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Assistência à Criança e ao

Adolescente
Professora: Rosimeire Areias
Quem aqui gosta de
crianças?

Qual a diferença entre
“cuidar” de adultos e
“cuidar” de crianças?
Como deve ser a
assistência de
enfermagem a
pacientes pediátricos?


O que podemos fazer para
melhorar nossa assistência
de enfermagem a pacientes
pediátricos?
O que significa
“ENFERMAGEM EM
PEDIATRIA?”


Consiste no ramo da medicina
que estuda os problemas da
criança desde o nascimento até a
puberdade.
Nas últimas décadas, o interesse pelo
desenvolvimento integral da criança tem
crescido em todo o mundo, como resultado do
aumento constante da sobrevivência infantil e
do reconhecimento de que a prevenção de
problemas ou de patologias nesse período
exerce efeitos duradouros na constituição do
ser humano.

Início dos anos 80, o UNICEF, e a OMS, lançou
a Revolução pela Sobrevivência e
Desenvolvimento da Criança. documento que,
embora se referisse ao tema como um dos seus
componentes limitava-se à avaliação do
crescimento com o objetivo de diagnosticar o
estado nutricional. Essa proposta foi aceita com
entusiasmo pelos países em vias de
desenvolvimento, a exemplo do Brasil, que na
época convivia com taxas de mortalidade infantil
muito elevada, decorrentes de uma alta
prevalência de doenças infecciosas, associada à
desnutrição.
Em 1984, quando publicada pelo Ministério da Saúde
uma série de manuais sobre atenção básica à criança de 0
a 5 anos.

Volume que se referia ao acompanhamento do
crescimento e desenvolvimento abordava, em sua maior
parte, o acompanhamento do crescimento.

A importância da vigilância do desenvolvimento foi
tratada com menor destaque, mas a publicação incluía
uma ficha com alguns dos principais “marcos” do
desenvolvimento e um instrutivo sobre como lidar com a
situação diante de atrasos ou suspeitas de problemas do
desenvolvimento.

Posteriormente, alguns desses marcos foram incluídos no
Cartão da Criança.


1. Classificação quanto a idade:

1.1Recém-nascidos (RN):

O recém nascido é classificado, de
acordo com a idade gestacional, da
seguinte forma:

- RN Pré-Termo
- RN a Termo
- RN Pós Termo





-RN Pré-Termo:

É a criança nascida em um período inferior a
37 semanas de gestação.

- RN a Termo

É a criança nascida entre 38 a 40 semanas da
gestação, que apresenta as seguintes
características.

-RN Pós-Termo

É a criança nascida após 41 semanas de
gestação.
1.1.1 Características dos RN
s


a) RN Pré-Termo

- Estatura geralmente inferior a 47 cm

- Peso geralmente inferior a 2.500 kg

- Edema intenso na área ocular e nos grandes lábios

- Membros compridos em relação ao corpo

- Excesso de lanugem (= pelos finos e felpudos que recobre, todo o
corpo e desaparecem após o primeiro mês de vida)
Cont. RN Pré-Termo
- Ausência de vérnix caseoso (substância gordurosa e
esbranquiçada que recobre o corpo para proteção da pele)
- Testículos geralmente ausentes da bolsa escrotal
- Predisposição à infecções e a hemorragias
- Reflexos deficientes
- Insuficiência respiratória grave (por formação da
membrana hialina e ausência de substância surfactante
dentro dos alvéolos)
b) RN a Termo

- Quando apresenta peso inferior a 2.500 kg é chamado de PIG
(Pequeno para a Idade Gestacional)
- Apresenta lanugem, vérnix caseoso e membros curtos em relação
ao corpo.

Milia sebácea (pequenos pontos de acúmulo de gordura na
pele sempre localizados na face)

-Manchas Mongólicas (manchas azuladas que aparecem geralmente
na região glútea, podendo diminuir ou perdurar por toda a vida)

-Fontanelas planas (partes moles existentes entre os ossos do
crânio e que se fecham com o decorrer do crescimento)
 A cabeça é grande em relação ao corpo (PC
normal é de 33 à 35 cm)
 Bossas (saliências no couro cabeludo, que ocorrem
devido a pressões sofridas durante o parto).
Podem ser edemas ou hematomas que
desaparecem na 1º semana

 Tórax (podem apresentar tumefação dos
mamilos)

 Instabilidade térmica (queda de temperatura
caso não seja corretamente aquecido)
Cont. RN a Termo
 O abdômen apresenta-se abaulado pelo aumento
fisiológico do fígado e baço

 Reflexo de moro (hiperextenção dos quatro membros,
seguida de flexão)

 Respiração abdominal superficial

 O cordão umbilical possui duas artérias e uma veia.

 Instabilidade térmica (queda de temperatura caso não
seja corretamente aquecido)

Cont. RN a Termo
c) RN Pós Termo

- Deslocamento quase total do vérnix caseoso

- Pele enrugada

- Pouca lanugem

- Variação da FC por ter entrado em sofrimento fetal
Moldagem cabeça
recém-nascido

Definição

Moldagem cabeça recém-
nascido é uma forma da cabeça
anormal que resulta da pressão
sobre a cabeça do bebê
durante o parto.

Recém-nascido deformação
craniana; Moldagem da cabeça
do recém-nascido

Os ossos do crânio de um bebê
recém-nascido são macios e
flexíveis, com espaços entre as
placas de osso
Os espaços entre as placas ósseas do crânio são chamados
desuturas cranianas .

Os anteriores e posteriores fontanelas são duas lacunas que são
particularmente grandes. Estes são os pontos fracos que você pode
sentir quando você tocar o topo da cabeça do seu bebê.
Durante uma cabeça-primeira entrega, a pressão na cabeça
causada pelo canal de nascimento estreito (vagina e ossos
pélvicos) pode moldar a cabeça em uma forma oblonga. Essas
lacunas ou espaços permitem que a cabeça do bebê para mudar de
forma.

Dependendo da quantidade e do comprimento de pressão, os
ossos do crânio pode ainda sobrepor-se.
Essas lacunas ou espaços também permitem que o cérebro a
crescer no interior dos ossos do crânio. Eles vão fechar como o
cérebro atinge seu tamanho máximo.

As "suturas" ou linhas anatômicas onde as placas ósseas do crânio
se unem pode ser facilmente sentida no recém-nascido. O espaço
em forma de diamante sobre o topo do crânio e no menor espaço
adicional para a parte de trás são muitas vezes referida como o
"ponto fraco" em crianças jovens.

O líquido pode também acumular em couro cabeludo do bebê
( caput succedaneum ) ou sangue pode coletar sob o couro
cabeludo (cefaloematoma). Isto pode distorcer ainda mais a
forma ea aparência da cabeça do bebê.

Fluid e coleta de sangue em torno do couro cabeludo é
comum durante o parto.
Ele geralmente desaparece após alguns dias.

Se o seu bebé nascer culatra (nádegas ou pés primeiro) ou
porcesariana , a cabeça geralmente é redonda e bem em
forma de outra forma. Anomalias extremas no tamanho da
cabeça não estão relacionadas com moldagem.
ANATOMIA FETAL
ÁREAS DO CRÂNIO – suturas e fontanelas

• Suturas: tecidos membranosos entre suas margens
• Fontanelas: intersecção de 2 ou mais suturas
• Ambos são reduzidos durante o parto

• Bregma: grande fontanela ( forma losangular)
• Lambda: pequena fontanela (forma triangular)
• Occípicio: região posterior à pequena fontanela
• Vértice: situa-se entre as duas fontanelas, entre as
protuberâncias dos ossos parietais
• Sincipúcio: anterior à grande fontanela= osso frontal


ÁREAS DO CRÂNIO


• DESENVOLVIMENTO HUMANO: FUNDAMENTOS E
PRINCÍPIOS PARA A PRÁTICA CLÍNICA

• Quando perguntamos a uma pessoa o que ela entende por
desenvolvimento, ou quando discutimos com profissionais de saúde
ou áreas afins o significado do termo desenvolvimento da criança,
ficamos surpresos com as mais variadas respostas, uma vez que, de
fato, o desenvolvimento humano é perpassado por conceitos
heterogêneos das mais diversas origens.

• Acreditamos que isso se deva ao fato de o desenvolvimento humano
poder ser definido ou entendido de várias formas, dependendo do
referencial teórico que se queira adotar e de quais aspectos se queira
abordar.

• Pediatra: “desenvolvimento é o aumento da capacidade do
indivíduo na realização de funções cada vez mais complexas”.

• O neuropediatra: certamente pensará mais na maturação do
sistema nervoso central e consequente integridade dos reflexos.

• O psicólogo: dependendo da formação e experiência, estará
pensando nos aspectos cognitivos, na inteligência, adaptação,
inter-relação com o meio ambiente, etc.

• O psicanalista: dará mais ênfase às relações com os outros e à
constituição do psiquismo.

• Entretanto, todos esses profissionais estão corretos
em suas análises. Cada um deles pensa nos aspectos que
vivencia na prática profissional e que para o outro, com
experiência diferente, pode ser incompleta ou
reducionista.

• O que nos confirma que o desenvolvimento vai além de
uma determinação biológica e necessita uma abordagem
multiconceitual e, consequentemente, multidisciplinar.

• As generalizações sobre o desenvolvimento infantil não
podem estar baseadas apenas na avaliação das
habilidades pertencentes a um determinado sistema:
motor, perceptivo, linguagem, etc.

• Esses sistemas traduzem determinadas funções que
se apoiam em um processo de maturação neurológica,
aperfeiçoam-se, desenvolvem-se, sofrem influências
ambientais e se organizam em um núcleo constituído
pelo psiquismo

• O atraso de uma dessas habilidades por si só não
significa necessariamente um problema patológico já
que entendemos que cada ser humano se desenvolve a
partir de suas possibilidades e do meio em que está
inserido. A criança deverá ser sempre vista como um
todo e em relação com seu ambiente, pais e família.

• 1.1. Conceitos e Definições

• E nós, o que entendemos por desenvolvimento?

• Primeiramente, para respondermos a essa pergunta, faz-se
necessário diferenciar alguns termos muitas vezes
utilizados como sinônimos, embora tenham significados
diferentes. Assim, vamos começar definindo alguns
conceitos que nos situem em determinada perspectiva, a
começar pelos próprios termos crescimento e
desenvolvimento.

• Crescimento: significa aumento físico do corpo, como um
todo ou em suas partes, e pode ser medido em termos de
centímetros ou de gramas. Traduz aumento do tamanho das
células - hipertrofia - ou de seu número – hiperplasia.



Maturação:

é a organização progressiva das estruturas
morfológicas, já que, como o crescimento,
seu potencial está geneticamente
determinado. A maturação neurológica
engloba os processos de crescimento,
diferenciação celular, mielinização e o
aperfeiçoamento dos sistemas que
conduzem a coordenações mais complexas.

Desenvolvimento:

é um conceito amplo que se refere a uma transformação
complexa, contínua, dinâmica e progressiva, que inclui, além
do crescimento, a maturação, a aprendizagem e os aspectos
psíquicos e sociais.
• Desenvolvimento psicossocial :

• é o processo de humanização que inter-relaciona aspectos
biológicos, psíquicos, cognitivos, ambientais,
socioeconômicos e culturais, mediante o qual a criança vai
adquirindo maior capacidade para mover-se, coordenar,
sentir, pensar e interagir com os outros e o meio que a
rodeia; em síntese, é o que lhe permitirá incorporar-se, de
forma ativa e transformadora, à sociedade em que vive.

• OBS: Crescimento e Desenvolvimento (C.D.) fazem parte
do mesmo processo, porém exigem abordagens
diferentes e específicas para sua percepção, descrição
e avaliação.

• 1.2. Condições Básicas do
Desenvolvimento na Infância

• A palavra infante vem do latim infans, que significa incapaz
de falar. Geralmente, define o período que vai do
nascimento até aproximadamente dos 2 aos 3 anos de
idade, quando a fala já se transformou em instrumento de
comunicação. Nessa fase, muitos eventos ocorrem pela
primeira vez: o primeiro sorriso, a primeira palavra, os
primeiros passos, o primeiro alcançar de um objeto.

• A criança é um ser dinâmico, complexo, em constante
transformação, que apresenta uma sequência previsível e
regular de crescimento físico e de desenvolvimento
neuropsicomotor.

Esse desenvolvimento sofre a influência contínua de fatores
intrínsecos e extrínsecos que provocam variações de um
indivíduo para outro e que tornam único o curso do
desenvolvimento de cada criança.

Os fatores intrínsecos:
determinam as características físicas da criança, a cor dos
seus olhos e outros atributos geneticamente determinados.

Os fatores extrínsecos:
começam a atuar desde a concepção, estando diretamente
relacionados com o ambiente da vida intrauterina,
proporcionado pela mãe por meio das suas condições de saúde
e nutrição. Além disso, mãe e feto sofrem os efeitos do
ambiente que os circunda.
O bem-estar emocional da mãe também influencia de forma
significativa o bem-estar do feto, embora esse tipo de influência
não funcione, necessariamente, como causa direta de problemas de
desenvolvimento ulteriores.

