Lógica

Introdução

1

Definição

A Lógica tem, por objeto de estudo, os métodos e princípios
usados para distinguir o raciocínio correto do incorreto.
Só é possível argumentar corretamente com uma que tenha
estudado lógica. (F) Mas, dada a argúcia inata do intelecto,
uma pessoa com conhecimento de lógica tem mais
probabilidades de raciocinar corretamente do que aquela
que não se aprofundou nos princípios gerais da lógica. As
razões são 3: 1.ª lógica como ciência e arte leve o
estudante a fazer todos os aspecto da teoria; 2.ª conhecer
as falácias aprofunda + a visão dos princípios e ajuda a
evitá-las; e 3.ª a lógica com suas técnicas e métodos para
distinguir o argumento correto do incorreto facilita a análise
de todos os raciocínios dos outros e de si próprio.

2

Origem

Aristóteles - filósofo grego - 342 a.C,
sistematizou os conhecimentos existentes
em Lógica, elevando-os à categoria de
ciência.

Em sua obra chamada Organum
(“ferramenta para o correto pensar”),
estabeleceu princípios tão gerais e tão
sólidos que até hoje são considerados
válidos.
3

Origem  Aristóteles se preocupava com as formas de raciocínio que. a partir de conhecimentos considerados verdadeiros. permitiam obter novos conhecimentos. caberia à Lógica a formulação de leis gerais de encadeamentos lógicos que levariam à descoberta de novas verdades.  A partir dos conhecimentos tidos como verdadeiros. de argumento. em Lógica. Essa forma de encadeamento é chamada. 4 .

as vezes até desconexos.Lógica   Lógica como ciência das leis do pensamento é incluir nela muitas coisas. por isso esta definição não é exata. Quando os psicólogos examinam o processo de raciocínio. consistindo em inábeis procedimentos de “tentativa-eerro”. iluminado por repentinos relâmpagos de introvisão. O caráter de uma pessoa pode ser compreendido mediante a observação do seu fluxo de pensamento. altamente emocional. Todo raciocínio é pensamento. O pensamento é estudado pela psicologia. ainda que sinaliza a natureza da lógica. achamno extremamente complexo. James Joyce trata bem isto em sua obra Ulysses. mas nem todo pensamento é raciocínio. Importante para a psicologia 5 .

nos obscuros caminhos pelos quais a mente chega às suas conclusões durantes os processos concretos de raciocínio. Sua interrogação é sempre esta: a conclusão a que se chegou deriva das premissas usadas ou pressupostas? 6 . em absoluto. Ao lógico só interessa a correção do processo.uma vez completado .Premissas e conclusões O lógico não está interessado. independente do seu conteúdo.

executar e proferir) 7 . As proposições são F ou V ≠ das perguntas. ordens e exclamações (responder.Premissas e conclusões  A inferência é um processo pelo qual se chega a uma proposição. afirmada na base de uma ou mais proposições aceitas como ponto de partida do processo.

Flores são compradas por Paulo ( 2 sentenças e apenas 1 proposição) João e Maria são casados. cada um com seu respectivo cônjuge) 8 . ( 1 sentença e 2 proposições que são João e Maria são casados entre si ou não.Sentença é ≠ de proposição   Paulo compra flores.

9 . Portanto. Luis tem que ter certidão de nascimento.Premissas e conclusão   Termos relativos. E como todo brasileiro tem que ter certidão de nascimento. Logo. ex. Luís é brasileiro. Luis é cuiabano.: Todo cuiabano é brasileiro.

Argumento  Um argumento é uma seqüência de proposições na qual uma delas é a conclusão e as demais são premissas. (premissa) José é aluno de Computação. José precisa estudar Lógica.  Premissas: afirmações disponíveis  Exemplo: Todo aluno de Computação precisa estudar Lógica. (premissa) Logo. (conclusão) 10 . As premissas justificam a conclusão.  Proposições: sentenças afirmativas que podem ser verdadeiras ou falsas.

11 . Pois.Argumento  O objetivo de um argumento é justificar uma afirmação que se faz.  Um argumento demonstra/prova como a partir dos dados de um problema chegou-se a uma conclusão. disse que ia estudar e meu irmão lhe viu na boate. Exemplo: Você me traiu. ou dar as razões para uma certa conclusão obtida.

