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Universidade de Brasília

Departamento de Engenharia Civil e Ambiental / FT
Pós-Graduação em Geotecnia

Avaliação da Estabilidade de
Taludes Rochosos
(Exercícios)
José Allan Carvalho Maia, M.Sc.
Brasília, 15 de junho de 2004

Sumário
1. RUPTURA PLANA
2. RUPTURA PRO CUNHA

1. RUPTURA PLANA
Uma ruptura plana ocorre ao longo de uma descontinuidade
ondulada com mergulho de 40º, cujo coeficiente de rugosidade
(JRC) é 15. A resistência a compressão uniaxial da rocha adjacente
às paredes da descontinuidade (JCS) é 15 MPa, o ângulo de atrito
básico (b) é 27 e a coesão podendo ser desprezada. O peso
específico do maciço é igual a 27 kN/m3, a altura e inclinação do
talude são iguais a 250 m e 65º, respectivamente. Assuma o critério
de resistência de Barton & Choubey. Pede-se:

 Plote  x  para a faixa de tensões normais de 0 a 5 MPa;
 Determine o fator de segurança, assumindo o talude seco;
 Qual o fator de segurança se o talude ficar saturado?

1. RUPTURA PLANA

1. RUPTURA PLANA
Dados
 Critério de Barton & Choubey

 R = 27 kN/m³

 JRC = 15

 H = 200 m

 JCS = 15 MPa

 T = 65º

 b = 27º

d = 40º

c=0

1. RUPTURA PLANA
I. Diagrama  X  para tensões normais de 0 a 5 MPa
Neste caso será empregada a equação desenvolvida por Barton &
Choubey (1977):

 JCS 
   N tg  b  JRC log 


  N  

(1.1)

Barton & Choubey (1977) observaram que em juntas para as quais o
valor da razão (JCS/N) é suficientemente baixo, ocore significaivo
dano as rugosidades e que por outro lado, para altos valores desta
razão, pouco dano é observado. Desta forma, Brandis (1990) define
um coeficiente de dano das rugosidades de modo que o valor da
parcela [JRC log(JCS/N)] passa a ser dado por:

1. RUPTURA PLANA
1
M

 JCS 
 JRC log 


  N  

(1.2)

onde,
M=1

 JCS

  100
 N 

M=2

 JCS

  100
 N 

1. RUPTURA PLANA
Assim, a Equação 1.1 pode ser reescrita para este estudo da
seguinte maneira:

   N tg 


logo,
N
(MPa)
0
0,50
1
1,50
2

M


(MPa)

-

0

2

0,39

2

0,72

2

1,03

2

1,33

 15 
15
27º  log 

M
  N 
N
(MPa)
3
3,50
4
4,50
5

(1.3)

M


(MPa)

2

1,89

2

2,17

2

2,43

2

2,70

2

2,95

1. RUPTURA PLANA

1. RUPTURA PLANA
II. Qual o FSseco?
Da equação:
FS 

c A   W cos d  U  tg
Wsend

(1.4)

e sabendo que o talude encontra-se seco, temos:
c A  W cos d tg
FS 
Wsend

(1.5)

Assim, necessitamos determinar os componentes desconhecidos da
Equação 1.5.

1. RUPTURA PLANA
1.0. Cálculo do W
 R H2
 cotg pico  cotgT
W
2

(1.6)

pico  d  i

(1.7)

onde,

De posse da carta dos coeficientes de rugosidade da
descontinuidade (JRC) apresentada pro Barton & Choubey (1977),
podemos realizar uma estimação do ângulo de dilatância (i).
JRC = 15

Ms
0,70
arc tg i 
 arc tg i 
 arc tg i  4º
Ml
10

1. RUPTURA PLANA

1. RUPTURA PLANA
logo,
pico  d  i  pico  40º  4º  pico  44º

portanto,
 R H2
 cotg pico  cotgT
W
2

 W

0,027  250 
2

2

 cotg 44º  cotg 65º 

 W  480, 28 kN / m

1. RUPTURA PLANA
2.0. Cálculo da A
A  A ' cos  pico

tg  pico  d 

 d   1 
tg    d  


(1.8)

onde,  é assumido como sendo igual a 90º
Determinando o valor de A’, teremos:
A' 

2
H
cotg


H
 A' 

pico 
2

 250cotg 44º 

 A '  359,89 m² / m

2

 250 2 

1. RUPTURA PLANA
logo,
A  A ' cos  pico

tg  pico  d 

 d   1 
tg    d  


 A  359,89 cos  44º  40º  


tg  44º  40º 
1

tg  90º  40º 

 A  349,88 m² / m

1. RUPTURA PLANA
3.0. Cálculo da 
Os parâmetros de resistência definidos pelo critério de Barton &
Choubey são função do nível de tensão normal. Assim, será
utilizada a Equação 1.3 para a determinação da .