Após o nascimento, o ambiente em que a criança vive, os cuidados
que lhe são dispensados pelos pais, o carinho, estímulos e
alimentação passam a fazer parte significativa no processo de
maturação que a leva da dependência à independência.

1.3. Características Biológicas
O ser humano apresenta algumas características que o
diferenciam dos outros animais. Algumas delas fazem paralelos
com alguns aspectos que podemos observar na maioria das
escalas ou roteiros para avaliação do desenvolvimento, por
exemplo:

Posição ereta - esta é a posição que facilita a locomoção e
permite manter uma série de atividades efetivas, deixando as
mãos livres para a construção dos objetos da cultura, que não
são outra coisa senão um prolongamento do equipamento
biológico com o qual a criança nasce.

Da posição supina em que se encontra o recém-nascido até
quando ele é capaz de se colocar na posição ereta, inúmeros
eventos ocorrem, passando por várias etapas preditivas e pré-
determinadas que se traduzem como desenvolvimento motor;

Aparelho visual e flexibilidade manual - permitem a coordenação e
habilidade para construir e usar equipamentos o que pode ser observado
através do que chamamos de visão e movimentos finos motores;

capacidade de se comunicar através da fala - envolve a competência
auditiva e a escuta, e o uso da fala e da linguagem. Por isso, a criança
pequena é chamada infante, porque não fala, embora possa se comunicar
de outras maneiras.

O surgimento da fala é um dos aspectos importantes no
acompanhamento do bebê e o seu atraso é uma das queixas mais comuns
nos ambulatórios de pediatria. A avaliação da fala e linguagem sempre
consta de qualquer escala ou roteiro de avaliação do desenvolvimento da
criança;

Evolução social - o homem vive em uma estrutura social complexa e
desde cedo o bebê tem de se adaptar à mãe e aos outros. Nos roteiros
de avaliação, essa área está sempre presente, denominada como social ou
pessoal social
• 1.4. Aspectos neurológicos

• Do ponto de vista biológico, o desenvolvimento neurológico
iniciasse desde a concepção. As interações do indivíduo com o seu
meio ambiente modelam, ao longo de sua vida (incluindo a
intrauterina), tanto a estrutura como o funcionamento do seu
sistema nervoso central (SNC) - o qual, por sua vez, cresce e se
desenvolve com grande velocidade, nos primeiros anos de vida.

• O período de rápida multiplicação celular de um tecido ou órgão é
chamado de período crítico e, no organismo, varia de um órgão
para outro. No caso do SNC, a maioria das suas células é adquirida
até os seis meses de vida extrauterina. Como consequência, o SNC
é muito vulnerável durante a gestação, o parto, o período pré-
natal e os primeiros anos de vida. Aos 2 anos, o tamanho da
cabeça da criança é praticamente o mesmo que terá na idade
adulta.

Do ponto de vista clínico, qualquer evento ambiental nocivo, que
ocorra na vida fetal (infecções congênitas, fumo, drogas, etc.),
durante o parto (anóxia, hemorragias maternas, etc.) e nos
primeiros anos de vida (infecções, desnutrição, etc.), podem lesar
o SNC.

Mas é preciso lembrar que esse é um período de grande
plasticidade cerebral, sendo o cérebro capaz de realizar novas
funções, transformando de maneira duradoura e sob pressão do
meio ambiente, sejam os elementos que o compõem, seja a rede
de conexões que os une.

Do ponto de vista da maturação, o desenvolvimento neurológico
não acontece de maneira arbitrária, mas de acordo com um plano
contido no potencial genético, através de etapas previsíveis e
pré-determinadas, no sentido céfalo caudal e do centro para a
periferia.



1.5. Aspectos Psíquicos

Diferentemente das estruturas biológicas, em que os
fatores congênitos são determinantes, o psiquismo do ser
humano se constitui no decorrer das relações/trocas
realizadas entre a criança e os outros, desde os
primórdios de sua vida. Em decorrência dessa afirmação,
ganha relevo a participação daqueles que dela cuidam e
fazem parte do mundo da criança, especialmente os pais.
Antes mesmo de nascer, o psiquismo de um bebê já está
em constituição. Seus pais desejam, imaginam, pensam e
falam sobre ele, antecipando-lhe um lugar determinado no
romance familiar. Ao nascer, é acolhido nesse lugar, tecido
com as palavras e com as imagens criadas por seus pais.
Devemos sempre considerar que
uma família é composta de crianças
individuais cujas diferenças não são
apenas genéticas, mas também
determinadas pela maneira como
cada uma delas se relaciona com
seus pais e com aqueles que a
cuidam e como é inserida no
contexto das fantasias e crenças de
sua família e dos acontecimentos
inesperados.


Esse contexto nunca é duas vezes o
mesmo, e orienta o desenvolvimento
emocional único de cada criança.
2. DESENVOLVIMENTO
NORMAL E PATOLÓGICO
2.1. Desenvolvimento Normal

Sabemos que um bebê depende inteiramente de outra
pessoa para se desenvolver, que na maioria das vezes é sua
mãe. Sem ela (ou sem seu substituto), o “filhote humano”, ao
contrário de outros animais, não é capaz de ir à busca do
seu alimento. Ou seja, se um bebê não tem quem dele cuide
(alimente, agasalhe etc.), converse e o deseje, ele morre.
Mesmo após o nascimento, com o corte do cordão umbilical,
o binômio mãe-bebê continua existindo. Se antes, a mãe
experimentava o bebê como parte dela, agora é o bebê que
a experimenta como parte de si. Assim como durante a
gestação consideramos o feto como parte da mãe, após o
parto precisamos continuar pensando que a mãe é
experimentada pelo bebê, como parte dele.

 dotação genética do ser,
 importância e integridade do SNC,
 Maturação.

 Perdem todo o seu valor se a criança em interação com o
outro não tem a possibilidade de se tornar um ser
humano capaz de desejar e querer viver.
O desenvolvimento não se faz , por pura maturação.

É bem mais abrangente: o bebê se desenvolve por causa da mãe e
para ela, da mesma forma que ela se desenvolve como mãe por
causa dele e para ele.

Por exemplo, se um bebê colocado de bruços levanta a cabeça e
alça o seu olhar, isso não ocorre apenas por estar
neurologicamente maduro, mas também para reencontrar o olhar
da mãe, reconhecer-se na alegria que encontra nos olhos dela.

Se o bebê mama, não é só porque está com fome ou por instinto
de sobrevivência, mas, sobretudo porque a mãe assim o deseja e a
ele se oferece.

Quando ensaia os primeiros passos, não é só para fazer um treino
psicomotor, mas é para alcançar a outra pessoa que se põe a
certa distância e o chama.

Assim, a dupla mãe-bebê vai construir de olhar em olhar, de
sorriso em sorriso, de passo a passo, nessa via dupla, uma
parceria.

Caberá à mãe a tarefa de instalar e manter a conexão de seu bebê
com o mundo, através da transmissão da linguagem e de jogos que
são fundamentais na constituição do psiquismo.

Assim, ela se torna importante não apenas pelo fato de prover a
subsistência do seu filho, mas também porque participa da
construção do seu psiquismo, reconhecendo-o como um ser, ao
mesmo tempo em que ela própria se vê, com surpresa, moldada e
modificada por essa relação.

Ela permite que o bebê se constitua em um ser humano dotado de
um psiquismo que, juntamente com a carga genética, o SNC e o
aparelho cognitivo, compõem os aspectos estruturais do indivíduo.
2.2. PERÍODOS OU ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO

O desenvolvimento vai transcorrendo por etapas ou fases,
que correspondem a determinados períodos do crescimento
e da vida, em geral.

Cada um desses períodos tem suas próprias características
e ritmos - ainda que não se deva perder de vista que cada
criança tem seu próprio padrão de desenvolvimento.
2.2.1. PERÍODO PRÉ-NATAL (DA CONCEPÇÃO AO
NASCIMENTO)
No momento da concepção, a herança dos pais é
transmitida através dos seus genes - o que determinará a
cor dos olhos, cabelos, pele, ou seja, as futuras
características físicas da criança.

Durante a gestação, a interação mãe-feto é a mais íntima
possível, podendo inclusive influenciar o crescimento e
desenvolvimento do bebê: doenças maternas, nutrição,
hábitos, situações emocionais, por exemplo.

Antes mesmo do nascimento o bebê é antecipado pela mãe,
tanto de forma consciente como inconsciente.

Apesar do advento de novas tecnologias, como a ecografia
e a punção amniótica, a gravidez continua sendo vivida
como um grande mistério.

Por mais que a tecnologia avance e traga novas
informações, essa antecipação continuará sendo feita. Por
exemplo, mesmo sabendo que seu bebê será um menino, a
mãe prosseguirá imaginando seus traços físicos e de
personalidade.
Hoje, sabe-se que o feto reage ao movimento e sono
maternos, e que ainda dentro do útero difere de sua mãe
por sua própria dinâmica de maturação: já tem certo grau
de autonomia, na medida em que seu funcionamento
sensorial não está em total conexão com a vida sensorial da
mãe.

Pode reagir a sons, seu ciclo de sono-vigília não coincide
necessariamente com o da mãe, já possui certo grau de
olfato, visão e tato.
A criança existe para a mãe mesmo antes de nascer, ou
até mesmo antes de ser concebida, e esse desejo
materno pelo filho pode influenciar vários aspectos do
seu desenvolvimento
2.2.2. PERÍODO NEONATAL (0 A 28 DIAS DE VIDA)

O “filhote humano” é um dos seres mais prematuros do reino
animal. Depende absolutamente de outro para sobreviver.
Entretanto, isso não o torna um ser passivo e sem vontade. Do
ponto de vista da maturação, demonstra capacidades
surpreendentes, geralmente denominadas competências do recém-
nascido.

A maturidade neurológica do neonato e sua avaliação são muito
importantes, inclusive para o diagnóstico da idade gestacional e
dos cuidados que lhe serão dispensados nas unidades de
neonatologia.

As respostas a estímulos evoluem de reflexos generalizados,
envolvendo todo o corpo para ações voluntárias, definidas pelo
córtex. São os chamados reflexos corticais.

Essa especialização permite à criança passar de reações
simétricas, involuntárias em respostas ao meio ambiente (gritar,
agitar os braços, dar pontapés), para movimentos assimétricos
voluntários, em função de determinado estímulo.

Essas funções nervosas, ou reflexos, podem, conforme sua
evolução, ser divididas em três grupos:

 Manifestações normais durante algum tempo e que
desaparecem com a evolução, somente reaparecendo em
condições patológicas:

 Reflexos que existem normalmente desaparecem com a
evolução e reaparecem como atividades voluntárias:

 Manifestações que persistem por toda a vida: os vários
reflexos profundos e os reflexos cutâneos abdominais.


A postura e os movimentos amplos do recém-nascido são muito
importantes e devem ser sempre observados: o recém-nascido
normal mantém as pernas e braços fletidos tanto na posição
supina como prona. As pupilas reagem à luz. Apresenta uma
reação global a barulhos muito fortes. Dorme grande parte do
tempo.

Tem percepções visuais, alguma discriminação olfativa, percebe
alguns sabores (tendo predileção pelo doce) e desde as
primeiras horas de vida é capaz de indicar a percepção de
alguns sons.

A voz humana causa nele efeitos diferentes de outros sons, e já
em torno da segunda semana de vida, a voz da mãe ou mesmo de
outra mulher, modulada por tonalidades afetivas, é capaz de
desencadear sorrisos mais facilmente que qualquer outro som.

Ao se observar um recém-nascido, deve-se considerar que suas
reações, apesar de reflexas em sua grande maioria, estão
também fortemente relacionadas com seu grau de maturidade e
condições físicas, como: sono, fome, saciedade, irritabilidade,
etc.

Na clínica, essa capacidade motora de tipo reflexo desperta um
interesse muito particular na medida em que, além de traduzir a
integridade do SNC, facilita a relação e os cuidados com o bebê.
Por exemplo, os reflexos de busca e sucção são muito
importantes para a amamentação, assim como os de preensão são
importantes no manuseio com a criança.

Do ponto de vista emocional, a interação mãe-bebê, que já
existia durante a gestação, continua após o parto. Por isso, é tão
importante o alojamento conjunto, nas maternidades ou casas de
parto.
A criança que já foi antecipada e fantasiada pela mãe começa a emergir
como um ser, identificando-se nele traços como, por exemplo, a cor dos
olhos do avô, o cabelo do pai, etc.

São nas conversas ao redor do berço que serão formados os laços
familiares de sustentação da dupla mãe-bebê, tão necessários nos
primeiros anos de vida.

Caberá aos pais, a tarefa da transmissão da linguagem, por meio de
conversas, toques e significações que são fundamentais para a
constituição do seu psiquismo.

