Métodos Contraceptivos

Trabalho elaborado por: Miguel Almas Nº11 8ºB Pedro Henriques Nº13 8ºB Tiago Cruz Nº15 8ºB

Índice
1. Métodos de barreira 1.1 Mecânicos 1.2 Químicos 2. Métodos Hormonais 2.1 Contracepção não oral 2.2 Injectável 2.3 Contracepção oral 3. Métodos "Tradicionais" 4. Métodos definitivos

Métodos de Barreira: Mecânicos O preservativo
Modo de utilização: - deve ser colocado antes de qualquer contacto entre os órgãos genitais feminino e masculino, quando o pénis está em erecção. - simultaneamente a mulher deve usar um espermicida. - deve ser retirado logo após a ejaculação, tendo o cuidado de o segurar, para impedir que fique retido na vagina. - cada preservativo só serve para uma relação sexual. Mecanismo de acção: - consiste em impedir a libertação dos espermatozóides no interior do aparelho genital feminino, evitando deste modo a fecundação. Vantagens: - é de simples utilização e vende-se sem receita médica. - não interfere com o ciclo menstrual. - ausência de efeitos sobre o organismo. - protecção contra doenças transmitidas sexualmente. - pode melhorar situações de ejaculação precoce. Desvantagens: - por vezes provoca alergias, embora já existam preservativos anti - alérgicos. - pode ficar retido na vagina por perda precoce de erecção. - pode rasgar durante o coito. Os mais seguros, segundo um estudo realizado pela "Proteste" são: "Harmony N", "Hello sensitive", "Durex jeans" e o "Durex extra-safe". - há casais que referem diminuição do prazer no acto sexual. - como tem de ser retirado logo após a ejaculação, interfere com a última etapa da relação sexual. Eficácia: - se associado a um espermicida pode-se considerar um método bastante eficaz: cerca de 5 gravidezes em 100 mulheres por ano de utilização ( 95% de eficácia). - utilizado isoladamente tem baixa eficácia.

Diafragma
Método: É um pequeno dispositivo circular de borracha com borda firme e flexivel, que ao ser colocada na vagina forma uma barreira física sobre o colo do útero. Mecanismos de ação: Evita que o esperma chegue ao trato reprodutivo superior (útero e trompas de falópio) Vantagens: Sem riscos relacionados ao método. Eficaz imediatamente. Segura o fluxo menstrual quando usado durante a menstruação. Alguma proteção contra ITG e outras DST (p.ex. HBV, HIV/AIDS) especialmente se usado com espermicida. Desvantagens: Alta taxa de falha (taxa de gravidez 5-25 por 100 mulheres durante o primeiro ano de uso). Exame pélvico necessário para medicação inicial. Necessita estar disponível antes das relações sexuais. Deve ser retirado somente após 6 horas depois de relações sexuais. Associado a infecções do trato urinário em algumas usuárias.

(já não está disponível no mercado)

Preservativo feminino
Método ainda pouco divulgado. Acredita-se que será um método de futuro. Modo de utilização: - é colocado com a abertura para o exterior da vagina, de tal maneira que recobre o colo uterino e as paredes vaginais. O anel exterior do preservativo fica ao nível da vulva. - cada preservativo feminino tem uma única utilização. - é colocado antes do contacto sexual. - deve ser usado em conjunto com o espermicida. - deve ser retirado logo após a relação sexual.. Eficácia: - em relação ao diafragma, é teoricamente mais eficaz e proporciona, simultaneamente, uma melhor defesa contra doenças sexualmente transmitidas. - em relação ao preservativo masculino, o preservativo feminino parece ser mais eficaz e resistente, sexualmente mais satisfatório e parece garantir uma melhor defesa contra doenças sexualmente transmissíveis.

