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PRINCÍPIOS BÁSICOS Código Civil de 2002

AULA 2
Profa. Dra. Ingrid Zanella

PRINCÍPIOS BÁSICOS - Código Civil de
2002
SOCIALIDADE, ETICIDADE E
OPERABILIDADE
• O PRINCÍPIO DA SOCIALIDADE
• Reflete a prevalência dos valores coletivos
sobre os individuais, sem perda, porém, do
valor fundamental da pessoa humana.
• Surge
em
contraposição
à
ideologia
individualista e patrimonialista do sistema de
1916.
• Busca-se preservar o sentido de coletividade,
muitas vezes em detrimento de interesses
individuais.

• GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. Vol. 1:
parte geral. 11 ed. São Paulo: Saraiva, 2013, pg. 43.

SOCIALIDADE, ETICIDADE E
OPERABILIDADE

• O PRINCÍPIO DA ETICIDADE
• Funda-se no valor da pessoa humana
como fonte de todos os demais
valores.
• Prioriza a equidade, a boa-fé, a justa
causa e demais critérios éticos.
• Confere maior poder ao juiz para
encontrar a solução mais justa ou
equitativa.

SOCIALIDADE, ETICIDADE E
OPERABILIDADE

• O PRINCÍPIO DA OPERABILIDADE
• Direito precisa ser efetivado
• Ausencia de complexidade
• Conceitos indeterminados
• Concretitude
• Nao legislar para o abstrato, mas
para o individuo situado

LEI DE INTRODUÇÃO
ÀS NORMAS DO
DIREITO BRASILEIRO

3º). d) traçar os mecanismos de integração da norma legal. c) impor a eficácia geral e abstrata da obrigatoriedade. .AS PRINCIPAIS FUNÇÕES DA LEI SÃO: a) determinar o inicio da obrigatoriedade das leis (art 1º) . para a hipótese de lacuna na norma (art. inadmitindo a ignorância da lei vigente (art.4º). b) regular a vigência e eficácia das normas jurídicas (art 1º e 2º).

finalmente. e) delimitar os critério de hermenêutica. abarcando normas relacionadas à pessoa e à família (art.10).5º). 17) e. 15) à proibição do retorno (art.13). à execução da sentença proferida por juiz estrangeiro (art. à sucessão (art. de interpretação da lei (art. 14).  f) regulamentar o direito intertemporal (art. aos bens (art 8º).7º e 11).  g) regulamentar o direito internacional privado no Brasil (art. 18 e 19) . 12). aos atos civis praticados por autoridade consulares brasileiras praticados no estrangeiro (art. aos limites da aplicação da lei e atos jurídica de outro pais no Brasil (art. às obrigações (artigo 9º). 7º a 17).6º). à prova dos fatos ocorridos em pais estrangeiro (art. 16). à prova da legislação de outros países (art. à competência da autoridade judiciária brasileira (art.

EFICÁCIA E VIGOR Três aspectos Tridimensional da norma: Estrutura Validade formal: vigência – refere-se a norma Validade social: eficácia – refere-se ao fato Validade valor ética: fundamento – refere-se ao .VIGÊNCIA.VALIDADE.

NORMA JURÍDICA  Eficácia ou efetividade   Conceito:  É a possibilidade de execução ou aplicação da norma. Refere-se ao cumprimento do Direito .  É a capacidade da norma produzir efeitos concretos.

tradição. Requisitos fáticos (validade social)  Norma é reconhecida socialmente e efetivada  Adequação com a realidade. o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum. mas a produção de efeitos  Norma sem efetividade social – norma abstrata  Ex.NORMA JURÍDICA   VERTENTES: 1. valores e tendências  Ausência de adequação não afeta a validade. . 5o  Na aplicação da lei. Art.

 Eficácia compulsória .NORMA JURÍDICA  CONSEQUÊNCIAS:  Desuso – norma sem observância e aplicação por muito tempo. nem pelos tribunais. Crime de adultério  Ineficaz – norma não é observada nem pelo destinatário. Ex.Tribunais não podem recusar a aplicação da norma em vigor? CASA DE PROSTITUIÇÃO E O DESUSO? .

e multa. intuito de lucro ou mediação direta do proprietário ou gerente: (Redação dada pela Lei nº 12. 229. estabelecimento em que ocorra exploração sexual. de 2009)  Pena . Manter. haja. . de dois a cinco anos.NORMA JURÍDICA  Art.015.reclusão. por conta própria ou de terceiro. ou não.

