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Educar na Adolescência

Estilos de Vida na Adolescência
A adolescência é uma época da vida humana marcada
por profundas transformações fisiológicas, psicológicas,
afectivas, intelectuais e sociais vivenciadas num
determinado contexto cultural. Mais do que uma fase, a
adolescência é um processo com características
próprias, dinâmico, de passagem entre a infância e a
idade adulta.
A puberdade muda o corpo, a mente e os
afectos da criança. Os adolescentes entram
numa nova fase existencial, rodeados por
novas sensibilidades, novas capacidades
cognitivas, novas dificuldades nos seus
pontos de referência.
A ambiguidade e as dificuldades na
definição do conceito são agravadas
pela existência de preconceitos,
reflectidos nas frases feitas do senso
comum e que são impeditivas da
compreensão dos adolescentes.

A adolescência não pode ser
compreendida sem se ter em conta os
aspectos psicológicos, físicos, cognitivos,
socioculturais e económicos.
• São comuns expressões do tipo:
"idade do armário", "idade da
parvoíce", "idade da caixa", "a idade
mais maravilhosa", "estar na fase"…..
Existem muitas adolescências,
conforme cada infância, cada fase de
maturação, cada família, cada época,
cada cultura, cada classe social.
A ambivalência da adolescência relaciona-
se com as transformações globais que
ocorrem no indivíduo e que tornam este
nível etário de difícil compreensão: pelos
outros e pelos próprios.

Coabitam, nesta fase, desejos
ambivalentes de crescer e de regredir, de
se sentir ainda criança e já adulto, de
autonomia e de dependência, de ligação
ao passado e de vontade de se projectar
no futuro.

A sociedade de consumo em que vivemos
faz da juventude um público-alvo de
exploração: há cada vez mais produtos
dirigidos ao adolescente. São cada vez mais
significativas as camadas de jovens que
detêm - directa ou indirectamente - poder de
compra.

O actual período de escolaridade, na
nossa sociedade, prolongou-se no tempo,
o que torna o adolescente familiar e
socialmente dependente; contudo, são-lhe
exigidas, ao mesmo tempo, autonomia e
responsabilidade.
Aspectos Afectivos
As transformações corporais levam o
jovem a voltar-se para si próprio,
procurando perceber o que se está a
passar, para se entender mais
profundamente enquanto pessoa.
Os adolescentes vivem, em geral, com
grande ansiedade as transformações do seu
corpo. É muito comum não apreciar,
temporariamente, algumas das suas
características físicas: o cabelo, o nariz, a
pele, os pés, o peso, a altura…

Haverá que distinguir as transformações
fisiológicas com a sua aceitação psicológica. A
forma como cada um se autopercepciona e o
modo como gostamos de nós, são muito
influenciados pelo meio em que se vive, a
maneira como se é representado e aceite pelos
outros.
Alguns jovens sentem necessidade de se
afirmarem como diferentes. Assim, a
"crise de originalidade" que alguns
atravessam tem expressão na forma de
vestir, na linguagem, na actividade
artística, nas atitudes e comportamentos.
Podemos dizer que muitos jovens
são hipersensíveis, que existe
uma fragilidade e agressividade
que se manifestam em súbitas
mudanças de humor.
A incompreensão de que muitas vezes se
sentem vítimas é, frequentemente, uma
projecção da sua própria dificuldade em
se compreenderem intimamente.
Na adolescência, os modelos de
identificação deixam de ser os pais para
passarem a ser os jovens da mesma
idade, o grupo de pares, num processo de
autonomia, de individuação.
Amizade e Conflito
• A partir de uma certa idade, o adolescente
começa a conviver mais tempo com o seu
grupo de amigos.

• Os grupos não se formam de modo
instantâneo mas são resultado de
sucessivas avaliações e interacções entre
iguais.
Amizades na adolescência vão progressivamente
assemelhando-se às amizades entre adultos na medida
em o que une intrinsecamente as pessoas não se reduz
a actividades superficiais voltadas para fins concretos
mas as características de ordem psicológica de cada um
nomeadamente a lealdade, a confiança ou a
sensibilidade.
Enquanto os rapazes focam a amizade
em actividades em comum como a prática
de desportos, as raparigas direccionam a
amizade numa dimensão interpessoal
estabelecendo laços mais íntimos do que
os rapazes.
Ao terminar a adolescência, o jovem
tem o sentimento de individualidade e
compreende o seu papel activo na
orientação da sua vida, tomando
decisões e aceitando compromissos.