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Estudo Post Mortem Sintético Através de SEM de um Refratário Utilizado em Forno de

Refusão de Alumínio

Baldo, J. B. – baldo@ufscar.br Boschi, A. O. - daob@ufscar.br

Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de
Materiais Cerâmicos
Resumo
Os refratários utilizados em fornos de fusão ou
refusão de alumínio são expostos ao intenso
ataque do banho metálico. O alumínio fundido
tem um poder de redução bastante intenso
sobre óxidos componentes da maioria dos
refratários notadamente SiO
2
, Fe
2
O
3
e TiO
2
.
Dessa maneira a microestrutura do refratário é
degradada. Neste trabalho, utilizando
microscopia eletrônica de varredura (SEM), é
apresentado um estudo post mortem sintético
do que restou de um tijolo refratário da classe
80% de Al
2
O
3
ligado a fosfato e uma fonte de
carbono. A amostra foi retirada na linha do
banho do revestimento de um forno de refusão
de alumínio, que apresentou desgaste
prematuro. Através da utilização de SEM, pode-
se comprovar os efeitos resultantes do metal Al
fundido sobre os óxidos SiO
2
e TiO
2
presentes
nos agregados utilizados na confecção do
refratário. Esses óxidos, foram reduzidos, se
transformaram no elemento metálico Si e no
intermetálico Si-Ti, enquanto o Al se
transformou em Al
2
O
3
. O efeito global foi a
perda completa de integridade estrutural do
tijolo refratário. As imagens mostraram o
crescimento granular de córindon e o hábito
morfológico do crescimento dos cristais da fase
metálica.

Colocação do Problema
A energia livre de formação (ΔG
f
0
) do óxido de
alumínio é substancialmente menor do que a
dos óxidos SiO
2
, Fe
2
O
3
e TiO
2
, normalmente
encontrados nos agregados utilizados na
confecção de refratários. Desse modo, o
alumínio metálico no estado fundido, pode
reduzir esses óxidos aos seus respectivos
metais.


No caso do refratário deste estudo, os
agregados são à base de bauxita, tendo como
fase secundária importante a mulita. Desse
modo, as reações mais danosas seriam: a
redução da mulita (3Al
2
O
3
2SiO
2
) e/ou a sua re-
formação através oxidação do sub-óxido Al
2
O,
resultante da reação do metal líquido com o
Al
2
O
3
do agregado bauxítico, além da redução
do TiO
2
sempre presente na bauxita. As reações
abaixo representam fenomenológicamente os
mecanismos de desgaste:
3(3Al
2
O
3
2SiO
2
) + 8Al = 13Al
2
O
3
+ 6Si.......(A)
Al
2
O
3
(s) + 4Al(l) = 3Al
2
O(g) .......................(B)
3Al
2
O(g) + 3O
2
= 3Al
2
O
3
(s)........................(C)
3Al
2
O
3
(s) + 2Si(s) = 3Al
2
O
3
.2SiO
2
(s)........(D)
4Al + 3TiO2 = 2Al
2
O
3
+ 3Ti .......................(E)
As reações de B a D ocorrem em temperaturas
acima de 1000°C, o que pode acontecer na
superfície do banho, nos fornos de refusão de
alumínio.


4cm
Tijolo
desgastado
Casca 2mm
Interior 2cm
Fig. A

LEGENDAS DAS FIGURAS
Figura A– Foto amostra desgastada.
Figura B – EDAX de uma amostra virgem
Figura C – EDAX amostra desgastada Fig. E
Figura D – MEV (Casca 2mm).
Figura E – MEV (interior a 2cm).
Figura F - MEV (maior aumento da Figura E).
Figura G – MEV (maior aumento da Figura F).
Figura E – Interior 2cm
Fig. B–EDAX região genérica do
Tijolo Virgem
Fases Detectadas por Raios-X:
Córindon – Mulita – Rutilo- Vidro
Fosfato de Alumínio - Carbono
Fig. F
Fig. G
Placa de Si metal
Mono-Cristal Intermetálico Si-Ti
Glóbulos de Al
2
O
3
Mono-Cristal de Al
2
O
3


CONCLUSÕES

1 – A presença de Mulita
é crítica pois a reação A
é a mais danosa já que
ocorre em temperatura
mais baixa (≥800°C).

2 - Podemos dizer que as
reações de A a E
explicam a degradação
microestrutural do tijolo,
tendo em vista as
variações volumétricas
que as acompanham.

3 – Um simples estudo
através de MEV, permitiu
a comprovação da
Hipótese sobre os
mecanismos de
desgaste.



AGRADECIMENTOS
Hipótese
Resultados
Si
Placa de Si metal
Si
Si-Ti
Al
2
O
3
Al
2
O
3