intervenção do Estado no domínio econômico,
inclusive com direito a monopólio de indústria ou
atividade:


 “Art. 146. A União poderá, mediante lei especial, intervir
no domínio econômico e monopolizar determinada
indústria ou atividade. A intervenção terá por base o
interesse público e por limite os direitos fundamentais
assegurados nesta Constituição.”

 Constituição de 1967 manteve a linha
intervencionista sem definir um sistema
econômico a ser adotado pelo Estado,
ficando hesitante entre o intervencionismo
e o neoliberalismo.

 §8° do artigo 157 permitia que o Estado, por meio de lei
federal, instituísse monopólio por motivo de segurança
nacional ou para organizar setor que se mostrasse
ineficiente dentro do regime de competição e de livre
iniciativa.
 “Mas a liberdade de iniciativa, além de prevista
no artigo 157, I, decorria, juntamente com a
liberdade de concorrência, do disposto no art.
163: “Às empresas privadas compete
preferencialmente, com o estímulo e apoio do
Estado, organizar e explorar as atividades
econômicas.”
 Emenda constitucional de 1969 acresceu
ao princípio da justiça social a expansão
das oportunidades e empregos, mantendo
o direito de o Estado intervir no domínio
econômico.
 Oscar Dias Corrêa leciona que “enquanto o texto
de 1969 era de tessitura neoliberal, a realidade,
comandada pelo Estado, era intervencionista,
estatizante, e levava a um predomínio
incontrastável de sua atuação, em todos os
campos, contrariamente ao espírito e à letra do
texto”
Constituição de 1988
 “Pretendeu operar uma profunda mudança
nessa concepção econômico-intervencionista do
Estado, estabelecendo, em suas diretrizes, um
regime bem mais liberal do que o anteriormente
vigente, reiterando a adoção do sistema
capitalista de economia descentralizada,
baseada, pois, no mercado.” (André Ramos
Tavares)
Competência para legislar sobre assuntos
econômicos
 Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
 I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário,
marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho;
 II - desapropriação;
 VI - sistema monetário e de medidas, títulos e garantias dos metais;
 VII - política de crédito, câmbio, seguros e transferência de valores;
 VIII - comércio exterior e interestadual;
 Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a
legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas neste
artigo.

 Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito
Federal legislar concorrentemente sobre:
 I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico
e urbanístico;
 V - produção e consumo;
 § 1º - No âmbito da legislação concorrente, a competência da União
limitar-se-á a estabelecer normas gerais.
 § 2º - A competência da União para legislar sobre normas gerais
não exclui a competência suplementar dos Estados.
 § 3º - Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados
exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas
peculiaridades.
 § 4º - A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende
a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrário.


 Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade
econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança
nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei.
 § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e
de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens
ou de prestação de serviços, dispondo sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19,
de 1998)
 I - sua função social e formas de fiscalização pelo Estado e pela sociedade; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
 II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e
obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários; (Incluído pela Emenda Constitucional nº
19, de 1998)
 III - licitação e contratação de obras, serviços, compras e alienações, observados os princípios da
administração pública; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
 IV - a constituição e o funcionamento dos conselhos de administração e fiscal, com a participação
de acionistas minoritários; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
 V - os mandatos, a avaliação de desempenho e a responsabilidade dos administradores.(Incluído
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
 § 2º - As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios
fiscais não extensivos às do setor privado.
 § 3º - A lei regulamentará as relações da empresa pública com o Estado e a sociedade.
 § 4º - A lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à
eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros.
 § 5º - A lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos dirigentes da pessoa jurídica,
estabelecerá a responsabilidade desta, sujeitando-a às punições compatíveis com sua natureza,
nos atos praticados contra a ordem econômica e financeira e contra a economia popular.

 Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre
iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da
justiça social, observados os seguintes princípios:
 I - soberania nacional;
 II - propriedade privada;
 III - função social da propriedade;
 IV - livre concorrência;
 V - defesa do consumidor;
 VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme
o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e
prestação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
 VII - redução das desigualdades regionais e sociais;
 VIII - busca do pleno emprego;
 IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as
leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 6, de 1995)
 Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade
econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos
previstos em lei.

Fundamentos da ordem econômica

 Valorização do trabalho humano

 Livre iniciativa
Finalidades da ordem econômica
 Assegurar a todos existência digna
 conforme os ditames da justiça social


 Artigo 3° – Constituem objetivos fundamentais da
República Federativa do Brasil:
 I – construir uma sociedade livre, justa e solidária;
 II – garantir o desenvolvimento nacional;

 Art. 193. A ordem social tem como base o
primado do trabalho, e como objetivo o bem-
estar e a justiça sociais.

 A expressão “justiça social” foi consagrada
com Pio XII em sua Encíclica
“Quadragésimo anno”.

 Na lição de Oscar Dias Corrêa justiça
social “implica melhoria das condições de
repartição dos bens, diminuição das
desigualdades sociais, com a ascensão das
classes menos favorecidas. Não é objetivo que
se alcance sem continuado esforço, que atinja a
própria ordem econômica e seus beneficiários.”
Existência digna
 Artigo 1°, inciso III:

 A República Federativa do Brasil ... tem como
fundamentos:
 ...
 III – a dignidade da pessoa humana
 IV – os valores sociais do trabalho e da livre
iniciativa.
 Caráter dúplice – garantia negativa de que
a pessoa não será alvo de ofensas ou
humilhações, mas também agrega a
afirmação positiva do pleno
desenvolvimento da personalidade de
cada indivíduo. (Peres Luño, Werner
Maihofer)

 Liberdade caminha junto com a dignidade;
autodisponibilidade, autodeterminação.
 No campo econômico – garantia de
condições mínimas de subsistência, direito
à velhice, direitos da previdência social.


Princípios
 I – soberania nacional – é a supremacia do Poder dentro
de uma ordem interna; poder de mando numa sociedade
política.

 Gênese no Século XVI – Jean Bodin – Os seis livros da
República.
 Jean Jacques Rosseau – conceito é transferido da
pessoa do governante para todo o povo.

 Supremacia interna e independência externa.
 Soberania Política – soberania econômica
 Globalização, comunicações, intenso comércio, império
soviético
Soberania nacional
 No plano econômico, impõe que o Brasil
não seja dependente principalmente dos
países mais desenvolvidos.

 Os problemas econômicos já
ultrapassaram os limites nacionais, já são
problemas internacionais (Themístocles
Brandão Cavalcanti)
 Soberania nacional e desenvolvimento
nacional: o país não pode, em termos de
produção capitalista, ser dependente de
outro.


Livre iniciativa
 O Estado não deve restringir o exercício
da atividade econômica.

 Significa a liberdade de entrar,
permanecer e sair do mercado, sem
interferências externas.


Livre iniciativa
 Livre iniciativa (é a regra, que somente sofre limitações
constitucionais e legais) – valores sociais do trabalho a
orientar eventual intervenção:
 Liberdade econômica e também todas as demais formas
de organização econômicas, individuais ou coletivas,
como a cooperativa.
 Liberdade de empresa e a
 liberdade de contrato.
 liberdade de acesso ao exercício de profissões
 liberdade de associação, tendo como pressupostos o
direito de propriedade, a liberdade de contratar e de
comerciar.
 Liberdade de mercado
 Exclui a possibilidade de um planejamento
vinculante
 “faculdade de criar e explorar uma
atividade econômica a título privado” e
 “a não sujeição a qualquer restrição
estatal, senão em virtude de lei”

 liberdade de contrato:
 1. faculdade de ser parte em um contrato
 2. faculdade de escolher com quem contratar
 3. faculdade de escolher o tipo de negócio
 4. de fixar o conteúdo segundo as convicções e
conveniências das partes
 5. poder de acionar o Judiciário para fazer valer
as disposições contratuais
 (*sujeição ao princípio da legalidade em termos
absolutos)
Livre concorrência
 “Concorrência é disputar, em condições de igualdade,
cada espaço com objetivos lícitos e compatíveis com as
aspirações nacionais. Consiste, no setor econômico, na
disputa entre todas as empresas para conseguir maior e
melhor espaço no mercado.” (Carlo Barbieri Filho)

 Na lição de André Ramos Tavares, livre concorrência “é
a abertura jurídica concedida aos particulares para
competirem entre si, em segmento lícito, objetivando o
êxito econômico pelas leis de mercado e a contribuição
para o desenvolvimento nacional e a justiça social.”
 A livre concorrência é algo que se agrega
à livre iniciativa
 Idealmente falando, a concorrência perfeita é
difícil de ser atingida na sua plenitude (A.Ramos
Tavares). Uma concorrência perfeita significa
homogeneidade dos produtos, atomicidade do
mercado, mobilidade dos fatores de produção e
transparência dos preços.
objetivos
 O consumidor
 Eficiente e legítimo sistema econômico de
mercado
 É um regime de garantia da concorrência
e não da liberdade dos concorrentes

