You are on page 1of 80

UNIDADE 1

LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS
DO DIREITO BRASILEIRO
Profª Roberta Siqueira
Teoria Geral do Direito Civil

ATENÇÃO: Este material é meramente informativo e não exaure a matéria. Foi
retirado da bibliografia do curso constante no seu Plano de Ensino. São
necessários estudos complementares. Mera orientação e roteiro para estudos.

1.1 CONTEÚDO E FUNÇÃO
 Foi criada no direito francês.

 Código Francês (1804).

 Direito brasileiro repetiu a fórmula (CC de1916):
foi modificada (1942) se tornando o DL 4.657/42,
apelidado de LICC (Lei de Introdução ao Código
Civil), é o nosso objeto de estudo.

 Lei 12.376 de 30/12/2010, no art. 2º, alterou a
ementa do decreto 4.657/42. 2

 Objeto é formatar a estrutura das normas.

 A LINDB é um código de normas.

 Código sobre a elaboração, a vigência, a aplicação
no tempo, a aplicação no espaço, a interpretação.

 É de aplicação universal, em qualquer dos ramos
do direito.

3

 A incidência universal da LINDB conta com algumas
exceções:
 
 No campo do direito penal e no campo do direito
tributário: somente se admite a analogia como
mecanismo de integração das normas in bonam
partem.

 Estrutura da LINDB:
 
 Vigência e eficácia das normas jurídicas – Arts. 1.º , 2.ºe 3.º
 Critérios de integração da norma – Art. 4º
 Critérios de hermenêutica jurídica (interpretação) – Art. 5º
 Conflito de leis no tempo – Art. 6.º
 Normas de Direito Internacional Público e privado – Arts. 7º 4
ao 19.

2 FONTES  Fontes do direito significam de onde emana o direito ou de onde ele provém.  São uma espécie de garantia quanto ao cumprimento das normas: impedem que o juiz centre seu julgamento em critérios pessoais.1.  São vários os critérios de classificação das fontes: 5 .

princípios gerais do direito. Também podemos citar as normas coletivas decorrentes do poder normativo da Justiça do Trabalho e as súmulas vinculantes do Supremo Tribunal Federal. costumes. 6  Fontes não formais: doutrina e a jurisprudência . Se subdividem em:  Fonte formal principal: lei  Fontes formais acessórias ou secundárias: analogia. formais e não formais:  Fontes materiais ou fontes no sentido sociológico: causas que determinam a formulação da norma jurídica (direito objetivo).    Fontes formais: indicam os meios através dos quais o direito objetivo se manifesta.a) Fontes materiais.

como instrumentos auxiliares).  Analogia: consiste em aplicar a alguma hipótese. que. passam a indicar um modo de 7 procedimento.  Costumes: práticas longevas. Tem primazia sobre as demais fontes. constantes da repetição geral de comportamentos. disposição relativa a caso semelhante.b) Fontes imediatas ou mediatas:  Fontes imediatas ou diretas: Lei.  Fontes mediatas ou secundárias: analogia. uniformes e gerais. Também considerada mecanismo de integração da norma. costumes e princípios gerais de direito (sem prejuízo da utilização da doutrina e jurisprudência. não prevista especialmente em lei. pela reiteração. .

 Jurisprudência: conjunto de decisões judiciais proferidas em determinado sentido. Princípios gerais de direito: são os postulados extraídos da cultura jurídica. afirmando uma linha de orientação sobre determinados temas. 8 .  Doutrina: entendimento firmado pelos juristas de um determinado ordenamento jurídico.

 Processo solene de elaboração da lei: chamado de processo legislativo . cada uma possui peculiaridades próprias. .que geralmente passa por cinco etapas.Procedimento próprio.1. 59 a 69. Vamos falar sobre o “processo padrão” (ou processo legislativo 9 ordinário). definido nas normas constitucionais (arts.3 LEI  Criação . CF/88).  Há várias espécies de leis.

demais Tribunais Superiores. pode ser:  Iniciativa Parlamentar: qualquer membro ou comissão do Poder Legislativo  Iniciativa Extraparlamentar: ao Presidente da República. Supremo Tribunal Federal. )Constituição confere legitimação a várias pessoas e órgãos para a apresentação de projetos de lei ao Poder Legislativo. Procurador Geral da República e também aos cidadãos em geral 10 (iniciativa popular) (art. CF/88). 61.A) INICIATIVA: )Faculdade conferida a alguém ou a algum órgão para apresentar um projeto de lei. Na área federal. .

