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Formadora: Prof. Helena A. Ferreira
fev. 2013
 O português é uma língua falada em 8
países (+ Macau): Portugal, Angola, Brasil,
Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, e
São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

 O português é a 5ª língua mais falada no
mundo.

 Conta com cerca de 250 milhões de
falantes.



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 O Acordo Ortográfico de 1990 – tratado
internacional que teve por objetivo criar uma
ortografia unificada para o português.

 Timor-Leste aderiu ao Acordo em 2004.

 Trata-se de unificar a ortografia e não a língua
portuguesa. Mantêm-se as diferenças
fonéticas, lexicais, semânticas.


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Aviso anterior a
1911 na igreja do
Carmo , no Porto.
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 Breve apontamento histórico
1ª tentativa de Unificação data de 1911 - reforma
foi feita sem qualquer acordo com o Brasil.

Outras tentativas 1931, 1943, 1945, 1971, 1973 e
1990.
 Julho de 2004 - tratado internacional que teve
por objetivo criar uma ortografia unificada para o
português.



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Razões
 Procura de uma ortografia comum,
unificada para pôr cobro à deriva
ortográfica.
 Âmbito lusófono e internacional –
instrumento de comunicação entre 8
países.
 Natureza pedagógica – ortografia
facilitadora da aprendizagem da língua
nas escolas.
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Caraterísticas genéricas do Acordo de 1990:
- privilégio dado ao critério fonético em
detrimento do etimológico;
- inserção de três novas letras, que há
muito figuram nos dicionários e se usam
em palavras estrangeiras e símbolos;
- sistematização do uso das maiúsculas e
das minúsculas;

8
Caraterísticas genéricas:

- sistematização e redução das regras do emprego do
hífen;

- supressão de alguns acentos gráficos;

- supressão das consoantes mudas não articuladas;

- definição, quando possível, das situações de dupla
grafia, incluindo a dupla acentuação.


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[...] Creio que a razão fundamental é que os adultos,
habituados a escrever de uma certa maneira, têm dificuldade
em mudar essa forma de escrever. Quando se aprende uma
palavra nova aprendemos três coisas: o significado da
palavra, a pronúncia e a sua grafia. Tanto a pronúncia como
a grafia fixam-se como imagens na nossa mente. Alterar a
imagem gráfica de uma palavra é sempre uma espécie de
violência. As pessoas reagem negativamente contra essa
imposição de mudar a sua forma de escrever, pois quando
escrevemos fazemo-lo de uma forma automática, mecânica.
[...] E há ainda outra razão mais particular. Portugal, por ser
o país-berço da língua, considera-se o proprietário, o dono da
língua portuguesa. Ora o maior êxito da nossa expansão pelo
mundo foi a língua, que ficou implantada em oito novos
países. [...]


Malaca Casteleiro, in África 21
in Francisco Álvaro Gomes, O Acordo Ortográfico. Porto Editora

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O texto do Acordo (1990)
organiza-se em 21 bases
NOTA: O ACORDO ORTOGRÁFICO de 1945 tinha 51!
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 Base I - Do alfabeto e dos nomes próprios estrangeiros e seus derivados
 Base II - Do h inicial e final
 Base III - Da homofonia de certos grafemas consonânticos
 Base IV - Das sequências consonânticas
 Base V - Das vogais átonas
 Base VI - Das vogais nasais
 Base VII - Dos ditongos
 Base VIII - Da acentuação gráfica das palavras oxítonas (agudas)
 Base IX - Da acentuação gráfica das palavras paroxítonas (graves)
 Base X - Da acentuação das vogais tónicas/tônicas grafadas i e u das palavras oxítonas e
paroxítonas
 Base XI - Da acentuação gráfica das palavras proparoxítonas (esdrúxulas)
 Base XII - Do emprego do acento grave
 Base XIII - Da supressão dos acentos em palavras derivadas
 Base XIV - Do trema
 Base XV - Do hífen em compostos, locuções e encadeamentos vocabulares
 Base XVI - Do hífen nas formações por prefixação, recomposição e sufixação
 Base XVII - Do hífen na ênclise, na tmese e com o verbo haver
 Base XVIII - Do apóstrofo
 Base XVIX - Das minúsculas e maiúsculas
 Base XX - Da divisão silábica
 Base XXI - Das assinaturas e firmas