LENOCÍNIO. POR SER HABITUALMENTE INAPLICADA. O DESUSO DA NORMA DO ARTIGO 229 DO CP.APR: 1880598 DF . : 92) . Data de Publicação: DJU 26/05/1999 Pág. NÃO HÁ FALAR EM CRIME PREVISTO NO ARTIGO 229 DO CP. 2ª Turma Criminal. Relator: RIBEIRO DE SOUSA. QUANDO A PRÓPRIA SOCIEDADE TOLERA A EXISTÊNCIA DE CASA DE PROSTITUIÇÃO. RECURSO PROVIDO. DESUSO DA NORMA. (TJ-DF .PENAL. Data de Julgamento: 24/09/1998. PRECEDENTE DESTA CORTE. FAZ LETRA MORTA O DISPOSITIVO.

. Requisitos técnicos ◦ Requisitos formas para que a norma possa produzir efeitos ◦ Classificação quando à eficácia:  Absoluta. Plena.NORMA JURÍDICA  2. Relativa restringível e complementável.

só perdendo sua vigência quando REVOGADA (princípio da continuidade).TÉRMINO DA VIGÊNCIA  A norma jurídica. OU PODE OCORRER POR COSTUME OU PELO DESUSO?    . como regra. SOMENTE A LEI SOMENTE PODE SER REVOGADA POR OUTRA LEI. tem caráter permanente.

NÃO BASTA A SIMPLES ALEGAÇÃO DE SEU DESUSO. 105. AO LEGISLADOR COMPETE DERROGAR OU REVOGA-LA. 41 p. PARA QUE DEIXE O JUIZ DE APLICAR A LEI.09. INC. JOSÉ CÂNDIDO DE CARVALHO FILHO. (STJ . Data de Julgamento: 30/06/1992. A LEI TERA VIGOR ATE QUE OUTRA A MODIFIQUE OU REVOGUE". 2.1992 p. Relator: MIN.LEI 6. PARA CASSAR O ACORDÃO E RESTABELECER A SENTENÇA CONDENATORIA. CONTRAVENÇÃO PENAL DO ART. LETRAS A E C.REsp: 20798 RO 1992/0007880-0. DO DEC. 16437 LEXSTJ vol.. PARÁGRAFO 1. SUA ALEGADA REVOGAÇÃO PELO DESUSO DA NORMA CONTRAVENCIONAL E TOLERANCIA DA SOCIEDADE. NO EXERCICIO DE SEU PODER. DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.SEXTA TURMA.RECURSO ESPECIAL. COM BASE NESSE PRINCIPIO DA LEI CIVIL. T6 . III. E CLARO: NÃO SE DESTINANDO A VIGENCIA TEMPORARIA. HIPOTESE EM QUE SE CONHECE DO RECURSO E DA-SE-LHE PROVIMENTO. 329) . ART. DA LEI INTRODUÇÃO AO CÓDIGO CIVIL.259/44 (JOGO DO BICHO). Data de Publicação: DJ 28. 58. MONTESQUIEU ADVERTIU PARA O FATO DE QUE DIZ O JUIZ E A BOCA DA LEI. O ART.

quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. 2o  Não se destinando à vigência temporária. a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. .  § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare.REVOGAÇÃO DAS NORMAS  Art.

REVOGAÇÃO DAS NORMAS  A revogação (como gênero) é divida nas seguintes espécies:  ab-rogação: supressão total da norma jurídica anterior. .   derrogação: supressão parcial da norma jurídica anterior.

NORMA JURÍDICA  Repristinação ◦ LEI é REVOGADA por outra e posteriormente a própria norma revogadora é revogada por uma terceira lei. ◦ Exemplo:  A lei 2 revogou a 1. ◦ Ocorre quando a 1º volta a ter vigência.  A repristinação ocorreria se a lei 1 retornasse a vigência.  A lei 3 revogou a 2. .

. 2o  .NORMA JURÍDICA  Art. ◦ § 3o  Salvo disposição em contrário. .  Deve haver a previsão expressa no texto da 3º lei revogadora. a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência...

alegando que não a conhece. a lei.. 3o  Ninguém se escusa de cumprir a lei..] porém. 109) TEORIA DA NECESSIDADE . ◦ Silvio de Salvo Venosa (in Direito Civil Parte Geral. p. para segurança da estrutura do Estado.CUMPRIMENTO DA LEI Art. uma vez publicada e tendo entrado em vigor.  “é evidente que ninguém pode conhecer todas as leis que compõem o ordenamento de um Estado [. torna-se obrigatória para todos.