 Livre concorrência e desenvolvimento
econômico (objetivo fundamental do
Estado)

 Para José Afonso da Silva “não existe mais
economia de mercado nem livre concorrência,
desde que o modo de produção capitalista
evoluiu para as formas oligopolistas. Falar hoje
em economia descentralizada, como economia
de mercado, é tentar encobrir uma realidade
palpável de natureza diversa. A economia está
centralizada nas grandes empresas e em seus
agrupamentos. Daí por que se torna
praticamente ineficaz a legislação tutelar da
concorrência.”
 Abuso do poder econômico:
 “Poder econômico consiste na detenção,
em alta escala, dos meios de produção e
ocorre estar concentrado em um grupo de
pessoas ou em um grupo de empresas, ou
estar nas mãos de uma pessoa só.”
(Guilherme Canedo de Magalhães)
 Art. 173, § 4°:
 A lei reprimirá o abuso do poder econômico que
vise à dominação dos mercados, à eliminação da
concorrência e ao aumento arbitrário dos
lucros.”
 Leis 8.137/90, 8176/91 (crimes contra a ordem
tributária, econômica e relações de consumo
 Lei 8884/94
 Dominação do mercado: “é a situação de
poder impor o preço de mão-de-obra, de
matéria-prima ou de produto, ou de
regular, a seu talante, as ofertas.” (Pontes
de Miranda)

 Significa estar em condições de impor sua
vontade sobre o mercado (Celso R.Bastos)

 Eliminação da concorrência: “devem ser
livres as ofertas e as procuras; por isso
mesmo, toda ação, ou série de ações,
que, em vez de ser para obter, lealmente,
os mercados, se sirva da eliminação da
concorrência, lhe parece nociva.” (Pontes
de Miranda)


Aumento arbitrário dos lucros
 “é o enriquecimento abusivo do agente, sem
causa que o justifique perante o mercado,
representando extração indevida da renda do
consumidor para o agente distribuidor e/ou
produtor.” (Leonardo Vizeu Figueiredo)
Defesa da concorrência
 SISTEMA BRASILEIRO DE DEFESA DA
CONCORRÊNCIA – lei 8884/94
 Um ente judicante e dois órgãos auxiliares
 CADE – Conselho Administrativo de
Defesa Econômica
 SDE – Secretaria de Direito Econômico
 SEAE – Secretaria de Acompanhamento
Econômico
Nova lei do CADE 12529/2011

 Faz uma reestruturação do SBDC, sendo
agora composto pelo CADE e pela
Secretaria de Acompanhamento
Econômico do Ministério da Fazenda.

 O CADE agora fica vinculado ao Ministério
da Justiça e abarca três órgãos, o Tribunal
Administrativo de Defesa Econômica, a
Superintendência Geral e o Departamento
de Estudos Econômicos.
 SEAE e SDE eram responsáveis pela
instrução dos processos, ao passo que o
CADE é um tribunal administrativo.
 Pela nova lei permanece a SEAE mas a
SDE é integrada ao CADE, passando a ser
denominado Departamento de Estudos
Econômicos.
 As decisões do CADE não comportam
revisão pelo executivo.
 As denúncias passam agora a ser enviadas
não à SDE, mas à Superintendência do
CADE.
CADE
 Da Autarquia (LEI 8884/94 )
 Art. 3º O Conselho Administrativo de Defesa
Econômica (CADE), órgão judicante com
jurisdição em todo o território nacional, criado
pela Lei nº 4.137, de 10 de setembro de 1962,
passa a se constituir em autarquia federal,
vinculada ao Ministério da Justiça, com sede e
foro no Distrito Federal, e atribuições previstas
nesta lei.
 Nova lei 12529/2011: artigo 4° .

 Art. 4º O Plenário do CADE é composto por um
Presidente e seis Conselheiros escolhidos dentre
cidadãos com mais de trinta anos de idade, de
notório saber jurídico ou econômico e reputação
ilibada, nomeados pelo Presidente da República,
depois de aprovados pelo Senado Federal.
(Redação dada pela Lei nº 9.021, de 30.3.95)

 § 1º O mandato do Presidente e dos
Conselheiros é de dois anos, permitida uma
recondução.

SEAE
 É órgão consultivo, e assessoramento
técnico, especializado, ao CADE, ligado ao
Ministério da Fazenda, emitindo, para
tanto, pareceres técnicos para subsidiar as
decisões da Autarquia.
 Art. 7º Compete ao Plenário do CADE:


 I - zelar pela observância desta lei e seu regulamento e
do Regimento Interno do Conselho;
 II - decidir sobre a existência de infração à ordem
econômica e aplicar as penalidades previstas em lei;
 III - decidir os processos instaurados pela Secretaria de
Direito Econômico do Ministério da Justiça;
 IV - decidir os recursos de ofício do Secretário da SDE;
 V - ordenar providências que conduzam à cessação de
infração à ordem econômica, dentro do prazo que
determinar;

 VI - aprovar os termos do compromisso de cessação de
prática e do compromisso de desempenho, bem como
determinar à SDE que fiscalize seu cumprimento;
 VII - apreciar em grau de recurso as medidas
preventivas adotadas pela SDE ou pelo Conselheiro-
Relator;
 VIII - intimar os interessados de suas decisões;
 IX - requisitar informações de quaisquer pessoas,
órgãos, autoridades e entidades públicas ou privadas,
respeitando e mantendo o sigilo legal quando for o caso,
bem como determinar as diligências que se fizerem
necessárias ao exercício das suas funções;

 X - requisitar dos órgãos do Poder Executivo Federal e solicitar das
autoridades dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios as
medidas necessárias ao cumprimento desta lei;
 XI - contratar a realização de exames, vistorias e estudos,
aprovando, em cada caso, os respectivos honorários profissionais e
demais despesas de processo, que deverão ser pagas pela empresa,
se vier a ser punida nos termos desta lei;
 XII - apreciar os atos ou condutas, sob qualquer forma
manifestados, sujeitos à aprovação nos termos do art. 54, fixando
compromisso de desempenho, quando for o caso;
 XIII - requerer ao Poder Judiciário a execução de suas decisões, nos
termos desta lei;
 XIV - requisitar serviços e pessoal de quaisquer órgãos e entidades
do Poder Público Federal;
 XV - determinar à Procuradoria do CADE a adoção de providências
administrativas e judiciais;
 XVI - firmar contratos e convênios com órgãos ou entidades
nacionais e submeter, previamente, ao Ministro de Estado da Justiça
os que devam ser celebrados com organismos estrangeiros ou
internacionais;

 Da Procuradoria do CADE
 Art. 10. Junto ao CADE funcionará uma Procuradoria, com as
seguintes atribuições:
 I - prestar assessoria jurídica à autarquia e defendê-la em juízo;
 II - promover a execução judicial das decisões e julgados da
autarquia;
 III - requerer, com autorização do Plenário, medidas judiciais
visando à cessação de infrações da ordem econômica;
 IV - promover acordos judiciais nos processos relativos a infrações
contra a ordem econômica, mediante autorização do Plenário do
CADE, e ouvido o representante do Ministério Público Federal;
 V - emitir parecer nos processos de competência do CADE;
 VI - zelar pelo cumprimento desta lei;
 VII - desincumbir-se das demais tarefas que lhe sejam atribuídas
pelo Regimento Interno.

SDE – Secretaria de Defesa Econômica
 Art. 14. Compete à SDE:
 I - zelar pelo cumprimento desta lei, monitorando e acompanhando
as práticas de mercado;
 II - acompanhar, permanentemente, as atividades e práticas
comerciais de pessoas físicas ou jurídicas que detiverem posição
dominante em mercado relevante de bens ou serviços, para
prevenir infrações da ordem econômica, podendo, para tanto,
requisitar as informações e documentos necessários, mantendo o
sigilo legal, quando for o caso;
 III - proceder, em face de indícios de infração da ordem econômica,
a averiguações preliminares para instauração de processo
administrativo;
 IV - decidir pela insubsistência dos indícios, arquivando os autos das
averiguações preliminares;
 V - requisitar informações de quaisquer pessoas, órgãos,
autoridades e entidades públicas ou privadas, mantendo o sigilo
legal quando for o caso, bem como determinar as diligências que se
fizerem necessárias ao exercício das suas funções;
 VI - instaurar processo administrativo para apuração e repressão de
infrações da ordem econômica;

 VII - recorrer de ofício ao CADE, quando decidir pelo arquivamento
das averiguações preliminares ou do processo administrativo;
 VIII - remeter ao CADE, para julgamento, os processos que
instaurar, quando entender configurada infração da ordem
econômica;
 IX - celebrar, nas condições que estabelecer, compromisso de
cessação, submetendo-o ao CADE, e fiscalizar o seu cumprimento;
 X - sugerir ao CADE condições para a celebração de compromisso
de desempenho, e fiscalizar o seu cumprimento;
 XI - adotar medidas preventivas que conduzam à cessação de
prática que constitua infração da ordem econômica, fixando prazo
para seu cumprimento e o valor da multa diária a ser aplicada, no
caso de descumprimento;

 XII - receber e instruir os processos a serem julgados
pelo CADE, inclusive consultas, e fiscalizar o
cumprimento das decisões do CADE;
 XIII - orientar os órgãos da administração pública
quanto à adoção de medidas necessárias ao
cumprimento desta lei;
 XIV - desenvolver estudos e pesquisas objetivando
orientar a política de prevenção de infrações da ordem
econômica;
 XV - instruir o público sobre as diversas formas de
infração da ordem econômica, e os modos de sua
prevenção e repressão;
 XVI - exercer outras atribuições previstas em lei.