Nesse período, a mãe volta sua atenção, interesse e preocupação para o
recém-nascido. Essa dedicação é fundamental para que ela consiga
oferecer os cuidados, quase ininterruptos, que o bebê solicita o que
exige certa identificação da mãe com o ele (podemos perceber essa
situação quando o bebê chora e a mãe sabe de imediato se está com
fome, sono ou incomodado, por exemplo). Assim agindo, a mãe
proporciona ao bebê uma sensação de proteção, conforto e sustentação,
tanto física como emocional.
Além disso, esses cuidados, também representados na maneira como a
mãe segura, manipula e maneja o seu bebê, possibilitam que ele se sinta
existir.

Até aqui foi atribuída à mãe ou seu substituto grande importância no
desenvolvimento psíquico do bebê. Mas precisamos lembrar que o pai
também exerce várias funções igualmente fundamentais. A mãe precisa
de um companheiro para apoiá-la, dividir tarefas, dúvidas e anseios, a
fim de que possa ter a tranquilidade e disponibilidade para cuidar do
seu bebê.

O pai também pode, na ausência da mãe ou em conjunto com ela, exercer
as funções ditas maternas - que são prioritárias, mas não unicamente
desenvolvidas por ela.
O pai, ou seu substituto, deve lembrar à mãe, desde o começo, para que
ela não se feche na relação com o seu bebê e, consequentemente, se
esqueça do mundo. Isso acontece com algumas mães; nessas ocasiões, o
pai chama a mãe de volta e a ajuda a não fazer do bebê a sua única
razão de viver.
2.2.3. PRIMEIRA INFÂNCIA: LACTENTE (29 DIAS A 2
ANOS EXCLUSIVE)

No lactente, ou no período denominado de primeira infância,
ocorrem as maiores e mais rápidas modificações no
desenvolvimento da criança, principalmente no tocante ao domínio
neuropsicomotor.

O desenvolvimento cefálico antecede o caudal, e o proximal
antecede o distal.

Portanto, os braços passam a obedecer ao controle cortical e à
orientação visual antes que as pernas. Dessa forma, a criança evolui
de brincadeiras com as mãos e a boca para brincadeiras com os pés
e a boca – o que lhe permite usar parte de seu próprio corpo como
uma experiência de prazer desligada da necessidade. A criança
suga o dedo e as mãos não necessariamente porque está com fome,
mas sim porque isso é gostoso e às vezes lhe acalma.
Ele começa a aprender a diferenciar o dia da noite e a tolerar
melhor a distância entre uma mamada e outra. Os intervalos
passam a fazer parte de sua vida.

Os membros superiores tornam-se gradativamente cada vez
mais ágeis para alcançar, segurar e manipular objetos. Primeiro,
agarra o objeto com a mão; depois, usa os dedos e finalmente o
movimento de pinça fina (polegar e indicador). A partir daí,
começa a brincar e utilizar os objetos para mordê-los e jogá-los
fora e assim vai construindo a sua vida psíquica e relações com
o mundo.

A progressão do desenvolvimento vai desde o período em que o
bebê está totalmente dependente até o final de seu primeiro
ano de vida, quando, o lactente, dá os seus primeiros passos,
adquirindo mobilidade e habilidades de manipulação que lhe
permitem explorar a maior parte do meio ambiente.
Infância (segunda infância ou pré-escolar - 2 a 6 anos
exclusive)

Período caracterizado pelo aprimoramento das habilidades até
então adquiridas, em especial a capacidade de comunicação,
locomoção (andar e correr com segurança, subir escadas, etc.),
manuseio de objetos e jogos simbólicos.

É a idade do explorar e do brincar. Embora essas funções tenham
certa autonomia neuromotora, elas não se organizam, dependendo
da atividade centralizadora do psiquismo que possibilita suas
articulações numa direção determinada por cada sujeito. Nessa
perspectiva, se essa organização psíquica falhar, uma criança
pode adquirir, por exemplo, a função da marcha - ou seja,
começar a andar - mas não saberá para onde se dirigir, pode
começar a falar, mas não saberá fazer escolhas, falar de si,
fazer planos.
Assim, cerca dos 3 anos, a criança incorpora muitos aspectos ou
traços da cultura humana. Reconhece o outro e a alteridade.
Sabe esperar sua vez.

Gosta de participar de brincadeiras com outras crianças, de
jogar, negociar, mas também de brincar sozinha. Começa a
perceber a diferença entre a palavra falada, o movimento
corporal e a postura correspondente.

Em seu devido tempo, as palavras também servirão para
comunicar experiências passadas, o que é fundamental para o
homem como gerador e transmissor da cultura.

É comum, nesse período, surgirem manifestações de medo (de
escuro, água, animais domésticos, etc.), isso implica que a
criança percebe que existem limites, que ela não pode tudo, que
existe uma “lei” reguladora dos atos humanos a qual ela tem que
se submeter.
2.3. PROBLEMAS NO DESENVOLVIMENTO

Pode-se supor a ocorrência de algum problema de origem orgânica quando
o desenvolvimento não vai bem: por exemplo, síndrome de Down, paralisia
cerebral, possíveis complicações decorrentes da prematuridade, doenças
metabólicas, etc.

Nesses casos, o esclarecimento diagnóstico e o tratamento específico e
adequado sempre se impõem. Mesmo assim, e mais ainda quando existe
uma lesão patológica explicitada, é de suma importância que a
preocupação não se restrinja apenas a melhorar o quadro clínico ou tratar
as patologias intercorrentes, mas também cuidar do par mãe-bebê.

A preocupação, o olhar sobre a dupla mãe-bebê, nos permitirá acompanhar
os desdobramentos dessas patologias que tanto afetam o desenvolvimento
das crianças, uma vez que o exercício da função materna junto ao filho será
decisivo para o tratamento dessas patologias de base orgânica.
2.4. PROBLEMAS PSÍQUICOS ASSOCIADOS A PROBLEMAS
ORGÂNICOS

Quando uma criança nasce com alterações orgânicas, o contraste
entre o filho esperado e o que acaba de nascer afeta radicalmente
a função materna, já que a mãe se debate com o luto da perda do
filho imaginado, podendo sentir esse recém-chegado como um
estranho.

Manter a conexão do bebê com o mundo é uma tarefa que pode
ficar profundamente alterada quando o déficit constitucional do
bebê produz um desencontro entre ele e sua mãe. Esse
desencontro aparece, por um lado, como o efeito de uma dor que
se instala, suprimindo o prazer do intercâmbio mãe-bebê; por
outro, mantém-se empobrecido por causa da ausência ou
precariedade das respostas do bebê aos cuidados maternos.

A consequência de um distanciamento entre a mãe e o filho pode
ser grave, se prolongada por alguns meses, até irreversível.
2.5. Problemas Psíquicos na Ausência de Lesões
Orgânicas
Quando não existem alterações orgânicas estruturais, podem
também desenvolver-se transtornos psíquicos, efeito das
perturbações do diálogo mãe-bebê.

Na primeira infância, esses transtornos acabarão por revelar-se
em perturbações funcionais, já que o bebê ainda não pode falar e
queixar-se de seus incômodos, aflições, ou seja, das alterações
significativas em sua iniciante vida de relações com seus
semelhantes.

Em primeiro lugar, os problemas se manifestarão em perturbações
ligadas ao sono e à alimentação, podendo vir a atingir o
desenvolvimento motor, diminuir as vocalizações, perturbar o
olhar do bebê dirigido à sua mãe. Muitas alergias, febres,
aparecimento de cólicas e vômitos podem ter esse caráter
psíquico, e é preciso aventar tanto a hipótese orgânica como a
psíquica.
3. ROTEIRO PARA O ACOMPANHAMENTO DO
DESENVOLVIMENTO

3.1. Uso da Ficha de Acompanhamento do Desenvolvimento

O acompanhamento do desenvolvimento deve fazer parte da
consulta geral da criança.
Durante a consulta, o profissional deve prestar atenção à forma
como a mãe lida com o seu filho, se conversa com ele, se está atenta
às suas manifestações.

Muitas vezes, principalmente com o primeiro filho, ela fica muito
tensa ao procurar o serviço de saúde. Também não é incomum, no
período pós-parto, a mulher sentir-se mais angustiada ou mesmo
deprimida. Nesses casos, uma conversa amigável e compreensiva por
parte da equipe de saúde fará com que ela se sinta mais confiante e
se relacione de forma mais espontânea com o bebê. Entretanto, não
podemos esquecer que existe a depressão pós-parto, síndrome
muitas vezes grave, diante da qual devemos encaminhar a mãe
imediatamente para um serviço especializado.
Com relação à criança, a sequência do desenvolvimento
pode ser identificada em termos gerais através dos marcos
tradicionais.

Essas referências constituem uma abordagem sistemática
para a observação dos avanços da criança no tempo.

Estes marcos constituem a base dos instrumentos de
avaliação.

Do mesmo modo que não se deve valorizar demasiadamente
atrasos isolados de algum (ns) marco(s) de acordo com o
instrumento que está sendo utilizado, também não se deve
desprezar ou desqualificar a preocupação dos pais quando a
mesma não coincide com os achados obtidos pelos
instrumentos de avaliação.

É fundamental escutar a queixa dos pais e levar em consideração
a história clínica e o exame físico da criança, no contexto de um
programa contínuo de acompanhamento do crescimento e
desenvolvimento. Somente assim será possível formar-se um
quadro completo do crescimento e desenvolvimento da criança e
da real necessidade de intervenção.

Um exame neurológico completo e uma avaliação psicológica é
muitas vezes necessária, mas, nesses casos, a criança deve ser
encaminhada a um especialista ou serviço de referência.

O propósito é oferecer uma Ficha de Acompanhamento do
Desenvolvimento que sirva como roteiro de observação e
identificação de crianças com prováveis problemas de
desenvolvimento, incluindo alguns aspectos psíquicos.

A ficha que vem sendo adotada desde 1984 pelo Ministério da
Saúde, foi revista e ampliada. Na presente versão, ao lado dos
marcos de desenvolvimento, foram acrescentados, em cada faixa
correspondente à época da consulta, um marco ou indicador
psíquico. .
Cada faixa passou a contemplar quatro indicadores:
(1) maturativo; (2) psicomotor; (3) social; e (4) psíquico

A área sombreada corresponde ao período de incidência ou
desaparecimento de determinado marco. Com exceção dos
indicadores psíquicos, os mesmos constam da maioria das escalas
correntemente em uso, incluindo Denver, Sheridan e Gesell. Sua
padronização de uso pode ser vista no Anexo 1.
3.2. Procedimentos Para o Acompanhamento do
Desenvolvimento

A observação do desenvolvimento deve ser feita durante a
consulta da criança. O profissional deve tentar observar os
marcos ou indicadores desde o início, quando a mãe entra no
consultório.

A Ficha de Acompanhamento do Desenvolvimento deve ficar no
prontuário da criança; e a padronização para o seu uso, no
consultório. Sempre que possível, o profissional deve tentar
utilizar a mesma forma de padronização - o que facilitará o
exame e dará maior confiabilidade aos achados clínicos.

O profissional anotará a sua observação no espaço
correspondente à idade da criança e ao marco do desenvolvimento
esperado, de acordo com a seguinte codificação:

P = Presente
A = Ausente
NV = Não Verificado

Ao se aplicar a ficha, algumas das seguintes situações podem
ocorrer:

• Presença das respostas esperadas para a idade.

• Falha em alcançar algum marco do desenvolvimento p/ a idade.

• Persistência do atraso por mais de duas consultas (ou ausência
do “marco” no último quadro sombreado).

4. CARTÃO DA CRIANÇA
4.1. Marcos do Desenvolvimento Infantil
• anotados dados relativos ao nascimento e primeiros dias de
vida do bebê.
• gráfico da curva de crescimento;
• marcos do desenvolvimento da criança e orientações de
cuidados gerais
• esquema de vacinação da criança
• Após a consulta clínica e avaliação do crescimento e
desenvolvimento, a equipe de saúde – além de anotar o peso da
criança no gráfico do crescimento e desenhar sua curva – deve
também conversar com a mãe sobre a importância do
desenvolvimento e o significado da progressão dos marcos que
estão no Cartão da Criança.
4.2. Estimulando a formação de uma rede de apoio mais ampla

Os desafios enfrentados pela família neste momento de chegada
de um novo ser traduzem a importância de uma rede de apoio
social que promova a superação do estresse, a resolução de
conflitos e o restabelecimento de uma dinâmica familiar saudável,
para que esta família não venha inclusive a desenvolver padrões de
relacionamento disfuncionais, tais como: maus tratos à criança,
violência intrafamiliar, abuso de substâncias, conflitos.

As mães devem ser estimuladas a ampliar redes sociais de apoio,
uma vez que isso resulta em interação positiva na relação mãe-
bebê.

Cabe aos profissionais de saúde identificar pessoas que possam
oferecer suporte à família, destacando-se os próprios membros
familiares, como avós, tios, primos e também amigos,
companheiros, vizinhos e profissionais.
4.3. Concluindo Sobre a Atenção à Família Neste Momento

Ressalta-se a importância da família em proporcionar ambiente
social e psicológico favorável ao desenvolvimento da criança e à
promoção de sua saúde mental. Fatores influenciam as
características intrínsecas do individuo.

