Proteção de estruturas

contra descargas
atmosféricas

Efeitos do Raio em Estruturas
• As normas nacionais e internacionais aplicáveis à proteção contra




descargas atmosféricas são:
- no Brasil; a NBR-5419 – “Proteção de Estruturas Contra Descargas
Atmosféricas”, 2001;
- na Inglaterra; a BS6651 – “ Protection of Structures Against Lightning”,
1985;
- na Suíça; a ASE4022 – “ Installations de Protection Contre la Foudre”,
1987;
- nos USA; a NFPA78 – “ Lightning Protection Code”, 1986;
- internacional; IEC 1024 – “Protection of Structures Against Lightning”.

Níveis de proteção

• Quanto maior o nível de proteção requerido, maior é a quantidade de
elementos usados na instalação do sistema de proteção contra descargas
atmosféricas (SPDA), tais como: mais pára-raios tipo Franklin, mais
hastes captoras, mais condutores horizontais, mais cabos de descida, etc.

Níveis de proteção
• Cabe ressaltar que a probabilidade do raio cair no SPDA é muito pequena. Entretanto, não se




pode garantir a proteção, mas apenas se ter uma estimativa da mesma. Para fins de análise e
projeto, as diversas estruturas típicas existentes e nas quais se deseja efetuar a proteção, são
classificadas de acordo com os efeitos e danos (riscos) que possam vir a sofrer por ação de
uma descarga atmosférica (tabela 5).
a) Estruturas comuns: são estruturas cujas preocupações são os efeitos do raio na própria
estrutura.
b) Estruturas com Danos confinados: são estruturas onde, além do dano comum, existe
preocupação séria, também, com relação à atividade interna executada.
c) Estruturas com Perigo aos Arredores: são estruturas em que além dos riscos “a” e “b”, há
riscos e prejuízos nas estruturas adjacentes, ou de uma certa região.
d) Estruturas com Danos ao Meio Ambiente: são estruturas que além dos danos próprios, há
riscos ao meio ambiente de modo temporário ou permanente.

Níveis de proteção .

o passo seguinte é a aplicação dos fatores de ponderação indicados na tabelas 6 a 10 (B. a conveniência de um SPDA deve ser decidida por acordo entre projetista e usuário. conforme o seguinte critério: • a) se Nd ≥ 10-3.5 da NBR-5419). .1 a B. a estrutura requer um SPDA. Multiplica-se o valor de Nd pelos fatores pertinentes e compara-se o resultado com a freqüência admissível de danos Nc.Avaliação geral de risco • Após a determinação do valor de Nd (número de descargas atmosféricas sobre uma estrutura por ano). • c) se Nd ≤ 10-5. • b) se 10-3 > Nd > 10-5. a estrutura dispensa um SPDA.

Avaliação geral de risco .

Avaliação geral de risco .

Avaliação geral de risco .

Avaliação geral de risco .

Avaliação geral de risco .

.Método da haste vertical de Franklin. . .Método Eletrogeométrico ou das Esferas Rolantes.Métodos de proteção contra descarga atmosférica • • • • Os seguintes métodos são utilizados atualmente: .Método da malha ou Gaiola de Faraday.

O princípio do método de Franklin • Este método utiliza uma haste elevada. produzindo na nuvem carregada. A haste produz a ionização do ar. uma alta concentração de cargas elétricas. em forma de ponta. juntamente com um campo elétrico intenso. proporcionando o “rompimento” da rigidez dielétrica da camada de ar. O raio captado pela ponta da haste é transportado pelo cabo de descida e escoado na terra pelo sistema de aterramento. . reduzindo a altura efetiva da nuvem carregada em relação ao solo.

. c) Haste de sustentação – para elevar o captor na altura desejada. d) Espaçador – para manter o cabo de descida afastado da estrutura ou da haste de sustentação (se necessário).O princípio do método de Franklin • O sistema de proteção utilizando a haste tipo Franklin possui os • • • • seguintes elementos (figura 5): a) Captor – que pode ser de uma só ponta ou em forma de bouquet. b) Conector – para prender o cabo de descida ao captor.

j) Cobertura da conexão – de material emborrachado. para proteger a conexão da corrosão.O princípio do método de Franklin • E) Braçadeira – para fixar o espaçador à haste de sustentação. h) Aterramento – para produzir conexão com a terra. para evitar atos de vandalismo e evitar tensão de toque direto com o cabo de descida. . g) Isolador – pode ser de dois tipos: modelo industrial com classe de tensão de 10 kV ou tipo roldana usado na estrutura do espaçador. i) Tubo protetor – de material não condutor. • f) Cabo de descida – para interligar o captor ao sistema de • • • • aterramento.