 Os órgãos de defesa da concorrência
atuam de forma (1) preventiva através do
controle de estruturas de mercado, (2)
repressiva com relação às condutas
anticompetitivas e (3) de promoção da
cultura da concorrência.

Infrações à ordem econômica
 Ilícito de difícil identificação

 Altos conhecimentos técnicos,
especialização e prática profissional.



territorialidade
 Art. 2º Aplica-se esta lei, sem prejuízo de
convenções e tratados de que seja signatário o
Brasil, às práticas cometidas no todo ou em
parte no território nacional ou que nele
produzam ou possam produzir efeitos.

Sujeição passiva ou
aplicabilidade

 Art. 15. Esta lei aplica-se às pessoas físicas ou
jurídicas de direito público ou privado, bem
como a quaisquer associações de entidades ou
pessoas, constituídas de fato ou de direito, ainda
que temporariamente, com ou sem
personalidade jurídica, mesmo que exerçam
atividade sob regime de monopólio legal.

Responsabilidade solidária dos dirigentes e
administradores/responsabilidade do grupo
econômico

 Art. 16. As diversas formas de infração da ordem
econômica implicam a responsabilidade da empresa e a
responsabilidade individual de seus dirigentes ou
administradores, solidariamente.

 Art. 17. Serão solidariamente responsáveis as empresas
ou entidades integrantes de grupo econômico, de fato
ou de direito, que praticarem infração da ordem
econômica.

Desconsideração da
personalidade jurídica
 Art. 18. A personalidade jurídica do responsável
por infração da ordem econômica poderá ser
desconsiderada quando houver da parte deste
abuso de direito, excesso de poder, infração da
lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos
ou contrato social. A desconsideração também
será efetivada quando houver falência, estado
de insolvência, encerramento ou inatividade da
pessoa jurídica provocados por má
administração.

Infrações à ordem econômica e
outros ilícitos

 Art. 19. A repressão das infrações da
ordem econômica não exclui a punição de
outros ilícitos previstos em lei.

Responsabilidade objetiva
 Art. 20. Constituem infração da ordem econômica,
independentemente de culpa, os atos sob qualquer
forma manifestados, que tenham por objeto ou possam
produzir os seguintes efeitos, ainda que não sejam
alcançados:
 I - limitar, falsear ou de qualquer forma prejudicar a livre
concorrência ou a livre iniciativa;
 II - dominar mercado relevante de bens ou serviços;
 III - aumentar arbitrariamente os lucros;
 IV - exercer de forma abusiva posição dominante.


Técnica de tipificação peculiar


 Artigo 20 – infrações em sentido amplo

 Artigo 21 – infrações em sentido estrito,
com rol exemplificativo das condutas, se
reportando ao disposto no artigo 20
Poder no mercado
 Como afirmar que uma empresa possui
poder no mercado?

 Quais são os critérios?

 Análise dos comportamentos do agente
 Análise da estrutura do mercado
 Comportamento do agente:

 Teria poder no mercado aquele agente
que pudesse aumentar a seu talante os
preços das mercadorias, através da
redução da oferta de bens

 Teria poder aquele agente que
aumentasse arbitrariamente os lucros
Poder baseado na estrutura do mercado
 O que é mercado relevante?


Mercado relevante
 É o espaço da concorrência. Diz respeito aos
diversos produtos ou serviços que concorrem
entre si, em determinada área, em razão da sua
substitutibilidade naquela área. (substitutivo da
demanda e da oferta)
 Dimensão material: é aquele representado pela
soma dos produtos que podem ser
razoavelmente substituídos, quando utilizados
nos fins para os quais são produzidos, sem
desvincular a qualidade, a finalidade, e de
maneira especial, do preço.
 Dimensão geográfica: pode ficar restrito a um
território.
 O que é posição dominante?

 § 2º Ocorre posição dominante quando uma empresa ou
grupo de empresas controla parcela substancial de
mercado relevante, como fornecedor, intermediário,
adquirente ou financiador de um produto, serviço ou
tecnologia a ele relativa.

 § 3º A posição dominante a que se refere o parágrafo
anterior é presumida quando a empresa ou grupo de
empresas controla 20% (vinte por cento) de mercado
relevante, podendo este percentual ser alterado pelo
CADE para setores específicos da economia. (Redação
dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.95)

Artigo 20 – conquista do mercado
pela maior eficiência
 § 1º A conquista de mercado resultante
de processo natural fundado na maior
eficiência de agente econômico em
relação a seus competidores não
caracteriza o ilícito previsto no inciso II.

 Somente é possível analisar se uma
conduta irá caracterizar infração à ordem
econômica no caso concreto.

 Basta potencial efeito danoso ao mercado,
sendo independentes de manifestações
volitivas por parte do agente.



Infrações em sentido estrito
 Formação de cartel:

 “é o acordo abusivo de agentes econômicos,
representando combinação de preços, a fim de
restringir a variedade de produtos e dividir os
mercados para manter suas receitas sempre
estáveis.”

 Para o consumidor: preços abusivos
 Para os demais concorrentes: cerceamento do
direito à livre concorrência
Venda casada
 Para a aquisição de bem ou serviço o
agente econômico a condiciona e a
subordina à aquisição de outro produto ou
serviço.
Sistemas seletivos de
distribuição

 São barreiras restritivas impostas, sem
justa causa, pelo produtor ao distribuidor,
dentro do respectivo ciclo econômico,
utilizadas como instrumento de
discriminação.
Preços predatórios
 Ocorrem quando os agentes aplicam
estratégia de mercado, baixando
propositadamente os preços de seus
produtos a valores inferiores ao seu preço
de custo, com o objetivo de eliminar os
demais agentes econômicos concorrentes.
Dumping
 Habituou-se a utilização da expressão para
designar o preço predatório, mas trata-se
de termo utilizado para designar a
infração ao comércio exterior, quando um
agente exportador oferta no mercado
internacional mercadoria a valor inferior
ao preço praticado em seu mercado de
origem. Artigo 4° do Decreto 1602/95.
Ajuste do preço da mercadoria com o
similar nacional, nos termos da lei
9019/95, mediante ato da CAMEX.
Controle das estruturas
 Atos societários empresariais de fusões,
aquisições, incorporações, joint ventures,
etc...

 Fusão: ato empresarial por meio do qual
dois ou mais agentes econômicos
independentes formam uma nova
entidade, deixando de existir como entes
jurídicos distintos.
 Joint venture concentracionista:

 associação de duas ou mais entidades
independentes para a formação de nova
empresa, sob controle comum, que visa à
participação no mesmo mercado relevante
das empresas-mãe.
 Aquisição ou incorporação é a compra do
controle de um agente econômico por
outro, onde o agente econômico adquirido
desaparece como pessoa jurídica, mas o
adquirente mantém a identidade jurídica
anterior ao ato.
Concentração econômica
 § 3
o
Incluem-se nos atos de que trata o caput aqueles
que visem a qualquer forma de concentração econômica,
seja através de fusão ou incorporação de empresas,
constituição de sociedade para exercer o controle de
empresas ou qualquer forma de agrupamento societário,
que implique participação de empresa ou grupo de
empresas resultante em vinte por cento de um mercado
relevante, ou em que qualquer dos participantes tenha
registrado faturamento bruto anual no último balanço
equivalente a R$ 400.000.000,00 (quatrocentos milhões
de reais). (Redação dada pela Lei nº 10.149, de
21.12.2000)