 Critérios: ◦ Disposições transitórias  Legislador ◦ Irretroatividade da norma  Inaplicabilidade anteriormente a situações constituídas .  RETROATIVIDADE DA NORMA JURÍDICA  As normas jurídicas vigem do presente em direção do futuro. mas a eficácia ou incidência concreta da norma pode ir para o passado.

6º da LINDB). ou condição préestabelecida inalterável. ou alguém por ele. e COISA JULGADA (inc. ◦ adquiridos assim os direitos que o seu titular. 5º CF e art. ATO JURÍDICO PERFEITO. possa exercer. a arbítrio de outrem. art. como aqueles cujo começo do exercício tenha termo pré-fixo. XXXVI. ◦ coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso. ◦ ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. .  RETROATIVIDADE DA NORMA JURÍDICA  Impossibilidade de ofensa ao DIREITO ADQUIRIDO.

XXXVI. instituída pela Lei nº 8. SEGURO OBRIGATÓRIO DPVAT. 4º. é impossível a aplicação da Lei nº 11. com a sua redação anterior..482/07 aos acidentes de trânsito ocorridos antes de sua entrada em vigor. JOAO LISBOA) . . XXXVI. da Carta Cidadã. GARANTIA CONSTITUCIONAL FUNDAMENTAL (ART. deve prevalecer o comando disposto no art. IMPROCEDENTE.. IV . ART. os quais consagram o princípio da irretroatividade da lei civil. 5º. . III O valor da indenização recebido devidamente pela companheira não será dividido com os herdeiros.. 6º. (TJ-MA .194/74. Relator: MARCELO CARVALHO SILVA. INDENIZAÇÃO RECEBIDA PELA COMPANHEIRA. PREFERÊNCIA EM RELAÇÃO AOS HERDEIROS. da Lei nº 6. o qual determina que a companheira prefere aos herdeiros para receber a indenização relativa ao seguro obrigatório DPVAT. CF/88).Em se tratando de demanda envolvendo Seguro Obrigatório DPVAT.Ocorrido o acidente de trânsito antes da entrada em vigência da Lei nº 11. Data de Julgamento: 21/11/2008. II . I .441/92. RECURSO PROVIDO. AÇÃO DE COBRANÇA.PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA LEI CIVIL. DA LEI DE INTRODUÇÃO AO CÓDIGO CIVIL.Apelação provida. da Lei de Introdução ao Código Civil.482/07. e ao artigo 6º. 5º.AC: 112752008 MA .8. sob pena de violação à garantia constitucional fundamental prevista no art.DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL.

Recurso Extraordinário nº 363.  .889/DF.  RETROATIVIDADE DA NORMA JURÍDICA  RELATIVIZAÇÃO DA COISA JULGADA? ◦ Aplicação de preceitos de direito público?  BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Relator Dias Tóffoli – j. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE PROPOSTA NO ANO DE 1996. NA QUAL JOVEM INVESTIGA SUA ORIGEM PATERNA.  02/06/11.

em recurso. ocasião em que houve julgamento de improcedência do pedido por insuficiência de provas da paternidade. o E.  Juízo singular a afastou a preliminar. Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) acolheu a preliminar e extinguiu o processo. autorizando o processamento do processo porque em jogo direito fundamental. sem apreciação do mérito.  No entanto. O suposto genitor alegou a existência de coisa julgada. afirmando a ocorrência da coisa julgada . pois demanda idêntica já havia ocorrido com trânsito em julgado no ano de 1992.

PRELIMINAR DE COISA JULGADA REJEITADA NA INSTÂNCIA MONOCRÁTICA . Hipótese de extinção do feito sem julgamento do mérito. 468 do CPC. com atenção ao próprio princípio prevalente da segurança jurídica. que julgou improcedente a intentada ação de investigação de paternidade. impõe-se o acolhimento da preliminar de coisa julgada suscitada neste sentido em sede de contestação. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL . proposta anteriormente pelo mesmo interessado. sendo inarredável esta regra libertadora do art. Havendo sentença transitada em julgado.PRELIMINAR ACOLHIDA PROVIMENTO DO RECURSO.AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE . . cuja eficácia não pode ficar comprometida.AGRAVO DE INSTRUMENTO REPETIÇÃO DA AÇÃO PROPOSTA EM RAZÃO DA VIABILIDADE DA REALIZAÇÃO DO  EXAME DE DNA A TUALMENTE .