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O AO introduz novidades em cinco áreas:
 a supressão de consoantes mudas (c e
p), em certas sequências de consoantes;

 a (não) acentuação de algumas palavras
graves;

a introdução das letras k, w e y no alfabeto
(mantendo-se, no entanto, as regras de
utilização do anterior acordo);


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 a (não) utilização do hífen (em palavras
compostas por justaposição – c.
morfossintática – em palavras prefixadas
ou com pseudoprefixo ou radical –
derivação e composição morfológica – , em
locuções);

 a utilização de maiúscula/minúscula.
Introdução das letras k, w, y (26 letras)

a (á) b (bê) c (cê) d (dê) e (é) f (efe) g (gê ou guê) h
(agá) i (i) j (jota) k (capa ou cá) l (ele) m (eme) n (ene) o (ó)
p (pê) q (quê) r (erre) s (esse) t (tê) u (u) v (vê) w (dáblio)
x (xis) y (ípsilon) z (zê)


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ATENÇÃO:
A introdução do k,
do w e do y não
aumenta o seu
uso!
As letras k, w e y usam-se:
1. em antropónimos originários de outras
línguas e derivados
Franklin, frankliano
Kant, kantiano
Darwin, darwinismo
Wagner, wagneriano
Byron, byroniano
Taylor, taylorista
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As letras k, w e y usam-se:
2. em topónimos originários de outras línguas e seus
derivados
Kwanza, Kuwait, kuwaitiano, Malawi, malawiano,
Washington, washingtoniano

3. Em símbolos e em palavras adotadas como
unidades de medida de uso internacional
K (potássio), W (west – oeste), kg (quilograma), W (watt)
km (quilómetro), kw (kilowatt), yd (jarda)

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As letras k, w e y usam-se:

4. Em siglas TWA, KLM (siglas)

5. Nas designações de desportos e desportistas
windsurfe e windsurfista
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1. h inicial emprega-se:
- por questões etimológicas: haver, hélice, hoje,
hora, homem, humor
- por questões convencionais: hã? hem? hum?
2. h inicial suprime-se:
- quando, apesar da etimologia, a sua
supressão está consagrada pelo uso: erva,
ervaçal, ervanário
(as formas eruditas herbanário e herbáceo mantêm o h)
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- na composição o h passa a interior, aglutinando ao
precedente
desarmonia, desumano, inábil, lobisomem, reabilitar,
reaver

- o h inicial mantém-se numa palavra composta com
hífen
anti-higiénico, contra-haste, pré-história, sobre-
humano

- o h final emprega-se nas interjeições
Ah! Oh!
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A letra minúscula inicial é usada:
- nos nomes dos dias, meses, estações do ano
segunda-feira, outubro, inverno

- nos bibliónimos
Memorial do Convento / Memorial do convento

- nas designações de alguém que se desconhece
fulano, sicrano, beltrano

- nos pontos cardeais (mas não nas abreviaturas)
norte, sul, este, oeste (analisar pág. 10 Manual)


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A letra minúscula inicial é usada:
- nos axiónimos e hagiónimos (opcional)
Senhor Doutor/senhor doutor
Doutor Joaquim Silva/doutor Joaquim Silva
Cardeal Silva/cardeal Silva

- nos nomes que designam domínios do saber, cursos
e disciplinas (opcional)
Português/português; Matemática/matemática;
História/história


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A letra maiúscula inicial é usada:
- nos antropónimos, reais ou fictícios
Pedro Marques, Branca de Neve, D. Quixote

- nos topónimos, reais ou fictícios
Porto, Braga, Rio de Janeiro

- nos nomes de seres antropomorfizados ou
mitológicos
Adamastor, Zeus, Neptuno/Netuno

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A letra maiúscula inicial é usada:
- nos nomes de instituições
Instituto do Desporto, Ministério da Educação e Ciência

- nos nomes de festas e festividades
Natal, Páscoa, Todos os Santos

- nos títulos de periódicos
Diário de Notícias, Público

- nos pontos cardeais, quando empregados
absolutamente
“Ele é um homem do Norte”/ E (este) / o Ocidente
europeu