Obrigatoriedade de comunicação ao SBDC
 § 4º Os atos de que trata o caput deverão ser
apresentados para exame, previamente ou no
prazo máximo de quinze dias úteis de sua
realização, mediante encaminhamento da
respectiva documentação em três vias à SDE,
que imediatamente enviará uma via ao CADE e
outra à Seae.
Controle das estruturas
 Do Controle de Atos e Contratos
 Art. 54. Os atos, sob qualquer forma manifestados, que possam limitar ou de qualquer forma
prejudicar a livre concorrência, ou resultar na dominação de mercados relevantes de bens ou
serviços, deverão ser submetidos à apreciação do CADE.
 § 1º O CADE poderá autorizar os atos a que se refere o caput, desde que atendam as seguintes
condições:
 I - tenham por objetivo, cumulada ou alternativamente:
 a) aumentar a produtividade;
 b) melhorar a qualidade de bens ou serviço; ou
 c) propiciar a eficiência e o desenvolvimento tecnológico ou econômico;
 II - os benefícios decorrentes sejam distribuídos eqüitativamente entre os seus participantes, de
um lado, e os consumidores ou usuários finais, de outro;
 III - não impliquem eliminação da concorrência de parte substancial de mercado relevante de
bens e serviços;
 IV - sejam observados os limites estritamente necessários para atingir os objetivos visados.
 § 2º Também poderão ser considerados legítimos os atos previstos neste artigo, desde que
atendidas pelo menos três das condições previstas nos incisos do parágrafo anterior, quando
necessários por motivo preponderantes da economia nacional e do bem comum, e desde que não
impliquem prejuízo ao consumidor ou usuário final.
 § 3
o
Incluem-se nos atos de que trata o caput aqueles que visem a
qualquer forma de concentração econômica, seja através de fusão ou
incorporação de empresas, constituição de sociedade para exercer o
controle de empresas ou qualquer forma de agrupamento societário, que
implique participação de empresa ou grupo de empresas resultante em
vinte por cento de um mercado relevante, ou em que qualquer dos
participantes tenha registrado faturamento bruto anual no último balanço
equivalente a R$ 400.000.000,00 (quatrocentos milhões de reais).
(Redação dada pela Lei nº 10.149, de 21.12.2000)
 § 4º Os atos de que trata o caput deverão ser apresentados para exame,
previamente ou no prazo máximo de quinze dias úteis de sua realização,
mediante encaminhamento da respectiva documentação em três vias à
SDE, que imediatamente enviará uma via ao CADE e outra à Seae.
(Redação dada pela Lei nº 9.021, de 30.3.95)
 § 5º A inobservância dos prazos de apresentação previstos no parágrafo
anterior será punida com multa pecuniária, de valor não inferior a 60.000
(sessenta mil) Ufir nem superior a 6.000.000 (seis milhões) de Ufir a ser
aplicada pelo CADE, sem prejuízo da abertura de processo administrativo,
nos termos do art. 32.
 § 6º Após receber o parecer técnico da Seae, que será emitido em até trinta dias, a SDE
manifestar-se-á em igual prazo, e em seguida encaminhará o processo devidamente instruído ao
Plenário do CADE, que deliberará no prazo de sessenta dias. (Redação dada pela Lei nº 9.021, de
30.3.95)
 § 7º A eficácia dos atos de que trata este artigo condiciona-se à sua aprovação, caso em que
retroagirá à data de sua realização; não tendo sido apreciados pelo CADE no prazo estabelecido
no parágrafo anterior, serão automaticamente considerados aprovados. (Redação dada pela Lei
nº 9.021, de 30.3.95)
 § 8º Os prazos estabelecidos nos §§ 6º e 7º ficarão suspensos enquanto não forem apresentados
esclarecimentos e documentos imprescindíveis à análise do processo, solicitados pelo CADE, SDE
ou SPE.

 § 9º Se os atos especificados neste artigo não forem realizados sob condição suspensiva ou deles
já tiverem decorrido efeitos perante terceiros, inclusive de natureza fiscal, o Plenário do CADE, se
concluir pela sua não aprovação, determinará as providências cabíveis no sentido de que sejam
desconstituídos, total ou parcialmente, seja através de distrato, cisão desociedade, venda de
ativos, cessação parcial de atividades ou qualquer outro ato ou providência que elimine os efeitos
nocivos à ordem econômica, independentemente da responsabilidade civil por perdas e danos
eventualmente causados a terceiros.

 § 10. As mudanças de controle acionário de companhias abertas e os registros de fusão, sem
prejuízo da obrigação das partes envolvidas, devem ser comunicados à SDE, pela Comissão de
Valores Mobiliários (CVM) e pelo Departamento Nacional de Registro Comercial do Ministério da
Indústria, Comércio e Turismo (DNRC/MICT), respectivamente, no prazo de cinco dias úteis para,
se for o caso, serem examinados.


 As empresas podiam praticar o ato e
possuem um prazo de 15 dias para
informar os órgãos mencionados. (lei
8884/94). Nova lei afastou tal
possibilidade.

 Atos de concentração econômica que
resulte em participação de empresa ou
grupo de empresas de um mercado
relevante em no mínimo 20%.

 São objeto de controle quaisquer atos de
concentração econômica (horizontal,
vertical ou conglomeração)

 Por meio de fusão, incorporação de
empresas, constituição de sociedade para
exercer o controle de empresas ou
qualquer forma de agrupamento societário
que implique participação da empresa.
 Concentração horizontal – envolve agentes
econômicos distintos e competidores entre si,
que ofertam o mesmo produto ou serviço em
um determinado mercado relevante.

 Concentração vertical – envolve agentes
econômicos distintos que ofertam produtos ou
serviços diversos, fazendo parte da mesma
cadeia produtiva.
 Conglomeração é a concentração que
envolve agentes econômicos distintos, que
igualmente ofertam produtos ou serviços
diversos, podendo ou não ser
complementares entre si, mas que,
certamente, não fazem parte da mesma
cadeia produtiva.
 Guia para análise econômica de atos de
concentração, adotado pela SEAE por
meio da Portaria SEAE,SDE n. 50, de
01.08.2001.

 Processo administrativo

 Poderá ter início a partir de averiguação
preliminar da SDE quando os indícios não
forem suficientes para a instauração de
processo administrativo. (artigo 30)
 Adoção das medidas previstas nos artigos
35, 35 a e 35 b da lei 8884/94.

 Prazo de 60 dias para conclusão das
averiguações preliminares
 Convolação em processo administrativo ou
arquivamento, com recurso de ofício ao
CADE nesta última hipótese.

 Processo administrativo no prazo de 08
dias contado do conhecimento do fato, da
representação, ou do encerramento das
averiguações preliminares. (artigo 32)
 Prazo de 15 dias para apresentação de
defesa.
 Instrução – artigo 35.
Medida preventiva
 Art. 25. Pela continuidade de atos ou situações que
configurem infração da ordem econômica, após decisão
do Plenário do CADE determinando sua cessação, ou
pelo descumprimento de medida preventiva ou
compromisso de cessação previstos nesta lei, o
responsável fica sujeito a multa diária de valor não
inferior a 5.000 (cinco mil) Unidades Fiscais de
Referência (Ufir), ou padrão superveniente, podendo ser
aumentada em até vinte vezes se assim o recomendar
sua situação econômica e a gravidade da infração.

Medida preventiva
 Da Medida Preventiva e da Ordem de Cessação
 Art. 52. Em qualquer fase do processo administrativo poderá o
Secretário da SDE ou o Conselheiro-Relator, por iniciativa própria ou
mediante provocação do Procurador-Geral do CADE, adotar medida
preventiva, quando houver indício ou fundado receio de que o
representado, direta ou indiretamente, cause ou possa causar ao
mercado lesão irreparável ou de difícil reparação, ou torne ineficaz o
resultado final do processo.
 § 1º Na medida preventiva, o Secretário da SDE ou o Conselheiro-
Relator determinará a imediata cessação da prática e ordenará,
quando materialmente possível, a reversão à situação anterior,
fixando multa diária nos termos do art. 25.
 § 2º Da decisão do Secretário da SDE ou do Conselheiro-Relator do
CADE que adotar medida preventiva caberá recurso voluntário, no
prazo de cinco dias, ao Plenário do CADE, sem efeito suspensivo.

Compromisso de desempenho
 Art. 58. O Plenário do CADE definirá compromissos de desempenho
para os interessados que submetam atos a exame na forma do art.
54, de modo a assegurar o cumprimento das condições
estabelecidas no § 1º do referido artigo. (Vide Lei nº 9.873, de
23.11.99)
 § 1º Na definição dos compromissos de desempenho será levado
em consideração o grau de exposição do setor à competição
internacional e as alterações no nível de emprego, dentre outras
circunstâncias relevantes.
 § 2º Deverão constar dos compromissos de desempenho metas
qualitativas ou quantitativas em prazos pré-definidos, cujo
cumprimento será acompanhado pela SDE.
 § 3º O descumprimento injustificado do compromisso de
desempenho implicará a revogação da aprovação do CADE, na
forma do art. 55, e a abertura de processo administrativo para
adoção das medidas cabíveis.

