PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM

ENGENHARIA DE MECÂNICA

COMPORTAMETO MECÂNICO E
MECANISMO DE FRATURA DOS METAIS

TÓPICOS A SEREM ABORDADOS NA DISCIPLINA
Parte 1 - Prof. Franciné Alves da Costa
Comportamento Mecânico dos Materiais
Parte 1A – Metais e Cerâmicas

BIBLIOGRAFIA
William D. Callister Jr., Ciência e Engenharia dos
Materiais: uma introdução – 5a. Edição, LTC
Editora, 2000;
Lawrence H. Van Vlack., Princípios de Ciência e
Tecnologia dos Materiais, Editora Campus, 1994;
Y.M. Chiang, D. Birnie III, W.D. Kingery.,
Physical Ceramics: Principles for ceramic Science
and Engineering, Wiley Inc., 1997.
Richard J. D. Tilley., Understanding Solids – The
Science of Materials - ., John Wiley & Sons, LTD,
2004.

COMPORTAMENTO MECÂNICO DOS MATERIAIS
(METAIS E CERÂMICAS)

Prof. Franciné Alves da Costa

METAIS Importância da aula I. Associar essas propriedades aplicações específicas e reais. II. II. I. Conhecer propriedades mecânicas dos metais quando submetidos a aplicação de carga ou força. Apresentar outras propriedades mecânicas importantes. Objetivo da aula a Estudar o comportamento tensão deformação dos metais e as propriedades mecânicas relacionadas. .

O comportamento mecânico de um material reflete a relação entre a sua resposta ou deformação a uma carga ou força que esteja sendo aplicada. dureza.INTRODUÇÃO A deformação resultante em um componente mecânico (material) não deve ser excessiva nem muito menos provocar sua fratura. Propriedades mecânicas importantes: resistência. duração da sua aplicação. ductilidade. tenacidade e a rigidez Fatores considerados importantes para obtenção das propriedades mecânicas: natureza da carga aplicada. condições ambientais e a temperatura de operação .

NATUREZA DA CARGA APLICADA F F A0 F F   F Tração F F Compressão Cisalhamento Constante ao longo do tempo Flutuando continuamente Torção F .

DURAÇÃO DA APLICAÇÃO DA FORÇA OU CARGA Uma fração de alguns segundos Um período de muitos anos CONDIÇÕES AMBIENTAIS Normais Agressivas TEMPERATURA DE OPERAÇÃO Ambiente Elevada .

.O engenheiro estrutural tem a função de determinar as tensões e as distribuições de tensões dentro dos componentes ou elementos submetidos a cargas bem definidas. Isto exige a compreensão das relações entre a microestrutura (características internas) dos materiais e as sua propriedades mecânicas. Os engenheiros de materiais e metalúrgicos preocupam-se com a produção e fabricação de materiais (componentes) que atendam as exigências de serviços conforme previsto pelas análises de tensão.

Permite a avaliação de diversas propriedades mecânicas.PROPRIEDADES MECÂNICAS X ENSAIO DE TRAÇÃO Relativamente Simples. Ensaio x Normas Técnicas (ASTM e ABNT) .

PROPRIEDADES MECÂNICAS X ENSAIO DE TRAÇÃO Desenho Esquemático de um Ensaio de Tração .

PROPRIEDADES MECÂNICAS X ENSAIO DE TRAÇÃO .

PROPRIEDADES MECÂNICAS X ENSAIO DE TRAÇÃO .

ENSAIO DE TRAÇÃO X CURVA TENSÃODEFORMAÇÃO F F TENSÃO TENSÃO RESISTÊNCIA À TRAÇÃO DEFORMAÇÃO F PESCOÇO DEFORMAÇÃO PESCOÇO NA REGIÃO FRATURADA F .

ENSAIO DE TRAÇÃO X CURVA TENSÃODEFORMAÇÃO .

específica ou unitária l0 = comprimento inicial da amostra li = comprimento instantâneo . N/ mm2) F = força (carga) aplicada (N ou lbf) A0 = área da seção reta transversal (cm2. mm2)  = (li . Kgf/mm2.l0)/l0 = l/l0  = deformação relativa.CONCEITOS Tensão e Deformação  = F/A0  = tensão convencional (MPa. Kgf/cm2.

ENSAIO DE COMPRESSÃO Usado para conhecer o comportamento de um material submetido a deformações grandes e permanentes: Caso de aplicações de fabricação ou Quando o material é frágil sob tração  = F/Ao Onde F representa a carga ou força aplicada paralelamente às faces superior e inferior. cada uma com uma área de Ao .

