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MARÇO, 2013

Economia Criativa para o
Desenvolvimento Regional
1
Economia e Desenvolvimento:
Conceitos fundamentais
2
Conceitos e Visões particulares e universais
para a construção de novas visões
3
Novas abordagens da Economia –
A Economia “NOVA”
4
Design, Inovação, Economia
e Desenvolvimento
1
Economia e Desenvolvimento:
Conceitos fundamentais
“A economia é o estudo de como as pessoas e a
sociedade decidem empregar recursos escassos, os
quais poderiam ter utilizações alternativas visando
produzir bens variados, e distribuí-los para o consumo,
agora ou no futuro, entre várias pessoas e grupos da
sociedade.”

Nesta definição estão implícitas duas questões
fundamentais para a compreensão da economia:
•os bens e recursos são escassos e
•a sociedade deve otimizar a utilização dos recursos para
maximizar a satisfação das suas necessidades.

O que é Economia? Paul Samuelson:
Crescimento Econômico é o aumento do Produto Interno
Bruto (PIB); é uma análise QUANTITATIVA, estritamente
econômica e de CURTO PRAZO;


Desenvolvimento Econômico está relacionado a melhoria do
bem estar da população. É uma análise QUALITATIVA,
análise econômico-social-cultural

Crescimento X Desenvolvimento:
2
Conceitos e Visões particulares e universais
para a construção de novas visões
1) Desenvolvimento e Cultura na visão
de Celso Furtado
Atento à complexidade da vida social, Furtado sublinha, em diversas
passagens, a dimensão cultural do desenvolvimento, por assim dizer,
econômico: “processo de mudança social pelo qual um número
crescente de necessidades humanas – preexistentes ou criadas pela
própria mudança – são satisfeitas através de uma diferenciação no
sistema produtivo decorrente da introdução de inovações tecnológicas”
(Furtado, 1964, 27).
“O desenvolvimento, além de ser um fenômeno de aumento da
produtividade do fator trabalho que interessa aos economistas, é um
processo de adaptação das estruturas sociais a um horizonte em
expansão de possibilidades abertas ao homem. As duas dimensões do
desenvolvimento – econômica e cultural não podem ser captadas senão
em conjunto” (Furtado, 1975, 129).
2) Desenvolvimento Sustentável na Visão
de Samuel Benchimol
• Ecologicamente adequado,
• Politicamente equilibrado,
• Socialmente justo
• Economicamente viável.
É o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da
geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as
necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que
não esgota os recursos para o futuro. Segundo o economista
Samuel Benchimol, o Desenvolvimento sustentável precisa
ser:
Ecológico
Social Econômico
Suportável Viável
Sustentável
Equitatívo
3) Conceitos fundamentais de AMARTYA SEN
Conceito de Desenvolvimento: o desenvolvimento como o processo
de ampliação da capacidade de os indivíduos terem opções, fazerem
escolhas.
O Desafio da sociedade: é formular políticas que permitam, além do
crescimento da economia, a distribuição mais equitativa da renda e o pleno
funcionamento da democracia.
O economista Sen resume suas idéias sobre o
desenvolvimento como as possibilidades de “poder contar com a
ajuda dos amigos”, ou seja, a cooperação e a solidariedade entre os
membros da sociedade que assim transformam o crescimento econômico
destruidor das relações sociais em processo de formação de capital social ou
em “desenvolvimento como liberdade”
3) Conceitos fundamentais de AMARTYA SEN
Os valores éticos dos empresários e governantes: constituem
parte relevante dos recursos produtivos, pois orientam para investimentos
produtivos em vez de especulativos e inovações tecnológicas que
contribuem para a inclusão social.
Quanto maior o capital social – a rede de relações sociais e o grau de
confiança recíproca – menor a corrupção e a sonegação de impostos e
tributos. Iniciativas de criar programas e projetos que favoreçam a equidade e
igualdade e estimulam melhores serviços públicos de educação e saúde,
enquanto impulsionam o crescimento econômico e possibilitam a
governabilidade democrática.
4) Conceitos filosóficos de Slavoy Žižek
Significante vazio – Signo que, devido à repetição exaustiva em
circunstâncias totalmente díspares, perde completamente o seu valor
Auseinandersetzung – Termo operado de Heidegger que transmite a
necessidade européia de se repensar, uma confrontação interpretativa, quer
em relação aos outros quer em relação ao passado da própria Europa em
todas as suas dimensões.
Censura liberal – Sentimo-nos livres exatamente porque nos falta
precisamente a linguagem que poderia transmitir essa mesma falta de
liberdade, ainda que se reconheça que, supostamente, vivemos na época em
que todos somos totalmente livres. “Somos livres de escolher… desde que
façamos a boa escolha”.
Desrealização – Tentativa de tornar a realidade privada de substância, de
inércia material.
Saber do saber do Outro – Para Lacan, esta frase resume o fato de toda
a economia psíquica de uma situação mudar radicalmente não porque eu
aprendi qualquer coisa que ignorava, mas antes porque aprendi que o Outro,
que eu julgava ignorante, sabia desde o início e agia como se nada soubesse
para salvar as aparências.
4) Conceitos filosóficos de Slavoy Žižek
3
Novas abordagens da Economia –
A Economia “NOVA”
3 - Novas abordagens:

