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AGRAVO

LEI 11.187/2005
NOÇÕES
1.1. Sentença (art. 162, § 1°)- é o ato do juiz que
implica alguma das situações previstas nos arts. 267 e 269 desta

Lei.

1.2. Decisão Interlocutória (art. 162, § 2°)


– É o ato pelo qual o juiz, no curso do processo, resolve
questão incidente.

1.3. Despacho (art. 162, § 3°) - São despachos


todos os demais atos do juiz praticados no processo, de ofício ou
a requerimento da parte, a cujo respeito a lei não estabelece
outra forma.

1.4. Diferença entre decisões e despachos.


ESPÉCIES DE AGRAVO

2.1. Agravo Retido (art. 523 do CPC)

2.2.. Agravo de Instrumento (art. 522 do


CPC)

2.3. Agravo Interno (art. 557, parágrafo 1º


do CPC)
 AGRAVO RETIDO:
Cabimento:
- Decisões Interlocutórias (Regra Geral);
- Decisões interlocutórias proferidas na
audiência de instrução e julgamento (oral
e imediatamente).

Requisitos:
- Requerimento para que o tribunal dele
conheça, preliminarmente, por ocasião do
julgamento da apelação;
- Independe de preparo.
 Prazo:
- 10 dias
 AGRAVO DE INTRUMENTO:
Cabimento:
- Decisão suscetível de causar à parte
lesão grave e de difícil reparação;
- Casos de inadmissão da apelação e
nos relativos aos efeitos em que a
apelação é recebida.

Requisitos:
- Petição endereçada para o Tribunal
contendo a exposição do fato e do
direito; as razões do pedido de
reforma da decisão; o nome e o
endereço completo dos advogados,
constantes do processo.
 Anexar cópias da decisão agravada,
da certidão da respectiva intimação
e das procurações outorgadas aos
advogados do agravante e do
agravado;
 Outras peças que o agravante
entender úteis.
 O comprovante do pagamento das
respectivas custas e do porte de
retorno, quando devidos, conforme
tabela que será publicada pelos
tribunais.
 Requerer a juntada, aos autos do
processo de cópia da petição do
agravo de instrumento e do
comprovante de sua interposição,
assim como a relação dos documentos
que instruíram o recurso (3 dias) –
o não cumprimento do disposto neste
artigo, desde que argüido e provado
pelo agravado, importa
inadmissibilidade do agravo.
 Declaração de autenticidade.

Prazo:
- 10 dias
 RELATOR:

 Negar-lhe-á seguimento

 Converter o agravo de instrumento em


agravo retido;

 Atribuir efeito suspensivo ao recurso,


ou deferir, antecipação de tutela;

 Requisitar informações ao juiz da causa,


que as prestará no prazo de 10 (dez)
dias;

 Intimar o agravado.
AGRAVO INTERNO
- Cabimento:

 Negativa de seguimento de recurso manifestamente


inadmissível, improcedente, prejudicado ou em
confronto com súmula ou com jurisprudência dominante
do respectivo tribunal, do Supremo Tribunal Federal,
ou de Tribunal Superior.
 Provido o agravo, o recurso terá seguimento.

- Penalidade:

 Manifestamente inadmissível ou infundado o agravo, o


tribunal condenará o agravante a pagar ao agravado
multa entre um e dez por cento do valor corrigido da
causa, ficando a interposição de qualquer outro
recurso condicionada ao depósito do respectivo valor.
- Prazo:

- 5 dias
EXMO. JUIZ DE DIREITO DA 3.ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE GUARAPUAVA – PR

Ref.: Execução n.º: 55/2008

CONSTRUTORA MX LTDA, já qualificada nestes autos e por intermédio de seus advogados signatários, vem perante
este Juízo, informar a apresentação de:

AGRAVO DE INSTRUMENTO

Em face de decisão de fls. 129 que deferiu a penhora on line, juntando ao mencionado recurso, cópia da petição do
agravo de instrumento e do comprovante de sua interposição.
Informa ainda que instruíram o referido recurso, os seguintes documentos:
* Cópia integral dos autos nº 55/2008 (inclusive, portanto da decisão agravada, da certidão da respectiva intimação e
das procurações outorgadas aos advogados do agravante e do agravado);
* O comprovante de pagamento das respectivas custas.

