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Técnicas e

Estratégias
de Controle
do Stress
e da
Ansiedade
na
Competição
Desportiva

Centro de Formação Trabalho Elaborado por :


Profissional do Porto Ângela Morais
Liliana Lopes
Treino de Biofeedback
•Objectivo: ajudar os
atletas a tornarem-se
mais conscientes e
sensíveis aos seus
estados internos de
tensão e activação.
•Dados individuais
relativos à actividade
fisiológica são
recolhidos, processados
e dados a conhecer ao
indivíduo por forma a
que este possa
modificar essa
actividade.
Treino de Biofeedback

•Modalidades de biofeedback:
electromiográfico, temperatura,
electroencefalográfico, cardiovascular
e electrodermal, etc..

•Eficácia do biofeedback é medida pelas
mudanças que tais reduções provocam
no modo como os indivíduos avaliam e
lidam com os acontecimentos geradores
de stress.
Treino de Relaxamento

Visam essencialmente a modificação


directa das reacções emocionais nas
situações competitivas, ensinando o
atleta a reduzir a tensão muscular,
através de um treino onde se procede à
tensão e relaxamento sistemático de
alguns grupos musculares.
Treino de relaxamento
muscular progressivo

O atleta exerce tensão e relaxa de


forma sistemática os principais grupos
musculares do corpo (começando nas
mãos e dedos e continuando
progressivamente de um grupo para o
outro, até todos os músculos do seu
corpo estarem totalmente relaxados.
Treino de relaxamento
muscular progressivo

O objectivo dos ciclos tensão-


relaxamentoé levar o atleta a aprender
e a tomar consciência da diferença que
existe entre tensão e relaxamento. Para
tal, ele tem de contrair a máximo
determinados músculos e grupos
musculares e tentar depois relaxar
completamente esses mesmos grupos,
concentrando-se nas sensações
corporais opostas, ao mesmo tempo
que dirige a sua atenção para imagens
mentais agradáveis.
Treino de relaxamento
muscular progressivo
Os dois pressupostos básicos do
relaxamento progressivo são os
seguintes:
a)É impossível estar simultaneamente
tenso e relaxado (relaxamento e
tensão são mutuamente
exclusivos)
b)O relaxamento e a diminuição da
tensão muscular geram, por sua
vez, baixos níveis de tensão
Treino Autogénico
Trata-se de uma técnica auto-hipnótica, que inclui
uma série de exercícios com o objectivo de gerar
essencialmente duas sensações físicas e
corporais: peso e calor. O objectivo do treino
autogénicoé permitir a auto-regulação em ambas
as direcções (relaxamento profundo ou aumento
da actividade fisiológica) através da auto-hipnose
ou “concentração passiva”. Aqui, em vez de
tentar dirigir ou gerar intencionalmente a
mudança ou de se concentrar em estímulos
ambientais, o atleta concentra-se nas suas
sensações corporais e internas de uma forma
passiva, sem forçar e deixando que as sensações
ocorram. Este pressuposto torna assim o treino
autogénico diferente do relaxamento muscular
progressivo, onde os indivíduos procuram
Dessensibilização
Sistemática

Conceito:
•Tratamento mais utilizado no domínio da
ansiedade, particularmente na década de 70
e 80, consiste num misto do treino de
relaxamento e na visualização de
situações de ansiedade por ordem de
intensidade crescente.

Dessensibilização
Sistemática

Casos a aplicar:
•A dessensibilização sistemática é
aconselhada quando um atleta desenvolve um
forte medo e receio de uma determinada
situação ou momento que acaba por
prejudicar o seu rendimento.

Dessensibilização
Sistemática

Objectivo no paciente:
•Pouco a pouco, o atleta vai ficando mais
dessensibilizado perante cada uma das
situações da hierarquia de ansiedade.
Modelagem

•Visa tornar mais saliente a relevância


da tarefa, de forma a promover a
capacidade do atleta para atender à
informação útil durante situações
geradoras de stress.

•É uma excelente abordagem para o
ensino de competências de confronto
com o stress e a ansiedade
competitiva.
Modelagem

•Várias técnicas baseadas na modelagem:


-Técnicas de dessensibilização vicariante
-Observação de modelos que exemplificam
técnicas “relaxantes” de “performance”
desportiva.
-Observação da dessensibilização de um
modelo, em filmes
-Auto-modelagem
-Utilização de “argumentos” ou “histórias”.
TÉCNICAS E ESTRATÉGIAS COGNITIVO-
COMPORTAMENTAIS

Visam directamente a modificação dos


processos de percepção e avaliação
cognitiva, procurando ajudar os
indivíduos ansiosos a “verem” ou
interpretarem as situações de
avaliação do rendimento como menos
ameaçadores.
Treino Auto-Instrucional