a. Economia do Conhecimento
1. É a economia na qual o principal componente da agregação de valor,
produtividade e crescimento econômico é o conhecimento.
2. Conhecimento é o fator de produção da nova economia, cuja lógica é
diametralmente oposta a lógica do capital.
3. Uma economia baseada no conhecimento possui recursos ilimitados;
4. A causa básica da grande transformação econômica é a emergência do
intelecto e das novas tecnologias de gestão como bens altamente
alavancáveis;
5. A redução da importância da velha economia é inevitável;
6. Uma nova contabilidade será indispensável para gerenciamento dos ativos
intangíveis;
b. Economia da Cultura
A Economia da Cultura, ao lado da Economia do Conhecimento
(ou da Informação), integra o que se convencionou chamar de Economia
Nova, dado que seu modo de produção e de circulação de bens e
serviços é altamente impactado pelas novas tecnologias, é baseado em
criação e não se amolda aos paradigmas da economia industrial
clássica.

O modelo da Economia da Cultura tende a ter a inovação e a adaptação
às mudanças como aspectos a considerar em primeiro plano. Nesses
setores a capacidade criativa tem mais peso que o porte do capital..
3 - Novas abordagens:

c. Economia Criativa
Economia criativa segundo o autor inglês John Howkins no livro
“The Creative Economy”, publicado em 2001, são atividades nas quais
resultam em indivíduos exercitando a sua imaginação e explorando seu
valor econômico. Pode ser definida como processos que envolvam
criação, produção e distribuição de produtos e serviços, usando o
conhecimento, a criatividade e o capital intelectual como principais
recursos produtivos.

No site do MINC: “Economia Criativa partindo das dinâmicas culturais,
sociais e econômicas construídas a partir do ciclo de criação, produção,
distribuição/circulação/difusão e consumo/ fruição de bens e serviços
oriundos dos setores criativos, caracterizados pela prevalência de sua
dimensão simbólica.
3 - Novas abordagens:

d. Indústrias Criativas

“Indústrias Criativas” “aquelas que têm sua origem na criatividade
individual, habilidades e talentos que têm potencial de riqueza e criação
de empregos através da geração e da exploração da propriedade
intelectual. Assim, “Indústrias Criativas” é o termo utilizado para
descrever a atividade empresarial na qual o valor econômico está ligado
ao conteúdo cultural. “Indústrias Criativas” une a força tradicional da
chamada cultura clássica com o valor agregado do talento empresarial e
os novos talentos da mídia eletrônica e da comunicação."
3 - Novas abordagens:

e. Cidades Criativas
Segundo Richard Florida [www.ua.pt (2003)] as cidades criativas estão
“ligadas à criatividade e à inovação urbana (…) visa a atração e a fixação
de talentos, a capacidade de desenvolver investigação e produtos
tecnológicos, apoiada numa atitude tolerante, que valorize a diversidade
social e cultural.” Este autor tem como objetivo propor a constituição
destas cidades como espaços de qualidade que promovam o bem estar
da população, assim como o desenvolvimento das mesmas na vertente
artística, cultural e tecnológica.