Nestes Termos
Pede Deferimento

Guarapuava, 12 de outubro de 2008.

PEDRO PEDROSO
OAB/PR 55555
EXMO DES. DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ.

Ref.: Execução n.º: 55/2008

CONSTRUTORA MX LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº 1100.659.215/0001-19, com
endereço na Rua Rua X, nº 33, Guarapuava – Paraná, por intermédio de seus advogados signatários, vem perante
este Tribunal, interpor recurso de:

AGRAVO DE INSTRUMENTO

Em face de decisão de fls. 129 que deferiu a penhora on line, juntando à presente as suas razões, como de direito,
instruindo o presente agravo com cópia integral do processo original.
Outrossim, os procuradores do AGRAVANTE certificam e dão fé, sob as penas da lei, que as mencionadas
fotocópias conferem com os originais extraídos dos referidos autos (Art. 544, § 1º, do Código de Processo
Civil, alterado pela Lei n.º 10.352/2001).
Requer, finalmente, designado o competente relator, seja atribuído ao presente agravo EFEITO ATIVO, nos precisos
termos do art. 527, II, do Código de Processo Civil, por ser de inteira justiça.

Nestes Termos
Pede Deferimento

Guarapuava, 12 de outubro de 2008.

PEDRO PEDROSO
OAB/PR 55555
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ

RAZÕES DE AGRAVO DE INSTRUMENTO

Colendo Tribunal

Ref.:Ref.: Execução n.º: 55/2008 – 3ª Vara Cível de Guarapuava – Paraná

Agravante: CONSTRUTORA MX LTDA, pessoa jurídica de direito privado,


inscrita no CNPJ sob o nº 100.659.215/0001-19, com endereço na Rua Rua X,
nº 33, Guarapuava – Paraná, representado pelo advogado PEDRO
PEDROSO-OAB/PR 55555, com endereço na Rua Y, nº44, na cidade de
Guarapuava – Paraná.

Agravada: CONCRETO INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A, pessoa jurídica de


direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº 333.222.111/0001-19, com endereço
na Rua XY, nº 88, na cidade de Guarapuava – Paraná, representada pelo
advogado Fabio Fernandes, OAB/PR 44444, com endereço na Rua Paulo
Xavier, nº 88, na cidade de Guarapuava - Paraná.
I – PRELIMINARMENTE
A) Necessidade de recebimento deste recurso de agravo por instrumento
Com a alteração do Código de Processo Civil efetivada pela Lei nº 11.187/2005, foi conferida nova disciplina
ao cabimento de agravo de instrumento, limitando as hipóteses de sua utilização. O art. 522 do CPC, que
antes admitia como regra, o agravo de instrumento de decisões interlocutórias, agora limita a sua interposição
para três situações bem específicas, quais sejam, os casos em que a decisão seja suscetível de causar lesão
grave e de difícil reparação à parte recorrente, na inadmissão da apelação e nos relativos aos efeitos em que
a apelação é recebida.
Como não estamos diante de inadmissão da apelação nem se discute os efeitos em que essa foi recebida,
cumpre demonstrar o risco de lesão grave e de difícil reparação que ameaça o AGRAVANTE, razões pelas
quais o presente recurso deve ser admitido na forma ora pleiteada, ou seja, por instrumento.
Considerando que a manutenção da decisão do juízo a quo que determinou o bloqueio das contas da
Agravante, é suscetível de lhe causar lesão de grave e difícil reparação, na exata medida em que a
retenção do valor bloqueado poderá acarretar prejuízos de elevada monta, culminando até mesmo com o
sobrestamento total das atividades da Agravante, o presente recurso deve ser recebido como instrumento.
Frise-se que o bloqueio do referido valor impede que a Agravante dê continuidade às suas atividades
mercantis básicas, tais como, pagamento de fornecedores, de funcionários, e, até mesmo, de tributos dos
meses correntes, haja vista tal bloqueio ter se processado de maneira manifestamente ilegal, em frontal
desrespeito ao princípio da menor onerosidade ao devedor, porquanto foi simplesmente desconsiderada a
indicação de bem à penhora feita pela AGRAVANTE em tempo oportuno.
Diante de todo esse relato, mister o recebimento desse agravo na modalidade por instrumento, como autoriza
o art. 523, II, do Código de Processo Civil (alterado pela Lei 11.187/2005), suspendendo, via de resultado, o
processo em primeira instância até que seja proferida a decisão final no presente recurso, nos termos do
inciso III do mencionado dispositivo legal.