.CONSIDERAÇÕES GEOMÉTRICAS A RESPEITO DO ESTADO DE TENSÃO O estado de tensão é uma função das orientações dos planos sobre os quais as tensões atuam.

. ela volta inteiramente a forma e dimensões primitivas.REGIMES DE COMPORTAMENTO DOS MATERIAIS ESTRUTURAIS Um material constituinte de uma peça estrutural submetida a um conjunto de solicitações externas pode se deformar sob dois regimes de comportamento distintos. Regime de Comportamento Elástico: ocorre quando ao se retirar de sob a peça o conjunto de cargas deformadoras. ela não retorna a forma e dimensões primitivas ficando então caracterizada por apresentar deformações irreversíveis conhecidas pelas denominações de deformações permanentes ou residuais. “Elasticidade” Regime de Comportamento Plástico: ocorre quando ao se retirar de sob a peça o conjunto de cargas deformadoras.

DEFORMAÇÃO ELÁSTICA COMPORTAMENTO TENSÃO-DEFORMAÇÃO Tensão [  ] Plástica Elástica Deformação [  ] .

5 AlumÍnio 69 10 Latão 97 14 Titânio 107 15. ou uma resistência do material à deformação elástica MÓDULO DE ELASTICIDADE [E] Declive da região elástica na curva tensão-deformação GPa 106 Psi Magnésio 45 6.03 x 10-4 kg/mm2 .DEFORMAÇÃO ELÁSTICA =E E = módulo de elasticidade (módulo de Young) Ele pode ser considerado como sendo uma rigidez.5 Cobre 110 16 Níquel 207 30 Aço 207 30 Tungstênio 407 59 * 1 psi = 6.90 x 10-3 MPa = 7.

só pode ser aplicada para cálculo de deformações nas peças estruturais cujo o material se comporta em regime elástico.Como  = F/A0 e  = l/l0 Sabendo que no regime elástico onde as tensões são proporcionais as deformações (Lei de Hooke) =E Substituindo as duas primeiras relações nesta última encontramos a seguinte relação l = Fl0/EA0 1. portanto. . A expressão da lei de Hooke apresentada sob a forma l = Fl0/EA0 só pode ser diretamente aplicada mediante as seguintes condições: * Esforço normal constante em todas as seções reta da peça. A lei de Hooke só tem validade e. * Área inicial de seção reta não variável ao longo do comprimento da peça. 2.

 = G Onde G representa o módulo de cisalhamento (ou módulo transversal) .

.E de materiais cerâmicas > materiais metálicos > materiais poliméricos Anelasticidade (Tempo de recuperação do material).

 y) pela deformação longitudinal (ou axial.  z) do material.DEFORMAÇÃO ELÁSTICA/COEFICIENTE DE POISSON Coeficiente de Poisson () é definido como a razão (negativa) entre as deformações laterais ( x. . Os valores de  para diversos metais estão entre 0.25 e 0.35. Teremos  x =  y quando o material é isotrópico e a tensão aplicada for uniaxial (apenas na direção “z”).

DEFORMAÇÃO ELÁSTICA/COEFICIENTE DE POISSON O coef. de Poisson também é usado na relação entre os módulos de cisalhamento ( G ) e de elasticidade ( E ) de materiais “isotrópicos”. E = 2G (1 + ) Para a maioria dos metais G  0. pela relação.4E .

005 .005  R = 0.DEFORMAÇÃO PLÁSTICA Materiais Dúcteis Materiais Frágeis  R > 0.

DEFORMAÇÃO PLÁSTICA .

 y = tensão de escoamento (indica a capacidade que um material possui de resistir à deformação plástica submetido carregamento) quando a um . Curva “b”: transição elástico/plástico do metal é bem definida.DEFORMAÇÃO PLÁSTICA/LIMITE DE ESCOAMENTO Curva “a”: transição elástico/plástico do metal é gradual.

LRT. . (se esta tensão for mantida ocorrerá a fratura do material).DEFORMAÇÃO PLÁSTICA/LIMITE DE RESISTÊNCIA À TRAÇÃO O “Limite de Resistência à Tração” . corresponde à tensão máxima (ponto M) aplicada ao material antes da ruptura. É calculada dividindo-se a carga (força) máxima que a submete o material pela área de seção reta inicial.

.

Limite de Resistência a tração F-Fratura Ai = é a área da seção transversal instantânea li = comprimento instantâneo l0 = comprimento inicial *Se não há variação de volume Ai.l0 * v = ln (A0/Ai) .li = A0.TENSÃO E DEFORMAÇÃO VERDADEIRAS TENSÃO VERDADEIRA  v = F/Ai DEFORMAÇÃO VERDADEIRA Pontos: A-Limite de elasticidade  v = ln (li/l0) Onde: U.

