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GOVERNO DA REPÚBLICA PORTUGUESA

ERGONOMIA NO POSTO DE TRABALHO
UFCD:3775
Formação modular
Susana Marques
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EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE ERGONOMIA
Ergonomia pode ser definida como o estudo da relação
entre:
o homem e a sua ocupação
o equipamento e o ambiente em que decorre a sua
actividade profissional


através da aplicação de conhecimentos no
domínio das Ciências Humanas, de modo a efectuar a
humanização do trabalho, em todas as suas vertentes e
sectores de actividade.

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EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE ERGONOMIA

A Ergonomia surge, pela primeira vez, logo após
a II Guerra Mundial, como consequência do
trabalho interdisciplinar de diversos
profissionais, como engenheiros, fisiologistas
e psicólogos, que foram mobilizados durante a
guerra.

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EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE ERGONOMIA
Inicialmente, a aplicação da Ergonomia só se fazia
sentir, exclusivamente, no Sector da Indústria, no
qual se concentrava no binómio homem-
máquina.

Hoje em dia, a aplicação da Ergonomia é mais
abrangente, estudando sistemas complexos em
todos os sectores de actividade, onde dezenas ou
até centenas de elementos interagem entre si.

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EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE ERGONOMIA
A Ergonomia também se expandiu
horizontalmente, abrangendo quase todos os
tipos de tarefas e actividades humanas.


Actualmente, essa expansão processa-se
principalmente no Sector dos Serviços (saúde,
educação, transportes, lazer e outros) e até no
estudo de trabalhos domésticos.

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DEFINIÇÃO DE ERGONOMIA

Tal como vimos anteriormente, a Ergonomia é o
estudo da adaptação do trabalho ao homem.

O trabalho aqui tem uma definição bastante
ampla, abrangendo, além de máquinas e
equipamentos utilizados para transformar os
materiais, também o ambiente de trabalho e os
aspectos organizacionais que envolvam a
programação do mesmo.

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DEFINIÇÃO DE ERGONOMIA

Tradicionalmente, esta adaptação ocorre sempre do
trabalho para o homem, e a recíproca nem
sempre é verdadeira.

Por outras palavras, é muito mais difícil efectuar a
adaptação do homem ao trabalho. Isto significa
que a Ergonomia parte do conhecimento do
homem para efectuar o projecto de trabalho,
ajustando-o às capacidades e limitações
humanas.


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DEFINIÇÃO DE ERGONOMIA

Uma definição concisa da Ergonomia é a seguinte:

“Ergonomia é o estudo do relacionamento entre o
homem e o seu trabalho, equipamento e
ambiente, e particularmente a aplicação dos
conhecimentos de anatomia, fisiologia e
psicologia na solução dos problemas surgidos
desses relacionamentos”.
(Ergonomics Research Society)


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OBJECTO E OBJETIVOS DE ESTUDO DA ERGONOMIA
Para levar a cabo o seu objectivo, a Ergonomia
estuda diversos aspectos referentes ao
comportamento humano no trabalho, bem
como outros factores considerados
importantes para a concepção de sistemas do
trabalho, que são:

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OBJECTO E OBJETIVOS DE ESTUDO DA ERGONOMIA
Homem – características físicas, fisiológicas,
psicológicas e sociais do trabalhador; influência
do sexo, idade, formação e motivação;


Máquina – entende-se por máquina qualquer ajuda
material que o homem utiliza durante a execução
do seu trabalho, englobando assim os
equipamentos, as ferramentas, o mobiliário e as
instalações da empresa;

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OBJECTO E OBJETIVOS DE ESTUDO DA ERGONOMIA
Ambiente – estuda as características do ambiente
físico que envolve o homem durante o trabalho,
como a temperatura, o ruído, as vibrações, a
iluminação, as cores, os gases e outros;


Informação – refere-se às comunicações existentes
entre os elementos de um sistema, as
transmissões de informação, o processamento e
a tomada de decisões;



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OBJECTO E OBJETIVOS DE ESTUDO DA ERGONOMIA
Organização – é a conjugação dos elementos acima
citados no sistema produtivo, estudando
aspectos como os horários, os turnos de trabalho
e a formação dos trabalhadores;


Consequências do Trabalho – aqui entram todas as
questões relacionadas com controlo de tarefas,
tais como inspecções, estudos de acidentes e de
erros cometidos, além de estudos sobre a fadiga,
stresse e gastos energéticos.