[1] Art. 522. Das decisões interlocutórias caberá agravo, no prazo de 10 (dez) dias, na
forma retida, salvo quando se tratar de decisão suscetível de causar à parte lesão grave
e de difícil reparação, bem como nos casos de inadmissão da apelação e nos relativos
aos efeitos em que a apelação é recebida, quando será admitida a sua interposição por
instrumento.
 Dada as razões acima expostas, PUGNA-SE QUE ESTE
RECURSO SEJA RECEBIDO COMO AGRAVO DE
INSTRUMENTO, como autoriza o art. 523, II, do Código de
Processo Civil (alterado pela Lei 11.187/2005), bem como no efeito
ativo, como faculta o inciso III do mencionado dispositivo legal e
conforme fundamentação do item “VI” desta peça.

II - CABIMENTO

 Trata o caso em tela de execução de título extrajudicial na qual a


Requerente ora Agravante pretende o recebimento da importância
de 200.000,00 (duzentos mil reais).

 Tendo sido deferida a penhora on line, através da decisão


interlocutória, e diante da presença dos requisitos da lesão grave e
difícil reparação, o recurso cabível é o de agravo de instrumento.
 III - TEMPESTIVIDADE

 Levando em consideração que a publicação da


decisão ocorreu em 05 de outubro de 2008 e o
presente recurso foi protocolado em 12 de
outubro de 2008, encontra-se absolutamente
tempestivo.

IV – OBJETO

Considerando que a decisão recorrida determinou


a penhora “on line” de contas da agravante, o
presente recurso tem como objeto a liberação
dos respectivos valores.
V – SÍNTESE FÁTICA

Trata a presente de execução de título extrajudicial onde


a Agravada pretende o recebimento da importância de R$
220.0000,00, em decorrência de duplicatas emitidas em
desfavor da AGRAVANTE.
Citada para efetuar o pagamento da dívida, sob pena
penhora de tantos bens quantos bastem para a garantia da
execução, a AGRAVANTE nomeou os seguintes bens:

 Imóvel Objeto da matrícula nº 2222 do 2º Ofício


de Registro de Imóveis de Guarapuava – Paraná.

Utilizando o frágil argumento de que a importância citada


na petição não corresponde ao verdadeiro valor dos
referidos bens, a Agravada não aceitou a indicação e
solicitou a penhora on line, o que surpreendentemente foi
deferido por esse Juízo.
Levando em consideração que as contas bancárias indicadas nos autos permanecem
bloqueadas, diante da insustentabilidade da referida situação, a imediata liberação dos
valores é medida que se impõe, como se verá adiante.

III - NULIDADE DO BLOQUEIO E DA PENHORA DO NUMERÁRIO DEPOSITADO EM


CONTA CORRENTE – INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS.

A penhora on-line realizada nas contas da Agravante é medida precipitada e excessiva, vez
que viola o princípio da menor onerosidade do devedor, desobedece ao parágrafo 3º do art.
655-A do Código de Processo Civil e ignora a impossibilidade de perpetuação da constrição
em função dos compromissos financeiros assumidos pela Agravante (pagamento das
obrigações indispensáveis para o funcionamento da empresa).