A família desempenha também papel primordial na transmissão de
cultura, tradições espirituais e manutenção dos ritos e costumes.

“Ela é a matriz da aprendizagem humana, com significados e
práticas culturais próprias que geram modelos de relação
interpessoal e de construção individual e coletiva.

Os acontecimentos e as experiências familiares propiciam a
formação de repertórios comportamentais, de ações e resoluções
de problemas com significados universais e particulares”.
4.4. Visita Domiciliar Para a Família do Recém-nascido

Visitar gestantes e recém-nascidos é uma prática comum em muitos
países. Essa atividade vem crescendo em função do reconhecimento de
que os primeiros anos de vida são determinantes na saúde do ser adulto.

Benefício de visitas durante o período pré e pós-natal nas seguintes
situações: desenvolvimento da parentalidade, melhora no
desenvolvimento cognitivo de grupos específicos, como prematuros e
recém-nascidos de baixo peso, redução de lesões não intencionais,
melhora na detecção e manejo da depressão pós-parto, melhora na
prática de amamentação.

Estudo recente realizado no Brasil reforça a importância de identificar
sinais de depressão materna pós-parto, uma vez que tenha sido
identificado um risco aumentado de desmame nos primeiros dois meses
de vida entre as mães que se apresentam deprimida.
Crescimento
e Desenvolvimento
Enfª Rosimeire Areias
Assistência ao RN normal
Sala de Parto
A) Preparação
1. Conhecimento da história materna com os dados
familiares, clínicos, gestacionais pregressos e atuais,
assim como do trabalho de parto.

2. A equipe deve estar preparada para iniciar prontamente
da reanimação neonatal, mesmo quando se espera RN
hígido, sem asfixia.
Avaliação

Ação Decisão
Sala de Parto
A) Preparação

3. O material deve estar sempre pronto para uso:
• Calor radiante funcionante
• Material de aspiração
• Material de ventilação
• Material para cateterização umbilical
• Material para laqueadura
• Material para coleta de sangue

4. Por ser um ambiente cirúrgico, utilizar EPI, medidas de
biossegurança e precauções universais.

Sala de Parto
B) Recebimento do RN
1. Após o clampeamento do cordão umbilical pelo obstetra,
recebe-se o RN em ligeiro céfalo-declive em campos estéreis e
aquecidos
• Não ordenhar cordão umbilical
• Colher amostra de sangue para Tipagem, Coombs, VDRL etc.
• Não segurar RN pelos pés verticalmente com a cabeça solta
Sala de Parto
B) Recebimento do RN
2. Prevenir a perda de calor
Sala de Parto
B) Recebimento do RN
3. Aspirar boca e narinas
Sala de Parto
B) Recebimento do RN
4. Avaliar o RN. Iniciar reanimação s/n
Sala de Parto
B) Recebimento do RN
5. Com 1 minuto de vida  Boletim de Apgar
Sala de Parto
B) Recebimento do RN
6. Laquear o cordão a uma distância de 2cm do anel
umbilical, envolvendo-o em gaze com álcool a 70%
- Verificar a presença de 02 artérias e uma veia

C) Avaliação
1. Detecção precoce de atresia de esôfago
- Passagem de SOG nº 8

2. Se o líquido for hemorrágico, meconial ou purulento
- Lavagem gástrica com AD

3. Prevenção da oftalmia e vaginite gonocócica 
Credeização

4. No quinto minuto de vida, avalia-se novamente o Boletim
de Apgar


Sala de Parto
C) Avaliação

5. Detectar imperfuração anal
- Passagem de SOG nº 8, 3cm através do ânus

6. Vitamina K (IM)  2mg para RN > 2.500g e 1mg para RN
< 2.500g

7. Realiza-se exame físico simplificado, com peso, estatura,
perímetros cefálico, torácico e abdominal.

D) Seguimento

1. Coloca-se o RN em calor radiante com controle de temperatura
corpórea, mantendo-o em decúbito horizontal.

2. Identificação através da impressão digital da mãe e da impressão
digital e plantar do RN, além da pulseira colocada na mãe (nome
da mãe, data e hora do nascimento)
- Estatuto da Criança e do Adolescente (Arts. 10 e 229)

3. Banho com água corrente aquecida e sabonete neutro.
- Evitar a retirada do vérnix caseoso, principalmente das
dobras

4. Mostrar o RN à mãe.


Internação
Sem anormalidades

• Suspender berço aquecido e encaminhar ao
alojamento conjunto (ALCON)

• Examinar RN diariamente (SSVV, coto
umbilical, diurese, eliminação de mecônio)
Alta Hospitalar
• Recomendada após 24-48h de vida

• Fornecer solicitação do teste do pezinho

• Fornecer DNV (Declaração de Nascido Vivo),
cópia amarela (cartório)
Seleção de RN
A) Alojamento Conjunto (ALCON)

- RNT-AIG
 Peso de nascimento > 2.500g
 Parto normal, fórcipe ou cesariana
 Gestação sem intercorrências importantes
 RN em boas condições e sem intercorrências que
exijam observação rigorosa
Seleção de RN
A) Alojamento Conjunto (ALCON)

- RNT-PIG ou RNT-GIG
 RN de mãe diabética após controles glicêmicos
normais
 RN com peso entre 2.200-2.500g, após controles
glicêmicos normais
 RN de mães Rh negativo

- RN em fototerapia de curta duração
Seleção de RN
B) Isolamento

 Absoluto (sala isolada, máscara, avental e
luvas): varicela
 Contato (máscara, avental e luvas): conjuntivite
gonocócica, herpes, rubéola, sífilis com lesões
mucocutâneas
 Entérico (avental e luvas): gastroenterite
Seleção de RN
C) UCI

• RN > 1.000g que necessitam de controles
laboratoriais e monitorização cardiorrespiratória
• RN com asfixia moderada no 5º minuto de vida,
nas primeiras 24h de vida p/ observ.
• RN filho de mãe diabética, nas primeiras 24h de
vida
Seleção de RN
C) UCI

 RN que necessite de venóclise para HV
 RN com hiperbilirrubinemia, que esteja sob o
risco de EST
 RN em oxigenoterapia
 RN com onfalite, piodermite, conjuntivite e
sepse estabilizado
 RN com sífilis, sem lesões mucocutâneas
Seleção de RN
D) UCSI

 RN vindo da UTI
 RN com asfixia grave
 RN com desconforto respiratório, necessitando de
CPAP
 RN com síndromes hemorrágicas
 RN com episódios de apnéia ou crises
convulsivas
Seleção de RN
D) UCSI

- RN com instabilidades hemodinâmica
- RN séptico instável
Seleção de RN
E) UTI

- RN < 1.000g
- RN em ventilação mecânica
- RN com monitorização hemodinâmica
- RN com sepse grave
- RN com episódios de apnéia ou crises
convulsivas recorrentes
Seleção de RN
E) UTI

- RN com NPT periférica ou central
- RN em pré e pós-operatório
- RN com malformações graves
- RN com asfixia perinatal grave
- RN com insuficiência cardíaca ou renal
Seleção de RN
F) Neonatologia (ALCON tardio)

- RN aguardando ganho de peso para alta
- RN aguardando término de tratamento com
antibióticos
- RN com icterícia em fototerapia cuja mãe já
obteve alta hospitalar
Antropometria
A) Peso
• Normal: 2.500-4.000g
• Baixo Peso (BP): < 2.500g
• Muito Baixo Peso (MBP): <
1.500g
• Pré-Termo Extremo (PTE): <
28 semanas e < 1.000g
Antropometria
B) Estatura
• Normal: 45-53cm
Antropometria
C) Perímetro Cefálico (PC)
• Normal: 33-36cm (média de
35cm)
Antropometria
D) Perímetro Torácico (PT)
• Normal: 30-33cm (2-3cm
menor que o PC)
Classificação dos RNs
A) Baseada na Idade Gestacional
• RNT: 37-42 semanas
• RNPT: < 37 semanas
• RNPoT: > 42 semanas
B) Baseada no Peso em Relação à Idade
Gestacional
• AIG: peso entre o percentil 10 e 90
• PIG: peso abaixo do percentil 10
• GIG: peso acima do percentil 90
RNPT-PIG (600g)
RNPT-AIG (1.400g)
RNPT-GIG (2.750g)
Avaliação Clínica da Idade
Gestacional – Escala de Ballard
Maturidade Neuromuscular
- Postura, Janela Quadrada (Pulso), Recolhimento
do Braço, Ângulo Poplíteo, Sinal do Cachecol ou
do Xale, Calcanhar/Orelha
Maturidade Física
- Pele, Lanugem, Superfície Plantar, Mama,
Olho/Orelha, Genitais (masculino e feminino)
Peculiaridades do Exame Físico do
RN
A) Pele
• Vérnix caseoso
• Lanugem
• Cútis marmórea
• Hemangioma capilar
• Manchas mongólicas
• Icterícia nas primeiras 24h
• Coloração de arlequim
• Nevis telangiectásicos
Peculiaridades do Exame Físico
do RN
B) Cabeça
• Fontanela anterior: 2,5-4,0cm
• Fontanela posterior: 0,5-1,0cm
Peculiaridades do Exame Físico do
RN
B) Cabeça
• Cavalgamento de suturas
• Bossa sero-sangüínea
• Céfalo-hematoma
• Millium sebáceo (nariz)
• Pérolas de Epstein (palato duro)
Peculiaridades do Exame Físico
do RN
C) Tórax
• FR: 40irpm (RNT) e 60irpm (RNPT) 
abdominal
• Cianose de extremidades (hipotermia)
• FC: 120-160bpm. A presença de sopros é
comum nos primeiros dias.
• Pode ocorrer aumento das mamas e/ou
secreção de substância láctea
Peculiaridades do Exame Físico
do RN
D) Abdome
• Fígado: palpável 2-3cm RCD
• Cordão umbilical: branco-azulado com 2
artérias e 1 veia
• Pulso femoral: palpado bilateralmente
• Eliminação de mecônio nas primeiras 24h
(90% dos RNs)
Peculiaridades do Exame Físico
do RN
E) Geniturinário
• Lábios e clitóris geralmente edemaciados, c/
vérnix caseoso
• Testículos palpáveis em cada lado da bolsa
escrotal
• Micção dentre de 24h
Peculiaridades do Exame Físico
do RN
F) Neuromuscular
• Tonicidade e algum grau de flexão
• Pode ocorrer tremores ou abalos
momentâneos
Peculiaridades do Exame Físico do
RN
G) Reflexos
Moro
Tônico-Assimétrico do
Pescoço
Marcha
Peculiaridades do Exame Físico
do RN
G) Reflexos
Arrastar-se
Preensão
Plantar
Babinsk

Crescimento
O Crescimento é considerado de um modo
geral como o aumento do tamanho corporal,
portanto é um processo dinâmico e contínuo
que inicia na concepção é só termina com o
final da vida. Sendo um fenômeno de
substituição e regeneração de órgãos e
tecidos, por isso mensurável.
As etapas da infância possuem dois
fatos interligados.
• Primeiro, o crescimento – fenômeno quantitativo, com a
multiplicação do número e tamanho das células ao nível dos
tecidos.


• Depois, a maturação – fenômeno qualitativo causado pela
modificação da estrutura dos órgãos e seu funcionamento
celular.

Ápice
• Do útero aos dois primeiros anos de idade são períodos de
altíssimo desenvolvimento.

• O crescimento e a maturação tem ritmos diferentes.O
cérebro alcança 90% de seu peso até 6 anos de idade
enquanto que a estatura triplicará até a vida adulta.



Desenvolvimento

• É o aumento no complexo das habilidades da
criança, por isso não sendo mensurável.

• Não pode haver crescimento nem
desenvolvimento satisfatório se a saúde da
criança esta afetada por problemas crônicos.
Fundamentos para Atuação do
Enfermeiro
• Parâmetros-curvas de peso, estatura, Pc e Pt.

• Índices de maturação-ossificação, dentição.

• Fatores que influenciam o CD: meio
ambiente, alimentação, higiene,sócio-
econômica, culturais, afetivas, genéticos e
endócrinos.

Crescimento e Desenvolvimento
• O CD é realizado na criança com 15 dias de
vida, 30 dias, 2 meses, 4 meses, 6 meses, 9
meses
e 12 meses, em consultas nos centros de
saúde.

• Mas o ideal mesmo seria o acompanhamento
continuo durante os 15 meses, 18 meses e 24
meses, após 1 ano fazer duas consultas ao
ano até 6 anos de idade.

PAISC
Programa de Assistência Integral á Saúde da Criança.
Preconizado pelo ministério da Saúde no primeiro ano
de vida.
Existem cinco ações básicas de atuação:

• Aleitamento materno;
• Imunização;
• Programa do CD;
• Prevenção e controle das doenças diarréicas;
• Prevenção e controle das infecções respiratórias
agudas.
Peso
• É um excelente indicador das condições de saúde
e nutrição da criança, suas variações são rápidas
e importantes.

