Assistência de enfermagem na

doação e captação de órgãos.

DISCIPLINA: SAÚDE DO ADULTO II
HORTÊNSIA BRAGA¹
LUCIENE LIMA¹
RENATA TELES¹
TATIANE MAGALHÃES¹
TUANNY MATOS¹
LILIAN BEATRIZ DE CALAZANS NASCIMENTO ²

1: Discentes do curso de Enfermagem
2: Professora Orientadora

HISTÓRICO
PRIMEIRO TRANSPLANTE
CARDIÁCO NO BRASIL

As
atividades
de
transplantes
no
Brasil
tiveram início na década de
1960,com um transplante de
rim, em 1964, porém até a
década de 80, o transplante
tinha caráter experimental e
só se regularizou de fato em
1997.
(MOURA E SILVA, 2014)

Fonte: http://brasil.estadao.com.br/blogs/arquivo/em-1968realizado-o-primeiro-transplante-cardiaco-no-brasil/

HISTÓRICO
Assim, em 4 de fevereiro de 1997- até então
vigorava a lei 8.489/92- foi publicada a Lei nº 9.434,
sobre a disposição da remoção de órgão, tecidos e
partes do corpo humano para fins de transplante e
tratamento, e ficava garantido o respeito à vontade
de cada um de ser ou não doador post mortem de
órgãos.

(ABTO, 2003)

LEGISLAÇÃO
LEI 8489

Divulgada no ano de 1992.

• Doação de órgãos entre pessoas vivas,
maiores e capazes civilmente, a avós, netos,
filhos, irmãos e sobrinhos de até segundo
grau,
incluindo
cunhados
e de
cônjuges
LEI 9434
Divulgada
no ano
1997. .
• Caso a pessoa não manifestasse que NÃO era
doador subtendia-se que se tratava de um
doador.
LEI 10.211 Divulgada no ano de 2001.
• A retirada de tecidos e órgãos de pessoa falecida
dependerá da autorização do cônjuge ou
parente.

A legislação brasileira permite apenas a doação de órgãos gratuita. exceto em caso de medula óssea.LEGISLAÇÃO A doação de órgãos em vida só é permitida para o cônjuge ou parentes consanguíneos até o quarto grau. 2011) . (SILVA. em vida ou post mortem para fins terapêuticos ou humanitário. ou mediante a autorização do doador para qualquer outra pessoa.

por outro órgão ou tecido normal de um doador vivo ou morto. (Fundação Gaúcha dos Bancos sociais) .CONCEITO O transplante é um procedimento cirúrgico que consiste na reposição de um órgão ou tecido de uma pessoa doente (receptor).

TIPOS DE TRANSPLANTES  Autólogo x autoenxerto Isogênico x isoenxerto Homólogo x aloenxerto Heterólogo x xenoenxerto .

Permite Ao Sistema Imunitário Reconhecer Antigenos Self(próprio) E Non-self( não próprio). . São classificados em MHC de classe I e MHC de classe II.IMUNOLOGIA MHC – COMPLEXO DE HISTOCOMPATIBILIDADE MAIOR Localizados No Braço Curto Do Cromossoma 6.

IMUNOLOGIA ATUAÇÃO DOS LINFÓCITOS T O processo de reconhecimento de antigénios transplantados é conhecido como alorreconhecimento e poderá ocorrer por duas vias distintas. VIA DIRETA VIA INDIRETA .

medicina.br/imuno/roteiros_imuno/transplantes .ufba.IMUNOLOGIA TIPOS DE REJEIÇÃO Fonte: http://www.

.CONCEITO – CAPTAÇÃO DE ÓRGÃOS A captação de órgãos consiste em uma fase do transplante de órgãos onde deve ser realizada a manutenção e retirada do órgão de paciente com morte encefálica – seguindo os critérios.

CAPTAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE ÓRGÃOS E TECIDOS ORGANIZAÇÃO DE PROCURA DE ÓRGÃOS (ABTO.Organização estrutural do Sistema de captação de órgãos SISTEMA NACIONAL DE TRANSPLANTE CENTRAL NACIONAL DE NOTIFICAÇÃO. 2009) HOSPITAIS NOTIFICADORES .

OBJETIVO Fase crucial e decisiva Reduzir o tempo de espera dos receptores Otimizar o uso dos órgãos e tecidos (MOURA E SILVA. 2014) .

