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A ÁGUA MINERAL NO CONTEXTO DA LEGISLAÇÃO DOS RECURSOS MINERAIS Igor Cristiano Silva¹, Sueli Yoshinaga Pereira²,

A ÁGUA MINERAL NO CONTEXTO DA LEGISLAÇÃO DOS RECURSOS MINERAIS

Igor Cristiano Silva¹, Sueli Yoshinaga Pereira², Lucio Carramillo Caetano³.

1 Discente do curso de Geologia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), igorcristiano@hotmail.com ²Professora Doutora do curso de Geologia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), sueliyos@ige.unicamp.br ³Professor Doutor do curso de Geologia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), carramillo@gmai.com

A ÁGUA MINERAL NO CONTEXTO DA LEGISLAÇÃO DOS RECURSOS MINERAIS Igor Cristiano Silva¹, Sueli Yoshinaga Pereira²,

INTRODUÇÃO

Até 1934 a água mineral não pertencia a gestão dos recursos minerais e era classificada pelo Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP). A partir da promulgação do Código de Minas de 1934 a água mineral passa a fazer parte da gestão dos recursos Minerais. Desde então, o aproveitamento da água mineral no Brasil obedece integralmente a legislação mineral. No entanto, como é utilizada “in natura” para ingestão, cabe às Secretarias de Saúde tanto dos estados quanto dos municípios um papel de fundamental importância na fiscalização desse tipo de indústria.

A ÁGUA MINERAL NO CONTEXTO DA LEGISLAÇÃO DOS RECURSOS MINERAIS Igor Cristiano Silva¹, Sueli Yoshinaga Pereira²,

Figure 1. Passo a passo para montar um industria de Água Mineral no Brasil.

METODOLOGIA

Analises das legislações voltada para industria de extração mineral e industrias de alimentos, quando observa se a preocupação de ambos os gestores, cada um em sua área na elaboração de numerosa legislação específica para essa indústria, o que determinadas situações gera algum tipo de conflito, dentre as mais significativas podemos citar o código de águas minerais de 1947, Código de Mineração de 1967, a portaria 231/1998 e a portaria 374/2008-9, todas provenientes do setor mineral e o Decreto Lei 78.171/1976, Resoluções 274 e 275/2005 e Portaria do MS 2914/2011 originárias do Ministério da Saúde - Setor de Alimentos. O esquema abaixo permite uma visão ampla dos conflitos e da competências dos órgãos das 3 esferas – municipal, estadual e federal.

RESULTADOS

Dessa forma, é possível concluir que por força de uma legislação promulgada em 1945 a gestão de água mineral ou potável de mesa no Brasil se mantém dentro de regras gerais básicas da gestão mineral determinada pelo Decreto-Lei 227 de 1967, mas por força do Decreto 78.171 de 1976 sua gestão passa a ser dividida com os demais empreendimentos voltados à área de alimento e medicamento e, mais recentemente, a Constituição Federal de 1988, atribuiu aos estados e municípios responsabilidades voltadas a utilização do recurso água mineral ou potável de mesa. Assim, a indústria brasileira de água mineral ou potável de mesa está sob gestão de dois grandes ministérios (MME e MS) e de Secretarias estaduais e municipais. Ficando o gestão ambiental ou hídrica apenas como coadjuvante a medida que todo empreendimento para entrar em funcionamento depende de uma licença ambiental.

Há ainda a discussão se a água mineral insere-se na gestão mineral ou hídrica, assunto abordado por Serra (2009) e Esteves (2012) nas suas teses de doutorado onde esse assunto é discutido á luz da Constituição de 1988. Ambas as autoras consideram que a gestão da água mineral deve ser executado por órgãos da administração estadual dos recursos ambientais ou hídricos. A figuras 2 mostra a captação de uma água mineral e a figura 3 mostra a extração de minério de ferro. Por essa figuras fica caracterizada a grande diferença entre os tipos de extração. Diferenças como o tipo de utilização e o beneficiamento colaboram com a tese defendida por Serra e Esteves uma vez que a água mineral é utilizada “in natura” para o consumo, não sofrendo qualquer beneficiamento e o minério de ferro sofre inúmeros tratamentos (beneficiamentos) até poder ser negociado como pelotas.

Tubo piezométrico e adição de produtos químicos Manômetr o Hidrômet ro Válvula de descarte Válvula de
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produtos químicos
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Figure 2. Frente de Lavra da Água Mineral
A ÁGUA MINERAL NO CONTEXTO DA LEGISLAÇÃO DOS RECURSOS MINERAIS Igor Cristiano Silva¹, Sueli Yoshinaga Pereira²,
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Figure 3. Frente de Lavra do Minério de Ferro.

CONCLUSÕES

Embora a industria de água mineral no Brasil seja regida pela legislação mineral, por se tratar de um bem mineral que é ingerido sem qualquer tipo de tratamento, o Mistério da Saúde através das vigilâncias sanitárias dos estados e dos municípios participa da gestão desse bem mineral, conforme foi esquematizado na Figura 1. Serra (2009) e Esteves (2012) em suas teses de doutorado indicam como mais correto com base na constituição federal de 1988 que a água mineral seja regida pela legislação brasileira de recursos hídricos.

REFERÊNCIAS References: BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil (1988). In: Cunha, A. S. Todas

as Constituições Brasileiras. Campinas: Bookseller, 2001. p. 376-504. BRASIL. Decreto-lei nº 7.841, de 8 de agosto de 1945. Código de Águas Minerais. In: Bastone, P. e Dumont. H. P. Legislação Mineral do Brasil, 1965. p. 107-122. BRASIL. Decreto-lei nº 227, de 28 de fevereiro de 1967. Código de Mineração. In: Código de Mineração e Legislação Correlata. Brasília: Departamento Nacional da Produção Mineral do MME, Ed. Ver., 1984. p. 22-54. BRASIL. Lei nº 9.433, de 08 de janeiro de 1997 – Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos. In: Recursos Hídricos - Conjunto de Normas Legais. Brasília: MMA, 2004. 243p. ESTEVES, C. C. O Regime Jurídico das Águas Minerais na Constituição de 1988. 2012. 243f. Tese (Doutorado em Geociências) - Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP. Campinas.

  • 2012. p. 193 e 197.

Pinto, U.R. Consolidação da Legislação Mineral e Ambiental. 11ª Edição. Brasília. 2008. 670p. QUEIROZ, E. T. Diagnóstico das Águas Minerais e Potáveis de Mesa do Brasil. In: Anais do XIII Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas, Cuiabá, 2004. SERRA, S. H. Águas Minerais do Brasil. Campinas: Millenium, 2009. p. 243.