• Devem ser avaliadas na variação de pelo menos
duas evoluções de pesagem sucessivas (curva do
peso).
Indicações da Curva do Peso
• Avaliação da condição de má nutrição bem antes do
surgimento de outros sinais clínicos;

• Vigilância a desidratação e apreciação de sua gravidade;

• Implementação de ações preventivas, educativas sanitárias,
como: dietética, alimentação, educação e participação dos
pais;

• Avaliação da situação nutricional quanto a eficácia das
medidas preventivas a nível individual e coletivo.
Parâmetros
Ganho de peso mensal até dois anos:
0 a 3m ____ 750 a 900g ao mês
3 a 6m ____ 600g
5m a 1a ____ 300 a 400g
1a a 2a ____ 200 a 300g

Estatura
• É uma medida fiel de crescimento da
criança.

Diferente do peso, esta é uma medida estável
e regular. Sua curva espelha a história do
crescimento. Já a desnutrição retrata
tardiamente seus efeitos sobre a estatura,
dois a três meses depois de sua evolução.

Parâmetros
Ganho de estatura de 0 a 4 anos:
0 a 3m ____ 3 cm ao mês
3 a 6m ____ 2 cm
6m a 1a ____ 1 a 1,5 cm
1 a 2 a ____ 1 cm
2 a 4 a ____ 0,75 cm
GANHOS DE PESO
95% dos recém-nascidos pesam de 2,5kg a 4,3kg
1º Trimestre: ganho de 750 a 900gr/mês.
2º Trimestre: ganho de 600gr/mês.
3º Trimestre: ganho de 300 a 400gr/mês.
4º Trimestre: ganho de 300 a 400gr/mês.
2º ano: peso de nasc. X 4, média de 3kg/ano.
3º ano: ganho mediano de 1,8 a 2,0kg/ano.
4º ano: ganho mediano de 1,8kg/ano.
5º ano: média de 1,6kg/ano.
GANHOS DE ESTATURA
95% dos recém-nascidos estão entre 47 e 55 cm
1º trimestre: 3 cm/mês
2º Trimestre: 2 cm/mês
2º Semestre: 1 -1,5 cm/mês
2º Ano: 1 cm/mês
3º e 4º ano: 0,75 cm/mês
5º Ano: 0,60 cm/mês

DESENVOLVIMENTO DOS SENTIDOS NO LACTENTE

• Visão: nos primeiros 2 meses de vida prestam atenção ao movimento,
contraste de formas e contorno dos objetos. Aos 3 meses vêem
cores e sua acuidade visual aprimora gradativamente. Visão 20/20 na
idade de 6-7 anos.

• Audição : os RNs podem ouvir e responder a sons numa variação de
intensidade em torno da voz humana. Na medida que vão crescendo
tornam-se capazes de ouvir e responder a variações maiores, sons
mais baixos e graves. Localização dos sons só aprimora com 6 meses.

• Olfato: Rn possuem menos receptores olfativos no nariz. Reagem a
odores fortes.

• Paladar: possuem menos receptores gustativos na boca.

• Tato: Apresentam sensibilidade tátil que se torna mais refinada na
infância.

.
DENTIÇÃO

1ª dentição aparece entre 4 – 6 meses
ocorrendo outras erupções até 30 meses.
A perda dos dentes de leite segue a mesma
ordem que a erupção deles.

Cuidados: limpar a gengiva e depois os dentes
com um pano macio molhado com água
filtrada após cada refeição. Evitar colocar
açúcar nas mamadeiras ou frutas, não
oferecer doces ao bebê.

Relação entre PC e PT:
- Até 6 meses: PC é superior a PT
- Cerca dos 6 meses: PC é igual a PT
- Cerca dos 9 meses: PC é inferior a PT

REFLEXOS PRESENTES NO RN
sucção: 0 a 12 meses
procura: 0 a 3-4 meses
preensão palmar e plantar: 0 a 4 meses p/ mãos e 0 a 8-15 meses p/ pés
marcha: 0 a 1 mês
moro: 0 a 1-3 meses
babinski: 0 a 12-18 meses
tonicocervical: 0 a 5-6 meses
ciliar: ao nascer
PERÍMETRO CEFÁLICO
• Recém-nascido: PC normal vai de 33 a 37cm, média é de 35 cm
• 1º Trimestre: 5 cm
• 2º Trimestre: 5 cm
• 3º Trimestre: 2 cm
• 4º Trimestre: 1 cm
• 2º ano: 2 cm
• Adulto: 55 a 57 cm

• fontanela bregmática anterior, triangular, mede 4 x 2,5 cm. Fecha entre 6 – 18 meses.
fontanela occipital posterior ou lambóide, mede 1 cm de espessura. Fecha até 2 meses.
→ Importância da avaliação do PC e fontanelas:
- observar parada brusca do aumento do PC ou aumento exagerado para detectar
precocemente qualquer anormalidade.
• PC muito elevado: hidrocefalia, raquitismo, hipotiroidismo, desnutrição, síndrome de Dow,
síndrome de trisomia do 18.
• PC muito pequeno: microcefalia, deficiência do hormônio do crescimento.
• Fontanela normal: normotensa
• Fontanela deprimida: sinal de desidratação
• Fontanela abaulada: sinal de aumento da pressão intracraniana ( meningite, hematoma
subdural, hemorragia IC, tumor).

CONTROLE DOS ESFÍNCTERES
• 1º criança tem consciência de estar molhada ou suja;
• 2º criança tem consciência de estar urinada ou defecada;
• 3º criança avisa, mas é tarde demais, é nesta fase que se deve ensinar a criança a
ter o controle dos esfíncteres, entre 18 – 24 meses.
• Primeiro ocorre o controle anal, depois o vesical diurno (3 anos) e então o vesical
noturno (3 – 4 anos).
• Característica das fezes:
• RN: mecônio
• Aleitamento materno: fezes pastosas, amareladas, pouco volume.
• Desmame: menos pastosas, marrom, maior volume, odor fétido.

FASE DA BIRRA
• Em geral ocorre entre 2 e 3 anos de vida. Através da birra a criança está
expressando seus sentimentos de raiva e frustração na medida em que ela busca se
tornar mais independente e começa a resistir à autoridade dos pais.
• Orientar a mãe para manter-se neutra, ignorar a birra, não cedendo às exigências
da criança.

BANHO DE SOL

• RN precisa tomar sol para produzir vit. D, componente necessário
para o desenvolvimento ósseo. Os raios ultravioletas ativam a pró-
vitamina D existente na pele transformando-a em vit. D3 que é
absorvida e distribuída pelo sangue. Deficiência de vit. D pode
causar raquitismo.

• Orientações à mãe: iniciar no final do 1º mês com exposição de 1 a
2 min/dia e aumentar progressivamente até o máximo de 30min/dia.
Alternar a posição do bebê, deixá-lo com pouca roupa, protegendo
cabeça e olhos. Horário: antes das 10h e depois das 15h.

Bibliografia
•A Enfermagem em Pediatria e
Puericultura-Edilza Maria Schmitz
Editora Atheneu
PRINCIPAIS MARCOS DO DESENV. INFANTIL
• 1 mês

• Olha e observa atentamente um rosto (foco de 20 a 30
cm).
• Move os olhos acompanhando um objeto movimentado
próximo.
• De bruços levanta a cabeça só um pouco por um ou dois
segundos.
• A cabeça oscila quando sustentada na vertical.
• Tônus com extremidades mais fletidas, mãos fechadas.
• Prende reflexamente um dedo colocado em sua mão.
Reage a sons altos.


• 2 meses

• Sorri em resposta a estímulos. Interage visualmente
com as brincadeiras da mãe.
• Demonstra preferência por uma pessoa ou brinquedo.
• De bruços sustenta cabeça à 45° por um pouco. Toca ou
bate em objetos.
• Observa os movimentos de sua mão e começa a aprender
leva-la à boca.
• Extremidades mais relaxadas. Reflexo tônico cervical
assimétrico (postura de esgrimista quando vira a
cabeça).
• Pescoço balança menos quando sustentado na vertical.
Sons guturais.


• 3 meses

• Melhor controle do pescoço e começa a firmar o tronco.
De bruços sustenta a cabeça a 90° por algum tempo,
elevando o tórax, apoiando nos braços.
• Acompanha um objeto com os olhos de um lado para o
outro.
• Uma mão brinca com a outra. Sorri com facilidade, mesmo
espontaneamente.
• Dá gargalhada, bate, segura e sacode objetos. Vocaliza
“oo”, “a-gu”, “uu”.
• Nas brincadeiras, demonstra alguma memória, antecipando
seqüências.
• Puxando pelas mãozinhas, sustenta a cabeça parcialmente
sem deixar que ela penda para trás. Fica confortado
recostado a 30- 40°.



• 4 meses
• Melhora o tônus do tronco. Senta, a cabeça fica bem firme.
• Fica sentado com apoio, mas a coluna lombar ainda dobra.
Reconhece um rosto. Sorri espontaneamente.
• Explora a mão e os pés e os leva na boca.
• Vira a cabeça para todos os lados.
• Tenta rolar e virar de decúbito, alguns já conseguem.
• Bate a mão e espalha água no banho.
• Segura objetos como um chocalho, colocado.
• Olha e tenta alcançar objetos pequenos na sua frente.
• Emite sons diferentes, murmura, mudando os tons.
• Manifesta excitação ou alegria à visão dos alimentos que gosta.
Come papinha de frutas na colher, mas “devolve” muito por
incoordenação.


• 5 meses

• Assentado o tronco está mais firme, mas inclina para
frente, tomba menos.
• Manipula objetos maiores.
• Leva tudo a boca, com muita freqüência, para explorar.
• Pé na boca. Rola, virando de decúbito nos dois sentidos.
• De barriga para baixo, levanta o tórax e brinca com
objetos.
• Come papinha na colher com mais coordenação.
• Indica que quer um alimento abrindo a boca e indo a
direção da colher, e quando não quer mais afasta virando.



• 6 meses
• Vira e torce o corpo em todos as direções.
• De barriga para baixo, rasteja para frente e consegue
elevar braços e pernas, e se puxado pela barriga
permanece arqueado com o tronco em extensão.
• Fica assentado sem suporte por longos períodos enquanto
manipula objetos.
• Busca e tenta alcançar objetos próximos.
• Deitado, puxado para sentar, mantem à cabeça bem
firme.
• Suporta parcialmente seu peso pelas pernas. Olha e vira
quando é chamado.
• Ensaia sons de consoante sem vogal “ba, da, fa,ma,na,ca”.
Imita sons de fala.



ECA
• ESTATUTO DA CRIANÇA E
DO ADOLESCENTE
Lei Nº8.069, de 13 de julho de 1990.
• Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá
outras providências.
• Título I das Disposições Preliminares
Art. 1º Esta lei dispõe sobre a proteção integral á criança e ao
adolescente.
Art. 2º Considera-se criança, para os efeitos desta lei, a pessoa
até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela
entre doze e dezoito anos de idade.
Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer
forma de negligência, discriminação, exploração, violência,
crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer
atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos
fundamentais.
• Título II dos Direitos Fundamentais

• Capítulo I – Do Direito à Vida e à Saúde
Art. 7º A criança e o adolescente têm direito a proteção à
vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais
públicas que permitam o nascimento e o
desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições
dignas de existência.

Art. 11. é assegurado atendimento médico à criança e ao
adolescente, através do Sistema único de Saúde,
garantindo o acesso universal e igualitário às ações e
serviços para promoção, proteção e recuperação da
saúde.
Lei Nº8.069, de 13 de julho de 1990.
Art. 13. Os casos de suspeita ou confirmação de maus-
tratos contra criança ou adolescente serão
obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da
respectiva localidade, sem prejuízo de outras
providências legais.

Parágrafo único. É obrigatória a vacinação das crianças
nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias.
AIDPI
• ATENÇÃO INTEGRAL ÀS
DOENÇAS PREVALENTES DA
INFÂNCIA
DIARRÉIA
• Conceito
• Diarréia aguda é uma doença caracterizada pela perda de
água e eletrólitos, que resulta em aumento de volume, da
freqüência das evacuações e diminuição da consistência das
fezes, apresentando algumas vezes muco e sangue
(disenteria).

• A maioria dos episódios de diarréia aguda é provocada por
um agente infeccioso e dura menos de 2 semanas.
• Um aumento perceptível ou súbito no número de
evacuações;
• Uma aceleração na consistência das fezes, com aumento do
conteúdo líquido;
• Tendência das fezes adquirirem uma cor esverdeada
contendo muco e sangue
DIARRÉIA
• Pode ser classificada como:
• Aguda
• Prolongada
• Crônica

• Etiologia:
• Infecciosa
• Não infecciosa

DIARRÉIA AGUDA
• Chamada de auto limitada, pois não há necessidade de
intervenção ou medicação com duração menor que 10 dias,
acompanhada por febre baixa, vômitos, anorexia,
irritabilidade.