Implica o desenvolvimento e uso da


auto-afirmações adequadas tendo em
vista a organização e orientação do
comportamento. O treino auto-
instrucional visa promover uma
atitude de resolução de problemas e
gerar estratégias cognitivas que os
indivíduos possam usar nas diferentes
fases do seu confronto com o stress.
Reestruturação Cognitiva

Baseia-se no principio de que os


padrões inadequados e desajustados de
pensamento acerca de situações ou
acontecimentos originam respostas
emocionais e comportamentais
inapropriadas. Assim, a reestruturação
cognitiva visa, basicamente, fazer com
que os indivíduos tomem consciência do
papel desempenhado pelas cognições e
emoções no desenvolvimento e
manutenção do stress.
Reestruturação Cognitiva
A reestruturação cognitiva consiste em uma
série de intervenções que se originaram das
teorias e terapias cognitivas de Beck, Rush,
Shaw & Emery (1979). Os pacientes são
ensinados a identificar estes pensamentos,
fazer o teste da realidade e corrigir os
conteúdos distorcidos e as crenças
disfuncionais subjacentes. Esta reavaliação e
correcção das cognições distorcidas permitem
ao paciente perceber que na grande maioria
das vezes estava hipervalorizando
negativamente uma situação e desvalorizando
a sua capacidade de enfrentar a mesma
Fig.1 – Exemplos de pensamentos negativos,
automáticos geradores de stress (Adaptado de
Meichenbaum, 1985)

“Não vale a pena esforçar-me ou trabalhar


mais…”
“Não sou tão bom como os outros…”
“ O futuro é apenas um “monte” de
problemas…”
“No passado, só cometi erros…”
“Tudo o que faço é mal feito…”
“A vida não tem sentido…”
“Estes pensamentos (ou sentimentos) dão
cabo de mim…”
“Não há nada que eu possa fazer para os
controlar…”
Beck ao salientar o impacto das distorções
cognitivas, referiu a importância dos erros
cognitivos e enumerou certos tipos de erros
mais comuns no pensamento de algumas
pessoas:
1- Abstracção Selectiva: focalização ou
importância exagerada a detalhes específicos e
fora do contexto.
2- Inferência Arbitrária: Conclusões
formuladas com base em informações
inadequadas ou impróprias, ou sem ter dados e
evidência prática que as fundamentam.
3- Generalizações Excessivas: Tendência para
formular conclusões gerais ou efectuar
julgamentos e predições, a partir de incidentes
ou situações isoladas e específicas.
4- Pensamento Polarizado: Trata-se da
tendência para ver as coisas e as pessoas em
5- Magnificação e Exagero: Trata-se de uma outra
manifestação da tendência para fazer julgamentos
extremos e refere-se a erros grosseiros de avaliação,
mediante a atribuição de importância exageradas às
consequências mais negativas e desagradáveis que se
pode ter em determinada situação.
6- Assumir Excessiva Responsabilidade: Tendência
para atribuir sistematicamente os acontecimentos
negativos, a supostas deficiências ou limitações pessoais.
7- Atitudes Disfuncionais acerca do Prazer vs Dor:
Reflecte as crenças partilhadas por algumas pessoas
relativamente aos pré-requisitos para o verdadeiro
sucesso ou felicidade. Essas crenças, denominadas por
regras prazer-dor, podem levar à formulação de
objectivos irrealistas..
8- “Tirania dos “Deves””:: Representam também
expectativas elevadas, mas irrealistas, para o
comportamento humano.
Neste sentido Beckidentificou seis técnicas para
mudar as cognições negativas das pessoas:
1- Distanciamento do teste hipótese: levar a
pessoa a reavaliar de forma racional as crenças
e julgamentos que partilha e verificar até que
ponto são adequadas.
2- Descentração: levar a pessoa a não centrar
em si o centro de todos os acontecimentos.
3- Mudança da atribuição da
responsabilidade: técnicas de reatribuição das
causas. Úteis para aquelas pessoas que se auto-
culpabilizam, atribuindo às suas deficiências
pessoais aquilo que de mal lhes acontece.
4- Descastrofização: recorrendo à técnica do
“O que aconteceria se…”, procura-se indivíduos
predispostos à catrastrofização (previsão das
piores consequências possíveis).
Reestrutura Racional
Sistemática
Consiste em ajudar as pessoas a
aprenderem como resolver os seus
problemas e como viver a vida de forma
mais eficaz. De acordo com esta
perspectiva, os nossos pensamentos,
sentimentos e comportamentos são
mutuamente interdependentes. No
entanto, são as nossas estruturas e
processos cognitivos que determinam
em grande parte os nossos sentimentos
e comportamentos.
Treino de Inoculação do
Stress
•É um programa desenvolvido por Meichenbaum que
combina vários elementos e procedimentos de
intervenção psicológica.
•O TIS (Treino de inoculação do stress) visa
“imunizar” e construir “anti-corpos psicológicos”
ou competências de confronto face às situações de
stress, pretendendo assim que o atleta encare
situações de stress com maior facilidade e sem
qualquer constrangimento ou perturbação.
Treino de Inoculação do
Stress