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OBJECTO E OBJETIVOS DE ESTUDO DA ERGONOMIA
Assim, podemos dizer que os objectivos práticos da
Ergonomia são:

a eficiência e a segurança dos sistemas homem-
máquina e homem-ambiente, conjugadas com o
bem-estar e a satisfação individuais.

Estes objectivos são alcançados através da
harmonização das ferramentas, dos equipamentos e
dos sistemas com as características humanas.

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NASCIMENTO E EVOLUÇÃO DA ERGONOMIA
Ao contrário de muitas outras ciências cujas origens se
perdem no tempo e no espaço, a Ergonomia tem uma
"data oficial" de nascimento: 12 de Julho de 1949.

Nesse dia, reuniram-se pela primeira vez, em Inglaterra, um
grupo de cientistas e investigadores interessados em
discutir e em formalizar a existência deste novo ramo de
aplicação interdisciplinar da ciência.

Na segunda reunião desse mesmo grupo, ocorrida a 16 de
Fevereiro de 1950, foi proposto o neologismo Ergonomia,
formado dos termos gregos Ergo, que significa trabalho e
Nomos, que significa regras, Ieis naturais.




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NASCIMENTO E EVOLUÇÃO DA ERGONOMIA
Este termo já tinha sido anteriormente usado pelo
polaco Woitej Yastembowsky (1857) que publicou
um artigo intitulado “Ensaios de ergonomia ou
ciência do trabalho, baseada nas leis objectivas da
ciência sobre a natureza”

mas foi só a partir da fundação, no início da década de
50, da Ergonomics Research Society, em Inglaterra,
que a Ergonomia se expandiu no mundo
industrializado.

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NASCIMENTO E EVOLUÇÃO DA ERGONOMIA
O termo Ergonomia foi adoptado nos principais países
europeus, onde se veio a formar a Associação
Internacional da Ergonomia, que realizou o seu
primeiro congresso em 1961, na cidade de
Estocolmo.

Nos Estados Unidos foi criada a Human Factors Society,
em 1957, sendo ainda hoje usual neste país a
aplicação do termo human factors (factores
humanos), embora ergonomia seja aceite como
sinónimo.

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OS PRECURSORES DA ERGONOMIA


Se o nascimento oficial da Ergonomia pode ser definido com
precisão, o período da sua gestação foi muito longo.

Começou, provavelmente, por intermédio do primeiro
homem pré-histórico que escolheu uma pedra do formato
que melhor se adaptava à forma e movimentos do sua
mão, para usá-la como arma.

A preocupação de adaptar os objectos artificiais e o ambiente
natural ao homem sempre esteve presente, desde os
tempos da produção artesanal não mecanizada.


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OS PRECURSORES DA ERGONOMIA
Entretanto, a revolução industrial, ocorrida a partir
do Século XVIII, tornou mais dramático esse
problema. As primeiras fábricas que surgiram não
tinham qualquer semelhança com uma fábrica
moderna.
Eram sujas, barulhentas, perigosas e escuras, com
os períodos de trabalho a atingir as 16 horas
diárias, sem férias, em regime de semi-
escravidão, imposto por empresários autoritários.

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OS PRECURSORES DA ERGONOMIA

Os estudos mais sistemáticos do trabalho
começaram a ser efectuados a partir do final
do século passado.

Nessa época, surge nos Estados Unidos o
movimento da administração científica, que
ficou conhecido como taylorismo
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OS PRECURSORES DA ERGONOMIA

Com a eclosão da II Guerra Mundial (1939-1945), foram
utilizados os conhecimentos científicos e tecnológicos
disponíveis para construir instrumentos bélicos
relativamente complexos como submarinos, tanques,
radares, sistemas contra incêndio e aviões.