esta reclamando a utilização de meios modernos de prova (exame de DNA) para apurar a paternidade alegada. Humberto Gomes de Barros. Rel. Coisa julgada decorrente de ação anterior.STJ  “PROCESSO CIVIL. Recurso especial conhecido e provido”. p/ Acórdão Min. Rel. DJe 10/10/2008) . (REsp 706. INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE. 2a Seção. Ari Pargendler.987/SP. ajuizada mais de trinta anos antes da nova ação. preservação da coisa julgada. Min.

em verdade.RECURSO EXTRAORDINÁRIO . a fim de garantir o conhecimento da origem genética. p. 2010. ◦ a sentença que julga o pedido da ação de investigação de paternidade improcedente  por insuficiência de provas. não houve real julgamento de mérito. e 227. é argumento bastante para autorizar a revisão do julgado anterior. XXXVI e LXXIV. sem realização do exame DNA. § 6. ◦ é fundamental que a não realização do DNA derive da impossibilidade financeira do interessado na produção da prova. da Constituição Federal. . pedido e fatos. Quando se diz que julgou a ação ou o pedido improcedente por falta de prova.A questão envolvia a discussão sobre os artigos 5. direito fundamental. porque mérito não se avalia sem prova. o que houve foi um falso julgamento de mérito. 38).º. sendo que a ausência de qualquer deles afasta o real julgamento de mérito.º. não faz coisa julgada material: é a chamada falsa coisa julgada: “Mérito em Direito é a conjugação de lide. QUESITOS: ◦ a evolução dos meios de prova (DNA).” (SOUZA.

A APLICAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS (CONSTITUCIONAIS) NAS RELAÇÕES PRIVADAS (EFICÁCIA HORIZONTAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS) .

.os direitos fundamentais constituem garantias constitucionais universais (e cláusula pétrea). Curso de Direito Civil. 10ª ed. pág. 73. estranhamente. 2012.A APLICAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS (CONSTITUCIONAIS) NAS RELAÇÕES PRIVADAS (EFICÁCIA HORIZONTAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS) APLICAÇAO DIRETA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS ÀS REL PRIVADAS • . motivo pelo qual não se pode pretender represálos somente nas relações de direito público. Cristiano Chaves de. Parte Geral e LINDB.. FARIAS. ROSENVALD. • Até mesmo porque tal equívoco interpretativo implicaria em caracterizar o Direito Civil como um ramo da ciência jurídica.. liberto da incidência da norma constitucional. Salvador: JusPodivm. Nelson.

MARTINS. 2012. São Paulo: Atlas. Leonardo. .o efeito horizontal se traduz como o vínculo específico do Judiciário de interpretar tais cláusulas contratuais e o direito privado de maneira orientada pelas normas de direito fundamental. Teoria Geral dos Direitos Fundamentais. 99. DIMOULIS.A APLICAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS (CONSTITUCIONAIS) NAS RELAÇÕES PRIVADAS (EFICÁCIA HORIZONTAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS) • . pg. Dimitri.. 4 ed..

846 (AgRg) – PR. a nacionalidade.. Célio Borja. 5o. Ofensa ao princípio da igualdade: (CF. art. § 1o. o credo religioso. art. CF. 153. CF. CF. 1967. art. não obstante trabalhar para empresa francesa. § 1o. 153. é inconstitucional. caput. etc. 1988. I – A discriminação que se baseia em atributo. cuja aplicabilidade seria restrita ao empregado de nacionalidade francesa. a raça. no Brasil. . Precedente do STF: Ag 110. como o sexo.APLICAÇAO DIRETA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS ÀS REL PRIVADAS CONSTITUCIONAL. 5o. por não ser francês. TRABALHO. que concede vantagens aos empregados. I – Ao recorrente. RTJ 119/465. 1967. art. não foi aplicado o Estatuto do Pessoal da Empresa. nota intrínseca ou extrínseca do indivíduo. 1988. PRINCÍPIO DA IGUALDADE. caput). TRABALHADOR BRASILEIRO EMPREGADO DE EMPRESA ESTRANGEIRA: ESTATUTO DO PESSOAL DEST A: APLICABILIDADE AO TRABALHADOR ESTRANGEIRO E AO TRABALHADOR BRASILEIRO. qualidade.