A)PRINCÍPIO DA MENOR ONEROSIDADE AO DEVEDOR

A decisão interlocutória proferida pelo Juízo de Primeira Instância viola claramente o princípio
da menor onerosidade ao devedor, o qual prevê que toda execução deve ser econômica, isto
é, deve realizar-se da forma que satisfazendo o direito do credor, seja a menos prejudicial
possível ao devedor[1].

Denota-se que tal princípio está consubstanciado no art. 620, do CPC, verbis:

 “Quando por vários meios o credor puder promover a execução, o juiz mandará que se
faça pelo modo menos gravoso para o devedor.” Grifo nosso.
 Sobre o princípio invocado, e a sua aplicação na prática processual, manifesta-se
Amílcar de Castro:

 “E se a finalidade do processo executivo é esta, de obter do Poder


Judiciário, à custa do executado, o bem devido ao Agravada, é intuitivo
que, quando por vários meios executivos puder executar a sentença, isto
é, quando por vários modos puder conseguir para o Agravada o bem que
lhe for devido, o juiz deve mandar que a execução se faça pelo menos
dispendioso. Todos os meios executivos são onerosos para o
executado, mas não seria justo e seria inútil, que se preferisse um
meio mais custoso, quando por outro menos pesado pudesse o
Agravada conseguir o resultado prático. É um elevado princípio de
justiça e eqüidade, informativo do processo das execuções, este que o
Estado deve, quanto possível, reintegrar o direito do Agravada com o
mínimo de despesa, de incômodo e de sacrifício do executado. Jus est ar
boni et aequi, isto é, a sistematização do que é conveniente e útil[2]”.

 Ressalte-se, por oportuno, que a norma prescrita no art. 620 do Código de


Processo Civil é de natureza imperativa, devendo ser estrita e fielmente
observada, sendo que o termo “o juiz mandará” não deixa dúvida sobre se tratar
de norma cogente, e não de simples faculdade judicial.
 [1] CLÁUDIO VIANA DE LIMA, "Processo de Execução." Rio de Janeiro: Forense,
1973, nº 05, p. 25.
 [2] AMÍLCAR DE CASTRO Comentário ao CPC. São Paulo: RT, 1974. Vol. VIII, nº
213, p. 150.
 Dessa maneira, se o credor infringir qualquer dos dispositivos que garantam ao devedor uma
execução mais suave, ou se o devedor usar da prerrogativa assegurada em seu benefício, o
juiz não deverá permitir, por óbvio, que a execução se processe pelo meio mais gravoso, o
que seria ilógico[1].
 Ademais, a penhora em dinheiro deve ser o último recurso a ser utilizado, podendo ser
requerido e deferimento somente naquelas situações em que restarem frustradas todas
as tentativas de recebimento do crédito, o que não ocorreu no caso entabulado, onde,
inclusive, houve indicação de bens.
 Em suma, conforme ensina JOSÉ FREDERICO MARQUES, o processamento da execução
pelo meio menos gravoso, no ordenamento jurídico brasileiro, não entra no campo das
faculdades do juiz. Diante do caráter imperativo da regra contida no art. 620, cabe ao
devedor o “direito de pretender que seja o processo conduzido nesse sentido, isto é, no
sentido da menor onerosidade possível para o executado[2]”.
 No falar do Ministro Luiz Fux, ”Isso porque o art. 620 do Código de Processo Civil consagra
favor debitoris e tem aplicação quando, dentre dois ou mais atos executivos a serem
praticados em desfavor do executado, o juiz deve sempre optar pelo ato menos gravoso ao
devedor. Esse é o princípio da conservação da empresa, da preservação de milhares de
empregos, da continuidade da atividade negocial, comercial[3]”.
 Contudo, este parece não ser o entendimento patrocinado pelo Juízo a quo ao exarar o
despacho, pois, simplesmente, determinou o bloqueio dos valores sem levar em
consideração todas essas relevantes questões, efetivando a penhora inclusive em valores
consideravelmente superiores ao da execução.
 Fica claro, portanto, o entendimento de que, estabelecendo a lei o procedimento adequado à
execução dos débitos, sejam eles de qualquer natureza, deverá o Judiciário se eximir de
aplicar medidas restritivas à atividade da Agravante, em especial aquelas que possam
inviabilizar sua atividade, conforme amplamente demonstrado
[1] ALCIDES MENDONÇA LIMA in "Comentários ao CPC." 6ª ed., Rio de Janeiro: Forense,
1990. Vol. VI, p. 604
 [2] Manual de Direito Processual Civil." São Paulo: Saraiva, 1976. Vol. IV, nº 801, p. 87.
 [3] Resp 803.435/RJ
 B) PENHORA DE FATURAMENTO - DESOBEDIÊNCIA AO § 3º DO ART. 655-A DO
CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL
 A lei 11.382/2006 incluiu no ordenamento jurídico o artigo 655-A no Código de Processo Civil
que prevê expressamente a possibilidade de realização de penhora em dinheiro. Ocorre que,
o legislador atentou para a necessidade de tratar diferentemente tal procedimento quando se
referir a faturamento da empresa. Senão vejamos:

 “Art. 655-A. Para possibilitar a penhora de dinheiro em depósito ou aplicação


financeira, o juiz, a requerimento do Agravada, requisitará à autoridade
supervisora do sistema bancário, preferencialmente por meio eletrônico,
informações sobre a existência de ativos em nome do executado, podendo no
mesmo ato determinar sua indisponibilidade, até o valor indicado na execução.
 § 3º Na penhora de percentual do faturamento da empresa AGRAVANTE,
será nomeado depositário, com a atribuição de submeter à aprovação
judicial a forma de efetivação da constrição, bem como de prestar contas
mensalmente, entregando ao Agravada as quantias recebidas, a fim de
serem imputadas no pagamento da dívida. (Artigo acrescentado pela Lei nº
11.382, de 06.12.2006, DOU 07.12.2006, com efeitos a partir de 45 dias da
publicação)”. Grifo nosso.

 Assim, a nomeação de depositário com a atribuição de submeter à aprovação judicial a forma


de efetivação da constrição é CONDIÇÃO SINE QUA NON PARA A REALIZAÇÃO DE
PENHORA DE FATURAMENTO DE EMPRESA.
 Isso porque o depositário deverá estudar as condições financeiras da firma, para bem
organizar os pagamentos regulares e indispensáveis para o funcionamento da atividade
social e, a partir disso, verificar a possibilidade de quitação da dívida exeqüenda. Ou seja, o
depositário é responsável pela elaboração de um plano sobre o modo de efetivação da
penhora e do pagamento ao Agravada nos exatos termos do artigo 677[1] do Código de
Processo Civil[2].
 Perceba-se ainda que quando o § 3º do art. 655-A prevê a prestação de contas
mensais, induz à interpretação de que o depositário pode se aperceber que a
penhora do valor total é impossível em único mês (porque inviabilizaria a atividade
da empresa) e assim, programar para que a constrição se faça de forma
parcelada, demonstrando novamente a preocupação com os compromissos
inadiáveis, peculiares de todo empreendimento.
 Ocorre que no presente caso não houve nomeação de qualquer pessoa, muito
menos apresentação de um plano, em flagrante desobediência ao referido
dispositivo legal.
 Cumpre ressaltar ainda que tais restrições colocadas pelo legislador à realização
de faturamento de empresa se justificam devido à preocupação da penhora on-
line vir a obstar o regular funcionamento da empresa, diante do comprometimento
de valores indispensáveis, prejudicando de tal sorte o exercício de sua função
social.
 O entendimento que restou consagrado pelo legislador fundava-se na premissa
de que a penhora de dinheiro é muito diferente da penhora de faturamento,
porque, no segundo caso, pode-se afetar o capital de giro da empresa, o que
geraria um verdadeiro colapso em suas contas, ocasionando até mesmo, em
casos extremos, a paralisação de suas atividades. Diante dessa situação, torna-
se necessária a indicação de um administrador que apresente uma forma de
administração e esquema de pagamento, até que o juízo esteja integralmente
garantido, para que a penhora não afete o capital de giro da empresa, permitindo
a continuidade plena de suas atividades[1].

