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XII Encontro de Estudos

Linguísticos e Literários
Mesa Redonda
Temática: Leitura e Escrita na
contemporaneidade

A Escrita Acadêmica: quando minha voz e
tua voz se tornam nossas vozes

Recorte da tese intitulada “Minha voz, tua voz,
nossas vozes: a responsabilidade enunciativa no
gênero textual/discursivo artigo científico”

o que diferencia.Pois é! . (O Guia do Mochileiro das Galáxias – Douglas Adams) Se tanto autores experientes como iniciantes se valem do recurso às vozes de outros autores. a escrita de ambos? . vocês saberão o que significa a resposta.disse Pensador Profundo. . quando rondou vocês souberem qual é exatamente a pergunta.A pergunta que sempre me .Assim. então.

• 60 textos divididos em três conjuntos: • AI – autores iniciantes (graduandos) • AE – autores especialistas (mestrandos. • Seção analisada: Introdução * . doutorandos e doutores júniores) • AEE – autores especialistas sêniores. mestres.

.. Para X. DI (reformulação ou DI)..). etc.... Aspas sem menção à autoria (o caso dos enunciados dóxicos/ proverbiais. modalizadores.• Categoria de análise: marcadores da responsabilidade enunciativa (prise en charge) • Diferentes formas de representação do discurso outro (DD e DI – reformulados: DD (DD e ilha textual)...) • Indicadores de um suporte de percepção e pensamentos relatados : verbos indiciadores ... Conforme X.. oposições (Fulano diz a...(e inúmeras variantes).. nós dizemos b. verbos de introdução do discurso outro. • Indiciadores de Quadro mediador : os tradicionais Segundo X. reformulações (de fato.. na verdade. Evocação.

2001) . 2011). • Noção equivalente à de PDV (Adam. sendo atribuído (ou imputado) a um outro enunciador. (Adam. (L1/e1 – e2). o 2.O que é responsabilidade enunciativa? • Termo mal traduzido no Brasil: prise en charge x responsabilidade enunciativa • Postula-se a existência de porções textuais em que o enunciador primeiro não é a fonte do enunciado.

1998) . termo referenciado e relator (aquele que experiencia a percepção + verbos de percepção). (Rabatel.PDV (Ponto de vista) Ponto de vista: referência (origem da percepção).

PEC (Prise en charge) Operação enunciativa em que o enunciador assume como verdadeira (independentemente da condição de verdade) a proposição de um enunciado ou qualquer informação sobre a qual se posiciona. 2009) . (Rabatel.

..Quando os dados falam. .

AI10 Conforme Magalhães (2001). devendo. 266) (123) Art. • um conceito mantém relação com os demais que constituem um campo temático. • as denominações pertencem a um conjunto de possibilidades estruturais (CABRÈ. 1993. respeitar vários princípios entre os quais podem ser citados: • os termos têm duas vertentes indissociáveis: forma e conteúdo. vocabulários e glossários especializados. • deve haver uma relação unívoca entre forma e conteúdo do termo. o objeto aplicado da terminologia. Tal prática é rigorosa e sistemática. AE05 Essa implantação pode acontecer com a elaboração de dicionários. • o termo situa-se num campo conceptual determinado. ou seja. a obra da mato-grossense mais .(122) Art. pois. p.

1993. AE05 Essa implantação pode acontecer com a elaboração de dicionários.AI10 Entendemos esta noção de estilo individual. • deve haver uma relação unívoca entre forma e conteúdo do termo. o objeto aplicado da terminologia. a subjetividade se dá por . • o termo situa-se num campo conceptual determinado. a consciência individual é reflexo de uma consciência social. assim. p. • as denominações pertencem a um conjunto de possibilidades estruturais (CABRÈ. devendo. como aspecto subjetivo de cada sujeito. Tal prática é rigorosa e sistemática. Segundo ele. que no ato de enunciar faz vir à tona marcas de sua subjetividade por meio da linguagem. ou seja. respeitar vários princípios entre os quais podem ser citados: • os termos têm duas vertentes indissociáveis: forma e conteúdo. pois. dada por Bakhtin (2003). • um conceito mantém relação com os demais que constituem um campo temático.(124)Art. vocabulários e glossários especializados. 266)   (125) Art.

Comparativo da ordem 6 Indicativo de Quadros Mediadores Por tipo de marca linguística AI AE AE E 65 55 38 37 49 44 25 24 25 17 15 13 6 9 8 25 8 0 22 22 0 2 7 12 0 1 3 .