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A letra maiúscula inicial é usada:

- em siglas, símbolos, abreviaturas internacionais,
acrónimos
Siglas: UE(União Europeia), OCDE, PME
Acrónimos: ONU, SIDA
Símbolos: H2O
Abreviaturas: Sr., V. Ex.ª

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A letra maiúscula inicial é usada:
- nas palavras de categorização de logradouros
públicos, templos e edifícios
(rua ou Rua da Liberdade; largo ou Largo dos
Leões; igreja ou Igreja do Bonfim; torre dos
Clérigos ou Torre dos Clérigos)

Nota:
nas terminologias antropológicas, geológicas,
botânicas, zoológicas deve atender-se às
disposições e regras próprias provindas de códigos
ou normalizações específicas.

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1. o c das sequências interiores cc, cç, ct e o
p das sequências interiores pc, pç, pt
CONSERVAM-SE nos casos em que são
proferidos na pronúncia culta da língua:
compacto, convicção, convicto, ficção,
friccionar, pacto, pictural, faccioso,
intelectual, sucção, bactéria, néctar, adepto,
apto, díptico, erupção, inepto, núpcias,
rapto, egípcio, corrupção, opção, adepto,
eucalipto, interrupção

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1. o c das sequências interiores cc, cç, ct e o
p das sequências interiores pc, pç, pt
ELIMINAM-SE nos casos em que são
mudos na pronúncia culta da língua
ação, acionar, afetivo, ato, coleção, coletivo,
direção, diretor, exato, objeção, adoção,
adotar, batizar, Egito, ótimo, direcional,
fracionar, selecionar, injeção, atual, adjetivo,
eletricidade, projeto, anticoncecional,
excecional, interceção, contracetivo,
suscetível



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O Acordo prevê que nas palavras que apresentam variação
entre a prolação e o emudecimento, regista-se essa
variação com dupla grafia. O c das sequências interiores
cc, cç, ct e o
p das sequências interiores pc, pç, pt
CONSERVAM-SE ou ELIMINAM-SE
Norma luso-africana / Norma brasileira
ceptro cetro concepção conceção
caracteres carateres corrupto corruto
dicção dição recepção receção
facto fato dececionar decepcionar
sector setor inseticida insecticida
infeccioso infecioso característica caraterística


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Duplas grafias já existentes:
loiro louro, oiro ouro, toiro touro.
Tripla: fêvera fêbera febra


2. CONSERVAM-SE ou ELIMINAM-SE
- o b da sequência bd – súbdito /súdito
- o b da sequência bt – subtil / sutil
- o g da sequência gd – amígdala / amídala
- o m da sequência mn – amnistia / anistia,
indemne / indene, indemnizar / indenizar,
omnipotente / onipotente, omnisciente
/onisciente
- o t da sequência tm – aritmética / arimética

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- As palavras terminadas em ã transmitem a
nasalidade aos advérbios em -mente que
deles se formem. O mesmo acontece com
palavras derivadas em que entrem sufixos
iniciados por z.

cristãmente, irmãmente, sãmente, lãzudo,
maçãzita, manhãzita, romãzeira

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1. Acentuam-se com acento agudo:
a) palavras agudas em -e tónico (de origem
francesa), em que a pronúncia pode ser
aberta ou fechada, admitem acento agudo
ou circunflexo
bebé/bebê; bidé/bidê; canapé/canapê;
croché/crochê; guiché/guichê; puré/purê;
matiné/matinê; caraté/caratê
Outros casos: judo/judô; metro/metrô (o
fechado)

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b) formas verbais agudas + pronomes
clíticos lo(s) ou la(s)
deixá-los; dá-la(s); fá-lo(s); fá-lo-á(s); tra-las-á
c) palavras agudas com mais de uma sílaba
no ditongo nasal grafado -em ou -ens
(exceto as formas verbais 3ª p. pl. presente
indicativo dos compostos ter e vir: retêm,
sustêm, advêm…)
detém, deténs, entretém, entreténs, harém,
haréns, porém, provém, provéns, também

