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Universidade Federal de Pernambuco

Centro de Ciências Farmacêuticas
Departamento de Farmácia
Disciplina de Tecnologia dos Medicamentos

Conceitos e Aplicações para Interpretação de Interação
Fármaco-Fármaco/Fármaco-Excipiente

Análise Térmica

Amanda Quintas

Introdução
 Análise Térmica são métodos analíticos que medem as variações
das propriedades físicas ou químicas de uma substância em função
da temperatura.
 São amplamente utilizadas na Indústria Farmacêutica, por serem
técnicas alternativas, rápidas e seguras para o controle de qualidade
de fármacos e produtos acabados, encontrando também
aplicabilidade na orientação do desenvolvimento de novas
formulações, como no estudo de pré-formulação.
 A análise térmica é viável no estudo de estabilidade de fármacos e
formulações, determinação de pureza de compostos eutéticos,
avaliação de polimorfismo e na obtenção de informações quanto às
interações fármaco-fármaco/ fármaco/excipiente, principal foco
deste trabalho.

Aplicação Geral
Tem por finalidade descobrir que efeitos apresentam os
adjuvantes quando associados com o fármaco em uma
forma farmacêutica.
Pesquisa bibliográfica; Ensaios físico- Farmacologia clínica
Química ee
Farmacológica

Pré-
formulação

Tecnológica
de Pré-
Farmacológica

formulação

Etapa Tecnológica
químicos; fase 1;
Síntese Química

Planejamento
Químico; Testes preliminares de Definição quantitativa

Estudos de
Métodos de síntese; matérias-primas; de adjuvantes;

Estudos
Estudos Determinação Desenvolvimento da
farmacodinâmicos e qualitativa de forma farmacêutica;
Síntese

cinéticos; excipientes; Desenvolvimento da

Etapa
Desenvolvimento e Verificação de produção;
produção do fármaco . compatibilidades. Desenvolvimento de
controle e processo;
Validação de processo.

(De PAULA, 2004)

(DSC)
DIFERENCIAL
• Variação de energia cedida entre DE VARREDURA
substâncias em função da temperatura CALORIMETRIA
(DTA)
DIFERENCIAL
• Variação da temperatura das TÉRMICA
substâncias em função da temperatura ANÁLISE
(TG)
• Variação de peso em função da TERMOGRAVIMETRIA
temperatura
Técnicas

registrando-se assim a variação de peso em função da temperatura ou tempo. .TERMOGRAVIMETRIA (TG) Termogravimetria é a técnica na qual a mudança da massa de uma substância é medida em função da temperatura enquanto esta é submetida a uma programação controlada. O instrumental básico do TG é uma balança de precisão e um forno programado. para que a temperatura aumente linearmente com o tempo.

• Aquecimento em diversas velocidades. Forno • Taxa de aquecimento linear e reprodutível . • Sensibilidade. • Deve estar protegida do forno e dos efeitos dos gases corrosivos. atmosferas e no vácuo. .TERMOGRAVIMETRIA (TG) Instrumentação Termobalança • Registro contínuo da Δ peso da amostra em função da Δ temperatura e do tempo. além de em condições isotérmicas.

e outra a uma temperatura conhecida. uma em ponto cuja temperatura deve ser medida. . A temperatura entre as duas junções é determinada pelas características do material e o potencial elétrico estabelecido.TERMOGRAVIMETRIA (TG) Instrumentação Sensores • As variações de temperatura da amostra devem ser medidas o mais cuidadosamente possível. Termopar • Dispositivo constituído de dois condutores elétricos tendo duas junções.

TERMOGRAVIMETRIA (TG) Instrumentação Figura 1: Principais componentes de uma termobalança .

TERMOGRAVIMETRIA (TG)  SISTEMÁTICA: A temperatura aumenta linearmente com o tempo. Figura 2: Termograma de uma amostra de gesso. resultando em uma curva termogravimétrica em que se registra a variação de peso (eixo “y”) pela variação de temperatura (eixo “x”). .

UFSC) . Apostila de análise térmica.TERMOGRAVIMETRIA (TG) Leitura CCuu eerriivv GG)) D D ((DDTT rrvv aadd aa aa TTGG Figura 3: Análise termogravimétrica de amostra de guaraná obtida com razão de aquecimento de 10 ºC min-1 em atmosfera de ar (50 mL min-1) (ARAÚJO et al. DTG (azul) (RODRIGUES & MARCHETTO. Figura 4: Gráfico de TGA (vermelho) e sua derivada.. 2006).

. Permite visualizar reações sucessivas através de seus picos As áreas dos picos correspondem exatamente à perda ou ganho de massa e podem ser utilizadas em determinações quantitativas. à velocidade máxima e ao fim da reação. Utilizações do DTG Indicam com exatidão as temperaturas correspondentes ao início.CURVA TERMOGRAVIMÉTRICA DERIVADA (DTG) Ferramenta matemática utilizada para auxiliar a visualização de pontos de degradação não visíveis no gráfico original.