 § 1º O CADE poderá autorizar os atos a que se refere o caput,
desde que atendam as seguintes condições:
 I - tenham por objetivo, cumulada ou alternativamente:
 a) aumentar a produtividade;
 b) melhorar a qualidade de bens ou serviço; ou
 c) propiciar a eficiência e o desenvolvimento tecnológico ou
econômico;
 II - os benefícios decorrentes sejam distribuídos eqüitativamente
entre os seus participantes, de um lado, e os consumidores ou
usuários finais, de outro;
 III - não impliquem eliminação da concorrência de parte substancial
de mercado relevante de bens e serviços;
 IV - sejam observados os limites estritamente necessários para
atingir os objetivos visados.
 § 2º Também poderão ser considerados legítimos os atos previstos
neste artigo, desde que atendidas pelo menos três das condições
previstas nos incisos do parágrafo anterior, quando necessários por
motivo preponderantes da economia nacional e do bem comum, e
desde que não impliquem prejuízo ao consumidor ou usuário final.

Compromisso de cessação
 Art. 53. Em qualquer das espécies de processo administrativo, o
CADE poderá tomar do representado compromisso de cessação da
prática sob investigação ou dos seus efeitos lesivos, sempre que,
em juízo de conveniência e oportunidade, entender que atende aos
interesses protegidos por lei. (Redação dada pela Lei nº 11.482, de
2007)
 § 1
o
Do termo de compromisso deverão constar os seguintes
elementos: (Redação dada pela Lei nº 11.482, de 2007)
 I - a especificação das obrigações do representado para fazer cessar
a prática investigada ou seus efeitos lesivos, bem como obrigações
que julgar cabíveis; (Incluído pela Lei nº 11.482, de 2007)
 II - a fixação do valor da multa para o caso de descumprimento,
total ou parcial, das obrigações compromissadas; (Incluído pela Lei
nº 11.482, de 2007)
 III - a fixação do valor da contribuição pecuniária ao Fundo de
Defesa de Direitos Difusos quando cabível. (Incluído pela Lei nº
11.482, de 2007)

Acordo de leniência
 Art. 35-B. A União, por intermédio da SDE, poderá
celebrar acordo de leniência, com a extinção da ação
punitiva da administração pública ou a redução de um a
dois terços da penalidade aplicável, nos termos deste
artigo, com pessoas físicas e jurídicas que forem autoras
de infração à ordem econômica, desde que colaborem
efetivamente com as investigações e o processo
administrativo e que dessa colaboração resulte: (Incluído
pela Lei nº 10.149, de 21.12.2000)
 I - a identificação dos demais co-autores da infração; e
(Incluído pela Lei nº 10.149, de 21.12.2000)
 II - a obtenção de informações e documentos que
comprovem a infração noticiada ou sob investigação.
(Incluído pela Lei nº 10.149, de 21.12.2000)

Promoção da cultura da
concorrência
 Papel educacional das autoridades
concorrenciais
Conflito de atribuições entre autoridades
concorrenciais e reguladoras
 Regulação de mercados e setores de
relevante interesse coletivo se dá para fins
de restabelecer o equilíbrio de competição
entre os agentes envolvidos,substituindo o
uso dos mecanismos de mercado, que se
revelam ineficientes, através da utilização
dos instrumentos e mecanismos de
regulação.
 Lei de telecomunicações – 9472 de 1997
estabelece a competência do ente
regulador para exercer o controle, mas
ressalva as competências do CADE (artigo
19, XIX da lei 9472).

 ANATEL instrui e remete ao CADE
 ANAC – artigo 6. da lei que criou a ANAC
estabelece que ... Quando, no exercício de
suas atribuições, a ANAC tomar
conhecimento de fato que configure ou
possa configurar infração contra a ordem
econômica, ou que comprometa a defesa
e a promoção da concorrência, deverá
comunicá-lo aos órgãos e entidades
referidos no caput deste artigo, para que
adotem as providências cabíveis.
 Já o Decreto 3327 de 2000
regulamentador da ANS no artigo 3., § 4.
estabelece que A ANS , ao tomar
conhecimento de fato que configure ou
possa configurar infração à ordem
econômica, deverá comunicá-la ao
Conselho Administrativo de Defesa
Econômica ...
 Dificuldade: atos de concentração
econômica, lei 9961 de 2000, estabelece a
competência do ente regulador para
análise de atos de concentração, sem
prejuízo da competência do SBDC.
Função social da propriedade

 Artigos 5°, incisos XXII e XXIII, 170,
incisos II e III, artigo 182, § 2°, 186,
todos da C.F./88.
 Artigo 5.
 inciso XXII – é garantido o direito de
propriedade;
 XXIII – a propriedade atenderá a sua
função social;
Código tributário nacional
 Artigo 32. ...
 § 1 – para os efeitos deste imposto,
entende-se como zona urbana a definida
em lei municipal, observado o requisito
mínimo da existência de melhoramentos
indicados em pelo menos dois dos incisos
seguintes, construídos ou mantidos pelo
Poder Público:
 I – meio fio ou calçamento, com canalização de
águas pluviais
 II – abastecimento de água;
 III – sistema de esgotos sanitários;
 IV – rede de iluminação pública, com ou sem
posteamento para distribuição domiciliar;
 V – escola primária ou posto de saúde a uma
distância máxima de 3 (três) quilômetros do
imóvel considerado.
 Parágrafo 2. – a lei municipal pode
considerar urbanas as áreas urbanizáveis,
ou de expansão urbana, constantes de
loteamentos aprovados pelos órgãos
competentes, destinados à habitação, à
indústria ou ao comércio, mesmo que
localizados fora das zonas definidas nos
termos do parágrafo anterior.
Artigo 182
 Parágrafo 1° O plano diretor, aprovado
pela Câmara Municipal, obrigatório para
cidades com mais de vinte mil habitantes,
é o instrumento básico da política de
desenvolvimento e de expansão urbana.
 Parágrafo 2° – A propriedade urbana
cumpre sua função social quando atende
às exigências fundamentais de ordenação
da cidade expressas no plano diretor;
C.F. - 88, Artigo 186
 A função social é cumprida quando a
propriedade rural atende, simultaneamente,
segundo critérios e graus de exigência
estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos:
 I – aproveitamento racional e adequado;
 II – utilização adequada dos recursos naturais
disponíveis e preservação do meio ambiente;
 III – observância das disposições que regulam
as relações de trabalho;
 IV – exploração que favoreça o bem-estar dos
proprietários e dos trabalhadores.
Artigo 182, § 4°
 É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei
específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos
termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não
edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova
seu adequado aproveitamento, sob pena,
sucessivamente, de:
 I – parcelamento ou edificação compulsórios;
 II – imposto sobre a propriedade predial e territorial
urbana progressivo no tempo;
 III – desapropriação com pagamento mediante títulos da
dívida pública de emissão previamente aprovada pelo
Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos,
em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o
valor real da indenização e os juros legais.
Estatuto da cidade
 Para todos os efeitos esta Lei,
denominada Estatuto da Cidade,
estabelece normas de ordem pública e
interesse social que regulam o uso da
propriedade urbana em prol do bem
coletivo, da segurança e do bem-estar dos
cidadãos, bem como do equilíbrio
ambiental.
Artigo 2°
 IV – ordenação e controle do uso do solo,
de forma a evitar:
 a) A utilização inadequada dos imóveis
urbanos;
 b) A proximidade de usos incompatíveis
ou inconvenientes;
 c) O parcelamento do solo, a edificação ou
o uso excessivos ou inadequados em
relação à infraestrutura urbana;
 d) A instalação de empreendimentos ou
atividades que possam funcionar como
polos geradores de tráfego, sem a
previsão da infraestrutura correspondente
 e) A retenção especulativa de imóvel
urbano, que resulte na sua subutilização
ou não utilização
 f) A deterioração das áreas urbanizadas
 g) A poluição e a degradação ambiental.
Artigo 5°
 Lei municipal específica para área incluída
no plano diretor poderá determinar o
parcelamento, a edificação ou a utilização
compulsórios do solo urbano não
edificado, subutilizado ou não utilizado,
devendo fixar as condições e os prazos
para implementação da referida obrigação
 §1°. Considera-se subutilizado o imóvel:
 Cujo aproveitamento seja inferior ao
mínimo definido no plano diretor ou em
legislação dele decorrente;
 § 2°. O proprietário será notificado pelo
Poder Executivo municipal para o
cumprimento da obrigação, devendo a
notificação ser averbada no cartório de
registro de imóveis.
IPTU progressivo no tempo
 Artigo 7° Em caso de descumprimento das
condições e dos prazos previstos na forma
do caput do artigo 5° … o Município
procederá à aplicação do Imposto sobre a
Propriedade Predial e Territorial Urbana
(IPTU) progressivo no tempo, mediante a
majoração da alíquota pelo prazo de 5
(cinco) anos consecutivos.
Desapropriação com pagamento
em títulos
 Decorridos 5 (cinco) anos de cobrança do
IPTU progressivo sem que o proprietário
tenha cumprido a obrigação de
parcelamento, edificação ou utilização, o
Município poderá proceder à
desapropriação do imóvel, com
pagamento em títulos da dívida pública.
 Usucapião especial de imóvel urbano:
 Artigo 9° - Aquele que possuir como sua
área ou edificação urbana de até 250
metros quadrados por cinco anos,
ininterruptamente e sem oposição,
utilizando-a para sua moradia ou de sua
família, adquirir-lhe-á o domínio, desde
que não seja proprietário de outro imóvel
urbano ou rural.
Desapropriação por interesse
social para fins de reforma agrária
 Compete à União desapropriar por
interesse social para fins de reforma
agrária, o imóvel rural que não esteja
cumprindo sua função social, mediante
prévia e justa indenização em títulos da
dívida agrária ...
SISTEMA FINANCEIRO
NACIONAL
 É todo o disciplinamento jurídico inerente
a reger e regular as instituições
financeiras de crédito, públicas ou
privadas, bem como todas as entidades
congêneres que atuam na economia
popular, tais como seguradoras, entes de
previdência privada e de capitalização.
Lei 4595 de 1964
 Compõem o SFN o Banco Central do
Brasil, o Banco do Brasil S/A, o Banco
Nacional do Desenvolvimento econômico e
as demais instituições financeiras públicas
e privadas.