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conforme resumido na tabela 11. A figura 7 ilustra a altura do captor para proteção da edificação. .Região espacial de proteção • O ângulo do cone de proteção depende da altura e do grau de proteção pretendido.

Região espacial de proteção .

mantendo-se os afastamentos máximos indicados na tabela 12 (tabela 2 da NBR-5419). • A distribuição dos cabos de descida é feita com o objetivo. Este afastamento evita tensões induzidas durante a passagem do raio pelo cabo de descida. Para diminuir os efeitos da indução eletromagnética. descidos de antena de rádio e TV e cablagem de TV a cabo. de produzir a neutralização dos campos magnéticos internos na estrutura.Condutores de descida • Para atenuar as correntes induzidas nos materiais condutores vizinhos. o cabo de descida deve estar afastado da coluna montante da fiação dos cabos de energia elétricos e telefônicos. . de modo a minimizar as interferências nos equipamentos elétricos e eletrônicos. também. Esta distribuição é feita de maneira uniforme ao longo do perímetro do prédio protegido. deve-se distribuir o cabo de descida.

Condutores de descida .

deverão ser mantidas as seções transversais mostradas na tabela 13. Independentemente das espessuras. .Condutores de descida • Como o raio elétrico produz aquecimento no cabo de descida. A tabela 13 fornece as seções mínimas dos materiais utilizados no SPDA. bem como os demais materiais utilizados no SPDA. devem ser garantidos pelo seu correto dimensionamento. os limites térmicos do cabo. bem como os valores mínimos de espessuras fornecidos na tabela 14.

Condutores de descida .

os condutores de descida podem ser instalados na sua superfície. .Condutores de descida • A instalação dos condutores de descida deve levar em consideração o material da parede onde os mesmos serão fixados: • a) – se a parede for de material não inflamável. • c) – se a parede for de material inflamável e a elevação de temperatura dos condutores de descida resultar em risco para este material. • b) – se a parede for de material inflamável e a elevação de temperatura causada pela passagem da corrente de descarga atmosférica não resultar em risco para este material. os condutores de descida podem ser instalados na sua superfície ou embutidos na mesma. a distância entre os condutores e o volume a proteger deve ser no mínimo de 10 cm (os suportes metálicos dos condutores de descida podem estar em contato com a parede).

. a fim de possibilitar a medida periódica da resistência de terra (pelo menos uma vez por ano).5m acima do solo deverá se estabelecer uma junta móvel conforme figura 8.Condutores de descida • A partir de 2.

Condutores de descida .

de fachada e de cobertura. Elementos metálicos estruturais. uma rede de condutores. desde que atendam a requisitos específicos. destinada a interceptar as descargas atmosféricas incidentes. . forma uma blindagem eletrostática. lançada na cobertura e nas laterais da instalação a ser protegida. podem integrar esta rede de condutores.Modelo Gaiola de Faraday • Neste sistema de proteção.

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. cabendo aos ganchos metálicos de fixação das telhas na estrutura a função de captação das descargas.Método Gaiola de Faraday • Edificações com estrutura metálica na cobertura e continuidade elétrica nas ferragens estruturais e aterramento em fundação (ou anel) tem bom desempenho como Gaiolas de Faraday. que devem ser complementados com um aterramento adequado. a estrutura exercerá a sua função de proteção. quando da incidência de uma descarga. preferencialmente integrado às armaduras das fundações. Galpões em estrutura metálica (colunas e cobertura) constituem-se em Gaiolas de Faraday naturais. o súbito deslocamento de ar poderá quebrar uma telha. Mesmo quando recoberta por telhas de fibrocimento. Neste caso.