• A súbita alteração na freqüência das evacuações e na
consistência das fezes é mais frequentemente causada
por processo inflamatório de origem infecciosa, mas
também pode resultar de uma reação tóxica à ingestão de
venenos, exageros dietéticos ou infecções fora do trato
GI.
DIARRÉIA PROLONGADA
• Pode decorrer de tratamento inadequado da diarréia
aguda, tem duração de 10 a 14 dias. Ocorrem alterações
secundárias funcionais e morfológicas do trato G.I.
(diminuição da produção do suco gástrico, demora na
regeneração da mucosa).
• Causa grave de atraso no crescimento e desenvolvimento.
• Desnutrição.
• Imunodeprimidos.

DIARRÉIA CRÔNICA
• Eliminação de fezes amolecidas com maior freqüência
por um período de mais de 2 semanas. Possui uma
patologia de base na qual a faz prevalecer em episódios
repetitivos.

• Etiologia variada: distúrbios de mal absorção, defeitos
anatômicos, motilidade intestinal anormal, reação
alérgica ou resposta inflamatória a longo prazo.
DIARRÉIA
• De 6-9 litros de fluído isotônico percorre diariamente
o tubo digestivo, proveniente da dieta, saliva e
secreções (estômago, pâncreas e fígado) etc...
• A água é reabsorvida ao longo do trato gastrintestinal:
cólon, íleo e jejuno. Somente 2% do volume hídrico
inicial são eliminados pelas fezes.
• A principal via de transmissão dos patógenos que
causam a diarréia é fecal-oral.
• A freqüência e a expressão clínica das infecções do
trato G.I. dependem da interação do agente infeccioso
com o meio ambiente e com os meios de defesa do
hospedeiro.

DIARRÉIA
• INFECCIOSA

• VIRAL
• BACTERIANA
• PARASITÁRIA

• NÃO INFECCIOSA

• ERRO ALIMENTAR
FISIOPATOLOGIA
• A invasão do trato GI por patógenos produz
diarréia através dos seguintes mecanismos:

1. Produção de enterotoxinas que estimulam a
secreção de água e eletrólitos;
2. Invasão direta e destruição das células epiteliais
do intestino;
3. Inflamação local e invasão sistêmica pelos
microrganismos.

BARREIRAS DE DEFESA DO SISTEMA G.I.

• SUCO GÁTRICO- acidez mata microorganismos

• MEMBRANA MUCOSA- barreiras física contra grandes
moléculas, produção de muco.

• MOTILIDADE INTESTINAL -  n° de germes na luz intestinal

• FLORA BACTERIANA- (strept. Faecalis, candida albicans,
bacterióide, enterococus, enterobactérias: e. coli, proteus,
kleibsiella, enterobacter) competição por substrato com germes
patogênicos: e. coli enterpatogênica, shigella, salmonella, s.
aureus, clostridium perfingen, vibrio choleral, produção de
ácidos =  PH / síntese de sub.
• Bactericidas.

• SISTEMA IMUNOLÓGICO- Ig As, imunoglobulinas
BARREIRAS DO SISTEMA GI
• DIETA (leite humano) – fator bifidus, lisozimas,
leucócitos, lactoferrinas.

• REFLEXO DE NAÚSEA E VÔMITO - substancias
irritantes.

• REFLEXO DA DIARRÉIA
• RECEPTORES PAREDE G. I. 
• CONTRAÇÕES INTESTINAIS BOLO FECAL NÃO SE
FORMA ABSORÇÃO DE NUTRIENTES SECREÇÃO
INTESTINAL.

DISTÚRBIOS FISIOLÓGICOS
IMEDIATOS
1. DESIDRATAÇÃO;

2. DISTÚRBIO DO EQUILÍBRIO
ÁCIDO-BÁSICO COM ACIDOSE;

3. CHOQUE.

NOMENCLATURA
• DISENTERIA: É uma inflamação intestinal que
afeta especialmente o cólon, é acompanhada de
cólica abdominal e fezes aquosas contendo sangue
e muco.
• GASTROENTERITE (estômago e intestino).
• ENTERITE (intestino delgado).
• COLITE( Cólon).
• ENTEROCOLITE (Cólon e intestino).
• GECA (gastro/entero/colite/aguda).
DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM
1. DÉFICIT DE VOLUME DE LÍQUIDOS RELACIONADO A PERDAS
GASTRINTESTINAIS EXCESSIVAS NAS FEZES OU VÔMITOS.

2. NUTRIÇÃO ALTERADA: MENOR QUE AS NECESSIDADES
CORPORAIS RELACIONADAS COM AS PERDAS DIARRÉICAS E
INGESTÃO INADEQUADA.

3. ALTO RISCO DE TRANSMISSÃO DA INFECÇÃO RELACIONADA
A MICRORGANISMOS QUE INVADEM O TRATO GI.

4. INTEGRIDADE DA PELE COMPROMETIDA DEVIDO À IRRITAÇÃO
CAUSADA POR FREQÜENTES EVACUAÇÕES DE FEZES MOLES.
TRATAMENTO
1. Avaliação do desequilíbrio
hidroeletrolítico

2. Reidratação

3. Terapia com líquidos de manutenção

4. Reintrodução de uma dieta adequada

DESIDRATAÇÃO
• GRAVE: é a perda de mais de 100g de peso.

• MODERADA: é a perda de 25g a 50g do peso.

• LEVE: perda de peso menor que 25g.
DESIDRATAÇÃO

• Desidratação: perda de água e sais pelo corpo, que
ocorre, por exemplo, em conseqüência da diarréia.

• Desidratação hipotônica  perda de sais maior que
a perda de água.

• Desidratação hipertônica  pode ocorrer perda
excessiva da água através dos pulmões, rins e trato
G.I.
CLASSIFICAÇÃO
Dados clínicos Sem desidratação Algum grau de
desidratação
Desidratação
grave
Aspecto Alerta Irritada com
sede
Deprimida
Comatosa
Circulação
periférica
(rubor palmar)
Até 3 segundos 3-8 segundos Mais de 8
segundos
Pulso Cheio Fino Impalpável
Elasticidade da
pele
Normal Diminuída Muito deprimida
Olhos Normais Fundos Muito fundos
Fontanela Normal Deprimida Deprimida
mucosas úmidas secas secas

CLASSIFICAR O ESTADO DE HIDRATAÇÃO

Dois dos sinais
que se seguem:

Letárgica ou
inconsciente.

Olhos fundos.

Não consegue
beber ou bebe
muito mal.

Sinal da prega:
a pele volta
muito
lentamente ao
estado anterior.




DESIDRAT
AÇÃO
GRAVE
Se a criança não se enquadrar em
nenhuma outra classificação grave:
-Iniciar Terapia endovenosa (Plano C)
OU

Se a criança também se enquadrar em
outra classificação grave:

Referir URGENTEMENTE ao hospital,
com a mãe administrando SRO durante o
trajeto. Recomendar a mãe a continuar a
amamentação ao peito.

Se a criança tiver 2 ou mais anos de
idade, e se houver cólera na sua região,
administrar antibiótico contra a cólera.
CLASSIFICAR O ESTADO DE HIDRATAÇÃO

Dois dos sinais
que se seguem:

Inquieta,
irritada.

Olhos fundos.

Bebe
avidamente,
com sede.

Sinal da prega:
a pele volta
lentamente ao
estado
anterior.








DESIDRA
TAÇÃO

Administrar SRO no serviço de saúde (Plano
B).

Se criança também se enquadrar a uma
classificação grave devido a outro problema:
-Referir URGENTEMENTE ao hospital com a
mãe administrando-lhe gotas freqüentes de
SRO durante o trajeto.
-
Recomendar à mãe continuar amamentação no
peito.

Informar a mãe quando retornar
imediatamente.

Seguimento em cinco dias se não melhorar.
Não há sinais
suficientes para
classificar como
desidratação ou
desidratação
grave.
SEM
DESIDRAT
AÇÃO
Dar alimentos e líquidos para tratar a
diarréia em casa (Plano A).

Informar à mãe sobe quando retornar
imediatamente.

Seguimento em cinco dias se não
melhorar.
CLASSIFICAR O ESTADO DE HIDRATAÇÃO
PLANO A - TRATAR A CRIANÇA EM CASA
PLANO A – A CRIANÇA COM DIARRÉIA SEM SINAIS
DE DESIDRATAÇÃO

• Recomendar a mãe ou ao acompanhante as três regras do
tratamento domiciliar: dar líquidos adicionais, continuar a
alimentar, quando retornar.
• Dar líquidos adicionais (tanto quanto a criança aceitar)
• Recomendar a mãe à:
• Amamentar com freqüência a por tempo mais longo a cada
vez;
• Se a criança se alimentar exclusivamente de leite materno,
dar: SRO além do leite materno;
• Se a criança não estiver em regime exclusivo de leite
materno, dar a ela um ou mais dos seguintes preparos:
solução SRO, líquidos caseiros (tais como caldos, água de
arroz, soro caseiro) ou água potável.
• É especialmente importante dar SRO em casa quando:
• Durante esta visita a criança receber o tratamento do Plano B
ou do Plano C;
• A criança não puder retornar a um serviço de saúde se a
diarréia piorar.

• ENSINAR A MÃE A PREPARAR A MISTURA E A DAR O SRO,
ENTREGAR UM PACOTE DE SRO À MÃE PARA UTILIZAR EM CASA
SE NECESSÁRIO.

• MOSTRAR À MÃE A QUANTIDADES DE LÍQUIDOS ADICIONAIS
A DAR EM CASA ALÉM DOS LÍQUIDOS DADOS
HABITUALMENTE:

• Até 1 ano – 50 a 100ml depois de cada evacuação aquosa. (1/4 –
Meio copo)

• 1 ano ou mais – 100 a 200ml depois de cada evacuação
aquosa. ( ½ a 1 copo)
• Recomendar à mãe ou ao acompanhante à:

• Administrar freqüentemente pequenos goles de líquidos de uma
xícara;
• Se a criança vomitar, aguardar 10 minutos e depois continuar,
porém mais lentamente; e
• Continuar a dar líquidos adicionais até a diarréia parar.
• Ensinar à família a reconhecer os sinais de desidratação(olhos
fundos, boca seca, pouca urina, muita sede).

• CONTINUAR A ALIMENTAÇÃO QUANDO RETORNAR

• A criança não consegue beber ou mamar no peito;
• A criança teve uma piora no estado geral; e
• Houve o aparecimento ou a piora da febre.
• Caso a criança tenha diarréia, diga à mãe também que elas
retornem se a criança tiver:
• Sangue nas fezes ou
• Dificuldade para beber.


PLANO B – TRATAMENTO CONTRA A DESIDRATAÇÃO
COM SRO

PLANO B – A CRIANÇA COM DIARRÉIA E SINAIS DE
DESIDRATAÇÃO

• As crianças com desidratação deverão permanecer no
serviço de saúde até a reidratação completa. Durante
um período de 4 horas, administrar, no serviço de
saúde, a quantidade recomendada de SRO.

• DETERMINAR A QUANTIDADE DE SRO A SER
ADMINISTRADA DURANTE AS PRIMEIRAS 4
HORAS.

• A quantidade necessária de SRO( em ml) também
pode ser calculada multiplicando o peso da criança
(em Kg) por 75.

• Se a criança quiser mais SRO do que a quantidade citada,
oferecer mais.

• DEMONSTRAR PARA A MÃE COMO ADMINISTRAR
A SOLUÇÃO DE SRO

• Dar com freqüência pequenos goles de líquidos usando
copo ou colher;

• Se a criança vomitar, aguardar 10 minutos e depois
continuar, porém mais lentamente; e

• Continuar a amamentar no peito sempre que a criança o
desejar.
• APÓS 4 HORAS:

• Reavaliar a criança e classificá-la quanto à desidratação;
• Selecionar o plano apropriado para continuar o tratamento; e
• Se possível, começar a alimentar a criança no serviço de saúde.

• SE, EM SITUAÇÕES EXCEPCIONAIS, A MÃE PRECISAR DE IR
PARA CASA ANTES DE TERMINAR O TRATAMENTO:

• Orientar como preparar a solução de SRO em casa;

• Orientar sobre a quantidade de SRO a ser administrada até
completar o tratamento em casa;

• Entregar um quantidade de pacotes de SRO suficiente para
completar a reidratação. Entregar, também, um pacote
adicional, tal como recomendado no Plano A;

• Explicar as três regras do tratamento domiciliar.
• Dar líquidos adicionais
• Continuar a alimentar
• Quando retornar

• Se o paciente vomitar, o volume administrado deverá
ser reduzido e a freqüência da administração
aumentada.

• Os sinais clínicos de desidratação desaparecem
paulatinamente durante o período de reidratação.