Métodos de Barreira: Químicos Espermicidas
Tipos: - cremes, espumas, esponjas, cones, velas, comprimidos e tabletes vaginais. Modo de utilização: - os cremes e espumas trazem um aplicador que depois de cheio, deve ser introduzido até ao fundo da vagina (em posição de deitada) de forma a que o produto, fique a tapar a entrada do colo do útero. - cones, velas, comprimidos ou tabletes vaginais devem ser introduzidos com o dedo cerca de 10 minutos antes da relação sexual, pois só depois de derretidos começam a actuar. - as esponjas e os cremes têm um início de acção mais rápido, pelo que podem ser colocados imediatamente antes do acto sexual. - o espaço de tempo entre a aplicação do espermicida e a relação sexual deve ser cerca de 30 minutos, porque vai perdendo a sua acção. - a mulher só se deve lavar 6 a 8 horas após a relação sexual, porque os sabões neutralizam a acção do espermicida. - para uma maior segurança aconselha-se que a mulher se mantenha deitada durante esse período ou, no caso de ter que se levantar, aplique um tampão vaginal. - se tiver nova relação ou se a relação demorar mais de uma hora, colocar nova dose de espermicida. Mecanismo de acção: - estes produtos servem para destruir ou imobilizam os espermatozóides, impedindo-os de ascender dentro do útero. Evitam a fecundação. Vantagens: - facilmente disponíveis; não necessitam de prescrição médica. - são métodos de simples utilização e inócuos. - não interferem com o ciclo menstrual. - possivelmente terão um papel na prevenção das doenças de transmissão sexual. Desvantagens: - por vezes provocam alergias e inflamação da mucosa vaginal. Outras vezes é o parceiro que se queixa de intolerância ao produto. - são caros. - são desaconselhados durante qualquer tipo de terapêutica vaginal. Eficácia: - se utilizados isoladamente e em mulheres jovens (com fertilidade teoricamente elevada), têm uma eficácia muito baixa - 30 a 40 gravidezes em 100 mulheres por ano de utilização (60 a 70% de eficácia).

Métodos Hormonais: Contracepção não oral injectável

Modo de utilização: - injecção intra - muscular trimestral de um derivado de progesterona. Vantagens: - simplicidade de utilização - efeito prolongado - ausência de riscos vasculares Desvantagens: - só usado em situações muito particulares porque tem algumas consequências nefastas: altera os açucares e as gorduras do sangue; pode causar irregularidades menstruais e ausência de menstruação.

Contracepção hormonal oral

Existem vários tipos de pílulas que diferem entre si pela dosagem, composição, pelo mecanismo de acção, entre outras diferenças.

Pílulas combinadas ou estroprogestativas
São constituídas por derivados de estrogéneos e progesterona. Podem ser Monofásicas (todos os comprimidos têm a mesma dosagem) ou Trifásicas (têm três doses diferentes). Modo de utilização: - um comprimido diário sensivelmente à mesma hora - iniciar no primeiro dia do ciclo e prosseguir durante 21 dias consecutivos, depois segue-se uma pausa de 7 dias - ao oitavo dia recomeçar nova carteira Cuidados a ter na utilização ! - se se der o esquecimento de um comprimido em tempo não superior a 12 horas, tomar imediatamente a pílula esquecida e à hora habitual retomar a seguinte. - se o esquecimento for além de 12 horas continuar a tomar a pílula (inclusive a pílula esquecida) mas associar outro método contraceptivo até ao fim da carteira. - caso surjam vómitos, diarreia, ou se tomar outra medicação (anti - convulsivante, certos antibióticos rifampicina, ampicilina e neomicina) deve associar-se outro método contraceptivo. - se desejar engravidar, deve parar a toma da pílula e só deve engravidar no mês a seguir á primeira menstruação espontânea (não pelo risco de induzir aborto ou malformações fetais, mas apenas para não perturbar o cálculo da idade de gestação do feto). Mecanismo de acção: As pílulas estroprogestativas exercem o seu efeito anticonceptivo de vários modos: - o principal é o bloqueio da ovulação (por inibirem as hormonas da hipófise - FSH e LH) - alteram as características do muco tornando-o menos favorável para a progressão dos espermatozóides - provocam uma diminuição da espessura do endométrio. Complicações principais: São sobretudo graves quando a toma da pílula se associa a outros factores de risco como o tabagismo, a idade avançada, a hipertensão arterial, obesidade, diabetes e aumento das gorduras no sangue. Por exemplo, a mortalidade das mulheres fumadoras que tomam a pílula é sete vezes maior que a das não fumadoras.