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2. Acentuam-se com acento circunflexo:
a) palavras agudas terminadas nas vogais
tónicas fechadas que se grafam -e ou -o,
seguidas ou não de -s
cortês, dê(s), lê(s), português, você(s), avô(s),
pôs, robô(s)
b) formas verbais oxítonas + pronomes
clíticos -lo(s) ou -la(s)
detê-lo(s); fazê-la(s); fê-lo(s); vê-la(s); compô-
la(s); pô-la(s)

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c) prescinde-se do acento gráfico para
distinguir oxítonas homógrafas, mas
heterofónicas, do tipo
cor (nome) ≠ de cor (locução)
colher (nome) ≠ colher (verbo)

EXCETO: por (preposição) ≠ pôr (verbo)

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As palavras paroxítonas não são
geralmente acentuadas graficamente –
enjoo, grave, Tejo, velho, voo, floresta,
descobrimentos, graficamente

1. Recebem acento agudo:
a) amável, dócil, fóssil, réptil, dólmen, líquen, açúcar,
cadáver, carácter/caráter, ímpar, córtex, bíceps,
fórceps
(terminam em -l, -n, -r, -x, -ps)

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b) órfã, acórdão, sótão, hóquei, amáveis, júri, bílis,
oásis, álbum, álbuns, fórum, fóruns, vírus
(terminam em -ã(s), -ão(s), -ei(s), -i(s), -um, -uns,
-us)
Atenção às duplas grafias:
sémen/sêmen; xénon/xênon; fémur/fêmur;
fénix/fênix; ónix/ônix
pónei/pônei; ténis/tênis; bónus/bônus;
ónus/ônus; Vénus/Vênus
(oscilação de timbre)


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2. Não se acentuam os ditongos -ei e -oi da
sílaba tónica das palavras graves
(oscilação de timbre)
assembleia, boleia, ideia, aldeia, baleia,
cadeia, cheia, meia, epopeico,
onomatopeico, proteico, apoio, boia,
comboio, dezoito, estroina, heroico, introito,
jiboia, paranoico


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3. Facultativo – o acento agudo nas formas
verbais de pretérito perfeito do indicativo (para
distinguir do presente do indicativo)

amamos, louvamos (norma culta brasileira)
amámos, louvámos (norma culta lusoafricana)

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4. Recebem acento circunflexo
a) cônsul – cônsules; pênsil – pênseis; têxtil –
têxteis; cânon(e) – cânones; aljôfar – aljôfares,
Câncer, Tânger, Almodôvar
(terminam em -l, -r, -x, -n)
b) bênção(s), côvão(s), Estêvão, zângão(s),
devêreis, fôreis(mais-que-perfeito indic.),
escrevêsseis, fôsseis (pret. imperfeito conj.),
têxteis
(terminam em -ão(s), -eis, -i(s), -u(s))

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c) formas verbais têm e vêm (3.ª p. pres. indic. dos
verbos ter e vir) e as formas compostas:
abstêm, entretêm, intervêm, mantêm, obtêm…
5. Assinalam-se com acento circunflexo:
a) obrigatoriamente,
pôde (3.ªp.sing. pret. perf. indic. ) ≠ pode (3.ªp.
sing. pres. indic.)
b) facultativo,
dêmos (1.ªp. pl. pres. conj.) norma culta
lusoafricana
≠ demos (1.ª p. pl. pret. perf. indic. ) norma culta
brasileira


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6. Prescinde-se do acento circunflexo nas
formas verbais 3.ª p. pl. presente indicativo
ou do conjuntivo, conforme os casos:
creem, deem, descreem, desdeem, leem,
preveem, redeem, releem, reveem,
tresleem, veem (timbre aberto ≠ crê timbre
fechado)
7. Prescinde-se do acento circunflexo em
enjoo (nome e verbo) em vez de enjôo
voo (nome e verbo) em vez de vôo


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8. Prescinde-se do acento circunflexo e do acento
agudo para distinguir palavras graves
homógrafas
 para (á), flexão de parar, e para, preposição;
 pela(s) (é), substantivo e flexão de pelar, e
pela(s), combinação de per e la(s);
 pelo (é), flexão de pelar, e pelo(s) (ê),
substantivo ou combinação de per e lo(s);
 polo(s) (ó), substantivo, e polo(s), combinação
antiga e popular de por e lo(s);