1. Doador com morte encefálica 2. . Doador em coração parado tardio. 3.CLASSIFICAÇÃO DE DOADORES  DOADOR CADÁVER OU FALECIDO. Doador com coração parado recente ou doador sem batimentos cardíacos. 2009) .DOADOR VIVO (ABTO.

caracterizada por coma aperceptivo. com ausência de resposta motora supra-espinhal e apnéia. (ABTO. 2009) .MORTE ENCEFÁLICA Diagnóstico de Morte Encefálico é definido pela Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1480/97 como a parada total e irreversível da atividade do tronco e hemisférios cerebrais. de causa conhecida e constatada de modo indiscutível.

PROTOCOLO DIAGNÓSTICO ME .

.

.

DOADORES IDEAIS Indivíduo jovem Previamente sadio Morte encefálica após trauma encefálico.  Não apresenta risco de transmissão de doenças infecciosas e neoplasias ao receptor Viabilidade dos órgãos a serem doados. Portaria MS n°. 2.600/09 .

2. c) tuberculose em atividade. Portaria MS n°. b) soropositividade para HTLV I e II.DOADORES NÃO IDEAIS CRITÉRIOS ABSOLUTOS DE EXCLUSÃO : a) soropositividade para HIV.600/09 .

infecções virais e fúngicas graves. 2.600/09 .DOADORES NÃO IDEAIS CRITÉRIOS ABSOLUTOS DE EXCLUSÃO : d) neoplasias. ou potencialmente graves. e) sepse refratária. Portaria MS n°. exceto hepatites B e C. exceto tumores primários do Sistema nervoso Central e Carcinoma in situ de útero e pele. na presença de imunossupressão.

ÓRGÃOS E TECIDOS QUE PODEM SER DOADOS ÓRGÃOS EM VIDA PÓS MORTE Rins Sim Sim Pulmões Sim Sim Coração Não Sim Fígado Sim Sim Pâncreas Sim Sim Intestino Não Sim Córneas Não Sim Ossos Não Sim Medula Sim Sim Sangue Sim Não Pele Não Sim .

Fígado 3. 2006 . pele e outros tecidos KNOBEL. Enxerto vasculares 7. Coração e Pulmão 2. Intestino 5. Córneas.SEQUENCIA DE RETIRADA DOS ÓRGÃOS 1. Pancreas 4. Rins 6.

idiopática.Cartilha Entenda a doação de órgãos. 2009. Isquêmia. FÍGADO Portadores de cirrose hepática por hepatite. miocardites) PULMÃO Portadores de doenças pulmonares crônicas por fibrose ou enfisema. Disponível em:www.PRINCIPAIS INDICAÇÕES CORAÇÃO Portadores de cardiomiopatia grave de diferentes etiologias(Doenças de Chagas.br/abtov03/Upload/file/entendadoacao.abto.org.pdf . reumática. álcool ou outras causas FONTE: ABTO .

e outras doenças renais.pdf . hipertensão. infecção ou trauma de córnea FONTE: ABTO . PÂNCREAS Diabéticos que tomam insulina(diabetes tipo I) em geral.abto. diabetes.org. quando estão com doença renal associada CÓRNEAS Portadores de ceratocone. Disponível em:www.br/abtov03/Upload/file/entendadoacao. 2009.Cartilha Entenda a doação de órgãos. ceratopatia bolhosa.PRINCIPAIS INDICAÇÕES RIM Portadores de insuficiência renal crônica por nefrite.

pdf .org.br/abtov03/Upload/file/entendadoacao. PELE Pacientes com grandes queimaduras FONTE: ABTO . 2009.abto. Disponível em:www.PRINCIPAIS INDICAÇÕES MEDULA ÓSSEA Portadores de leucemia. linfoma e aplasia de medula OSSO Paciente com perdas ósseas por certos tumores ósseos ou trauma.Cartilha Entenda a doação de órgãos.

 Da pressão arterial.  Da saturação de oxigênio. .  Do equilíbrio ácido-base.  Da pressão venosa central.  Do equilíbrio hidroeletrolítico.  Da temperatura corporal.CONDUTAS NA MANUTENÇÃO DO DOADOR RECOMENDA-SE MONITORAMENTO:  Cardíaco contínuo.  Do débito urinário.

CONDUTAS NA MANUTENÇÃO DO DOADOR CUIDADOS BÁSICOS  Garantia de acessos venosos  Tratamento de hipotensão: reposição volêmica ( cristalóides e colóides) Dopamina (10 micg/Kg/min)  Ventilação: volume inspiratório 10mL/Kg de peso PEEP: 5cm de água Gasometria arterial rigorosa .