O TIS desenvolve-se ao longo de três


fases distintas:
•Fase 1 – Conceptualização
•Fase 2 – Aquisição e ensaio das
aptidões de confronto
•Fase 3 – Aplicação e seguimento
Treino de Inoculação do
Stress
Fase 1 – Conceptualização
•Avaliação do acontecimento e das
adaptações do atleta .
•Abordagem geral do efeito de situações
de stress no atleta.
•Acompanhar e apresentar ao indivíduo
as suas reacções perante situações de
stress.
Treino de Inoculação do
Stress
Fase 2 – Aquisição e ensaio das
aptidões de confronto
•Treino de aptidões
comportamentais e cognitivas :
instrumentais e paliativas.
•Levar o atleta a desenvolver a sua
capacidade para executar e pôr em
prática de forma eficaz várias
respostas e mecanismos para se
confrontar e lidar com o stress.

Treino de Inoculação do
Stress

Fase 3 – Aplicação e seguimento


•Prática das aptidões de
confronto : ensaio em imaginação ,
modelagem e prática
comportamental , prevenção de
recaída .

Programas de treino psicológico para o controle
do stress e ansiedade

Treino de Controle Cognitivo e


Afectivo do Stress

•Programa educacional de auto-controlo


emocional.
•Aquisição e prática de uma resposta
integrada de confronto que engloba
uma componente cognitiva e uma
componente fisiológica-somática.
Treino de Controle Cognitivo e
Afectivo do Stress
•Ênfase às relações entre cognições,
respostas fisiológicas e
comportamento, que engloba quatro
componentes fundamentais:
•1) a situação
•2)a avaliação cognitiva que o indivíduo
faz da situação
•3) as respostas de activação
fisiológica
•4) comportamentos instrumentais
Treino de Controle Cognitivo e
Afectivo do Stress

•Visa ensinar várias competências de


confronto e oferecer uma oportunidade
para a sua aquisição, prática e
aplicação, ao longo de um processo que
engloba cinco etapas:
1)A avaliação pré-tratamento
2)Racional do tratamento
3)Aquisição de competências;
4)Prática das competências
5)Avaliação pós-tratamento
Treino de Controle Cognitivo e
Afectivo do Stress

1)
2)A avaliação pré-tratamento:
-a natureza das respostas do indivíduo ao
stress;
-circunstâncias em que o stress ocorre;
-efeitos do stress ao nível do
comportamento;
-competências e “deficits” comportamentais;
Treino de Controle Cognitivo e
Afectivo do Stress
•2) Racional do
tratamento

compreender
a natureza da
sua resposta ao
stress e das
suas
implicações
Treino de Controle Cognitivo e
Afectivo do Stress

•3) aquisição de competências


- desenvolver uma resposta
integrada de confronto com o stress:
a)Aprendizagem de competências de
relaxamento;
b)Aprendizagem de competências
cognitivas de confronto;
Treino de Controle Cognitivo e
Afectivo do Stress

•4) Prática das competências adquiridas

-Técnica do “afecto induzido” para gerar


elevados
níveis de activação emocional, que são
reduzidos
pelo uso das competências adquiridas
previamente.

Princípio: a aprendizagem do controle de


elevados
níveis de activação assegura o controle de
níveis
Treino de Controle Cognitivo e
Afectivo do Stress
•5) Avaliação pós-tratamento

– Através do uso de medidas de auto-
registo e de medidas comportamentais

– Estudos revelam claramente a sua
eficácia junto das mais diversas
populações, incluindo a desportiva
Programa “COPE” para confronto com situações
críticas de stress no desporto

Controle Emotions – Organize Input – Plain Response – Execute


Skills
(Controlar Emoções – Organizar a Informação – Planear a Resposta –
Executar Competências

Oobjectivo central deste modelo consiste em


ensinar diversas técnicas cognitivas e
comportamentais aos atletas que podem ser
utilizadas e seleccionadas para se confrontarem e
lidarem eficazmente com formas particulares de
stress “agudo” no desporto.
Além disso, o atleta é ensinado a responder
psicologicamente, por forma a “manter a prontidão
mental e fisiológica adequadas para o rendimento ou
prestação posterior”.
OPTIMIZAÇÃO DOS NÍVEIS DE ANSIEDADE PARA
UM FUNCIONAMENTO ÓPTIMO