Ex.  No âmbito federal: projeto deve ser aprovado pelas duas Casas Legislativas (iniciadora e revisora). redações. debates.B) DISCUSSÃO E APROVAÇÃO:  Fase de estudos. correções. . câmara dos deputados: de 513.  Lei ordinária (matéria mais simples): aprovação por maioria simples (= maioria dos presentes mais 1) de cada Casa legislativa. emendas e votações: deliberação parlamentar. 11 se 257 votos. exige.  Lei complementar: possui quorum qualificado (maioria absoluta = metade dos membros da casa mais 1).

 Casa iniciadora pode aprovar ou rejeitar o projeto. salvo se houver proposta da maioria dos deputados ou senadores. onde poderá:  Ser aprovado integralmente vai para próxima etapa: sanção ou veto. podendo aprová-lo ou rejeitá-lo.  Aprovado na Casa iniciadora. 12 .  Rejeitado será arquivado. não podendo ser apresentado outro sobre a matéria na mesma sessão legislativa.  Emendado retorna para a Casa Iniciadora. o projeto segue para a Casa Revisora.

66. 13 . Pode ser:  Expressa: quando o Executivo se manifesta por despacho.C) SANÇÃO OU VETO:  Fase de deliberação executiva pelo chefe do Poder Executivo. §3º. aprovando o projeto. CF/88).  Sanção: concordância com o projeto aprovado pelo Poder Legislativo.  Tácita: quando o Executivo simplesmente se omite e não aprecia o Projeto no prazo de 15 dias úteis (art.

 É irretratável e deve ser EXPRESSO e MOTIVADO. Veto só pode ser supressivo – só pode retirar. O veto pode ser:  Total: atinge todos os dispositivos do projeto.  Não há veto tácito: silêncio do chefe do executivo implica em sanção.  Motivos do veto: inconstitucionalidade (veto jurídico) e/ou inconveniência (veto político).  Não se pode vetar palavras isoladas.  Parcial: atinge um ou alguns dos dispositivos do projeto. não se pode acrescentar. Veto: Recusa ou não concordância com o projeto de lei. 14 .

o Presidente do Congresso promulga a lei. encerra-se o processo legislativo: processo arquivado.  Se o veto for total e não alcançada a maioria absoluta em cada Casa. volta ao Chefe do Executivo apenas para promulgação. Se for derrubado.  Para derrubar o veto é necessária. Pode ser derrubado ou superado:  Motivos ao veto são comunicados ao Presidente do Senado em 48 horas e a matéria será REAPRECIADA pelo Congresso no prazo de 30 dias. em sessão conjunta a maioria absoluta dos deputados E senadores.  Se o veto for parcial e for mantido. 15 .

o chefe do Executivo terá 48 horas para promulgar a lei – se não fizer a atribuição passa a ser do Presidente do Senado. ou derrubada do veto.  A sanção transforma o projeto de lei em lei. 16 . inovando-se a ordem jurídica. Significa proclamação da existência de uma lei.D) PROMULGAÇÃO  Decorre da sanção.  Em caso se sanção tácita (15 dias sem manifestação).

em órgão oficial. tornando- a conhecida de todos Presunção.E) PUBLICAÇÃO  Ato por meio do qual se dá a divulgação da existência da nova lei. 17 .  Com a publicação encerra-se o processo legislativo.  É uma condição de VIGÊNCIA e EFICÁCIA da lei.

 VALIDADE FORMAL – refere-se à competência de quem elaborou ou observância dos trâmites legais. 1º E 2º)  VALIDADE – ligada à ideia de conformidade e legalidade.1 VALIDADE.3. 18 .  VALIDADE MATERIAL – refere-se ao conteúdo regulado. A norma deve ser produzida por autoridade legítima. competente e respeitado os trâmites legais.1. VIGÊNCIA E EFICÁCIA DAS LEIS (ARTS.

 03 meses nos Estados estrangeiros.  SALVO DISPOSIÇÃO CONTRÁRIA. quando admitida. 19 . a lei começa a vigorar:  45 dias (em todo país) depois de oficialmente publicada. VIGÊNCIA – refere-se ao intervalo de tempo em que a norma jurídica está legalmente autorizada a produzir seus efeitos.

 EFICÁCIA OU EFETIVIDADE – refere-se aos efeitos ou consequências de uma regra jurídica.  A lei passa por diferentes momentos na sua formação. que é a promulgação. 20 .  O momento de existência da norma. na sua composição.  Qualidade da norma de efetivamente produzir os efeitos esperados. NÃO determina sua vigência.

 Na prática: as normas entram em vigor na “data de sua publicação”. VACATIO LEGIS . da LC 95/98 disciplina a mesma matéria: A vigência da lei deve ser obrigatoriamente indicada.regra não é absoluta. 8º.período de tempo. para que todos tomem conhecimento de que a lei foi promulgada.  Art. 1º da LINDB . 21 .  Vigência das normas está submetida à regra do art.