[1] Reforma do CPC 2. NEVES, Daniel Amorim Assumpção, RAMOS, Glauco
Gumerato, FREIRE, Rodrigo da Cunha Lima, MAZZEI, Rodrigo Reis. São Paulo:
Editora Revista dos Tribunais, 2007, p. 296.
A jurisprudência dominante no Egrégio Superior Tribunal de Justiça, corrobora com o
entendimento acima, senão veja-se:

 “PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO-OCORRÊNCIA. PENHORA SOBRE


O FATURAMENTO DA EMPRESSA. EXCEPECINALIDADE NÃO-CONFIGURADA. SÚMULA N
7/STJ.(...) 2. Em sede de execução fiscal, somente se admite a penhora do faturamento da
empresa em casos excepcionais, desde que não existam outros bens a serem penhorados e sejam
atendidas as exigências previstas nos arts. 677 a 679 e 716 a 720 do Código de Processo Civil[1].
(sem grifo no original) “PENHORA DE FATURAMENTO – REQUISITOS – INVIABILIDADE NO
CASO. A nossa jurisprudência se assentou no entendimento – e não é recente – de que a penhora
sobre o faturamento da empresa é quase que uma declaração de insolvência. Embora lícita só é
viável depois da nomeação de um administrador dessa empresa e quando esse administrador
apresenta um plano de pagamentos. (Brasília(DF), 02 de outubro de 2007, MINISTRO
HUMBERTO GOMES DE BARROS, Presidente e Relator[2]”(Sem grifo no original). “PROCESUAL
CIVIL. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA,
AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO.
LOCALIZAÇÃO DE BENS. EXPEDIÇÃO DE OFÍCIO AO BACEN. PENHORA SOBRE ATIVOS
FINANCEIROS DA CONTA-CORRENTE DA EMPRESA. EXCEPCINALIDDE DESSAS MEDIDAS.
(....) 4. Em observância ao consagrado princípio favor debitoris (art.620 do CPC), tem-se admitido
apenas excepcionalmente a penhora do faturamento ou das importância depositadas na
conta-corrente da AGRAVANTE, desde que presente, no caso, requisitos específicos que
justifiquem a medidas, quais sejam: a) realização de infrutíferas tentativas de constrição de
outros bens suficientes a garantir a execução, ou, caso encontrados, sejam tais bens de difícil
alienação; b) nomeação de administrador (arts. 678 e 719, caput, do CPC), ao qual incumbirá a
apresentação da forma de administração e do esquema de pagamento; c) manutenção da
viabilidade do próprio funcionamento da empresa[3]. (sem grifo no original)

[1] Resp 760.370/RS – Rel. Min. João Otávio de Noronha 2ª T.
 [2] Recurso Especial nº 431638/SP.
 [3] Resp 839.954/SP 1ª Turma Rel. Min Teori Albino Zavascki, DJ de 24.8.2006.
 Ademais não se pode esquecer que aqueles numerários
representam substancial e importantíssima parcela do faturamento
da Agravante, restando patente que sua eventual constrição
provocará prejuízos irreparáveis, citando-se dentre eles (não de
forma taxativa, entretanto) a dificuldade ou mesmo impossibilidade
de quitar suas obrigações para com seus funcionários e
fornecedores, o que acabará por comprometer ainda mais o já
combalido funcionamento da empresa.

 Tal situação se mostra ainda mais grave se considerarmos a


atividade do Agravante, qual seja, prestação de serviços médicos.