 Órgãos normativos, entidades
supervisoras e operadores
Órgãos normativos
 Conselho Monetário Nacional: expedir
diretrizes gerais para o bom funcionamento do
SFN.
 Conselho nacional de seguros privados:
fixar diretrizes e normas da política de seguros
privados
 Conselho de gestão de previdência
complementar: regular, normatizar e
coordenar as atividades das entidades fechadas
de previdência complementar
Entidades supervisoras
 são encarregadas de realizar e executar as
atividades de regulação estatal do sistema
financeiro nacional.
 BANCO CENTRAL – BACEN – autarquia
vinculada ao Ministério da Fazenda, criada
pela lei 4595 de 1964

BACEN
 Responsável por garantir o poder de
compra da moeda nacional, zelar pela
adequada liquidez da economia, manter as
reservas internacionais em nível
adequado, estimular a formação de
poupança, zelar pela estabilidade e
promover o permanente aperfeiçoamento
do sistema financeiro
CVM
 Autarquia vinculada ao Ministério da
Fazenda, pela lei 6385 de 1976, tem por
atribuições funcionais promover a
regulamentação, desenvolvimento,
controle e fiscalização do mercado de
valores mobiliários do país.
 Assegura o funcionamento eficiente e
regular dos mercados de bolsa e de
balcão; protege os titulares de valores
mobiliários, evita ou coibe modalidades de
fraude ou manipulação no mercado,
assegura o acesso do público a
informações sobre valores mobiliários
negociados e sobre as companhias queos
tenham emitido ...
 SUSEP: exercer o controle e a fiscalização do
mercado de seguro, previdência privada aberta
e capitalização.

 SPC - secretaria de previdência complementar:
trata-se de centro de competência
despersonalizado, integrante do Ministério da
Previdência Social, realizando a fiscalização das
atividades fechadas de previdência
complementar (fundos de pensão)

operadores
 Bolsa de valores: pessoas jurídicas de direito
privado, tendo por objeto social a manutenção
de local próprio para o encontro de seus
membros, propiciando a realização e transações
de compra e venda de títulos e valores
mobiliários. Gozam de autonomia financeira,
patrimonial e administrativa, sendo fiscalizadas
pelos seus membros e pela CVM.
 Bolsa de mercadorias e futuros: tem por
objeto social efetuar o registro, a compensação,
a liquidação, física e financeira, das operações
realizadas em pregão ou em sistema eletrônico.
 Sociedades seguradoras

 Instituto de resseguros do Brasil: entidade empresarial
estatal integrante da Administração Pública Federal
indireta, com criação autorizada por lei, sendo
constituída sob a forma de sociedade de economia mista
vinculada ao Ministério da Fazenda. Criada
originariamente como entidade reguladora. Com a lei
complementar 126/2007 não mais exerce funções
regulatórias, passando a ser um mero operador do
mercado de resseguros.

 Sociedades de capitalização
 Entidades abertas de previdência complementar
 Entidades fechadas de previdência complementar
 Instituições financeiras captadoras de
depósitos à vista:
 Bancos comerciais
 Bancos múltiplos com carteira comercial
 Caixa econômica federal
 Cooperativas de crédito
 Instituições financeiras não captadoras de
depósito à vista: depósito à prazo e poupança
 Outros intermediários financeiros (ex.
administradoras de consórcio, corretoras de
câmbio, sociedades de arrendamento mercantil)


Principais políticas do sistema
financeiro nacional
 Monetária: objetiva o controle da oferta da moeda e das
taxas de juros de curto prazo para garantir a liquidez
ideal de cada período econômico;
 Fiscal: objetiva o equilíbrio entre as receitas e as
despesas governamentais, a fim de controlar a carga
tributária em patamares que não comprometam a
política monetária;
 Cambial: objetiva o controle da taxa de câmbio, a fim de
viabilizar as relações de comércio exterior;
 Rendas: objetiva garantir a justa remuneração às
pessoas físicas e jurídicas.
Defesa do consumidor
 Artigo 421 – a liberdade de contratar será
exercida em razão e nos limites da função
social do contrato.
 Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade
econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de
fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante
para o setor público e indicativo para o setor privado.
 § 1º - A lei estabelecerá as diretrizes e bases do planejamento do
desenvolvimento nacional equilibrado, o qual incorporará e
compatibilizará os planos nacionais e regionais de desenvolvimento.
 § 2º - A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas
de associativismo.
 § 3º - O Estado favorecerá a organização da atividade garimpeira
em cooperativas, levando em conta a proteção do meio ambiente e
a promoção econômico-social dos garimpeiros.
 § 4º - As cooperativas a que se refere o parágrafo anterior terão
prioridade na autorização ou concessão para pesquisa e lavra dos
recursos e jazidas de minerais garimpáveis, nas áreas onde estejam
atuando, e naquelas fixadas de acordo com o art. 21, XXV, na forma
da lei.

 Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei,
diretamente ou sob regime de concessão ou permissão,
sempre através de licitação, a prestação de serviços
públicos.
 Parágrafo único. A lei disporá sobre:
 I - o regime das empresas concessionárias e
permissionárias de serviços públicos, o caráter especial
de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as
condições de caducidade, fiscalização e rescisão da
concessão ou permissão;
 II - os direitos dos usuários;
 III - política tarifária;
 IV - a obrigação de manter serviço adequado.

 Art. 21. Compete à União:
 XI - explorar, diretamente ou mediante concessão a
empresas sob controle acionário estatal, os serviços
telefônicos, telegráficos, de transmissão de dados e
demais serviços públicos de telecomunicações,
assegurada a prestação de serviços de informações por
entidades de direito privado através da rede pública de
telecomunicações explorada pela União.
 XI - explorar, diretamente ou mediante autorização,
concessão ou permissão, os serviços de
telecomunicações, nos termos da lei, que disporá sobre
a organização dos serviços, a criação de um órgão
regulador e outros aspectos institucionais;(Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 8, de 15/08/95:)


Formas de intervenção do Estado
na Ordem Econômica


 Diogo Moreira Neto:
 Intervenção regulatória
 Intervenção concorrencial
 Intervenção monopolista
 Intervenção sancionatória
Serviço público
 “a melhor noção de serviço público não se
vincula à essência da atividade per si, mas
decorre de uma necessidade pontual e
historicamente determinada de maior
intervenção a ser feita pelo Estado em
certa esfera da economia.” (Leonardo
Vizeu Figueiredo)
SERVIÇO PÚBLICO
 AULA 4
O que é serviço público?
 Quem deve definir se determinado serviço
é público ou não?
 Qual a conseqüência de se definir um
serviço como público?


Domínio econômico
 Sentido amplo
 Sentido estrito

 Serviço público e atividade econômica
 “inexiste, em um primeiro momento,
oposição entre atividade econômica e
serviço público” ... “Daí podermos afirmar
que o serviço público é um tipo de
atividade econômica.” (Eros Roberto Grau)
 Sentido amplíssimo, o serviço será considerado
público se prestado pelo Estado.