Pílulas combinadas ou estroprogestativas (continuação)
Efeitos benéficos: Se a pílula for a apropriada à mulher e se for bem vigiada a sua utilização, podem obter-se alguns benefícios: - diminuição de irregularidades menstruais - diminuição da dor por vezes experimentada durante a menstruação (dismenorreia) e diminuição do síndroma pré menstrual - diminuição da abundância de hemorragias menstruais - protecção contra doenças benignas da mama, tumores benignos e malignos do ovário e tumores malignos do endométrio - pensa-se que poderá diminuir a incidência de osteoporose Contra-indicações: Absolutas: - gravidez - cancro (principalmente da mama, do aparelho genital e estrogéneo - dependente) - hemorragias genitais sem diagnóstico da sua causa - tromboflebite (infecção de varizes) - trombose cerebral - antecedentes de acidentes trombóticos - doença hepática grave actual - hábitos tabágicos (mais de 10 a 15 cigarros por dia) em mulheres com mais de 35 anos Relativas: - dores de cabeça tipo enxaqueca - depressão - doença cardíaca - problemas renais - diabetes não controlada - epilepsia - varizes nas pernas - asma - cálculos na vesícula - colite ulcerosa - obesidade - idade acima dos 40 anos - tabagismo - hipertensão arterial não controlada - aumento do colesterol e gorduras no sangue - aleitamento materno

Pílulas combinadas ou estroprogestativas (conclusão)
Vantagens: - facilmente acessível - administração prática e cómoda - acção reversível Desvantagens: - produto sintético e que interfere com o equilíbrio hormonal da mulher - possíveis efeitos adversos dependentes da dose, de factores de risco associados e da susceptibilidade pessoal. - necessidade de vigilância médica regular. - diminuição da sua acção com perda da eficácia, com a toma simultânea de alguns antibióticos e outros medicamentos. Eficácia: - 99,5 %; (menos de 1 gravidez em 100 mulheres por ano de utilização).

Pílulas Progestativas
- são constituídas por derivados da progesterona - são essencialmente utilizadas quando as estroprogestativas estão contra-indicadas, como acontece na mulher a amamentar ou na mulher que tenha um grande risco para doenças cárdio - vasculares (diabetes, hipertensão não controlada, etc.). Modo de utilização - devem ser tomadas diariamente, todos os dias do ciclo. Mecanismo de acção As pílulas progestativas exercem o seu efeito de vários modos: - o principal é uma alteração do endométrio que se torna impróprio para a nidação. - alteração do muco que dificulta a sobrevivência dos espermatozóides - alteram a motilidade das trompas e do útero, não favorecendo o encontro do óvulo com o espermatozóide - parcialmente anovulatórios. Efeitos adversos - diminuem as gorduras do sangue que são protectoras para acidentes vasculares - ganho de peso - por vezes acne, aumento da pilosidade facial e seborreia - irregularidades menstruais - quistos nos ovários - atrofia do endométrio por vezes com amenorreia Eficácia - 97 a 99%; (1-3 gravidezes em 100 mulheres por ano de utilização).

Métodos "Tradicionais"

São técnicas que persistem em muitas populações e casais menos esclarecidos, que são veiculadas de geração em geração e que, convém sublinhar, são muito pouco eficazes e nem sempre são inócuas.