Inicialmente devemos determinar o nível da N (U=0).
W cos d
480, 28 cos 40º
N 
 N 
  N  1,05 MPa
A
349,88

Logo da Equação 1.3,

15
 15  
  1,05 tg  27º  log 

2
1,05

 

   0,75 MPa

1. RUPTURA PLANA
4.0. Cálculo do FSseco
Finalmente, podemos determinar o valor do FSseco.
FSsec o

Força Resistente
A

 FSsec o 

Força Mobilizada
W send

 FSsec o 

0,75  349,88 
480, 28 sen40º

 FSsec o  0,855

1. RUPTURA PLANA
III. Qual o FSsat?
Para o estudo em que o talude encontra-se saturado, alguns
cálculos do estudo anterior (FSseco) serão aproveitados, tais como:
 W = 480,28 kN/m
Contudo, a parcela da  deverá
ser recalculada a partir da
Equação 1.3, para deste modo
ser contemplado o efeito da subpressão (U).

 A = 349,88 m²/m

1. RUPTURA PLANA
1.0. Cálculo da U
 w H2
 cotg pico  cotgT
U
2

(1.9)

logo,
 w H2
 cotg pico  cotgT
U
2

 U

0,00981 250 
2

2

 cotg44º cotg65º 

 U  174,50 kN / m

1. RUPTURA PLANA
2.0. Cálculo da 
W cos d  U

A

logo,

W cos d  U
480, 28 cos 40º 174,50

 

A
349,88
   0,55 MPa

(1.10)

1. RUPTURA PLANA
3.0. Cálculo da 
Este cálculo é realização a partir da utilização da Equação 1.3.
Assim, teremos:

   N tg 

 15 
15
27º  log 

M

 N 


15
 15  
   0,55 tg  27º 
log 


2
 0,55 

   0, 43 MPa

1. RUPTURA PLANA
4.0. Cálculo do FSsat
Concluindo o estudo se determina o valor do FS sat, como visto a
seguir.
FSs at

Força Resistente
A

 FSs at 

Força Mobilizada
W send

 FSs at 

0, 43  349,88 
480, 28 sen40º

 FSsec o  0, 485

2. RUPTURA POR CUNHA
Cinco conjuntos de descontinuidades planas cortam um paredão de
rocha que irá formar um corte de estrada.
Descontinuidades

Vetor Mergulho

Atrito

D1

(66º , 298º)

30º

D2

(68º , 320º)

35º

D3

(60º , 360º)

40º

D4

(58º , 256º)

27º

D5

(54º , 118º)

25º

1ª Parte
Assumindo que o atrito é a única força resistente mobilizada:
 Qual o fator de segurança, de cada cunha possível de ocorrer?

2. RUPTURA POR CUNHA
2ª Parte
Investigações futuras mostram que D2 tem uma coesão estimada de
100 kPa e que a coesão de D1 é igual a 200 kPa. Um talude de 30
m de altura, cuja a orientação é 300º e inclinação de 75 é proposto
para cortar a face oeste da referida estrada, assuma o peso
específico do maciço rochoso igual a 25 kN/m3. Determine o fator
de segurança da cunha formada, quando:
 O talude encontra-se seco;
 O talude encontra-se saturado.

2. RUPTURA POR CUNHA
I. O FS de cada cunha possível de ocorrer
Será utilizada as cartas de Hoek & Bray (1981) para a definição
dos parâmetros A e B. Estas cartas assumem o talude
completamente drenado, a coesão nula e o ângulo de atrito
diferente de zero. Assim, o FS poderá ser determinado por:
FS  A tgA  B tgB

(2.1)

Os valores de A e B são obtidos das cartas apresentadas por Hoek
& Bray (1981), a partir do conhecimento das diferenças entre o
mergulho (Dip) e direção do mergulho (DipDir) dos planos
considerados. A tabela a seguir apresentará os valores do FS de
cada cunha possível de ocorrer.