mas igualmente nas relações travadas entre pessoas físicas e jurídicas de direito privado. EFICÁCIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS NAS RELAÇÕES PRIVADAS. RECURSO DESPROVIDO. Assim. As violações a direitos fundamentais não ocorrem somente no âmbito das relações entre o cidadão e o Estado. I. EFICÁCIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS NAS RELAÇÕES PRIVADAS.APLICAÇAO DIRETA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS ÀS REL PRIVADAS SOCIEDADE CIVIL SEM FINS LUCRA TIVOS. UNIÃO BRASILEIRA DE COMPOSITORES. estando direcionados também à proteção dos particulares em face dos poderes . os direitos fundamentais assegurados pela Constituição vinculam diretamente não apenas os poderes públicos. EXCLUSÃO DE SÓCIO SEM GARANTIA DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO.

no âmbito de suas relações privadas. que encontra claras limitações de ordem jurídica. A ordem jurídicoconstitucional brasileira não conferiu a qualquer associação civil a possibilidade de agir à revelia dos princípios inscritos nas leis e. em tema de liberdades fundamentais.I. OS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS COMO LIMITES À AUTONOMIA PRIVADA DAS ASSOCIAÇÕES. especialmente aqueles positivados em sede constitucional. cuja eficácia e força normativa também se impõem. O espaço de autonomia privada garantido pela Constituição às associações não está imune à incidência dos princípios constitucionais que asseguram o respeito aos direitos fundamentais de seus associados. . aos particulares. dos postulados que têm por fundamento direto o próprio texto da Constituição da República. o poder de transgredir ou de ignorar as restrições postas e definidas pela própria Constituição. não pode ser exercida em detrimento ou com desrespeito aos direitos e garantias de terceiros. A autonomia privada. no domínio de sua incidência e atuação. em especial. pois a autonomia da vontade não confere aos particulares. notadamente em tema de proteção às liberdades e garantias fundamentais.

A APLICAÇÃO DOS TRATADOS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS NO ÂMBITO DAS RELAÇÕES DE DIREITO CIVIL (EFICÁCIA SUPRALEGAL DAS CONVENÇÕES INTERNACIONAIS) FONTES DO DIREITO .

serão equivalentes às emendas constitucionais”. 5º do Texto Constitucional.§ 3º do art. em cada Casa do Congresso Nacional. acrescentado pela Emenda Constitucional nº 45: “os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados. por três quintos dos votos dos respectivos membros. . em dois turnos.

 Tratados e convenções internacionais que não tratem de direitos humanos. . embora versem sobre direitos humanos. não tenham sido aprovados com as aludidas formalidades. não estarão equiparados às emendas constitucionais. bem como os que.

. bem como dos tratados e convenções sobre direitos humanos posteriores à alusiva emenda não aprovados com as formalidades indicadas? SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EFICÁCIA SUPRALEGAL. Qual seria o status normativo dos tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos anteriores à Emenda Constitucional nº 45.

qualquer que seja a modalidade do depósito. STJ: ◦ “Descabe a prisão do depositário judicial infiel.” .”  Súmula 419. Súmula Vinculante 25. STF: ◦ “É ilícita a prisão civil de depositário infiel.

o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se destina e às exigências do bem comum. .APLICAÇÃO DAS NORMAS JURÍDICAS  Fins sociais da lei e as exigências do bem comum (art. 5º LINDB)  O Direito brasileiro sufragou. a interpretação teleológica ao estatuir no artigo 5º da LICC que na aplicação da lei. amplamente.

 LACUNAS  DA LEI: E QUAL É ESSA SOLUÇÃO? Prescreve o artigo 4º da LINDB que: ◦ Quando a lei for omissa.  Isso se chama INTEGRAÇÃO. . os COSTUMES e os PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO. o juiz decidirá o caso de acordo com a ANALOGIA.