Coito interrompido

Modo de utilização / Mecanismo de acção: - consiste na retirada do pénis, do interior da vagina, antes da ejaculação. Desvantagens: - implica uma grande disciplina do homem, que nem sempre se retira a tempo. - a utilização sistemática deste método provoca vários tipos de insatisfação sexual, principalmente na mulher. Eficácia: - este processo é pouco eficaz, porque já há saída de liquido do pénis contendo alguns espermatozóides, mesmo antes da ejaculação, por outro lado é necessária uma grande disciplina do homem, o que pode não se verificar. - 20 a 25 gravidezes em 100 mulheres por ano.

Lavagens ou duches vaginais

Modo de utilização/Mecanismo de acção - fazem-se imediatamente após as relações sexuais - consiste na lavagem da vagina, utilizando-se normalmente uma pêra de borracha, que injecta o líquido com pressão na vagina Desvantagens - por vezes são utilizados produtos cáusticos, que podem ser altamente lesivos para a mucosa vaginal, chegando a provocar sérias queimaduras. - pode comprometer a relação sexual do ponto psicológico, uma vez que tem que ser realizado logo após o acto sexual. Eficácia - pouco eficaz, pois existe sempre passagem dos espermatozóides para o útero.

Método do calendário ou Ogino Knauss
Modo de utilização e Regras: - estudar os ciclos menstruais ao longo de um ano - registar o número de dias do ciclo mais curto e do ciclo mais longo. - subtrair 19 dias ao ciclo mais curto e 11 ao mais longo, para obter, respectivamente, o 1º e o último dia de fertilidade. - a mulher está potencialmente fértil desde o 1ºdia ao último de fertilidade, em cada ciclo do ano corrente. - esta regra mantém-se válida durante um ano, após o qual as contas deverão ser actualizadas, tendo em conta a duração dos ciclos nesse ano. exemplo: ciclo mais curto = 25 dias - 19 = 6 ciclo mais longo = 28 dias - 11 = 17 neste exemplo, do 6º dia ao 17º dia de cada ciclo a mulher está potencialmente fértil. Mecanismo de acção: - tem por base a relação que existe entre a ovulação e a menstruação seguinte: a ovulação ocorre 12 a 16 dias antes da menstruação seguinte. - tem também em conta o tempo de sobrevivência dos espermatozóides, que é de 3 a 5 dias. Vantagens: - não utilização de técnicas artificiais - não prejudica a saúde Desvantagens: - não prevê as alterações do ciclo menstrual, que levam a que este possa ser imprevisivelmente mais longo ou mais curto que os estudados. - implica o estudo dos ciclos durante um ano e a periódica actualização dos cálculos. Eficácia: - Muito baixa, com cerca de 15 gravidezes em 100 mulheres por ano de utilização.

Métodos definitivos: esterilização
Mecanismo de acção: a) Mulher - Laqueação de trompas - intervenção cirúrgica em que se cortam ou se bloqueiam as trompas, de modo a que o óvulo e o espermatozóide não se encontrem, evitando assim a fecundação. - necessita de hospitalização e habitualmente de anestesia geral - não afecta os mecanismos do ciclo menstrual ou da relação sexual. b) Homem - Vasectomia ou laqueação dos canais deferentes - intervenção cirúrgica em que se cortam ou bloqueiam os canais deferentes, impedindo deste modo que os espermatozóides fabricados nos testículos progridam pelos canais, saindo para o exterior. Os espermatozóides fabricados são auto - destruídos. - não necessita de hospitalização - não interfere com o desejo nem com a própria relação sexual. Contra-indicações: - todas as situações que contra-indiquem uma anestesia geral Vantagens: - comodidade - elevada eficácia Desvantagens: - no homem é, em princípio, irreversível - na prática, na mulher é considerado um método irreversível. Eficácia: - na mulher - 0 a 0,2 gravidezes em 100 mulheres por ano. - no homem - 0,5 a 1.5 de falha do método em 100 homens.