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O (pré)conceito da Idade Média

• O termo Idade Média foi criado no século XVI.
• Expressava um desprezo indisfarçado do
período medieval.

• Antiguidade Greco/Romano----Idade Média----Renascimento
A Idade Média para os Renascentistas e
Iluministas
Século XVI

Francesco Petrarca falou de “um período tenebroso”,
gerando o mito da “Idade das Trevas”

Giovanni Andrea – “Flagelo”, “Ruína”

Giorgio Vassari – criador do termo Renascimento,
chamou o período anterior de Media Tempora.
• Busca da utilização do latim clássico.

• A arte medieval foi chamada de gótica –
Rafael Sanzio.
Século XVII

• A Idade Média teria sido uma interrupção do
progresso humano.

• Tempo de barbárie, ignorância, superstição.
Os grupos questionadores
• Protestantes – criticavam a Igreja Católica.

• Monarquias Absolutistas – Criticavam a
fragmentação política.

• Burgueses – Desprezam a limitada atividade
comercial.

• Racionalistas – Condenavam a cultura ligada aos
valores espirituais.
Séc. XVIII

• Acentuou-se o menosprezo pela Idade Média

• Os Iluministas condenavam a forte
religiosidade medieval.

• Diderot “Sem religião seríamos um pouco mais
felizes.”

• Condocert “A humanidade sempre marchou em
direção ao progresso, com exceção da Idade
Média.”

• Voltaire “Os Papas eram símbolo do fanatismo e do
atraso.”
Século XIX

• Primeira interferência a favor da Idade Média.
(Romantismo)

• O avanço napoleônico despertou o sentimento de
nacionalidade, especificidade, de história.
• O Racionalismo é duramente criticado.

• A nostalgia romântica (valorização dos sentidos, do
instinto, do sonho, recordações)

• Surgiram obras de inspiração medieval (O Corcunda
de Notre Dame, Victor Hugo)
• A visão Romântica foi tão preconceituosa quanto o
posicionamento dos renascentistas e iluministas.

• Como resposta as críticas, os românticos iniciam
um novo estilo arquitetônico: o Neogótico.

• “Noite da Idade Média, que seja! Mas era uma
noite resplandecente de estrelas.” - Lessing
Século XX

• A Idade Média passou a ser vista com os olhos dela
própria.

• A função do historiador é entender e não julgar o
passado.
• A Idade Média passou a ser o carro-chefe das
pesquisas históricas no século XX.

• Isso não quer dizer que o preconceito acabou.

• O olhar que o historiador lança sobre o passado é
influenciado pelo presente.
O que devemos entender por Idade Média?
• Quanto ao Período...

INDECISÃO
História como processo
Como Hilário Franco Jr. classifica o período
medieval?
• Séc. IV – VIII – Primeira Idade Média.

• Séc. VIII – X – Alta Idade Média.

• Séc. XI – XIII – Idade Média Central.

• Séc. XIV – XV – Baixa Idade Média.
Primeira Idade Média

Herança Romana

 O caráter sagrado da Monarquia
Aceitação dos Germanos no exército romano.
Petrificação social.
Crescente fiscalismo no campo.
• O Cristianism o foi o elo entre os Romanos e os
Germanos.


• Nos primeiros tempos a Igreja aceitava e negava
aspectos importantes da civilização romana.
A Igreja negava:

 A divindade do Imperador
A hierarquia social
O militarismo
A Igreja aceitava:

O caráter universalista
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Alta Idade Média

• Unidade política – Carlos Magno.

• O reconhecimento do Império Carolíngio pela
Igreja.

• Extensão territorial cristã.
Idade Média Central
• Feudalismo

• Expansão populacional e territorial (cruzadas)

• Surgimento das cidades, Universidades,
literatura vernácula e da ciência empírica.
Baixa Idade Média
Representou o “parto dos novos tempos”

• Renascimento
• Descobrimento
• Protestantismo
• Absolutismo
A Idade Média para os Medievais
• Que conceito tinham da Idade Média os próprios
medievos?
Visão do clero e dos leigos

O tempo cíclico para os pagãos (mito do eterno
retorno)

• O Judaísmo rejeita essa concepção. (Javé)

• O cristianismo retoma essa ideia, enfatizando
o caráter linear da História (gênese,
Natividade, Juízo final)
A mentalidade cíclica continuou com o Cristianismo.
Natividade, paixão e ressurreição de Jesus.


Por esses motivos os medievos não viam a necessidade
de contar o tempo.


A sociedade preocupava-se demasiadamente com a
proximidade do apocalipse.
Visão pessimista do presente.
2º texto – O nascimento da Idade Média
Objetivo do autor: analisar o
nascimento da Idade Média européia a partir das
obras de Perry Anderson e Edward Gibbon.

Perry Anderson – Historiador contemporâneo,
adepto do materialismo histórico-dialético.

Edward Gibbon – Iluminista, que viveu no
séc.XVIII
Os aspectos comparativos da obras
compreenderam as questões:

• Econômica
• Militar
• Religiosa
Quais as correntes de pensamento sobre o final do
Império romano?

• Internalista (problemas estruturais)

• Extrernalista (cristianização, invasões bárbaras)

• Conciliadora (combinação das duas primeiras)
A questão econômica
• Proximidade entre Anderson e Gibbon.


• Para Perry Anderson o fator econômico foi
preponderante para a queda do Império romano.
Esgotamento do trabalho escravo.
• Para Gibbon, a extensão territorial do Império
romano dificultava a administração e
representava significativos gastos ao Estado.*


Segundo Perry Anderson a Pax Romana
representou o início da ruína do Império.

Gastos excessivos para modernizar o Império.

Inviabilização do sistema de mão-de-obra .
A saída para a crise de mão de obra foi
instituir o sistema de colonato.

 Ruralização da sociedade romana
 Liberdade servidão
 Alistamento de estrangeiros no Exército.
A questão Militar
• Os autores divergem quanto ao peso das invasões
bárbaras no processo de ruína do Império romano.

• Para Gibbon os Bárbaros representaram um
retrocesso, um atraso civilizacional.* (98)

• Segundo o autor a Idade Média fora o resultado da
vitória da barbárie sobre a civilização.
Perry Anderson analisou as invasões Bárbaras do
ponto de vista socio-econômico.

 A proteção militar nas fronteiras gerava elevados
gastos

 Desestímulo ao alistamento militar devido a
ruralização.
A questão religiosa
• Os autores analisam exaustivamente o papel da
Igreja na Idade Média.

• Gibbon abordou as causas da Igreja tornar-se
parte do Estado Romano.
Sobreposição do paganismo.
Para o autor a Igreja foi a principal responsável pela
queda do Império Romano
Mudança de foco: Manutenção estatal / Combate as
heresias e seitas.


Anderson destaca o elevado ônus que a Igreja
gerou aos cofres públicos romano

A Igreja representou a transição do modo de
produção escravista para o feudal.

A Igreja foi responsável por parte importante da
cultura e legislação romana.