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Trabalhar com grupos de diferentes idades

– no Jardim-de-Infância e na Escola:
A INFLUÊNCIA DA HETEROGENEIDADE, EM TERMOS ETÁRIOS, NA
APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS

Docente: Professor Drº Ramiro
Marques
Discente: Ana Rita Costa

Estágios
• 1º - Educação Pré-Escolar – Jardim de Infância
• 2º - Ensino do 1º Ciclo – 1º e 2º ano de escolaridade
• 3º - Educação Pré-Escolar - Creche

Pré-escolar – Jardim de Infância
• Jardim de Infância da Rede Pública;
• O grupo era constituído por 25 crianças – 11 rapazes e 14 raparigas com
idades compreendidas entre os 3 e os 5 anos;
• Projeto Pedagógico: “A aprendizagem cooperativa”
Objetivo principal – desenvolver o sentido da partilha;
Objetivos específicos:
“A interdependência positiva;
A responsabilidade individual e de grupo;
A interação estimuladora preferencialmente face a face;
As competências sociais;
O processo de avaliação do grupo.”
Silva, 2008:14).

(Johnson & Johnson, 1989 e Johnson & Holubec 1993, referidos por Lopes &

1º Ciclo – Turma de 1º e 2º ano de
escolaridade
• Escola da Rede Pública;
• Turma heterogénea com dois anos de escolaridade,
constituída por 21 alunos – 13 rapazes e 8 raparigas, com
idades compreendidas entre os 6 e os 8 anos;
• Atividade: “Chapéu dos medos” – atividade relacionada com o
Jardim de Infância

• Objetivos:
- Participar em atividades de expressão orientada;
- Partilhar os medos de cada um, de forma anónima, com os restantes
colegas;
- Troca de experiências/vivências, de modo a encontrar estratégias
para ultrapassar os vários tipos de medo.

Pré-escolar - Creche
• Creche IPSS;
• O grupo era constituído por 14 crianças, 5 rapazes e 9
raparigas, com idades compreendidas entre os 11 e os 20
meses;
• Projeto Pedagógico: “A exploração na primeira infância”
Objetivos: desenvolver o sentido de si próprios; conhecer o
mundo que os rodeia; desenvolver a noção de espaço; construir
os primeiros conceitos de quantidade e número; descobrir que os
objetos existem mesmo que não os consigam ver; estabelecer
relações sociais significativas; desenvolver a autonomia;
desenvolver a criatividade; desenvolver competências no
movimento e na música e promover a partilha.

Questão de pesquisa
“QUAL A INFLUÊNCIA DA HETEROGENEIDADE, EM TERMOS
ETÁRIOS, NA APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS?”

Questões orientadoras e objetivos da
investigação
Questões
 Quais as vantagens pedagógicas da existência
de turmas/grupos com diferentes idades/anos de
escolaridade?
 Será mais benéfico para a aprendizagem das(os)
crianças/alunos a organização de turmas com as
mesmas idades/anos de escolaridade?
 Quais os critérios usados na constituição dos
grupos na educação de infância e no 1º Ciclo?
 A que critérios deveria obedecer?
 Com tanta diversidade é possível uma
pedagogia diferenciada?

Objetivos
 Compreender vantagens e desvantagens da
organização dos(as) grupos/turmas
heterogéneos(as) em termos etários para os
educadores/professores;
 Conhecer a opinião dos educadores/professores
quanto às condições mais favoráveis à
aprendizagem das crianças tendo em conta a
organização das(os) turmas/grupos;
 Conhecer as conceções dos
educadores/professores sobre os critérios
utilizados na constituição de grupos/turmas na
educação pré-escolar/1º Ciclo;
 Verificar a que estratégias os profissionais
recorrem para implementar a pedagogia
diferenciada em grupos heterogéneos.

Metodologia
• Pesquisa Qualitativa com especificidades de um estudo de caso.