 Logo, e consoante entendimento já patrocinado por este mesmo


Tribunal, a penhora sobre FATURAMENTO (como ocorre no caso
presente) é medida absolutamente extrema que somente poderia ser
ultimada após o esgotamento de todas as demais possibilidades e
tentativas de recebimento do crédito, o que não se verificou neste
litígio. Em verdade, a AGRAVANTE possui vários outros bens e
créditos passíveis de constrição, os quais são mais do que
suficientes para a garantia da dívida, motivo pelo qual a constrição
determinada pelo despacho ora agravado não pode prosperar, pelo
que deverá ser anulada por este Tribunal.
V - EFEITO ATIVO (TUTELA ANTECIPADA RECURSAL)

De todo o exposto é clarividente a necessidade de se atribuir ao presente


recurso efeito ativo (tutela antecipada recursal), visto estar presente os
requisitos necessários para tanto, quais sejam, a verossimilhança das
alegações, o fumus boni iuris e o periculum in mora, conforme se demonstrará
adiante.
A verossimilhança das alegações é nítida no caso sub judice, uma vez que
foram apresentados tempestivamente bens à penhora os quais não foram
aceitos sob frágil e incabível argumento de que o valor não correspondia
àquele citado.
Por outro vértice, restou fielmente caracterizado que a penhora on-line não
observou os preceitos legais à sua efetivação, em especial no que tange à
nomeação de depositário e ao plano de administração de valores.
O fumus boni iuris se perfaz na medida em que a penhora de faturamento é
medida extrema, utilizada em situações em que todas as outras tentativas de
recebimento restaram frustradas, sendo que para a sua realização
indispensável se faz a nomeação de depositário, o que não ocorreu no
presente caso.
 No que refere ao perigo na demora, que não merece maiores delongas,
é mister salientar que, corre-se o risco, da Agravante sofrer sério
gravame no sentido de atrasar todos os compromissos inadiáveis que
possui, podendo ainda resultar na total inviabilidade da continuidade de
suas atividades.
 Como se viu, a manutenção da decisão de primeiro grau poderá
provocar prejuízos irreparáveis, tais como a dificuldade ou mesmo
impossibilidade de quitar suas obrigações para com seus funcionários e
fornecedores, o que acabará por comprometer ainda mais o regular
funcionamento da empresa.
 Outrossim, dito perigo é até mesmo óbvio, haja vista que nos dias
atuais toda e qualquer tipo de empresa precisa valer-se de instituições
financeiras, através de contas correntes, para manter suas atividades
corriqueiras.
 Considere-se ainda que a magnitude dos prejuízos causados ao
Agravante por conta deste bloqueio uma vez que acarretará na falta de
pagamento de salários, risco de paralisação de um serviço público,
entre outros - pois, neste caso, estamos a tratar da prestação de
serviço público de saúde.
 Assim, a reforma da decisum singular no sentido de desbloquear as
contas, é medida absolutamente necessária para preservar a
Agravante e suas atividades, pelo que deverá ser deferida
imediatamente por este Tribunal.
 VI – REQUERIMENTO
 Diante do exposto, requer-se a
procedência in totum deste recurso de
agravo, pugnando-se pela reforma da
decisão do juízo a quo, para o fim de:
 Receber o presente agravo por instrumento, em
seus efeitos devolutivo e ativo (antecipação de
tutela recursal), para, reconhecendo que a
penhora on-line é medida excepcional e que
essa medida viola garantias constitucionais,
inviabilizando a continuidade do exercício da
atividade empresarial, determinar
IMEDIATAMENTE o desbloqueio e liberação
das contas correntes da empresa;
 Deferir a penhora do bem nomeado para que
substitua a constrição realizada nas contas
bancárias do agravante.

Nesses termos,
Pede deferimento.

Guarapuava, 06 de março de 2008.

PEDRO PEDROSO
OAB/PR 55555
 ROL DE DOCUMENTOS

 Cópia integral do processo n.º: 55/2008


 Cópias da decisão agravada
 Certidão da respectiva intimação
 Cópia das procurações outorgadas aos
advogados do agravante e do agravado
 Comprovante de pagamento das
respectivas custas e do porte de retorno
1.Em que casos poderá ser atribuído ao agravo efeito
suspensivo?