CONDUTAS NA MANUTENÇÃO DO DOADOR  Controle da hipotermia: focos de luz Infusão e ventilação aquecidas  Reposição de eletrólitos  Uso de antibióticos profiláticos  Correção da hiperglicemia com insulina regular .

os membros de cada equipe de captação devem checar: provas documentais de morte encefálica . tipo sanguíneo .CIRURGIA DO DOADOR Antes de iniciar a cirurgia. ABTO. termos de doação assinado pela família. 2006 . parâmetros clínicos e exames.

Órgão/ Tecido Tempo máximo p/ T. Máximo de retirada preservação extracorpórea Córneas 6 horas pós PC* 7 dias Coração Antes da PC* 4 a 6 horas Pulmões Antes da PC* 4 a 6 hotas Rins Até 30 min pós PC* Até 48 horas Fígado Antes da PC* 12 a 24 horas Pancreas Antes da PC* 12 a 24 horas Ossos 6 horas pós PC* Até 5 anos *PC: Parada cardíaca FONTE: ABTO .Cartilha Entenda a doação de órgãos. 2009 .

Portaria Nº 3407 de05 de agosto de 1998. assim.SELEÇÃO DOS RECEPTORES . . selecionando. o receptor adequado. Dispões sobre a os critérios específicos para a distribuição de cada órgão ou tecido.

Tempo de inscrição na lista única B. Gravidade clínica do paciente ANTICORPOS REATIVOS . Peso e tamanho do órgão E.SELEÇÃO DOS RECEPTORES CRITÉRIOS GERAIS A. Histocompatibilidade CROSSMATCH C. Compatibilidade sanguínea D.

saude.saude.gov.ba.SELEÇÃO DOS RECEPTORES Sites para realização de cadastros técnico único BRASIL – http//Snt.br BAHIA – www.br/transplante .gov.

CAMPANHA PARA CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE A IMPORTÂNCIA DA DOAÇÃO .

aumentando o risco para infecções oportunistas. . Isso faz com que todo o sistema imunológico saia prejudicado.PÓS OPERATÓRIO TRANSPLANTE Durante o pós operatório de um transplante o paciente inicia terapia medicamentosa. com imunossupressores para reduzir a ação da resposta imunológica contra o novo órgão.

.TIPOS DE INFECÇÃO X TEMPO APÓS ALTA TIPO DE INFECÇÃO QUANTO A ORIGEM INFECÇÃO INFECÇÃO INFECÇÃO NOSOCOMI OPORTUNI COMUNITÁ AL STA/LATE RIA NTE TEMPO DE < 4 MESES INSTALAÇÃO 1-12 MESES >12 MESES COELHO. 2009.

FUNGOS .uma vez que deixaram o hospital e voltaram para casa. . BACTÉRIAS.PÓS OPERATÓRIO TRANSPLANTE INFECÇÃO APÓS ALTA Transplantados são mais propensos a contrair uma infecção causada por diferentes tipos de organismos – VÍRUS.

PÓS OPERATÓRIO TRANSPLANTE INFECÇÃO APÓS ALTA Infecção bacteriana Infecção viral Infecção fúngica .

Corticoesteróides . Bloqueio de citocinas .Inibe a transcrição de certos genes.PÓS OPERATÓRIO TRANSPLANTE DROGAS IMUNOSSUPRESSORAS Drogas imunossupressoras que inibem ou destroem os linfócitos.Diminuição da Inflamação. Ciclosporina e FK506 . como de citocinas (IL-2).

que inclui o acompanhamento pré e pós-transplante (no nível ambulatorial) e transplante (intra-hospitalar).” .ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO RECEPTOR RESOLUÇÃO COFEN-292/2004 Normatiza a atuação do Enfermeiro na Captação e Transplante de Órgãos e Tecidos . no cap II Do recepetor: “Ao Enfermeiro incumbe aplicar a SAE em todas as fases do processo de doação e transplante de órgãos e tecidos ao receptor e família.

tratamento e/ou prevenção.ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO RECEPTOR Identificar os Diagnósticos de Enfermagem de risco.  Fazer intervenção de Enfermagem. com o objetivo de implementar a SAE. Realizar visita domiciliar. evitando complicações e/ou minimizando os riscos que possam interferir no transplante. . Integrar receptor e família no contexto hospitalar. reais e bem estar do receptor (NANDA 2002/2003).