 MEIOS DE INTEGRAÇÃO: 1. Costumes 3. que condicionam e orientam a compreensão do ordenamento jurídico em sua aplicação e integração ou mesmo para a elaboração de novas normas 4. Equidade . enunciações normativas de valor genérico. Princípios gerais do direito 1. Analogia 2.

acidental.1. ◦ 2º) deve existir elementos semelhantes entre o caso previsto e aquele não previsto. Passagem de um caso particular para outro particular. buscando-se situações semelhantes em termos característicos. ANALOGIA 1. não se aplica analogia na lei penal  REQUISITOS PARA INTEGRAÇÃO POR ANALOGIA: ◦ 1º) o caso deve ser absolutamente não previsto em lei. sem a necessidade de generalização. . ◦ 3º) esse elemento deve ser essencial e não um elemento qualquer. 2.

durante certo lapso temporal. percepção tangível de uma prática ou conduta. coletiva de “fontes do    Espécies: direito”) (já estudado ◦ Secundum legem ◦ Praeter legem ◦ Contra legem em . exterioridade. COSTUMES . consciência obrigatoriedade da prática.REQUISITOS ◦ Objetivos: uso continuado. ◦ Subjetivos: animus.

2012. Cristiano Chaves de. utilizada quando há colisão de princípios. Parte Geral e LINDB. .   FARIAS. Nelson. na superação à tradicional técnica de subsunção.A TÉCNICA DE PONDERAÇÃO DE INTERESSES E A SUA IMPORTÂNCIA PARA O DIREITO CIVIL CONTEMPORÂNEO A técnica de ponderação de interesses é verdadeira técnica de decisão. em nível prático. 10ª ed. onde encontrará o conteúdo de seus institutos elementares (como a propriedade. importando. ROSENVALD. pág. Curso de Direito Civil. Salvador: JusPodivm. Deslocado o eixo fundamental do Direito Civil para a sede constitucional. a família e o contrato) sobreleva cuidar da TÉCNICA DE PONDERAÇÃO DE INTERESSES. 85.

constitucionalmente contemplados. que é o fato cotidiano. que é a norma. através do qual a premissa maior.A TÉCNICA DE PONDERAÇÃO DE INTERESSES  É que a técnica clássica de aplicação da norma jurídica através de que a subsunção ◦ desenvolvida por um raciocínio lógico e padrão. . incide sobre premissa menor. produzindo um resultado. fruto da aplicação da norma ao caso concreto  não é suficiente para lidar com as situações que envolvem os direitos fundamentais.

já que princípios são comandos de otimização e.TÉCNICA DE PONDERAÇÃO DE INTERESSES  Robert Alexy Jurídica) (Teoria da Argumentação ◦ o julgador deve buscar uma decisão “racional” diante de conflitos entre princípios constitucionais. . ◦ Tendo como parâmetro a análise do princípio da proporcionalidade:  que se subdivide em adequação. como tal. necessidade e proporcional idade em sentido estrito — e fazer a opção pelo princípio que contenha o mandamento que proporcione a satisfação de um dever ideal. pressupõe que algo seja realizado na maior medida possível.

◦ É a presença de duas normas conflitantes. ANTINOMIAS ◦ conflito entre duas normas.” (Maria Helena Diniz. 480). p. . dois princípios. ou de uma norma e um princípio geral de direito em sua aplicação prática a um caso particular. sem que se possa saber qual delas deverá ser aplicada ao caso singular.

◦ c) sejam integrantes do mesmo ordenamento jurídico. ◦ e) os comandos são direcionados às mesmas pessoas. ◦ b) estejam em vigor. Para haver antinomia conflitantes devem estar situação: as na normas seguinte ◦ a) sejam elas jurídicas. . ◦ d) elaboradas por autoridade competente. ◦ f) o conteúdo de uma seja a negação da outra.

 c) critério da especialidade (norma especial revoga a norma geral). .  b) critério cronológico (norma posterior revoga norma anterior). CRITÉRIOS PARA SOLUCIONAR ANTINOMIAS:  a) critério hierárquico (norma superior revoga a inferior).

HÁ UMA ÚNICA RESPOSTA CORRETA? O SISTEMA DE REGRAS A RESPOSTA. SÃO SUFICIENTES? REGRAS + PRINCÍPIOS . DA ESPECIALIDADE E O CRONOLÓGICO.PARA CADA CASO JURÍDICO. UTILIZANDOSE DE CRITÉRIOS COMO O HIERÁRQUICO.

ANÁLISE DE CASOS: PONDERAÇÃO DE INTERESSES E “IRREVOGABILIDADE” DA ADOÇÃO 1. 2. INTIMIDADE VERSUS ORIGEM GENÉTICA: A PONDERAÇÃO DE INTERESSES APLICADA À REPRODUÇÃO ASSISTIDA HETERÓLOGA .