2. RUPTURA POR CUNHA
Plano A

Plano B

#

#

Diferenças

A

B

FS

Dip

DipDir

D1 (66º , 298º) D2 (68º , 320º)

22º

0,45

0,37

0,52

D3 (60º , 360º) D1 (66º , 298º)

62º

0,45

0,23

0,51

D4 (58º , 256º) D1 (66º , 298º)

42º

0,65

0,20

0,45

D5 (54º , 118º) D1 (66º , 298º)

12º

180º

>5

>5

>5

D3 (60º , 360º) D2 (68º , 320º)

40º

0,63

0,16

0,64

D4 (58º , 256º) D2 (68º , 320º)

10º

64º

0,52

0,15

0,37

D5 (54º , 118º) D2 (68º , 320º)

14º

202º

3,56

3,08

3,82

D4 (58º , 256º) D3 (60º , 360º)

104º

0,70

0,61

0,87

D5 (54º , 118º) D3 (60º , 360º)

242º

0,98

0,88

1,20

D5 (54º , 118º) D4 (58º , 256º)

138º

1,50

1,45

1,44

D1 = 30º ; D2 = 35º ; D3 = 40º ; D4 = 27º ; D5 = 25º.

2. RUPTURA POR CUNHA

2. RUPTURA POR CUNHA
II. Determinação do FSseco e FSsat
Dados:
 r = 25 kN/m³
 w = 9,81 kN/m³
 Plano A
o (66º , 298º)
o cA = 200 kPa
  = 30º
 Plano B
o (68º , 320º)
o cB = 100 kPa
  = 35º

2. RUPTURA POR CUNHA
Neste estudo será utilizada a formulação de Hoek et al. (1973):

 w
3
FS 
 cA X  cB Y    A   
r H

 2 r




 w 
X tgA  B 
  Y tgB (2.2)


 2  r 

onde,

A

sen24
X
sen45 cos 2 nA

sen13
Y
sen35 cos 1nB

cos A  cos B cos nA nB

cos B  cos A cos nA nB

sen5 sen nA nB
2

B

sen5 sen 2 nA nB

2. RUPTURA POR CUNHA
Os ângulos necessários a
determinação dos valores
X, Y, A e B podem ser
obtidos do estereograma
ao lado.
Medidas

Valores

24

107º

45

79º

2 nA

80º

13

168º

35

91º

1 nB

70º

23º

2. RUPTURA POR CUNHA
1.0. Calculando X e Y
X

sen24
sen107º
 X
 X  5, 610
sen45 cos 2 nA
sen 79º cos80º

sen13
sen168º
Y
 Y
 Y  0, 608
sen35 cos 1nB
sen 91º cos 70º

2.0. Calculando A e B
A

B

cos A  cos B cos nA nB
sen5 sen 2 nA nB
cos B  cos  A cos nA nB
sen5 sen 2 nA nB

cos 66º  cos 68º cos 23º
 A
 A  0, 444
2
sen 66º sen 23º
 B

cos 68º  cos 66º cos 23º
 B  0, 0015
2
sen 66º sen 23º

2. RUPTURA POR CUNHA
3.0. Cálculo do FSseco
FSsec o


 w
3

 cA X  cB Y    A   
r H

 2  r
 FSsec o


X tgA


 w 
 B 
  Y tgB 

 2  r 

3

 200  5, 61  100  0, 608  
25  30 





0 
0
  0, 44  
5, 61 tg 30º   0, 0015 
0, 608
tg 35º 









 2  25 
 2  25
 

 FSsec o  4, 73  0, 26  0, 0010 
 FSsec o  4,99

2. RUPTURA POR CUNHA
3.0. Cálculo do FSsat
FSs at


 w
3

 cA X  cB Y    A   
r H

 2  r
 FSs at


X tgA


 w 
 B 
  Y tgB 

 2  r 

3

 200  5, 61  100  0, 608 
25  30 




 9,81


9,81
  0, 44  
5, 61 tg 30º   0, 0015 
0, 608
tg 35º 









 2  25 
 2  25
 
 FSs at  4, 73   0, 38    0, 08  
 FSs at  4, 27

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Avaliação da Estabilidade de
Taludes Rochosos
(Exercícios)
José Allan Carvalho Maia, M.Sc.
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