• A febre causada pela desidratação geralmente cede
na medida em que a criança se reidrata. O uso de
antitérmicos nesta fase deve ser evitado
• A administração com sonda nasogástrica é uma maneira de dar
SRO de modo gradual e contínuo, favorecendo a absorção da
solução e deverá ser administrada nas seguintes condições:
• Per de peso após as primeiras duas horas de tratamento
adequado com SRO;
• Vômitos persistentes (4 ou mais vezes, no mínimo, num
período de um hora) depois de iniciada a TRO;
• Distensão abdominal acentuada com ruídos hidroaéreos
presentes, que não desaparecem mesmo após um intervalo
maior entre as tomadas;
• Dificuldade de ingestão de SRO (estomatite severa);
• Iniciar a administração pela sonda na velocidade de 20 a
30ml/Kg/hora até a reidratação.
• UTILIZAR A HIDRATAÇÃO VENOSA
NAS SEGUINTES SITUAÇÕES:
• Quando a criança não ganha ou perde peso
após as duas primeiras horas de hidratação por
sonda nasogástrica.
• Quando a criança tem vômitos persistentes
(quatro ou mais vezes, no mínimo, em uma
hora) após a instalação da sonda nasogástrica.
• No caso de crise convulsiva com alteração do
estado de consciência.
PLANO C – CRIANÇA COM DIARRÉIA E
DESIDRATAÇÃO GRAVE
PLANO C - TRATAR RAPIDAMENTE A
DESIDRATAÇÃO GRAVE
• Indicações para hidratação venosa:
• Paciente com alteração do estado de consciência
(criança deprimida, comatosa e incapaz de ingerir
líquidos ou com crise convulsiva);
• Quando após o uso de SNG a criança tem vômitos
persistentes;
• Quando a criança não ganha ou perde peso após as
duas primeiras horas de hidratação por sonda
nasogástrica.
• Íleo-paralítico (distensão abdominal e ausência de
ruídos hidroaéreos).
DESNUTRIÇÃO
• Conceito:
• A desnutrição é uma síndrome multifatorial
que tem como causa diversos fatores,
normalmente associados à pobreza e a falta
de alimentos dela decorrente. Está
relacionada à falta de condições mínimas de
existência.

A DESNUTRIÇÃO ESTÁ
ASSOCIADA
Baixa estatura e magreza
Baixo peso ao nascimento

Doença de base

Carências de micronutrientes

Pobreza

Fome

NO BRASIL
• Estima-se que, no mundo em
desenvolvimento, 174 milhões de crianças
menores de cinco anos têm desnutrição
indicada pelo baixo peso para a idade e 230
milhões, pela baixa estatura para a idade.

• Cerca de 55% das mortes infantis em países
em desenvolvimento, estão associadas à
desnutrição.

NO MUNDO
• Cerca de 800 milhões de pessoas ainda não
podem suprir suas necessidades básicas de
energia e proteína, mais de 2 bilhões de
pessoas carecem de micronutrientes
essenciais, e milhões sofrem de doenças
causadas por falta de higiene dos alimentos
e ingestão alimentar desequilibrada.

Desnutrição Energético- protéica
• É a síndrome que compreende uma série de doenças, cada
uma das quais tem uma causa específica relacionada com
um ou mais nutrientes (por exemplo: desnutrição protéica,
iodo, cálcio...) e se caracteriza pela existência de um
desequilíbrio celular entre o fornecimento de nutrientes e
energia, e por outro, a demanda corporal para assegurar o
crescimento, manutenção e funções específicas. Ocorre
mais facilmente em crianças em fase de amamentação,
desmame, e menores de 5 anos.

Tipos mais comuns de Desnutrição
• Subnutrição:
• É uma deficiência de nutrientes essenciais e
pode ser o resultado de uma ingestão
insuficiente devido a uma dieta pobre; de
uma absorção deficiente do intestino aos
alimentos ingeridos (má absorção); do
consumo anormal de nutrientes pelo corpo;
ou da perda excessiva de nutrientes por
processos como a diarréia, sangramento,
insuficiência renal e outros.
HIPERNUTRIÇÃO
• É o excesso de nutrientes essenciais e pode
ser o resultado do comer mais e somente um
nutriente (ingestão excessiva de cálcio por
ex.); ou do uso excessivo de vitaminas
(hipervitaminose) ou outros suplementos.

As fases da desnutrição
• A desnutrição se desenvolve em fases:
primeiro ocorrem alterações na
concentração de nutrientes no sangue e nos
tecidos, a seguir acontecem alterações nos
níveis de enzimas, depois passa a ocorrer
mal funcionamento de órgãos e tecidos do
corpo e então surgem sintomas de doença e
pode ocorrer a morte.

Fatores de risco a desnutrição
• Em certas fases da vida, especialmente na
infância e adolescência; durante a gravidez;
na lactação e na velhice, as necessidades
alimentares e a capacidade de absorver os
nutrientes estão freqüentemente reduzidas
ou aumentadas. Assim, o risco de
subnutrição é maior nestas etapas da vida, e
ainda mais entre pessoas economicamente
desprovidas.

Quem tem risco de subnutrição?
• Crianças com pouco apetite.
• Adolescentes que passam por surtos de crescimento
rápido
• Idosos
• Pessoas de doença crônica do trato gastrintestinal,
fígado ou rins
• Pessoas em dietas rigorosas por muito tempo
• Vegetarianos
• Pessoas com dependência de álcool ou outra droga, e
não se alimentam adequadamente
• As pessoas que tomam remédios que interferem com o
apetite ou com a absorção e excreção de nutrientes
• Pessoas com anorexia nervosa
• Pessoas que têm febre prolongada, hipertireoidismo,
queimaduras ou câncer.

CLASSIFICAÇÃO
• Através do percentil na curva de peso (0,1; 3; 10; 97)
• Gomez que em 1946 dividiu em graus

• 1° leve 10 a 25%
• 2° moderada 25,1 a 40%
• 3° grave 40,1% ou mais


Obs: em relação a idade/peso

A Desnutrição de 3° divide-se:
• Marasmo – deficiência protéica calórica,

• Kwashiokor - deficiência protéica,

• Kwashiokor marasmático – misto.

Desnutrição protéico-calórica
Marasmo
• A desnutrição protéico-
calórica é causada por uma
ingestão inadequada de
calorias, resultando em uma
deficiência de proteínas e
micronutrientes.

Desnutrição protéico-calórica
Marasmo
O tipo seco, chamado Marasmo, é resultante da fome quase
total.

A criança que tem marasmo ingere muito pouca comida,
freqüentemente porque a mãe não pode amamentar,
apresenta-se extremamente magra devido a perda de
músculo e gordura corporal.

Quase invariavelmente desenvolve alguma infecção.

Características físicas
• Emagrecimento acentuado
• Escassez de tecido subcutâneo
• Tórax proeminente
• Pele seca e enrugada
• Extremamente irritada
• Chora forte
• Não apresenta edema ou lesões de pele
• Face senil, alteração rara do cabelo
• Hipotermia por falta de tecido adiposo

Desnutrição protéica
kwashiorkor
• O tipo molhado é chamado kwashiorkor, uma palavra
africana que significa "primeira criança-segunda criança".
Vem da observação de que a primeira criança desenvolve
kwashiorkor quando a segunda criança nasce e substitui a
primeira criança no peito da mãe.

• A primeira criança, desmamada, passa a ser alimentada
com uma sopa de aveia que tem baixa qualidade
nutricional comparada com o leite de mãe. Doença do 3°
mundo em criança de 2 a 4 anos de vida.

kwashiorkor
Sinais e Sintomas kwashiorkor
• A deficiência de proteína no kwashiorkor é
normalmente mais significativa que a deficiência
calórica, resultando em retenção liquida, lesões de pele,
e descoloração do cabelo.
• Como as crianças desenvolvem kwashiorkor depois que
são desmamadas, elas são geralmente mais velhas do que
as que tem marasmo.

Desnutrição protéico-calórica
kwashiorkor Marasmático
• O tipo intermediário de desnutrição protéico-calórica é
chamado de kwashiorkor - marasmático.

• Crianças com esse tipo retêm Líquidos e tem mais gordura
corporal do que as que tem marasmo.

• Tanto no marasmo quanto no kwashiorkor a diarréia é
comum.


Características físicas
• Edema principalmente de membros, atrofia muscular
• Sensação de miséria
• Alheia ao afeto
• Face edemaciada, baixa resistência
• Lesões de pele do tipo queimaduras
• Acrocianose (extremidades)
• Alteração da cor do cabelo
• Sentem muita dor, esteatose hepática intensa

Prognóstico
• Até 40% das crianças que têm desnutrição protéico-
calórica morrem.

• A morte durante os primeiros dias de tratamento
normalmente é causada por um desequilíbrio eletrolítico,
infecção, hipotermia ou parada cardíaca.

• A recuperação é mais rápida no kwashiorkor do que no
marasmo.

Freqüência
• kwashiorkor é menos comum do que o marasmo e
normalmente acontece como kwashiorkor - marasmático.

• Tende a ser limitado a algumas partes do mundo (África
rural, Caribe, Ilhas do Pacífico, e Sudeste da Ásia) onde
as comidas utilizadas para desmamar os bebês são:
inhame, mandioca, arroz, batata-doce e bananas verdes,
alimentos deficientes de proteína.

Referencia Bibliográfica

• Vinha, Vera Heloisa Pileggi; Araújo e col., A
enfermeira no diagnóstico do estado de saúde
nutricional de pré-escolares e escolares utilizando
medidas simplificadas.

• Histórico
• Década de 70, por intermédio da Divisão
Nacional de Pneumologia Sanitária do MS.
• 1981 – Primeira causa de morte em menores
de cinco anos, em particular em menores de
1 ano. 414/100.000 e 112,5/100.000.
• 1984 – criação da 1ª versão de normas para
o controle da IRA.
• 1988 – resultados insatisfatórios.
• Pneumonia bacteriana
Infecções Respiratórias Agudas
(IRA)
• Objetivos do programa:
• Reduzir a mortalidade em menores de 5 anos;
• Reduzir o número de casos graves e de
complicações;
• Diminuir o uso inadequado de antibióticos;

• Estratégias: prevenção e manejo dos casos.
• FR: >60rpm em menores de 2 meses
• FR: >50rpm de 2 a 11 meses
• FR: >40rpm 1 a 4 anos
• Associados ou não a retração subcostal.

Infecções Respiratórias Agudas
(IRA)
• Avaliação e conduta
1. Avaliar a criança

2. Classificar a criança em um das seguintes
categorias: menor de 2 meses com tosse ou
dificuldade para respirar; de 2 meses a 4 anos com
tosse ou dificuldade para respirar; com outros
problemas respiratórios: dor de garganta, dor de
ouvido, estridor ou sibilância.

3. Definir condutas: hospitalização, uso de
antibióticos, tratamentos da febre e sibilância,
orientações à mãe e à família para tratamento
domiciliar e acompanhamento dos casos.

Infecções Respiratórias Agudas (IRA)
• Identificação da criança com Risco de vida
1. Febre ou hipotermia, importante em menores de 2 meses e
desnutridos graves;
2. Palidez cutâneo – mucosa acentuada;
3. Desnutrição grave;
4. Edema generalizado;
5. Desidratação;
6. Impossibilidade de beber ou de sugar;
7. Convulsão ou estado pós convulsivo;
8. Alternância entre agitação e prostração acentuadas;
9. Estridor em repouso;
10. Crises de apnéia;
11. Cianose;
12. Insuficiência respiratória;

Infecções Respiratórias Agudas (IRA)
• A criança com IRA
• Caracteriza o caso de IRA a presença de um ou mais dos
sinais a seguir: tosse, dificuldade para respirar, chiado,
coriza, dor de ouvido, dor de garganta, com evolução média de
sete dias.

• Sinais e sintomas importantes:
• tosse e dificuldade respiratória.

• Observar ao exame:
• FR, tiragem, estridor, sibilância, presença de gemidos em
menores de 2 meses, períodos de apnéia ou de
“guinchos”(tosse quintosa) da coqueluche; cianose (examinar a
língua), exantema do sarampo, distensão abdominal e verificar
a temperatura.
Criança menor de 2 meses com tosse
ou dificuldade para respirar

• Apresentam maior risco de morte por infecções
bacterianas graves.

• Sinais e sintomas inespecíficos: dificuldade para se
alimentar, distensão abdominal, febre ou hipotermia.

• A retração intercostal leve é normal nessa faixa etária.

• Diferenças importantes encontradas são: a tiragem no
lactente deve ser subcostal e acentuada para ser
considerada como sinal de pneumonia; respiração rápida
com FR mantida acima de 60 rpm; qualquer pneumonia é
considerada grave neste grupo etário.


• Conduta: referir urgentemente ap hospital e mantê-lo
aquecido.

• Enquanto aguarda a hospitalização, algumas medidas de
emergência devem ser tomadas: oxigenoterapia,
antibioticoterapia se a remoção for demorada (aplicar a
1ª dose); penicilina procaína 50.000U/Kg e gentamicina
2,5 mg/Kg intramuscular; manter o aleitamento materno
se a sucção for possível.

• Caso não seja possível sugar e/ou houver diarréia
concomitantemente, hidratar a criança com soro de
reidratação oral; manter a criança seca e aquecida à
temperatura ambiente; medicar a febre; se apresentar
sibilância tratar.



Criança de 2 meses a 4 anos com tosse ou
dificuldade respiratória


• Deve-se avaliar se é pneumonia e se esta é grave.