3 - Novas abordagens:

e. Cidades Criativas
Pedro Costa, economista e investigador do Instituto Superior de Ciências
do Trabalho e da Empresa (ISCTE), refere que as cidades criativas são
“um conjunto de ferramentas para o desenvolvimento urbano (…) através
da utilização de atividades das indústrias ou de sectores criativos.”
Segundo o mesmo autor, uma cidade criativa significa “a capacidade de
atrair competências, ou seja, recursos humanos que sejam criativos.”
[www.cidadescriativas.blogs.sapo.pt]

Para Ana Carla Fonseca Reis: “cidade criativa é aqui entendida como uma
cidade capaz de transformar continuamente sua estrutura
socioeconômica, com base na criatividade de seus habitantes e em uma
aliança entre suas singularidades culturais e suas vocações
econômicas.”


3 - Novas abordagens:

f. Economia da Experiência

O estudo Sociedade do Sonho, de Rolf Jensen, atenta para o valor
contido nas histórias e sua incorporação aos produtos: as lendas, os
mitos e mesmo as histórias das famílias e do povo de uma localidade.
Não precisamos inventá las, elas já existem. Só precisamos contá-las de
uma forma melhor, incorporando-as aos produtos.

Economia da Experiência, de Gilmore e Pine, ensina-nos que trabalho é
teatro e cada negócio, um palco. Isso significa que o consumidor, se
transforma em protagonista de uma história ou experiência que
contribuirá para a sua vida, por meio da vivência de momentos
inesquecíveis.
3 - Novas abordagens:

4
Design, Inovação, Economia
e Desenvolvimento
4 – Design e Inovação:

a. Design e Economia do Conhecimento
• O DESIGN insere-se no moderno conceito de Economia do
Conhecimento, (DRUCKER, 1993).

• Na economia do conhecimento, o que importa é o conceito, o
projeto, a inteligência agregada a um produto ou serviço. Criado
um protótipo, sua reprodução torna-se um detalhe acessório. A
economia do conhecimento tem muitos pontos de tangência e
interseção com a economia criativa (CITF, 2001; HOWKINS, 2001).
b. Design e Inovação

1. Se o Design é um conceito inovador, ele certamente se insere no processo
de inovação, que pode ser classificado como o “aproveitamento bem-
sucedido de novas idéias” (DTI/CBI,1994) ou,
2. em um pensamento mais completo “o reconhecimento de oportunidades
para a mudança lucrativa e a perseguição dessas oportunidades até a sua
adoção na prática” (Baumol, 2002), ou,
3. Drucker (1994), por sua vez, destaca que a inovação é “a única forma de
converter a mudança em oportunidades”, destacando que ela talvez seja a
única maneira de uma empresa prosperar, ou até sobreviver, concluindo,
entretanto, que ela deva ser organizada como uma atividade sistemática
para ser bem-sucedida.
4 – Design e Inovação:

c. Exemplos interessantes
4 – Design e Inovação:

c. Exemplos interessantes
4 – Design e Inovação:

DESIGN Silvio Silva Junior, Karine Kawamura e Guido Dezordi | Lumen Design | Curitiba – PR
ECOBAGCAR / ECOBAGCAR
c. Exemplos interessantes
4 – Design e Inovação:

MOOVI / MOOVI -
DESIGN Guilherme Cardoso e Daniela Oliveira | Porto Alegre – RS
c. Exemplos interessantes
4 – Design e Inovação:

DESIGN Juliana Bertolini | São Paulo – SP
PEÇAS EM TECBOR - MANTA DE BORRACHA DE LÁTEX
c. Exemplos interessantes
4 – Design e Inovação:

DESIGN PauloRicardo Amaral | Rio de Janeiro – RJ
VAVYLONAS – FAZENDAS URBANAS / VAVYLONAS – URBAN FARMS
c. Exemplos interessantes
4 – Design e Inovação:

APROREM PROJECT – APROVEITAMENTO DE RESÍDUOS MADEREIROS
DESIGN Emanuelle Cordeiro, Jansen Lopes e Luçana de Moraes Mouco | FUCAPI | Manaus – AM
c. Exemplos interessantes
4 – Design e Inovação:

DESIGN Massimo Bianchi | Fucapi | Manaus – AM
APROVEITAMENTO DE RESÍDUOS MADEREIROS
c. Exemplos interessantes
4 – Design e Inovação:

OFICINA ESCOLA DE LUTHERIA DA AMAZÔNIA
Idealizador - Profº. Rubens Gomes
c. Exemplos interessantes
4 – Design e Inovação:

REVESTIMENTOS E PISOS DE TUCUMÃ
Economia criativa : um conjunto de visões [recurso eletrônico] / [Ana Carla Fonseca ... et al.]. - São Paulo :
Fundação Telefônica, 2012. 170p., recurso digital


Panorama setorial da cultura brasileira 2011/2012 / Gisele Jordão, Renata R. Allucci – São Paulo : Allucci&
Associados Comunicações, 2012. 216 p.


Cidades criativas: perspectivas / Ana Carla Fonseca Reis, Peter Kageyama, (orgs.). - São Paulo: Garimpo de
Soluções, 2011.


Plano da Secretaria da Economia Criativa: políticas, diretrizes e ações, 2011 – 2014 Brasília, Ministério da
Cultura, 2011. 156 p.


Economia da cultura: ideias e vivências / Ana Carla Fonseca Reis e Kátia de Marco (organizadoras).
Rio de Janeiro : Publit, 2009.252 p. : il. ; 21 cm.


Economia da arte e da cultura/ Organização de César Bolaño, Cida Golin e Valério Brittos – São Paulo: Itaú
Cultural, 2009. 240 p.


Cultura em números: anuário de estatísticas culturais 2009. – Brasília: Minc, 2009. 243 p. : il. color.; 23 cm.


Fontes consultadas:

Economia criativa : como estratégia de desenvolvimento : uma visão dos países em desenvolvimento /
organização Ana Carla Fonseca Reis. – São Paulo : Itaú Cultural, 2008. 267 p.


Economia e Política Cultural: acesso, emprego e financiamento. Frederico A. Barbosa da Silva, autor .
Brasília:Ministério da Cultura, 2007.308 p. – (Coleção Cadernos de Políticas Culturais; v. 3)


ECONOMIA DA CULTURA: a força da indústria cultural no Rio de Janeiro. PRESTES FILHO, Luiz Carlos;
CAVALCANTI, Marcos E-Papers, 2002


Grandes Economistas XVII: Amartya Sen e a nova concepção de desenvolvimento. Machado, Luiz . 05 de
Novembro de 2007. site do COFECON


AYRES, Marcel; CERQUEIRA, Renata; DOURADO, Danila; SILVA, Tarcízio (orgs). #Mídias Sociais: Perspectivas,
Tendências e Reflexões, 2010, ISBN 978-85-8045-084-2, disponível em <
http://issuu.com/papercliq/docs/ebookmidiassociais >


Desenvolvimento como liberdade. Amartya Sen. Cia das Letras. 2000


Sobre Ética e Economia. Amartya Sen. Cia das Letras. 1999

http://slavoj-zizek.blogspot.com.br

http://www.ideabrasil.com.br/site/category/premiados/2012/ouro-2012/








Fontes consultadas:

ANIBAL TURENKO BEÇA
ANALISTA DE NÍVEL SUPERIOR
anibal.beca@suframa.gov.br
+55 (92) 3321-7078