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OS PRECURSORES DA ERGONOMIA

Estes exigiam muitas habilidades do operador no campo
de batalha, em condições ambientais bastante
desfavoráveis e tensas.

Os erros e acidentes, muitos com consequências fatais,
eram frequentes.
Tudo isso fez redobrar o esforço da pesquisa para adaptar
estes instrumentos bélicos às características,
capacidades e limitações do operador, melhorando o
desempenho e reduzindo a fadiga e,
consequentemente, os acidentes.

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OS PRECURSORES DA ERGONOMIA
Como “subproduto” deste esforço da guerra surgiram
as reuniões em Inglaterra, já mencionadas
anteriormente, que marcaram o início da Ergonomia,
agora em tempo de paz, na aplicação dos seus
conhecimentos à produção "civil”, que melhoraram a
produtividade e as condições de vida da população,
em geral, e dos trabalhadores, em particular.

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OS PRECURSORES DA ERGONOMIA


Hoje, a Ergonomia difundiu-se em praticamente todos
os países do mundo. Existem muitas instituições de
ensino e de investigação que actuam nesta área e
anualmente realizam-se muitos eventos de carácter
nacional e internacional para a apresentação e
discussão de resultados.

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O TAYLORISMO E A ERGONOMIA

Taylorismo é um termo que deriva de
Frederick Winslow Taylor (1856-1915), um
engenheiro americano que iniciou, no final do
século passado, o movimento “administração
científica” do trabalho e que se notabilizou
pela sua obra Princípios de Administração
Científica, publicada originalmente em 1912.

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O TAYLORISMO E A ERGONOMIA

Taylor defendia que o trabalho deveria ser:

cientificamente observado, de modo que, para
cada tarefa, fosse estabelecido o método mais
correcto para executá-la, com um tempo
determinado, usando as ferramentas
correctas.

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O TAYLORISMO E A ERGONOMIA

Deste modo, haveria uma divisão de
responsabilidades entre os trabalhadores e a
gerência da fábrica, cabendo a esta última
determinar os métodos e os tempos mais
correctos, de modo a que o trabalhador
pudesse concentrar-se unicamente na sua
tarefa produtiva.
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O TAYLORISMO E A ERGONOMIA


Os trabalhadores eram controlados, através de
indicadores de produtividade, e os mais
produtivos eram recompensados com
incentivos salariais.
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O TAYLORISMO E A ERGONOMIA
Os trabalhadores tiveram, desde o início do taylorismo,
uma certa resistência à aceitação da cronometragem e
dos métodos definidos pela gerência, pois achavam
que isso os oprimia e normalmente reagiam não
cumprindo as regras estabelecidas, desregulando
máquinas e prejudicando intencionalmente a
qualidade dos produtos.

Da resistência individual, chegou-se rapidamente aos
movimentos colectivos e sindicais que questionavam o
poder da gerência dentro das fábricas.

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O TAYLORISMO E A ERGONOMIA

Estas duas vertentes:
de um lado, a resistência dos próprios trabalhadores,
e, do outro, o enriquecimento dos conhecimentos
científicos sobre a natureza do trabalho


influenciaram a gerência empresarial a rever as suas
posições.

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O TAYLORISMO E A ERGONOMIA

Hoje em dia existe um maior respeito pelas
necessidades do trabalhador e as normas de
grupo e, na medida do possível, procura-se
envolver os próprios trabalhadores nas
decisões acerca do seu trabalho.
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O TAYLORISMO E A ERGONOMIA

Uma das consequências desta nova postura
adoptada foi a eliminação gradual das linhas
de montagem, onde cada trabalhador deveria
realizar tarefas simples e altamente
repetitivas, definidas pela gerência.

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O TAYLORISMO E A ERGONOMIA

Estas linhas, consideradas até há pouco tempo
como o supra-sumo do taylorismo, parecem
estar condenadas a substituição por equipas
menores, mais flexíveis, designadas células de
produção.
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O TAYLORISMO E A ERGONOMIA

Cada célula encarrega-se de efectuar um
produto completo, do início até ao fim,
ficando a distribuição das tarefas de cada
trabalhador a cargo dos próprios elementos
da equipa.

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Obrigada pela vossa atenção!