Com este estudo pretendeu-se
compreender as perceções individuais,
tanto dos profissionais de educação
(educadores e professores), como das
crianças e alunos envolvidos.
• Segundo os autores Bogdan & Biklen (1994), num estudo qualitativo
existe a necessidade de recolher dados no ambiente natural onde a ação
decorre, permanecendo no trabalho de campo, fazendo observações e
interpretando os significados das mesmas.
• Afonso (2005) refere que um estudo de caso visa compreender melhor
cada situação específica ou fenómeno em estudo, de forma a observar e
descrever detalhadamente e aprofundadamente um dado fenómeno.

Amostra
• 12 Docentes – 6
Educadores de Infância e
6 Professores de 1º Ciclo;
• 39 Crianças – 11 de PréEscolar e 28 de 1º Ciclo.

• 5 Instituições: 2 numa
cidade (Jardim de Infância e
Escola de 1º Ciclo), 2 numa
aldeia (Jardim de Infância e
Escola de 1º Ciclo) e 1
numa vila (Jardim de
Infância).

Instrumentos de Recolha de Dados
• Observação Naturalista
 Pré-escolar – grupos heterogéneos e
homogéneos em termos etários
 1º Ciclo – turmas com 1 e 2 anos de
escolaridade

Professores e Educadores – gestão do
currículo
Alunos de 1º ciclo e crianças –
comportamentos e atitudes dos alunos entre
si

• Entrevista
12 Docentes – 6 Educadoras
de Infância e 6 Professores
do 1º Ciclo;
39 Crianças – 11 de PréEscolar e 28 de 1º Ciclo.

Dificuldades sentidas
• Dificuldade em encontrar tudo o que
precisava, relativamente à amostra,
numa só instituição;
Algumas Educadoras mostraram-se
reticentes pelo facto das entrevistas
serem gravadas;
• Escassez de informação ao nível de
bibliografia nacional especializada que
abordasse concretamente a problemática
da prática pedagógica em grupos e
turmas heterogéneos em termos etários.

Conclusões
Pré-Escolar
• Educadores concordam com a organização
de grupos heterogéneos em termos
etários, reconhecendo que estes são mais
benéficos para o
desenvolvimento/aprendizagem das
crianças e até para o educador;
• Educadores admitem não sentir grandes
dificuldades no trabalho com estes grupos;
• Docentes referem que as crianças de 5
anos deveriam estar integradas em grupos
homogéneos para que pudessem ficar
melhor preparadas para ingressar no 1º
Ciclo.

1º Ciclo
• A maioria dos Docentes não são a favor
da organização de turmas heterogéneas
em termos etários por dois fatores:
• Admitem sentir mais dificuldades no
trabalho com este tipo de turmas, quer ao
nível da planificação, quer de lecionação;
• Referem inúmeras desvantagens que estas
turmas acarretam tanto para os alunos,
como para o trabalho do professor.

• Educadores mantêm a sua opinião
relativamente aos grupos heterogéneos.

No geral, crianças e alunos de 1º Ciclo gostam de estar integrados em
grupos/turmas heterogéneos(as).

“(…) o grande desafio que se coloca hoje a qualquer política que visa a
promoção do sucesso educativo, no contexto de uma sociedade
democrática, é o de reconhecer a heterogeneidade dos alunos como
um valor estruturante do sistema educativo. Isto significa passar (…)
da heterogeneidade como problema à heterogeneidade como recurso,
o que implica uma profunda mudança cultural em todos os níveis da
administração do sistema educativo, e em particular das escolas e de
que o projecto educativo e o reforço da autonomia são instrumentos
essenciais.”

João Barroso (M.E., 1999, p.89)

Bibliografia
• Afonso, N. (2005). Investigação Naturalista em Educação:
Um guia prático e crítico. Porto: Asa Editores.
• Bogdan, R. & Biklen, S. (1994). Investigação Qualitativa em
Educação – Uma introdução à teoria e aos métodos. Porto:
Porto Editora.
• Lopes, J. & Silva, S. H. (2008). Métodos de Aprendizagem
Cooperativa para o Jardim-de-Infância – Um guia prático
com actividades para os Educadores de Infância e para os
Pais. Porto: Areal Editores.
• Ministério da Educação. (1999). Fórum – Escola, Diversidade
e Currículo. Lisboa: Ministério da Educação, Departamento
da Educação Básica.