CRITÉRIOS PARA REALIZAÇÃO EFICAZ DE ANÁLISE TERMOGRAVIMÉTRICA EFEITOS INSTRUMENTAIS EFEITOS CARACTERÍSTICOS DA AMOSTRA .

TG .EQUIPAMENTO .

Apostila de análise térmica. UFSC. Adaptado de RODRIGUES & MARCHETTO. . Figura 5: Diagrama esquemático do compartimento da amostra na análise DTA.TÉCNICAS DIFERENCIAIS Análise Térmica Diferencial (DTA) É a técnica na qual a diferença de temperatura entre uma substância e um material de referência é medida enquanto são submetidos a uma programação controlada de temperatura.

Adaptado de RODRIGUES & MARCHETTO. .ANÁLISE TÉRMICA DIFERENCIAL (DTA) Leitura Figura 6: Curva típica de uma análise térmica diferencial. UFSC. Apostila de análise térmica.

como processos de desidratação OXIDAÇÃO fusão .ANÁLISE TÉRMICA DIFERENCIAL (DTA) Sistemática Amostra & Referência Δ Não sofre Sofre Reação Sofre Reação Reação Endotérmica Exotérmica Ausência de Pico Pico Endotérmico Pico Exotérmico AGUDOS: mudança de LARGOS: Reações cristalinidade ou reações de Químicas.

CALORIMETRIA DE VARREDURA DIFERENCIAL (DSC) Equipamento capaz de quantificar a energia envolvida nas reações. . Existem dois tipos de equipamentos que realizam a DSC: o DSC com compensação de energia e o DSC de fluxo de calor.

podendo assim quantificar a energia utilizada nas reações. (RODRIGUES & MARCHETTO. que é proporcional à energia consumida. a fim de manter nula a ΔT entre as amostras.CALORIMETRIA DE VARREDURA DIFERENCIAL (DSC) Com compensação de energia Consiste no fornecimento de energia pelo equipamento. UFSC) . O gráfico é fornecido a partir das medições de energia fornecida. Apostila de análise térmica. Figura 7: Diagrama esquemático dos compartimentos do DSC por compensação de energia.

Apostila de análise térmica.CALORIMETRIA DE VARREDURA DIFERENCIAL (DSC) Com fluxo de calor Consiste na aferição do fluxo de energia entre os dois cadinhos (amostra e referência). diante de uma temperatura constante. (RODRIGUES & MARCHETTO. platino). Figura 8: DSC por fluxo de calor. através de sensores altamente condutíveis (p. ex. UFSC) .

UFSC) .CALORIMETRIA DE VARREDURA DIFERENCIAL (DSC) Leitura Figura 9: Curvas DSC. (RODRIGUES & MARCHETTO. Apostila de análise térmica.

UFSC) . Apostila de análise térmica.CALORIMETRIA DE VARREDURA DIFERENCIAL (DSC) Leitura Quadro 1: Transições relacionadas aos processos químicos e físicos durante o aquecimento (RODRIGUES & MARCHETTO.

ANÁLISE TÉRMICA DIFERENCIAL (DTA) EQUIPAMENTO .

APLICAÇÕES NA DETERMINAÇÃO DE INTERAÇÃO FÁRMACO-FÁRMACO / FÁRMACO-EXCIPIENTE .

. analisando os medicamentos Aspirina ® e AAS ® em comparação com o seu princípio ativo. o ácido acetil-salicílico.OBJETIVO: Estudar as possíveis interações entre fármaco e excipiente.

porém podemos notar um deslocamento dessas bandas nos medicamentos indicando interação entre os componentes destes. Nota-se que os medicamentos comerciais apresentam Resultados máximos de temperatura diferentes do principio ativo. Todas as amostras apresentam as bandas características do ácido acetil salicílico. sendo esta diferença provavelmente causada pela interação do excipiente com o princípio ativo. Na segunda etapa. indicando influência dos excipientes na decomposição do fármaco. . os máximos são menores que o observado para o princípio ativo.

. numa faixa de temperatura de 25-900 °C. LTM Laboratório de Tecnologia dos Medicamentos OBJETIVO: Avaliar as interferências na estabilidade de comprimidos contendo Ritonavir a partir de diferentes cristais do fármaco.min-1. Figura 11: Microscopia das amostras – Fornecedor A e B Figura 12: Curvas da análise térmica por TG para as amostras dos fornecedores A (1) e B (2) em velocidades de aquecimento de 10 °C.