• Sinal clínico que caracteriza a pneumonia grave neste
grupo etário: tiragem subcostal ou intercostal -
(bronquiolite). Outros sinais como: gemido, batimento
de asas do nariz e cianose.

• Conduta: referir urgentemente ao hospital; aplicar a
1ª dose de antibiótico, se não puder referir
imediatamente; tratar a febre; tratar a sibilância;
iniciar a oxigenoterapia. Penicilina procaína, IM, dose
50.000 U/Kg, até 400.000 U/dia.

Criança de 2 meses a 4 anos com tosse ou
dificuldade respiratória
• Se apresentar respiração rápida, sem tiragem, deve ser
classificada como pneumonia não grave ou simplesmente
pneumonia.

• FR: acima de 50rpm de 2 a 11 meses e acima de 40rpm em
crianças de 1 a 4 anos.

• Conduta para pneumonia neste grupo etário: tratar em
domicílio; prescrever um antibiótico e orientar a mãe a
administrá-lo; tratar a febre; retorno em 48 horas ou
antes, se houver piora do quadro, para reavaliação.

• Antibióticos: penicilina ou sulfametoxazol- Trimetropim,
amoxicilina ou ampicilina.


ADOLESCÊNCIA
• CRESCIMENTO NA ADOLESCÊNCIA TRANSFORMAÇÕES
BIOLÓGICAS

• Puberdade: termo usado para designar apenas as
modificações biológicas

• Adolescência: termo usado para as modificações bio-
psico-sociais.
• Fase crucial da vida humana em que se busca a identidade
adulta.
• O.M.S. estabelece limites entre 10 e 20 anos:
– Adolescente inicial: 10-14 anos
– Adolescente final: 15-20 anos
– Juventude: 15-24 anos

FUNÇÕES FISIOLÓGICAS DOS HORMÔNIOS
• ESTRÓGENO
- Crescimento órgãos sexuais
- Caracteres sexuais secundários
• TESTOSTERONA
- Caracteres sexuais masculino
- Promove hipertrofia da mucosa laríngea e seu aumento
 voz grave masculina
-  secreção de glândulas sebáceas  acne
-  deposição de proteínas  desenvolvimento muscular
- Efeito crescimento ósseo:  quantidade total da matriz
óssea e promove retenção de cálcio
-  espessura da pele


CRESCIMENTO NA ADOLESCÊNCIA
TRANSFORMAÇÕES BIOLÓGICAS
MATURAÇÃO SEXUAL

• No meio do período da puberdade, testículos e ovários
normalmente segregam androgênios e estrogênios em
taxas variáveis
• Um aumento de androgênios mesmo em faixa normal 
acne e hirsutismo leve no sexo feminino
• Um aumento de estrogênios no sexo masculino 
ginecomastia

CRESCIMENTO NA ADOLESCÊNCIA
TRANSFORMAÇÕES BIOLÓGICAS

PUBERDADE – considerações gerais

• Variações normais

– Época de início
– Duração
– Intensidade
– Indicadores dinâmicos muitas vezes não compreendidos pelo
adolescente e família.


• Maturação sexual

– Constante para cada sexo
– Mais precoce no sexo feminino
– Amplas variações individuais
– Pode-se completar em 2 a 5 anos
– Critérios de Tanner – 5 etapas
PROGRAMA DE SAÚDE DO
ADOLESCENTE (PROSAD)
• Este tem como princípio básico a atenção integral
com abordagem multiprofissional ao adolescente;

• O sistema deve ser hierarquizado para garantir a
referência e contra-referência nos diferentes níveis
de complexidade da assistência;

• As atividades básicas dirigidas ao adolescente
constituem um conjunto de ações de promoção de
saúde, diagnósticos precoce, tratamento e
recuperação, aplicadas permanentemente, tendo como
objetivo final a melhoria dos níveis de saúde da
população adolescente
ATIVIDADES
• Acompanhamento do crescimento e
desenvolvimento
• Sexualidade
• Saúde bucal
• Saúde mental
• Saúde reprodutiva
• Saúde do escolar adolescente
• Prevenção de acidentes
• Abordagem da violência e maus tratos
• Família
• Trabalho
• Cultura
• Esporte
• Lazer
37. Em outubro de 1988, o Ministério da Saúde
oficializou o programa de atenção à saúde do
adolescente (PROSAD). Dez anos mais tarde, em
1999, com a proposta de revitalizar a área, foi
criado(a) no âmbito da Secretaria de Políticas de
Saúde o/a:

A.Programa saúde do adolescente e do jovem
adulto;
B. Área de saúde do adolescente e do jovem ,
C. Programa de atenção à adolescente grávida;
D. Área de atenção ao adolescente excluído;
E. Programa integral de atenção ao jovem brasileiro;

OBRIGADA
5. A PRIMEIRA CONSULTA DO RECÉM-NASCIDO

A possibilidade de acompanhar famílias, mantém os profissionais
da atenção primária em uma situação privilegiada no
reconhecimento de situações que necessitam ser mais bem
entendidas e acompanhadas.

Em serviços de atenção primária, como o Serviço de Saúde
Comunitária, o profissional que realiza o pré-natal
frequentemente é o que seguirá acompanhando a família durante a
puericultura.

Sendo assim, o fundamental vínculo entre equipe de saúde e a
família do recém-nascido para o acompanhamento da criança vem
ocorrendo pelo menos desde o pré-natal.

5.1. A Época Ideal para a Primeira Consulta

A primeira consulta do recém-nascido, segundo recomendação do
Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria,
deverá acontecer antes dos quinze dias de vida, momento
propício para estimular e auxiliar nas dificuldades do aleitamento
materno exclusivo, orientar e realizar imunizações, verificar a
realização do teste do pezinho, reforçar a realização do teste da
orelhinha e para estabelecer ou reforçar rede de apoio à família.
5.2. O Conteúdo da Consulta

Os cuidados com a saúde do bebê e sua família devem ser sempre
individualizados.

Recomendações a todos os RNs durante sua primeira consulta.

Recomendamos a utilização de formulários específicos para o
registro das consultas.

Esses formulários atualizados (utilizado pelas equipes desde a
implantação do Programa da Criança no SSC (1992) e de sua
reestruturação em 1996.

Instrumentos como estes são reconhecidos como facilitadores da
comunicação entre pais e profissionais.
5.2.1 ANAMNESE

1. Procura-se avaliar principalmente as condições do nascimento:
2. tipo de parto,
3. local do parto,
4. peso ao nascer,
5. idade gestacional,
6. índice de Apgar,
7. intercorrências clínicas na gestação, parto, período neonatal,
8. antecedentes familiares ( número de gestações anteriores).
Índice de Apgar no quinto minuto entre 7 a 10 é considerado
normal.

Apgar 4, 5 ou 6 é considerado intermediário e relaciona-se,
por exemplo, a prematuridade, medicamentos usados pela
mãe, malformação congênita, e não significa maior risco para
disfunção neurológica.

Índices de 0 a 3 no quinto minuto relacionam-se a maior
risco de mortalidade e leve aumento de risco para paralisia
cerebral. No entanto, um baixo índice Apgar, isoladamente,
não prediz disfunção neurológica tardia.
5.2.2 EXAME FÍSICO COMPLETO

Um exame físico completo deve ser realizado na primeira
consulta de puericultura. É consenso que o exame físico e seus
achados devem ser descritos e compartilhados com os pais, como
forma de facilitar-lhes a percepção das necessidades do bebê.
O quadro a seguir refere-se a uma adaptação das recomendações
do Ministério da Saúde e do NICE para exame físico nas
primeiras semanas de vida.
• Peso, comprimento e perímetro cefálico

• Considera-se normal uma perda de peso de 10-15% ao nascer
e a sua recuperação após o 15° dia de vida.

• O perímetro cefálico com medidas acima ou abaixo a dois
desvios padrões pode estar relacionado a neuropatologias
como microcefalia (de causa genética ou ambiental) e
hidrocefalia, necessitando desta forma melhor avaliação e
encaminhamento.

• Desenvolvimento social e psicoafetivo

• Observar e avaliar o relacionamento da mãe/cuidador e dos
familiares com o bebê: como respondem às suas
manifestações, como interagem com o bebê e se lhe
proporcionam situações variadas de estímulo.
• Estado geral
1. Avaliar postura normal do recém-nascido – extremidades
fletidas, mãos fechadas e o rosto, geralmente, dirigido a um
dos lados.

2. Observar padrão respiratório – presença de anormalidades
como batimentos de asas do nariz, tiragem intercostal ou
diafragmática e sons emitidos.

3. Avaliar estado de vigília do recém-nascido – avaliar o estado
de alerta, sono leve ou profundo e o choro.

4. Identificar sinais de desidratação e/ou hipoglicemia: pouca
diurese, má ingestão (não consegue mamar ou vomita tudo que
mama), hipoatividade e letargia.

5. A temperatura axilar normal situa-se entre 36,4º C e 37,2º
C.
• Face
• Pesquisar assimetria, malformação, deformidade ou aparência
sindrômica.
• Crânio
• Fontanela anterior: mede de 1-4cm, tem forma losangular,
fecha-se do 9º ao 18º mês e não deve estar fechada ao
nascimento.

• Fontanela posterior é triangular, mede cerca de 0,5 cm e
fecha-se até o 2º mês.

• Não devem estar túrgidas, abauladas ou deprimidas.

• Bossa serossanguínea e cefalohematomas (desaparecem
espontaneamente).
• Olhos
• Reflexo fotomotor – projeta-se um feixe de luz em posição
ligeiramente lateral a um olho. A pupila deve se contrair
rapidamente.
• Teste do reflexo vermelho ou Bruckner Test – deve ser
realizado na penumbra (para a pupila ficar mais dilatada), com o
oftalmoscópio colocado aproximadamente a 50 a 100 cm de
distância dos olhos da criança (o importante é que oftalmoscópio
ilumine os dois olhos simultaneamente), observando-se o reflexo
vermelho nos dois olhos.

• Se for notado um reflexo diferente entre os olhos ou a presença
de opacidade, esta criança deverá ser avaliada por um
oftalmologista com urgência, pois poderá ter patologias como:
catarata congênita, retinoblastoma ou retinopatia da
prematuridade.
Os prematuros com 32 semanas ou menos e/ou menores de 1500g
devem ser avaliados com dilatação de pupila por oftalmologista na
6ª semana de vida e acompanhados de acordo com quadro clínico,
pois o teste do reflexo vermelho detecta retinopatia da
prematuridade apenas de grau, já com descolamento de retina e
sem muito prognóstico visual.

Conjuntivites – as pálpebras podem estar edemaciadas (reação ao
nitrato de prata a 1% - kredê), e a regressão é espontânea em 24-
48h.

A presença de secreção purulenta evidencia uma conjuntivite e,
principalmente no RN, é importante descartar infecção por gonococo,
clamídia e herpes vírus. A conduta correta é de sempre coletar secreção
e solicitar bacteriológico e bacterioscópico.
Estrabismo (ou esotropia) e nistagmo lateral

São comuns nesta fase, devendo ser reavaliados
posteriormente. Os recém-nascidos podem apresentar
eventualmente algum tipo de desvio ocular, pois a visão
binocular só estará bem desenvolvida entre 3 e 7 meses.
Raramente o estrabismo congênito tem seu diagnóstico feito
antes dos 6 meses de vida. A idade ideal para encaminhamento
é a partir dos 4 meses.

Orelhas e audição

Orientar para a Triagem Auditiva Neonatal Universal (TANU)
ou “teste da orelhinha”. As justificativas para triagem
universal, o teste e as situações de risco para deficiência
auditiva estão descritas no item 7. Observar também
implantação, tamanho e simetria das orelhas.
• Nariz
• Avaliar forma e presença de secreção (sífilis)
• Boca
• Alterações morfológicas podem representar.
• Dificuldade para a pega durante a amamentação.
• Observar úvula, tamanho da língua (macroglossia), palato,
freio lingual, coloração dos lábios.
• Pescoço
• Avaliar assimetria facial e posição viciosa da cabeça.
• O torcicolo congênito tem resolução espontânea em 90% dos
casos. Em casos mais persistentes, pode ser necessária
correção cirúrgica (protelada até os três anos de idade).
• Tórax
• Assimetria – sugere malformações cardíacas, pulmonares,
coluna ou arcabouço costal.

• Clavícula - Palpar, avaliando se há fraturas que poderiam
acarretar diminuição/ausência de movimentos do braço.

• Orientar involução espontânea de mamas, que podem estar
ingurgitadas ou com presença de secreção leitosa (passagem
de hormônios maternos).

• sofrimento respiratório - Observar sinais (tiragens, retração
xifoidiana, batimentos de asas do nariz, gemidos, estridor).

• FC - varia entre 120 a 160 bpm. Observar cianose,
abaulamento pré-cordial, turgência jugular, sopros cardíacos e
verificar pulsos.
• Abdômen
• Respiração - basicamente abdominal e entre 40 a 60
irm. Observar a forma do abdômen – se

Obrigada
pela
atenção!