Naturalmente o turista não sabe se ele é honesto ou mentiroso. umas só falam a verdade e outras só falam mentiras. Lá. O turista sabe que um dos caminhos é para um restaurante e o outro para um abismo.Argumento: Raciocínio e Inferência  Exercício 1: Um turista está andando pela terra dos honestos e mentirosos. as pessoas são radicais. mas não sabe distingui-los. Como o turista descobre o caminho para o restaurante fazendo uma única pergunta a esse nativo? 12 . Nesta bifurcação ele encontra um homem nativo. Chegou a hora do almoço e o turista encontra-se numa estrada com uma bifurcação.

Mandou trazer três chapéus brancos e dois vermelhos. Ganharia a liberdade aquele que soubesse dizer. Vendou os olhos dos prisioneiros. Os dois primeiros não souberam dizer. de forma convincente. 13 . a cor do seu próprio chapéu olhando para os outros prisioneiros. afirmou com toda certeza a cor do seu chapéu. antes que o rei lhe tirasse a venda dos olhos.Argumento: Raciocínio e Inferência  Exercício 2: Um rei resolveu dar a liberdade a um de seus três prisioneiros. O terceiro. Qual a cor do chapéu do terceiro prisioneiro? Justifique. colocou um chapéu em cada um e depois foi retirando a venda dos olhos deles.

Pontos de Partida Caminhos Seguidos Raciocínio ou Processo de Inferência Conclusão  Um argumento poderia ser considerado uma reconstrução explícita do raciocínio efetuado 14 .Argumento: Raciocínio e Inferência  Para convencer que você sabe a resposta (que não é um chute) você tem de expor as razões que o levaram a conclusão (justificar).

Argumento: Raciocínio e Inferência  Inferência é a relação que permite passar das premissas para a conclusão (um “ encadeamento lógico”)  A palavra inferência vem do latim. e significa “conduzir para” 15 . Inferre.

Argumento  O objeto de estudo da lógica é determinar se a conclusão de um argumento é ou não decorrente das premissas (uma inferência). 16 .

17 . caso contrário não é válido. ou ainda que a conclusão é uma inferência decorrente das premissas. podemos dizer que a conclusão é uma conseqüência lógica das premissas.Validade de um Argumento  Em um argumento válido.  Quando é válido. as premissas são consideradas provas evidentes da verdade da conclusão.

serei rico. Eu ganhei na Loteria.) 18 . Logo. É Válido (a conclusão é uma decorrência lógica das duas premissas.Validade de um Argumento  Exemplo 1: O argumento que segue é válido? Se eu ganhar na Loteria. sou rico.

não sou rico  Não é Válido (a conclusão não é uma decorrência lógica das duas premissas.Validade de um Argumento  Exemplo 2: O argumento que segue é válido? Se eu ganhar na Loteria.) 19 . serei rico Eu não ganhei na Loteria Logo.

 A validade do argumento está diretamente ligada à forma pela qual ele se apresenta (Lógica Formal – estuda a forma dos argumentos). A verdade do conteúdo de cada premissa e da conclusão é estudo das demais ciências. com a estrutura e a forma do raciocínio. 20 . ou seja.Validade de um Argumento  A lógica se preocupa com o relacionamento entre as premissas e a conclusão.

21 . que dão origem a dois tipos de argumentos: Dedutivos e Indutivos.Dedução e Indução  A Lógica dispõe de duas ferramentas que podem ser utilizadas pelo pensamento na busca de novos conhecimentos: a dedução e a indução.

Podem ser:  Válidos: quando suas premissas. fornecem provas convincentes para a conclusão. é impossível que a conclusão seja falsa. 22 . se verdadeiras. Isto é.Argumentos Dedutivos  Os Argumentos Dedutivos pretendem que suas premissas forneçam uma prova conclusiva da veracidade da conclusão. se as premissas forem verdadeiras.  Inválidos: não se verifica a característica anterior.

Todo homem é mortal.Argumentos Dedutivos  Exemplos de argumentos dedutivos: Ela toca piano ou violão. Inválido Logo. Sócrates é um homem. Argumento Ela toca piano. Logo. Sócrates é mortal. Argumento Válido 23 . ela não toca violão.