(o contexto determina o seu uso) – (Cfr. pág. 17 do
Manual)




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Os verbos arguir e redarguir prescindem do
acento agudo na vogal tónica u

- arguo, arguis, argui, arguem
- redarguo, redarguis, redargui, redarguem



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Duplas grafias: acento
agudo ou circunflexo

académico/acadêmico
anatómico/anatômico
cénico/cênico
cómodo/cômodo
génio/gênio




fenómeno/fenômeno
género/gênero
topónimo/topônimo
fémea/fêmea
gémeo/gêmeo

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Para relembrar…
1. emprega-se o acento grave (`)
- na contração da preposição a com as formas
femininas do artigo ou pronome demonstrativo
o
à (a+a); às (a+as)
- na contração da preposição a com os
demonstrativos aquele (a)(s), aquilo,
aqueloutro
àquele(s), àquela(s), àquilo, àqueloutro(a)(s)

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1. Nos advérbios em -mente derivados de
adjetivos com acento agudo ou circunflexo
(supressão)
avidamente (ávido)
debilmente (débil)
facilmente (fácil)
portuguesmente (português)
espontaneamente (espontâneo)

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2. Palavras derivadas com sufixos iniciados por z
e cuja forma base apresentam vogal tónica
com acento agudo ou circunflexo (supressão)

aneizinhos (anéis); avozinha (avó), bebezito
(bebé), cafezada (café), chapeuzinho
(chapéu), má (mazinha), lâmpada
(lampadazita), bênção (bençãozita)



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Conserva-se em palavras derivadas de nomes
próprios estrangeiros

mülleriano, de Müller
hübneriano, de Hübner

Suprime-se o trema, sinal de passagem de
ditongo crescente a hiato, e como forma de
assinalar a pronúncia do u, em contextos do tipo -
gu- e -qu-
(aguentar e não agüentar; frequente e não
freqüente)


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50
1. Nas palavras compostas sem formas de
ligação e cujos elementos constituem uma
unidade com sentido e acento próprio
ano-luz surdo-mudo
arco-íris tio-avô
decreto-lei turma-piloto
médico-cirurgião sul-africano
tenente-coronel amor-perfeito
norte-americano segunda-feira
conta-gotas aluno-modelo

51
Atenção: nestas palavras já se perdeu a
noção de composição.

girassol, madressilva, mandachuva, pontapé,
paraquedas, paraquedista





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2. Nos topónimos compostos iniciados por grã, grão,
ou forma verbal ou cujos elementos estão ligados
por artigo.
Grã-Bretanha Grão-Pará Abre-Campo
Passa-Quatro Quebra-Costas Quebra-Dentes
Traga-Mouros Trinca-Fortes Trás-os-Montes
Albergaria-a-Velha Montemor-o-Novo

SEM HÍFEN – América do Sul, Belo Horizonte,
Cabo Verde, Freixo de Espada à Cinta, Castelo
Branco

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3. Uso do hífen em palavras compostas de
espécies botânicas e zoológicas (ligadas ou não
por preposição)
couve-flor andorinha-grande
erva-doce cobra-capelo
feijão-verde formiga-branca
erva-do-chá cobra-d`água
bem-me-quer bem-te-vi

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4. Uso do hífen nos compostos com os advérbios bem e
mal + vogal ou h
bem-aventurado, bem-estar, bem-humorado
mal-estar, mal-humorado

Atenção: o advérbio bem, ao contrário de mal, pode
não se aglutinar com palavras começadas por
consoante
bem-ditoso, malditoso, bem-criado, malcriado,
bem-mandado, malmandado, bem-visto, malvisto

MAS: benfazejo, benfeito, benfeitor, benquerença…

55
5. Uso do hífen nos compostos com os
elementos além, aquém, recém, sem
além-Atlântico, além-mar, aquém-fiar,
aquém-Pirinéus, recém-casado, recém-
nascido, sem-cerimónia, sem-vergonha

56
6. Nas locuções de uso geral não se emprega
hífen
cão de guarda, fim de semana, sala de jantar
cor de açafrão, cor de café, cor de vinho

EXCETO em
água-de-colónia, arco-da-velha, cor-de-rosa,
mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará
(uso do hífen consagrado pelo uso)