tempo de permanência. realizar Consulta de Enfermagem periodicamente.ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO RECEPTOR Encaminhar receptor(a) e cuidador(a) para imunização profilática. Orientar receptor e família quanto aos tramites legais do Cadastro Técnico Único. . de acordo com protocolo específico para cada tipo de transplante: Orientar receptor e família quanto aos tramites legais do transplante. riscos e benefícios do transplante.

informando quanto à excepcionalidade e os riscos do procedimento. Identificar os Diagnósticos de Enfermagem reais. Fazer ou atualizar o Histórico de Enfermagem ao admitir o receptor. Prescrever os cuidados de enfermagem pré-operatórios. potenciais e de bem estar. Prescrever intervenções de enfermagem para os diagnósticos reais. .ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO RECEPTOR Solicitar ao receptor ou responsável legal o consentimento expresso após orientação e leitura da autorização. potenciais e de bem estar. para a realização do transplante.

ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO RECEPTOR Efetuar registro da solicitação do profissional responsável pela avaliação do doador ou órgão. doação e informações do doador. que informe ao receptor ou responsável legal as condições do doador que possam aumentar os riscos do procedimento e/ou que possam diminuir a curva de sobrevivência do receptor. . no prontuário do receptor. Manter a família informada quanto ao procedimento cirúrgico. Arquivar o termo de morte encefálica.

coordenar e executar a Assistência de Enfermagem durante o período de internação pós-transplante. Fazer acompanhamento ambulatorial após alta hospitalar. .ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO RECEPTOR Cumprir e fazer cumprir as normas da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar. estimulando o auto-cuidado. Colaborar com a equipe multiprofissional no trabalho de reabilitação do receptor. organizar. de acordo com as necessidades do receptor e planejar e implementar programas que visem a socialização do transplantado. proporcionando o seu retorno às suas atividades cotidianas. Planejar. Elaborar plano de alta.

salve vidas!!! .Avise aos seu familiares.

Condutas no Paciente Grave – Volume 2.São Paulo.org. Disponível em: http://www. Diretrizes Básicas para Captação e Retirada de Múltiplos Órgão e Tecidos da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos / [coordenação executiva Roni de Carvalho Fernandes. Manual de Clínica Cirúrgica.abrale.REFERÊNCIAS COELHO.br/web/uploads/files/Transplante%20de %20c%C3%A9lulas%20tronco. 3ª Edição. Wangles de Vasconcelos Soler. Editora: Atheneu . KNOBEL. Acesso em: 03/03/2016 . Manual da ABRALE: Transplante de célulasTronco Hematopoéticas do Sangue e da Médula óssea. 2009. 2006. Júlio. 2009. Editora: Atheneu São Paulo. Elias. São Paulo : ABTO .Associação Brasileira de Transplante de Órgãos.pdf. coordenação geral Walter Antonio Pereira].

Mendes KDS.211. São Paulo. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. 2008. Brasil. SILVA MP.gov. Altera dispositivos da Lei n. LICHTMAN. ELSEVIER. . A.434.º 10. Florianópolis. Texto Contexto Enferm. 2012. Disponível em: http://portalcofen. Schirmer J. A lei de transplante de órgãos. [acesso em 2011 Nov 7]. 21(4): 945-53. . Morte cerebral e ou morte encefálica. Out-Dez. -. que dispõe sobre a remoção de órgãos. tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento. Imunologia celular e molecular.º 9. 2011.REFERÊNCIAS ABBAS . TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS E TECIDOS: RESPONSABILIDADES DO ENFERMEIRO. Barbosa SFF. K. Brasília: 2001. Manual do núcleo de captação de órgãos : iniciando uma Comissão IntraHospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes: CIHDOTT / coordenação Luciana Carvalho Moura. SP : Minha Editora. 2014. de 4 de fevereiro de 1997.Barueri. A H. Roza BA. Lei n.br/sitenovo/node/5508. Galvão CM. de 23 de março de 2001. Vanessa Silva e Silva.

2009.org. Campos do Jordão. 1997. Acesso em: 03/03/2016 Conselho Federal De Medicina.abto. Associação Brasileira De Transplantes De Órgãos. ABTO .br/abtov03 /Upload/file/entendadoacao. Disponível em:www.Cartilha Entenda a doação de órgãos. Código de ética médica.pdf.REFERÊNCIAS Conselho Federal de Enfermagem RESOLUÇÃO COFEN292/2004 Que Normatiza a atuação do Enfermeiro na Captação e Transplante de Órgãos e Tecidos. Brasília: CFM. 2003 . I Reunião de Diretrizes Básicas para Captação e Retirada de Múltiplos de Órgãos Tecidos da ABTO.