é importante evitar a incidência de descargas diretas nestas telhas. Neste caso. com grande vão livre. onde a adoção de outras técnicas de dimensionamento da rede captora implica a utilização de grande número de mastros captores. pois a corrente vai procurar a ferragem da estrutura. já é uma aproximação de uma Gaiola de Faraday. . que demandam uma ampla rede de condutores de interligação que.Modelo Gaiola de Faraday • O Método de Faraday é também aplicável a edificações de grande área de cobertura (usualmente prédios industriais). por si só. Frequentemente este tipo de prédio é construído com telhas de concreto protendido. dando origem ao risco de rachadura do concreto e de danos na ferragem estrutural ou de exposição desta última ao tempo.

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trilhos. Edifícios excedendo 20 a 30 metros de altura.Modelo Gaiola de Faraday • As estruturas altas podem estar sujeitas a descargas laterais. Revestimentos. ser providos de elementos captores nas fachadas. No entanto. alguns requisitos de segurança devem ser respeitados: . condutores de descida e outros elementos metálicos presentes nas fachadas da estrutura podem ser usados com esta finalidade. devem. portanto. caixilhos de janelas. como se tem observado.

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com um atraso de quase 100 anos. O raio deste segmento de círculo é função do nível de proteção desejado para a instalação. . que previa que o volume de proteção de um elemento captor seria definido por um cone com véi1ice na extremidade do captor.Modelo Eletrogeométrico • O modelo eletrogeométrico (MEG) resgatou. delimitado pela rotação de um segmento de círculo tangente ao solo. o modelo sugerido por Preece em 1881. porém embasado em extensivo trabalho de pesquisa.

• as hastes verticais e os condutores horizontais têm o mesmo poder de atração. .Modelo Eletrogeométrico O MEG para aplicação na proteção das estruturas admite algumas hipóteses simplificadoras: • só são consideradas as descargas negativas iniciadas nas nuvens. • . • a probabilidade de ser atingida uma estrutura aterrada ou o plano de terra é a mesma se o líder estiver • à mesma distância de ambos. • o líder descendente é vertical e único (não tem ramificações).a descarga final se dá para o objeto aterrado mais próximo. independentemente de sua massa ou condições de aterramento.

De acordo com este modelo. que vai ao encontro ao "líder descendente" localizado no centro do círculo. 8. onde verifica-se que o pára-raios existente no topo do campanário protege apenas uma parte da igreja (deixando desprotegida a quina acima da curva cheia). os pontos do segmento de círculo determinam o lugar geométrico dos possíveis locais de onde pode partir o "líder ascendente". fazendo-se necessário mais um pára-raios na ponta da nave da igreja para complementar a proteção. .5 ilustra a aplicação do modelo eletrogeométrico a uma igreja. de modo a completar o canal ionizado.Modelo Eletrogeométrico • A Fig. por onde se fará a descarga de retorno.

Modelo Eletrogeométrico .

e as constantes a e b variam conforme diferentes propostas de vários pesquisadores.Modelo Eletrogeométrico • No MEG. a distância de atração.65 . a norma NBR-5419/2005 adota a = 10 e b = 0.65: • Ra=10 Imax 0. ou raio de atração Ra. é calculada por Ra= a Imax b onde Imax é o valor de pico da corrente de retorno do raio. Quando aplicado às estruturas.

se a estrutura tiver uma altura superior à distância R. um elemento captor no seu topo não garantirá uma proteção adequada. pois o segmento de círculo tangente ao solo tocará lateralmente na estrutura.6. . 8. Efetivamente.Modelo Eletrogeométrico • O modelo eletrogeométrico é compatível com a constatação prática de que estruturas muito altas são suscetíveis de serem atingidas por descargas laterais. conforme mostra a Fig.

Modelo Eletrogeométrico .

e serão pontos suscetíveis de serem atingidos por uma descarga atmosférica direta. As partes da edificação eventualmente tocadas pela esfera poderão ser consideradas falhas de blindagem. ela não poderá nunca tocar em qualquer parte que não seja elemento captor.Modelo Eletrogeométrico • A análise até aqui apresentada foi conduzida considerando-se apenas duas dimensões. . 8. A extensão deste modelo para três dimensões resulta no conceito da "esfera rolante". Pode-se visualizar que se esta esfera for rolada por toda a área de uma instalação protegida por uma determinada geometria de elementos captores.7. A esfera vem a ser o lugar geométrico de todos os pontos de onde poderá partir um "líder ascendente" em direção ao "líder descendente" localizado no seu centro. graficamente apresentado na Fig.