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7. Uso do hífen nos encadeamentos vocabulares
(palavras que ocasionalmente se combinam)

Liberdade-Igualdade-Fraternidade
percurso Porto-Lisboa
ligação Angola-Moçambique
Áustria-Hungria, Angola-Brasil, Alsácia-
Lorena (topónimos)


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EMPREGA-SE O HÍFEN
a) Formações em que o 2.º elemento começa por
h
anti-higiénico, circum-hospitalar, co-herdeiro,
extra-humano, pré-história, super-homem,
geo-história

Atenção: não se usa hífen em formações que
contêm em geral os prefixos des- e in- nas quais
o 2.º elemento perdeu o h inicial
desumano, desumidificar, inábil, inumano

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b) Nas formações em que o prefixo termina na
mesma vogal em que se inicia o 2.º elemento
anti-ibérico, contra-almirante, supra-auricular,
auto-observação, micro-ondas, semi-interno

Atenção: os prefixos co- e re- aglutinam-se
com o 2.º elemento mesmo quando iniciado
por o ou e
coobrigação, coocupante, coordenar,
cooperação, cooperar, coprodutor, coabitação,
coabitar, coeducação, reenviar, reeditar,
reeleição, reentrar

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c) usa-se o hífen com os prefixos circum-, pan-
quando o 2.º elemento começa por vogal, m,
n, h
circum-navegação, circum-escolar,pan-
africano, pan-mágico, pan-negritude

d) usa-se o hífen com os prefixos hiper-, inter-,
super- com o 2.º elemento a começar por r
hiper-requintado, inter-resistente, super-
resistente

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e) usa-se o hífen com os prefixos ex-, sota-, soto-
vice-, vizo- (noção de estado anterior,
cessamento)
ex-diretor, ex-almirante, ex-hospedeira, ex-
presidente
sota-piloto, soto-mestre, vice-presidente, vizo-rei

f) usa-se o hífen com os prefixos tónicos pós-,
pré-, pró- (acentuados graficamente) + 2.º
elemento com vida à parte
pós-graduação, pós-tónico, pré-escolar, pró-
africano

62
MAS
Os prefixos átonos pos-, pre-, pro- aglutinam-
se com o elemento seguinte

pospor
prever
promover

63
NÃO SE EMPREGA HÍFEN
a) Prefixo termina em vogal + 2.º elemento começa
por r ou s (duplica a consoante)
antirreligioso, antissemita, contrarregra,
contrassenha, minissaia, biorritmo, biossatélite,
microssistema

b) Prefixo termina em vogal + 2.º elemento começa
por vogal diferente

antiaéreo, coeducação, extraescolar,
aeroespacial, autoestrada, autoaprendizagem,
plurianual, hidroelétrico, agroindustrial

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1. Emprego do hífen na ênclise e na tmese
amá-lo, dá-se, deixa-o (ênclise)
amá-lo-ei, ter-nos-íamos, lavar-se-á (tmese)

2. Emprego nas ligações de formas pronominais
enclíticas ao advérbio eis e nas formas
pronominais
eis-me, ei-lo
no-lo, vo-las


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3. Não se emprega hífen nas ligações da
preposição de às formas verbais do presente
do indicativo do verbo haver
hei de, hás de, há de, heis de, hão de

(já não se empregava hífen noutras formas
do verbo haver:
havemos de, haverão de, haveríamos de)

66
Obrigada pela vossa presença.


67
Converter ficheiros
68
Conversor ortográfico:

http://www.flip.pt/FLiP-On-line/Conversor-para-o-Acordo-Ortografico.aspx


http://www.portaldalinguaportuguesa.org/






Dicionário em linha

http://www.priberam.pt/dlpo/

Bibliografia
69
CASTELEIRO, João Malaca, e
CORREIA, Pedro Dinis, Atual - O
Novo Acordo Ortográfico (O que
vai mudar na grafia do português),
3ª ed., Texto Editores, Lisboa,
2008 (1ª ed. 2007).
GOMES, Francisco Álvaro, O
Acordo Ortográfico (Inclui o
Texto Integral do Novo Acordo
Ortográfico, Exercícios Práticos
com Propostas de Soluções),
Edições Flumen, Porto Editora,
Porto, 2008