Hanin sugere uma sequência de procedimentos para o


diagnóstico do stress competitivo e para o trabalho
prático com atletas, tendo em vista o processo de
optimização do seu rendimento:
1- Avaliação da(s) tarefa(s) a realizar no contexto da
situação competitiva;
2- Avaliação do rendimento actual e passado do atleta,
comparativamente ao seu nível de realização
competitiva (e aos dos outros atletas);
3- Avaliação do nível óptimo individual do estado de
ansiedade pré-competitiva e da zona de
funcionamento óptimo (de forma retrospectiva ou
através de observações e avaliações sistemáticas em
situações competitivas;
4- Avaliação dos níveis actuais de ansiedade-estado,
uma semana antes do início da próxima competição,
contrastando-os com a ZOFI – Zona Óptima de
OPTIMIZAÇÃO DOS NÍVEIS DE ANSIEDADE PARA
UM FUNCIONAMENTO ÓPTIMO

5- Auto-avaliação predictiva do estado


de ansiedade antecipado para antes e
durante a competição;
6- Avaliação das percepções e atitudes
do atleta face à competição que se
avizinha;
7- Comparação dos estados de
ansiedade antecipados e actuais com a
ZOFI do atleta (decisão relativamente à
necessidade de baixar ou aumentar o
nível de estado de ansiedade).
Técnicas de “Engenharia Ambiental” para
o Controle do Stress e da Ansiedade

•De todas as outras técnicas referidas, esta


é, sem dúvida, a última técnica a ser
utilizada num atleta.
•Esta técnica visa reduzir a incerteza e a
importância da competição nos atletas.
•É maioritariamente utilizada par atletas
jovens e com menor experiência nos quais a
pressão é um factor de muito mais peso na
sua performance.
Esta técnica visa
reduzir a
incerteza e a
importância da
competição nos
atletas.
Necessidade de Intervenção Junto de
Treinadores e Árbitros

•Esta população também se confronta com


dúvidas, preocupações, medos e outros
problemas de ordem mental e emocional.

•Conflito e ambiguidade do papel do
treinador constituem uma importante
fonte de stress nos treinadores.
Necessidade de Intervenção Junto de
Treinadores e Árbitros

•Três principais fontes de stress nos


treinadores (Taylor, 1992):
– 1) Pessoais (falta de experiência, incapacidade de
dar resposta às necessidades pessoais, dúvidas acerca da
capacidade pessoal, manutenção da saúde física e
competência de treino adequadas);
– 2) Sociais (pressões e exigências dos atletas, lidar
com os problemas e dificuldades dos atletas, conflitos com
os atletas, satisfação das necessidades dos atletas, más
relações com os dirigentes, relação com os adeptos e
imprensa, falta de apoio social)
– 3) Organizacionais (horas de trabalho extra, falta
de apoio organizacional das super-estruturas do clube,
sobrecarga de responsabilidades, dificuldades e problemas
financeiros e preocupações com o rendimento da equipa).
Necessidade de Intervenção Junto de
Treinadores e Árbitros

Percepções do treino
Valores Pessoais
Qualidades de vida Identificação dos stressores primário
Benefícios, limitações Pessoais
Objectivos pessoais Sociais
Objectivos profissionais Organizacionais

Identificação da sintomatologia do stress


Cognitiva
Emocional/fisiológica
Comportamental

Apoio Social
volvimento de competências de confronto Direcção
Cognitivas Equipa técnica
Emocionais / Fisiológicas “ Staff ” médico e psicológico
Comportamentais Família , amigos

Controle eficaz do stress


Necessidade de Intervenção Junto de
Treinadores e Árbitros

•Aos árbitros exigem-se :


•controle eficaz do stress e da ansiedade
competitiva
•elevados níveis de motivação e de auto-
confiança
•capacidade de atenção
•antecipação e rápida tomada de decisões sob
máxima pressão
•boa capacidade de relação e comunicação
interpessoal
•capacidades de preparação mental e
psicológica para a competição desportiva
Necessidade de intervenção junto de
treinadores e árbitros

•Programa de treino de competências


psicológicas para a arbitragem (Weinberg e
Richardson,1990):

– Comunicação
– Confiança
– Motivação
– Relaxamento
– Concentração
– Imaginação e visualização mental
– Confronto com o “burnout”
A Eficácia da Intervenção Psicológica Para o
Controle do Stress e da Ansiedade

•Vantagens adicionais, independentemente


do impacto directo no rendimento
desportivo (Cruz, 1994):
•A) Técnicas de base ou de apoio para a aplicação de
outras técnicas (ex. Treino de relaxamento como percursor e
indispensável ao treino de visualização)
•B) Controle emocional em situações desportivas
geradoras de frustração
•C) Controle emocional fora da competição desportiva
•D) Lidar com situações de recuperação e
reabilitação após as lesões
F
i
m