2. O que é agravo retido?

3. Qual o efeito processual, quando o agravante não


comunica a interposição do recurso perante o juiz prolator
da decisão agravada?
a)- O tribunal faz a comunicação, de ofício, ao agravado e
ao juiz.
b)- O tribunal faz a comunicação de ofício apenas ao juiz.
c)- O agravado deverá alegar o não conhecimento do
recurso nas contra-razões.
d)- O agravado poderá alegar nulidade do recurso,
quando do julgamento do agravo, sob pena de preclusão.
 4. Sobre o regime de agravo, assinale a
alternativa INCORRETA:
 a)- a regra é que o agravo seja retido, a exceção
que seja por instrumento.
 b)- o recurso de agravo de instrumento só é
cabível quando a decisão puder causar à parte
lesão grave e de difícil reparação.
 c)- a decisão do relator que converter o agravo
de instrumento em retido é irrecorrível.
 d)- o agravo cabível contra decisões
interlocutórias proferidas na audiência de
instrução e julgamento deverá ser interposto
oralmente e na própria audiência, sob pena de
preclusão.
1. Em que casos poderá ser atribuído ao agravo efeito suspensivo?
R.: Casos em que estiver sendo pedida prisão civil, adjudicação,
remição de bens, levantamento de dinheiro sem caução idônea, e
em outros casos dos quais possa resultar lesão grave e de difícil
reparação, sendo relevante a fundamentação, suspender o
cumprimento da decisão até o pronunciamento definitivo da
turma ou câmara sendo relevante a fundamentaçpr les
(CPC, arts. 527, III e 558).
2. O que é agravo retido?
R.: Agravo retido é modalidade do recurso de agravo, cabível em
caso de decisão interlocutória, de forma oral (parágrafo 3º, art.
522, CPC – termo da audiência de instrução e julgamento) ou
através de petição, que ficarão retidos nos autos, para futura
apreciação pelo Tribunal, por ocasião do julgamento da apelação.
Difere do agravo de instrumento porque fica retido nos autos,
aguardando o desfecho do processo, o que evita a preclusão da
decisão impugnada, não sendo necessária a formação do
instrumento. Para ser apreciado, é necessário que o agravante
requeira que o Tribunal dele conheça, preliminarmente, por
ocasião do julgamento da apelação; não se conhecerá do agravo
se o agravante não requerer expressamente, nas razões ou na
resposta de apelação, sua apreciação pelo Tribunal (CPC, art. 523,
caput, e § 1.º).
3. Qual o efeito processual, quando o agravante não comunica a interposição do recurso perante o
juiz prolator da decisão agravada?
a)- O tribunal faz a comunicação, de ofício, ao agravado e ao juiz.
b)- O tribunal faz a comunicação de ofício apenas ao juiz.
c)- O agravado deverá alegar o não conhecimento do recurso nas contra-razões.
d)- O agravado poderá alegar nulidade do recurso, quando do julgamento do agravo, sob pena de
preclusão.
Resposta: A alternativa correta é a letra C - Art. 526, § Único.

4. Sobre o regime de agravo, assinale a alternativa INCORRETA:


a)- a regra é que o agravo seja retido, a exceção que seja por instrumento.
b)- o recurso de agravo de instrumento só é cabível quando a decisão puder causar à parte lesão
grave e de difícil reparação.
c)- a decisão do relator que converter o agravo de instrumento em retido é irrecorrível.
d)- o agravo cabível contra decisões interlocutórias proferidas na audiência de instrução e
julgamento deverá ser interposto oralmente e na própria audiência, sob pena de preclusão.
Resposta: A alternativa correta é a letra B, considerando que conforme dispõe o art. 522, do CPC
o recurso de agravo de instrumento não é só cabível nos casos de lesão grave e de difícil
reparação, sendo também cabível nos casos de inadmissão da apelação e nos relativos ao efeitos
em que a apelação é recebida. A alternativa A é correta pelos termos da redação do art. 522, do
CPC em que excetua expressamente os casos do agravo de instrumento, portanto, em todos os
demais casos o agravo será sempre retido . A alternativa C também é correta nos termos do art. 527,
§ Único, do CPC. A alternativa D é igualmente correta nos termos do § 3º, art. 522.