 Atividade executiva (prestação do serviço)
decorrente do poder de polícia (fiscalização),
judicial (solução das controvérsias), legislativa
ou de cunho econômico privatista. (participação
do Estado na economia)
Sentido restrito
 Engloba apenas a atividade da Administração
Pública (excluem-se as atividades judiciais e
legislativas).

 Mas mesmo entre as desenvolvidas pela
administração, excluem-se as de caráter
tributário a as exercidas com base no poder de
polícia. Outros excluem inclusive as atividades-
meio, como limpeza e vigilância de repartições
públicas.
Caracterização finalística
 Seria público aquele que objetivasse o
atendimento do interesse público, a
necessidade coletiva (segurança, polícia,
saneamento, recolhimento de lixo, etc.)
ou necessidade individual informada pelo
interesse comum )transporte coletivo, gás,
telefone, etc...
Corrente normativa
 Serviço público seria aquele assim definido
por lei, independentemente de uma
caracterização finalística.


Eros Roberto Grau
 Solução intermediária: a caracterização só
pode ser feita mediante uma apreciação
da realidade material econômica sobre
como tal atividade é explorada num
determinado momento histórico.
(concepção material)
Quarta corrente: materialista-
finalística
 Vinculação do conceito à dignidade da
pessoa humana:

 seria tudo aquilo que fosse essencial para
a dignidade humana.

 Aspecto formal – tarefas prestadas pelas
normas de Direito Público
 Sentido material – conjunto de atividades
voltadas para o atendimento das
necessidades da coletividade
 Sentido subjetivo – aparelhamento estatal
feito pelo Poder Público
Crise do conceito de serviço
público? características
 Estado liberal para o interventivo – estado
assume atividades comerciais e industriais,
afastando-se do elemento material.
 Transferência do exercício para entidades
privadas – alterando elemento subjetivo.
 Elemento formal – nem todo serviço passa
a ser prestado sob regime totalmente
público.
Serviço público não é gratuito
ou deficitário
 Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado
mediante a garantia de:
 I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que
a ele não tiveram acesso na idade própria;
II - progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao
ensino médio;
 I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive,
sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiveram acesso na
idade própria; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de
1996)
 I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17
(dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita
para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria;
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) (Vide
Emenda Constitucional nº 59, de 2009)

 Art. 230. A família, a sociedade e o Estado têm o
dever de amparar as pessoas idosas,
assegurando sua participação na comunidade,
defendendo sua dignidade e bem-estar e
garantindo-lhes o direito à vida.
 § 1º - Os programas de amparo aos idosos
serão executados preferencialmente em seus
lares.
 § 2º - Aos maiores de sessenta e cinco anos é
garantida a gratuidade dos transportes coletivos
urbanos.

Como diretriz a continuidade
 Princípio implícito na C.F. e também no
artigo 22 do C.D.C.,

 Art. 22. Os órgãos públicos, por si ou suas empresas,
concessionárias, permissionárias ou sob qualquer outra forma de
empreendimento, são obrigados a fornecer serviços adequados,
eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, contínuos.
 Parágrafo único. Nos casos de descumprimento, total ou
parcial, das obrigações referidas neste artigo, serão as pessoas
jurídicas compelidas a cumpri-las e a reparar os danos causados, na
forma prevista neste código.

 Continuidade com relação à sua
disponibilização como um todo e não à
sua prestação individual.
 Serviço público não conduz à
monopolização.
Regime jurídico
 Definido em lei.
 Para determinados tipos de serviço:
 Agentes são estatutários, os bens são
públicos, as decisões apresentam os
atributos do ato administrativo (presunção
de veracidade e a executoriedade), a
responsabilidade é objetiva, os contratos
regem-se pelo direito administrativo.
Execução obedece o artigo 100 da
C.F./88.
 Art. 100. Os pagamentos devidos pelas
Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital e
Municipais, em virtude de sentença judiciária,
far-se-ão exclusivamente na ordem cronológica
de apresentação dos precatórios e à conta dos
créditos respectivos, proibida a designação de
casos ou de pessoas nas dotações
orçamentárias e nos créditos adicionais abertos
para este fim. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 62, de 2009).

 Para os serviços comerciais e industriais,
há um regime híbrido.
E a jurisprudência?
 Julgamento conforme o caso específico,
levando em consideração a situação
específica.
Serviços públicos em espécie
 Serviços notadamente públicos:
saneamento, abastecimento de água,
energia elétrica, iluminação e limpeza das
vias públicas, coleta do lixo.
 Alguns resultam de uma prestação
individualizada: abastecimento de água.
 Outros são coletivamente oferecidos:
iluminação pública
 Uti singuli, uti universi ou gerais.
 Art. 30. Compete aos Municípios:
 I - legislar sobre assuntos de interesse local;
 II - suplementar a legislação federal e a estadual no que couber;
 III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, bem como aplicar
suas rendas, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar contas e publicar
balancetes nos prazos fixados em lei;
 IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual;
 V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou
permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte
coletivo, que tem caráter essencial;
 Art. 30. Compete aos Municípios:
 I - legislar sobre assuntos de interesse local;
 II - suplementar a legislação federal e a estadual no que couber;
 III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, bem como aplicar
suas rendas, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar contas e publicar
balancetes nos prazos fixados em lei;
 IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual;
 V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou
permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte
coletivo, que tem caráter essencial;

 VI - manter, com a cooperação técnica e
financeira da União e do Estado, programas de
educação infantil e de ensino fundamental;
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº
53, de 2006)
 VII - prestar, com a cooperação técnica e
financeira da União e do Estado, serviços de
atendimento à saúde da população;

 Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e
leis que adotarem, observados os princípios desta Constituição.
 § 1º - São reservadas aos Estados as competências que não lhes
sejam vedadas por esta Constituição.
 § 2º - Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante
concessão, a empresa estatal, com exclusividade de distribuição, os
serviços locais de gás canalizado.
 § 2º - Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante
concessão, os serviços locais de gás canalizado, na forma da lei,
vedada a edição de medida provisória para a sua
regulamentação.(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 5,
de 1995)

 Art. 21. Compete à União:
 I - manter relações com Estados estrangeiros e participar de organizações
internacionais;
 II - declarar a guerra e celebrar a paz;
 III - assegurar a defesa nacional;
 IV - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras
transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente;
 V - decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a intervenção federal;
 VI - autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de material bélico;
 VII - emitir moeda;
 VIII - administrar as reservas cambiais do País e fiscalizar as operações de natureza
financeira, especialmente as de crédito, câmbio e capitalização, bem como as de
seguros e de previdência privada;
 IX - elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordenação do território e de
desenvolvimento econômico e social;
 X - manter o serviço postal e o correio aéreo nacional;
 XI - explorar, diretamente ou mediante concessão a empresas sob controle acionário
estatal, os serviços telefônicos, telegráficos, de transmissão de dados e demais
serviços públicos de telecomunicações, assegurada a prestação de serviços de
informações por entidades de direito privado através da rede pública de
telecomunicações explorada pela União.
 XI - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, os
serviços de telecomunicações, nos termos da lei, que disporá sobre a organização
dos serviços, a criação de um órgão regulador e outros aspectos
institucionais;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 8, de 15/08/95:)

 Art. 205. A educação, direito de todos e dever
do Estado e da família, será promovida e
incentivada com a colaboração da sociedade,
visando ao pleno desenvolvimento da pessoa,
seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho.

 Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada,
atendidas as seguintes condições:
 I - cumprimento das normas gerais da educação
nacional;
 II - autorização e avaliação de qualidade pelo
Poder Público.

 Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado,
garantido mediante políticas sociais e econômicas que
visem à redução do risco de doença e de outros agravos
e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços
para sua promoção, proteção e recuperação.
 Art. 197. São de relevância pública as ações e serviços
de saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos
da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle,
devendo sua execução ser feita diretamente ou através
de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de
direito privado.

 Art. 199. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada.
 § 1º - As instituições privadas poderão participar de forma
complementar do sistema único de saúde, segundo diretrizes deste,
mediante contrato de direito público ou convênio, tendo preferência
as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos.
 § 2º - É vedada a destinação de recursos públicos para auxílios ou
subvenções às instituições privadas com fins lucrativos.
 § 3º - É vedada a participação direta ou indireta de empresas ou
capitais estrangeiros na assistência à saúde no País, salvo nos casos
previstos em lei.
 § 4º - A lei disporá sobre as condições e os requisitos que facilitem
a remoção de órgãos, tecidos e substâncias humanas para fins de
transplante, pesquisa e tratamento, bem como a coleta,
processamento e transfusão de sangue e seus derivados, sendo
vedado todo tipo de comercialização.