. a tensão e deformação verdadeiras devem ser computadas a partir de medições de carga (força).TENSÃO E DEFORMAÇÃO VERDADEIRAS Relação entre Tensão Verdadeira e Convencional  v =  (1+ ) Relação entre Deformação Verdadeira e Convencional  v = ln (1+ ) As equações acima são válidas apenas para situações até a formação do pescoço. da área da seção reta e do comprimento útil reais. A partir deste ponto.

Deste modo a curva de tensão correta (axial) x deformação deve ser corrigida pela expressão. K e n são constantes que dependem do material e do tratamento (térmico ou por encruamento) dado ao material. devido a existência de componentes de tensão além da tensão axial.  v = k. vn Onde.TENSÃO E DEFORMAÇÃO VERDADEIRAS Durante a formação do pescoço existe um estado de “tensão complexo” na região do pescoço. correta .

DUCTILIDADE Pode ser expressa como: Alongamento Percentual: AL% = (lf .l0/l0) x 100 Frágil Redução de Área Superficial: Dúctil Tensão RA% = (A0 .Af/A0) x 100 Deformação .

e . Ur = 1/2 ( e x  e) = ( e) /2E 2 TENACIDADE Corresponde à capacidade do material de absorver energia até sua ruptura.e RESILIÊNCIA Pode ser expressa através do módulo de Resilência (Ur).

RECUPERAÇÃO ELÁSTICA DURANTE UMA DEFORMAÇÃO PLÁSTICA .

OUTRAS PROPRIEDADES MECÂNICAS IMPORTANTES Deformação / Dureza .

RELAÇÃO ENTRE A DUREZA E RESISTÊNCIA LRT(MPa) = 3.45 x HB .

RELAÇÃO ENTRE A DUREZA E TENACIDADE .

RELAÇÃO DA DUREZA COM A MICROESTRUTURA .

2. 4. Método de ensaio.VARIABILIDADE NAS PROPRIEDADES DOS MATERIAIS Fatores que levam a incertezas nos dados medidos: 1. 3. . 5. Pequenas diferenças na composição. Variações nos procedimentos de fabricação dos corpos de prova. Calibração dos equipamentos. Influências do operador. ou 7. 6. Falhas na homogeneidade dentro de um mesmo lote de material. Outros tipos de diferenças de um lote para outro lote.

VARIABILIDADE E DISPERSÃO NAS PROPRIEDADES DOS MATERIAIS Qual é a resistência à fratura desta liga? Qual é a probabilidade desta liga apresentar falhas sob essas dadas circunstâncias ou condições? .

FATORES DE PROJETO/SEGURANÇA  t =  e/N Onde  t ou  adm é a tensão admissível ou de tensão de trabalho.  e é a tensão de escoamento e N é o fator de segurança. as conseqüências das falhas em termos de perda de vidas e/ou danos materiais. . Questões econômicas. Os valores de N se situam entre 1.0.2 e 4. mais importante. a precisão com que as forças mecânicas e as propriedades dos materiais podem ser determinadas e. experiência prévia.

qual será o alongamento resultante ?  = E.Exemplo 1 Um pedaço de cobre originalmente com 305 mm de comprimento é puxado em tração com uma tensão de 276 MPa. l =  = l / l0 Tabela: E = 110 x 103 MPa  . Se a sua deformação é inteiramente elástica.l0 / E = (276 x 305) / (110 x 103) l = 0.77 mm .

d0) / d0 li l0 x y .4 pol. d0 Dados: di d = 10 mm = 10-3 m z d = 2. que possui um diâmetro de 10 mm (0.5 x 10-3(10-4 pol) no diâmetro. Determine a magnitude da carga exigida para produzir uma alteração de 2.).5 x 10-3 mm z = l / l0 = (li .l0) / l0 x = d / d0 = (di . A deformação é puramente elástica.Exemplo 2 Uma tensão de tração deve ser aplicada ao longo do eixo referente ao comprimento de um bastão cilíndrico de latão.

 z = . x /  = .35 x 10-4 Para o latão  = 0.Exemplo 2: cont.3 MPa Para o latão E = 97 GPa (Tabela 6. = (71.1 .35 x 10-4) .5 x 10-4) / 0.3 x 106) x (10-2 / 2)2.2.Callister)  =  z.A0 = .Callister) F = .(. (d0/2)2.1 . (97 x 109) = 71.E = (7.34 = 7.2.34 (Tabela 6.  x = d / d0 = (.5 x 10-3) / 10 = .  F = 5600 N .2.5 x 10-4 O sinal “-” deve-se à redução no diâmetro do material.