Categorização de Outros Verbos de Elocução cf. Thompson e Yuyin (1991)   Categorias P ot e nc ia l d e n ot at iv o P ot e nc Atos de L1/e1   Atos de e2   Comparação/ contraste Teorização Atitude Total Textual Mental Pesquisa Total Posicionament Positivo Negativo o de e2   Neutro Total Fatual Nº de ocorrências AI AE AEE 0 25 3 28 20 25 10 55 1 41 11 53 53 26 18 97 1 70 23 94 71 38 72 181 8 0 11 19 10 16 0 39 55 6 41 0 110 151 51 .

explicativa e .) Art. AE20 (127) Moirand (2006) observa que. pois ela toma a responsabilidade como um fenômeno de ordem filosófica. embora muito frequentemente o termo responsabilidade seja associado à prise en charge.) o próprio Bronckart reconhece afinal outras regularidades. (.. Art.. assume-se que as esquematizações são o modo de planificação dominante no discurso teórico (eventualmente acompanhadas de sequências descritivas).AEE4 129 (.Art...AI4 (126) Clifford Geertz no texto o impacto do conceito de cultura sobre o conceito de homem. enquanto as sequências argumentativa.. mais abrangente que a prise en charge. (.) Autores americanos vêm denunciando o que chamam de missing paradigm e no bojo dessas discussões questionam a ausência de pesquisas sobre as matérias dos conteúdos ensinados. ética e moral.) Art. ao relacionar tipos de discurso e formas de planificação: no que diz respeito à ordem do EXPOR....AE4 (128) (. expõe ideias iluministas sobre conceito do ser humano. eles não devem ser confundidos.

..Mas isto ainda não é tudo.e sobrenunciação? . Há alguma relação entre a assunção ou não da RE e os mecanismos de construção do PDV evidenciados nas posturas enunciativas de co-. sub..

 Sobrenunciação: definida como a expressão interacional de um ponto de vista dominante. em que tal dominância é reconhecida pelos outros enunciadores e chega. Co-enunciação: corresponde a uma co-produção de um ponto de vista comum e compartilhado. por vezes. a desempenhar o . em proveito do sobrenunciador.  Subenunciação: caracterizada pela expressão de um ponto de vista interacionalmente dominado.

visto que este se trata de um caso de referência anafórica usada para que o leitor compreenda que a palavra “pai” está relacionada com o sujeito “Cândida”.Exemplo de co-enunciação   (150) Art. Porém o pronome “dele” causa uma ambiguidade no sentido. podendo o leitor interpretar que “Patrício” é o nome do pai de “Cândida”. ou se trata do homem por quem a .AI03: Neste trecho é possível perceber o uso do pronome possessivo “seu” de maneira correta. este pronome se comporta como uma pro – forma pronominal e desempenha função de pro – sintagma para que não fosse necessário repetir a palavra “Cândida”. De acordo com as propostas de Fávero. pois não foi especificado a quem este faz referência.

o autor também julga ser necessário ter cuidado ao direcionar os estudos referentes ao ser humano.27). . visto que este possui uma complexidade imensa que ainda não se encontra ordenada. no qual a cultura e a variabilidade cultural possam ser mais levadas em conta” (Geertz. 1989. AI04: Contrária às ideias iluministas.Exemplo de Subenunciação (155) Art. a antropologia “tem tentado encontrar seu caminho para um conceito mais viável sobre o homem. p. porém.

como descreve o próprio Freyre.Exemplos de sobrenunciação (158) Art. AI04: As ideias referentes à cultura indígena expressas nos primeiros trabalhos antropológicos têm reflexos ainda hoje. O que mais intriga nessa situação é o fato de a cultura das tribos indígenas brasileiras terem absorvido características dos costumes dos “brancos” e ainda assim a população relaciona a imagem do nativo à . que preserva a ideia de que o índio não passa de um selvagem culturalmente atrasado. resultando no pensamento preconceituoso da sociedade brasileira.

(159) Artigo AE04: Dick(1990) ainda ressalta que “a exeqüibilidade de uma terminologia básica só pode ser acolhida. a partir de sua comprovação na nomenclatura regional”. além de se procurar descobrir o significado dos topônimos. que o estudo dos topônimos vai além da mera pesquisa etimológica. A autora também esclarece que seu esforço de elaboração de categorias de análise a partir de uma taxionomia deveu-se à preocupação sempre presente de se evitar uma volta ao passado para se descobrir o significado dos topônimos. integralmente. . Consideramos. no entanto.

já que esse acordo. em conseqüência da particitação.(161) Artigo AEE03: Se retomarmos as categorias de Rabatel (2003). (161a) Podemos avaliar a especificidade desse sistema de citação colocando-o frente ao discurso direto livre . pois existe acordo em torno do Ponto de Vista . contudo. Trata-se. de uma forma particular de co-enunciação. podemos dizer que a particitação é fundamentalmente uma forma particular de coenunciação. é tal que torna inútil outras marcas de acordo explícitas em torno do PDV.PDV.

• Não assunção da RE x nível de experiência de um autor.É forçoso reconhecer que: • Todos se apoiam em indicadores de quadros mediadores ou de um suporte de percepção/ pensamentos relatados. • A natureza dos verbos dicendi indicia um posicionamento dos autores do segundo grupo. • A ocorrência destas marcas são diametralmente opostas ao nível de experiência do autor. • Os mecanismos de construção do PDV (Rabatel. 2003 e 2004) contribuem para a criação de um efeito global de maior . o que não ocorre nos textos do primeiro grupo.

• A sobrenunciação como norma do gênero acadêmico. • Ampliação das categorias de análise levou à visão mais abrangente acerca do fenômeno. 2006) • Oscilação na ocorrência dos três tipos de postura. • O achado mais surpreendente • Reflexões levaram à implicações de ordem didático pedagógica e pensada para futuras pesquisas. (Rinck e Grossman. • Adoção da proposta em Moirand (2006) • Redimensionamento da categoria denominada RE .