Argumentos Indutivos  Os Argumentos Indutivos não pretendem que suas premissas forneçam provas cabais da veracidade da conclusão. Eles são avaliados de acordo com a maior ou a menor probabilidade com que suas conclusões sejam estabelecidas. obtém conclusões baseada em observações/experiências. Enquanto que um Raciocínio Dedutivo exigi uma prova formal sobre a validade do argumento. 24 .  Os termos válidos e inválidos não se aplicam para os argumentos indutivos. mas apenas que forneçam indicações dessa veracidade. (possibilidade. isto é. probabilidade)  Seguem do Raciocínio Indutivo.

ela vai afundar. se eu jogar uma outra pedra no lago. e ela também afundou. Joguei mais uma pedra no lago. 25 . Joguei outra pedra no lago e ela também afundou. e ela afundou.Argumentos Indutivos  Exemplo1: Joguei uma pedra no lago. Logo.

26 . Logo. A vacina funcionou bem nos macacos.Argumentos Indutivos  Exemplo2: A vacina funcionou bem nos ratos. o candidato X vai vencer as eleições. vai funcionar bem nos humanos.  Exemplo3: 80% dos entrevistados vão votar no candidato X. Logo.

27 . verificando se são ou não válidos.Argumentos Indutivos  A Lógica Formal Clássica só estuda Argumentos Dedutivos.

Validade e Verdade  Verdade e Falsidade: são propriedades das proposições. nunca dos argumentos  Validade ou Invalidade: são propriedades dos argumentos dedutivos que dizem respeito a inferência ser ou não válida (raciocínio ser ou não correto) 28 .

toda baleia tem pulmões (V)  Argumento válido e a conclusão verdadeira.Validade e Verdade  Exemplo 1 Toda baleia é um mamífero (V) Todo mamífero tem pulmões (V) Logo. 29 .

Validade e Verdade  Exemplo 2 Toda aranha tem seis pernas (F) Todo ser de seis pernas tem asas (F) Logo. toda aranha tem asas (F)  Argumento válido e a conclusão falsa 30 .

evidentemente sua conclusão também é verdadeira. exceto que nenhum argumento dedutivo válido tenha as premissas verdadeiras e a conclusão falsa. 31 .  Um argumento dedutivo no qual todas as premissas são verdadeiras é dito Argumento Correto.  Qualquer combinação de valores verdade entre as premissas e a conclusão é possível.Validade e Verdade  Os conceitos de argumento válido ou inválido são independentes da verdade ou falsidade de suas premissas e conclusão.

Tabalho iniciado pelo matemático inglês George Boole (1815 – 1864) – Algebra Booleana.Lógica Clássica e Lógica Simbólica. e consolidado pelo filósofo e matemático alemão Goottlob Frege (1848 – 1895) – Regras de Demonstração Matemática. 32 . mas enfrenta problemas de ambigüidade e de construções confusas.  A Lógica Simbólica ou Lógica Matemática utiliza símbolos de origem matemática para formular os argumentos.  Lógica Informal formula os argumentos em linguagem natural.

 Tradicionalmente a Lógica tem sido estudada para orientações filosóficas e matemáticas. é um instrumento poderoso para a análise e a dedução dos argumentos. . a Lógica Simbólica tem sua própria linguagem técnica.Lógica Clássica e Lógica Simbólica. Na computação. ela é utilizada para representar problemas e 33 para obter suas soluções. especialmente com o uso do computador (Prova Automática de Teoremas).  Uma vez que .

técnicas de definição regras de definição por gênero e diferença. disputas verbaise definição. silogismos categóricos. 3 funções básicas da linguagem. discurso emotivamente neutro. falácias não-formais de relevância e de ambiguidade e como evitá-las. palavras emotivas. argumentos em linguagem comum. as formas do discurso.O que estudaremos nessa disciplina?      1.ª Parte Dedução: prop categórigas. Definição: 5 propósitos. acordo e desacordo. 34 .ª Parte: Linguagem – o que é lógica. verdade e validade. lógica simbólica e método de dedução. reconhecimento de argumentos. discurso que serve a múltiplas funções. premissas e conclusão. várias espécies de significado. dedução e indução. 5 tipos de definição. 2.

Referência Bibliográfica para esta parte introdutória  Apostila de Introdução à Lógica Matemática. Cezar A. UNESP 35 .  Mortari. Imprensa OFICIAL. 1999. Antônio de Almeida Pinho. Irving M. Introdução à Lógica.. 1974. Mestre Jou . Ed.  Copy. Prof. Registro MEC 19124. Ed.. SP. São Paulo. Introdução à Lógica. Rio de Janeiro.

36 .