Observou-se que a amostra A necessitou de mais calor. . para atingir o estágio de transição de fases.min-1. Uma diferença no Resultados comportamento térmico das duas formas cristalinas foi evidenciada na Tabela acima. as amostras dos fornecedores A e B em velocidades de aquecimento de 10 °C. LTM Laboratório de Tecnologia dos Medicamentos Tabela 2: Dados de DSC das amostras dos fornecedores A e B em diferentes velocidades de aquecimento. comparado com o fornecedor B. e conseqüentemente apresentou em todas as velocidades de aquecimento um ponto de fusão de 1-3 °C Figura 13: Curvas da análise térmica por TG e DSC para mais elevado.

. dentre outras técnicas. Figura 14: Curvas DSC das micropartículas de PLGA contendo lapachol.OBJETIVO: Avaliar as possíveis interações fármaco-polímero. o DSC e o TG. PLGA. lapachol e mistura física lapachol/PLGA. utilizando.

Os resultados de DSC e ATG Resultados evidenciaram a ocorrência de interações entre o lapachol e o PLGA. . e que o processo utilizado mantém a integridade estrutural do lapachol. lapachol e mistura física lapachol/PLGA. mostrando que o método de desenvolvimento pela técnica da emulsificação foi adequado para produzir as referidas microparticulas. PLGA. as quais foram confirmadas com a espectroscopia de absorção no infravermelho. térmico das micropartículas e do lapachol. além do estabelecimento da relação Figura 15: Curvas ATG das micropartículas de PLGA contendo entre o comportamento lapachol. no entanto as referidas técnicas confirmaram a presença do fármaco no polímero.

. assim como determinar o teor de umidade e cinzas através de métodos convencionalmente termogravimétricos.OBJETIVO: Avaliar o perfil termoanalítico da amostra comercial de guaraná em pó.

Através dos métodos termogravimétricos foi Resultados possível comparar a composição de diferentes amostras comerciais de guaraná em pó. temperatura de decomposição térmica dos carbohidratos e demais compostos orgânicos e a temperatura para se detectar o teor de cinzas totais. pôde-se perceber as reações de desidratação. No estudo da amostra como referência. . que correspondem aos sais minerais e às impurezas contidas na amostra.

. TG e DTG da SQR em atmosfera de nitrogênio sob aquecimento de 10 °C min–1. podendo comprometer sua performance e Figura 19 . estabilidade. interações do Metronidazol com a formulação proposta. indicando que as amostras não mantiveram as características iniciais do metronidazol. As curvas DSC Resultados evidenciaram que a fusão do fármaco nas formulações ocorreu entre 151.Curvas DSC.7 °C.OBJETIVO: Observar.0 e 157. através de análises térmicas.

Objetivo: Obter microesferas de PLDLA carregadas com sinvastatina .

. mantendo a integridade das estruturas do polímero e do fármaco. O método de simples emulsão possibilitou a obtenção Resultados Resultados de microesferas de PLDLA com morfologia e tamanho adequados para a aplicação como dispositivo para liberação controlada de fármacos. Assim como foi eficiente para o encapsulamento da sinvastatina.

em atmosfera dinâmica de nitrogênio (50 mL. . Min-1). Curvas de DSC. LTM Laboratório de Tecnologia dos Medicamentos Objetivo: Avaliar as propriedades físico-químicas e compatibilidades de diversos excipientes farmacêuticos em associação com o efavirenz (EFZ) utilizando métodos termoanalíticos. com taxa de aquecimento de 10ºC/min-1. TG e DTG do EFZ.

1] Log q = -0. WALL E OZAWA (F-W-O) log g(α) = log (A Ea/R) . LTM Laboratório de Tecnologia dos Medicamentos EQUAÇÃO DE FLYNN.315 - 0.2.4567 Ea/RT [Eq.log q .4567 Ea/RT [Eq. 2] Onde: g(α) = Conversão relação funcional Ea = Energia de ativação aparente R = gás constante geral Curvas de DSC do EFZ com misturas binárias de excipientes obtidas em atmosferas dinâmicas de nitrogênio (50mL/min) com taxa de aquecimento de 10ºC/min) q = Taxa de aquecimento T = Temperatura absoluta .

sobretudo nos estudos de pré-formulação para indicação de interação fármaco-fármaco/fármaco-excipiente. . quantificação de materiais estranhos (cinzas totais) e pureza. possibilitando a escolha das formulações mais estáveis com extrema rapidez e precisão. eficiência do excipiente (polímero) na proteção do fármaco. dentre outros. como: temperatura ótima para retirada de umidade de medicamentos/insumos. comparação entre produtos acabados. qualificação de fornecedor.  Além da detecção de interações.  Essas técnicas mostram-se extremamente úteis em estudo de estabilidade. CONCLUSÃO  A utilização das técnicas de análise térmica tem se mostrado de grande utilidade. estas técnicas proporcionam vários outros resultados.

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Obrigada! .