Ordem econômica ou domínio
econômico
 Ordem econômica em sentido amplo:

 Engloba a área destinada aos particulares
e também o setor de serviços públicos

 Ordem econômica em sentido estrito:
somente a área destinada à atuação dos
particulares

 Serviço Público

 “Toda atividade material (exclui atividade
normativa e poder de polícia) que a lei
atribui ao Estado para que exerça
diretamente ou por meio de seus
delegados, com o objetivo de satisfazer
concretamente às necessidades coletivas,
sob regime jurídico total ou parcialmente
público”. Maria S. Zanella Di Pietro.
 Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei,
diretamente ou sob regime de concessão ou permissão,
sempre através de licitação, a prestação de serviços
públicos.
 Parágrafo único. A lei disporá sobre:
 I - o regime das empresas concessionárias e
permissionárias de serviços públicos, o caráter especial
de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as
condições de caducidade, fiscalização e rescisão da
concessão ou permissão;
 II - os direitos dos usuários;
 III - política tarifária;
 IV - a obrigação de manter serviço adequado.

 Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a
exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será
permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional
ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei.
 § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da
sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem
atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de
prestação de serviços, dispondo sobre: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
 I - sua função social e formas de fiscalização pelo Estado e pela
sociedade; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
 II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas,
inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais,
trabalhistas e tributários; (Incluído pela Emenda Constitucional nº
19, de 1998)
 Eros Roberto Grau:

 Intervenção no domínio econômico
 Absorção: ocorre quando o Estado atua em
regime de monopólio, avocando para si a
iniciativa de exploração de determinada
atividade econômica; (art. 177)

 Participação: o Estado atua paralelamente aos
particulares, empreendendo em atividades
econômicas, ou, ainda, prestando serviço
público economicamente explorável,
concomitantemente com a iniciativa privada.
(art. 173)
 Intervenção sobre o domínio econômico
 Direção: ocorre quando o Estado atua na
economia por meio de instrumentos normativos
de pressão, seja através de edição de leis ou de
atos normativos; (art. 174)

 Indução: ocorre quando o Estado incentiva, por
meio de benesses creditícias, a prática de
determinados setores econômicos, seja através
de benefícios fiscais, abertura linhas de crédito
para fins de incentivo de determinadas
atividades, por meio de instituições financeiras
privadas ou oficiais de fomento.
 Art. 174. Como agente normativo e
regulador da atividade econômica, o
Estado exercerá, na forma da lei, as
funções de fiscalização, incentivo e
planejamento, sendo este determinante
para o setor público e indicativo para o
setor privado.

monopólio
 Monarquia absolutista: “onde há riqueza aí
está a autoridade pública, sombra do rei,
com antecipação à exploração
econômica”.
 Período colonial e em menor escala,
imperial
 Pau brasil, tabaco (1674), sal, 1658,
diamantes (1731)
 Com a CF/1891, diminuição dos
monopólios
 Petróleo – lei 2004/1953
 Carta de 1967, art. 162

 Flexibilização - § 1° do artigo 177
 Serviço postal?
 Decreto-lei 1191/39 – lei 6538/78

 Minérios nucleares – lei 4118/1962
 Jazidas minerais? – art. 5°, IX e 176
 Monopólio é a exploração exclusiva de
determinada atividade econômica por um
único agente (ou alguns agentes –
oligopólio), não se admitindo a entrada de
outros competidores ... por força de
obstáculos naturais ou artificiais.”
(Leonardo Vizeu Fiqueiredo, Lições, p.
92).
 Monopólio, oligopólio, monopsônio.
 Monopsônio é uma forma de mercado com apenas um comprador,
chamado de monopsonista, e inúmeros vendedores. É um tipo de
competição imperfeita, inverso ao caso do monopólio, onde existe
apenas um vendedor e vários compradores


 “Monopólio natural decorre da
circunstância peculiar em que a
exploração de determinada atividade
somente será economicamente eficiente
se for realizada por um único indivíduo.”
 (André Ramos Tavares)
 Causas: escassez de determinado bem
 Ausência de capacitação tecnológica a
possibilitar o acesso de outros
interessados.
 Empresa detém a patente sobre o produto
ou detém a única fonte de matéria prima

 Lei 8884/94:
 Art. 20. Constituem infração da ordem econômica,
independentemente de culpa, os atos sob qualquer forma
manifestados, que tenham por objeto ou possam produzir os
seguintes efeitos, ainda que não sejam alcançados:
 I - limitar, falsear ou de qualquer forma prejudicar a livre
concorrência ou a livre iniciativa;
 II - dominar mercado relevante de bens ou serviços;
 III - aumentar arbitrariamente os lucros;
 IV - exercer de forma abusiva posição dominante.
 § 1º A conquista de mercado resultante de processo natural
fundado na maior eficiência de agente econômico em relação a seus
competidores não caracteriza o ilícito previsto no inciso II.
 § 2º Ocorre posição dominante quando uma empresa ou
grupo de empresas controla parcela substancial de mercado
relevante, como fornecedor, intermediário, adquirente ou
financiador de um produto, serviço ou tecnologia a ele relativa.
 § 3º A posição dominante a que se refere o parágrafo anterior
é presumida quando a empresa ou grupo de empresas controla
20% (vinte por cento) de mercado relevante, podendo este
percentual ser alterado pelo CADE para setores específicos da
economia. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.95)

 Monopólio artificial: decorre da vontade do
agente econômico e da possibilidade
econômica ou legal que este tem de
implementá-lo.

 Pode ser estatal ou privado:
 Privado: motivos egoísticos, lucro
 Estatal: busca preservar ou implementar
(ao menos em tese) o interesse público
 C.F./88: não há a possibilidade de o
legislador infraconstitucional promover a
intervenção estatal salvo nos casos
expressamente excepcionados no próprio
texto constitucional.

 C.F./67 e 69, artigos 157 e 163:

 “São facultados a intervenção no domínio
econômico e o monopólio de determinada
indústria ou atividade, mediante lei da União...”
 Art. 177. Constituem monopólio da União:
 I - a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos;
 II - a refinação do petróleo nacional ou estrangeiro;
 III - a importação e exportação dos produtos e derivados básicos resultantes das atividades
previstas nos incisos anteriores;
 IV - o transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional ou de derivados básicos de
petróleo produzidos no País, bem assim o transporte, por meio de conduto, de petróleo bruto,
seus derivados e gás natural de qualquer origem;
 V - a pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a industrialização e o comércio de
minérios e minerais nucleares e seus derivados.
 V - a pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a industrialização e o comércio de
minérios e minerais nucleares e seus derivados, com exceção dos radioisótopos cuja produção,
comercialização e utilização poderão ser autorizadas sob regime de permissão, conforme as
alíneas b e c do inciso XXIII do caput do art. 21 desta Constituição Federal. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 49, de 2006)
 § 1º O monopólio previsto neste artigo inclui os riscos e resultados decorrentes das atividades
nele mencionadas, sendo vedado à União ceder ou conceder qualquer tipo de participação, em
espécie ou em valor, na exploração de jazidas de petróleo ou gás natural, ressalvado o disposto
no art. 20, § 1º.
 § 1º A União poderá contratar com empresas estatais ou privadas a realização das atividades
previstas nos incisos I a IV deste artigo observadas as condições estabelecidas em lei.(Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 9, de 1995)
 § 2º A lei a que se refere o § 1º disporá sobre: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 9, de
1995)
 I - a garantia do fornecimento dos derivados de petróleo em todo o território nacional; (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 9, de 1995)
 II - as condições de contratação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 9, de 1995)
 III - a estrutura e atribuições do órgão regulador do monopólio da União; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 9, de 1995)


 Art. 21. Compete à União:
 XXIII - explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer natureza e
exercer monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra, o enriquecimento e
reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios nucleares e
seus derivados, atendidos os seguintes princípios e condições:
 a) toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para
fins pacíficos e mediante aprovação do Congresso Nacional;
 b) sob regime de concessão ou permissão, é autorizada a utilização de
radioisótopos para a pesquisa e usos medicinais, agrícolas, industriais e
atividades análogas;
c) a responsabilidade civil por danos nucleares independe da existência de
culpa;
 b) sob regime de permissão, são autorizadas a comercialização e a
utilização de radioisótopos para a pesquisa e usos médicos, agrícolas e
industriais; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 49, de
2006) c) sob regime de permissão, são autorizadas a produção,
comercialização e utilização de radioisótopos de meia-vida igual ou inferior
a duas horas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 49, de
2006) d) a responsabilidade civil por danos nucleares independe da
existência de culpa; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 49, de 2006)