Modelo Eletrogeométrico .

ou localizada próxima de outras estruturas de dimensões semelhantes ou maiores. e não cada uma em separado.Modelo Eletrogeométrico • É importante observar que esta esfera ao ser rolada por uma área com muitas edificações tocará apenas nas pa1tes mais altas das mesmas. . deve considerar o conjunto de estruturas e de edificações. que o correto dimensionamento de um sistema de proteção contra descargas atmosféricas de uma instalação complexa. portanto. Tem-se. que se beneficiam do efeito de proximidade entre elementos captores de estruturas próximas. Este tipo de consideração permite a execução de projetos mais econômicos e de menor impacto visual.

Eletrodos de Aterramento • A norma NBR-5419 recomenda a integração dos aterramentos da instalação. De acordo com esta norma é recomendável a resistência de aterramento seja inferior a 10 ohms. ou • ferragem da armadura da fundação. . o que deve ser feito com as devidas precauções. sendo previstas duas alternativas básicas de aterramento: • anel de cabo de cobre nu de bitola mínima de 50 mm2. diretamente enterrado no solo. embutida no radier da construção. de modo a evitar as interferências indesejadas entre subsistemas distintos. no perímetro externo da edificação.

constituem um bom eletrodo de terra. mas. em virtude do extenso histórico de utilização. quando bem interligadas. Por esta razão as armaduras do concreto das fundações. e por tornar mais simples e econômico o .Eletrodos de Aterramento • O concreto completamente seco tem resistividade (elétrica) muito elevada. • A adoção das armaduras do concreto como elementos integrantes dos sistemas de descida e aterramento de redes captoras de raios vêm a ser quase uma unanimidade internacional. permanece úmido e a sua resistividade torna-se semelhante à do solo circundante. quando está embutido no solo.

porque permitiu que se tratassem as estruturas em concreto armado com um caso particular das estruturas metálicas. .Eletrodos de Aterramento • O uso das armaduras das construções como elementos de descida e aterramento para sistemas de proteção contra raios constituiu um grande avanço na técnica da proteção contra descargas atmosféricas. simplificando o SPDA sem o comprometimento da estética das edificações.

Eletrodos de Aterramento • Finalmente tem-se o item 5.0 ohm.1. devem ser realizados testes de continuidade e estes devem resultar em resistências medidas inferiores a 1. As medições deverão ser realizadas entre o topo e base de alguns pilares e também entre as armaduras de pilares diferentes. opcionalmente.2. poderão ser utilizadas como descidas as armaduras do concreto. para averiguar a continuidade através de vigas e lajes. Neste último caso.5. As medições poderão ser realizadas de acordo com o Anexo E da NBR-5419. conforme a seguir: .5 da NBR-5419: Para as edificações de concreto armado existentes poderá ser implantado um SPDA com descidas externas ou.

.0 n são indicativos que a continuidade das armaduras é aceitável.Eletrodos de Aterramento • 1) a continuidade elétrica das armaduras de um edifício deve ser determinada medindo-se com o instrumento adequado a resistência ôhmica entre a parte superior e a parte inferior da estrutura. procedendo a diversas medições entre pontos diferentes. • 2) valores medidos da mesma ordem de grandeza e inferiores a 1.

Eletrodos de Aterramento • 3) o instrumento adequado para medir a resistência deve injetar uma corrente de 1 A. 8. sendo dois para corrente e dois para potencial (conforme ilustrado na Fig. entre os pontos extremos da armadura sob ensaio. o sistema de medida deve utilizar a configuração de quatro fios.9). . ao mesmo tempo que injeta essa corrente. medir a queda de tensão entre esses pontos (a resistência é calculada dividindo a tensão medida pela corrente injetada). • 4) considerando que o afastamento dos pontos onde se faz a injeção de corrente pode ser de várias dezenas de metros. ou superior. sendo capaz de. evitando assim o erro provocado pela resistência própria dos cabos de teste e de seus respectivos contatos (podem ser utilizados miliohnúmetros ou microhmímetros de quatro terminais em escalas cuja corrente seja igual ou superior a 1 A).

.Eletrodos de Aterramento • 5) não é admissível à utilização de multímetro convencional na função de ohmímetro. pois a corrente que este instrumento injeta no circuito é insuficiente para obter resultados representativos.