§ 1o  Nos Estados. Art. § 3o  Se. a obrigatoriedade da lei brasileira. o prazo deste artigo e dos parágrafos anteriores começará a correr da nova publicação. 1o . . LINDB. antes de entrar a lei em vigor. ocorrer nova publicação de seu texto. estrangeiros. § 2o   (Revogado pela Lei nº 12. se inicia três meses depois de oficialmente publicada. quando admitida. destinada a correção.036. § 4o  As correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei 22 nova.  Salvo disposição contrária. a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada. de 2009).

 Art. LC 95/98. § 1º A contagem do prazo para entrada em vigor das leis que estabeleçam período de vacância far-se-á com a inclusão da data da publicação e do último dia do prazo. A vigência da lei será indicada de forma expressa e de modo a contemplar prazo razoável para que dela se tenha amplo conhecimento. entrando em vigor no dia subsequente à sua consumação integral. (Incluído pela Lei Complementar nº 107.4. 8º . (Incluído pela Lei Complementar nº 107. reservada a cláusula "entra em vigor na data de sua publicação" para as leis de pequena repercussão.2001) § 2º As leis que estabeleçam período de vacância deverão utilizar a cláusula ‘esta lei entra em vigor após decorridos (o número de) dias de sua publicação oficial’ .4. de 26.2001) 23 . de 26.

24 . 8º LC 95/98) fica restrita a leis de pequena repercussão. A vacatio deve corresponder ao NÚMERO DE DIAS necessários para que todos dela tomem conhecimento.  A fórmula da cláusula “esta lei entra em vigor na data de sua publicação” (art.

e grande parte do sistema jurídico (mais de 100 artigos). do STJ que diz assim: “a recusa do suposto pai de se submeter ao exame de DNA na ação de investigação de paternidade faz presumir a prova que se pretendia produzir.008/09 (nova Lei de Adoção). o ECA.”  Lei 12. Trouxe uma vacatio de 90 dias porque não era de pequena repercussão. Exemplo: a Lei 12. o CPC. 25 . que alterou a CLT.004/09 apenas consolidou em sede legislativa o entendimento da Súmula 301.

 CONTAGEM DOS PRAZOS de vacatio legis: (§ 1º. da LC 95/98):  § 1º A contagem do prazo para entrada em vigor das leis que estabeleçam período de vacância far-se-á com a inclusão da data da publicação e do último dia do prazo. do art. 8º. 26 . entrando em vigor no dia subsequente à sua consumação integral.

Ex: art. 2.    Modo de contagem do prazo de vacatio: deveria ser por NÚMERO DE DIAS.). regulamentos. resoluções.  ATENÇÃO: essas regras não se aplicam aos atos normativos administrativos (decretos.  Art. que entram em vigor sempre na data de sua publicação. mas assumiu caráter apenas residual. 27 . 1º. etc. da LINDB não foi revogado. portarias.044. O próprio legislador estabelece prazos diferentes.

§ 3º. 28 .outro processo legislativo. 1º.  Art.não é necessária uma lei nova. 1º da LINDB: Princípio da Vigência Sincrônica ou Sistema Simultâneo. bastando a republicação do texto. MODIFICAÇÃO DA LEI:  Durante a vacatio legis: regra do art. Reinício do período de vacatio.  Depois da vacatio legis: as emendas e correções de texto de lei EM VIGOR. consideram-se lei nova . LINDB .

de desconhecimento da lei (Princípio da inescusabilidade da ignorância da lei). art.4 REVOGAÇÃO E OBRIGATORIEDADE DAS LEIS  Obrigatoriedade das normas = proibição de alegação de erro de direito. LINDB. alegando que não a conhece .1.  Ficção jurídica – visa garantir a eficácia global da ordem jurídica.  Ninguém pode se escusar de cumprir a lei. 3º. 29 .

 Art. alegando que não a conhece. porque é certo que há casos em que se admite a alegação de desconhecimento de leis. 30 . Princípio da obrigatoriedade das leis PRESUME o conhecimento das leis. 3o  Ninguém se escusa de cumprir a lei.  Essa presunção é relativa ou absoluta? É possível conhecer todas as leis? É relativa.

561). a possibilidade de alegação de erro de direito é bem menor. Os dois grandes exemplos são:  Casamento putativo (Art. 139. do CP (atenuante de pena). 31 .  No campo do direito civil. 65. Ex.: art. III). E que casos são esses? O maior volume de permissão de alegação de erro de direito está no direito penal. 1.  Anulação do negócio jurídico (Art.

§ 2o Se ambos os cônjuges estavam de má-fé ao celebrar o casamento. .  Art.. Art. for o motivo único ou principal do 32 negócio jurídico. em relação a estes como aos filhos. O erro é substancial quando: [. se contraído de boa-fé por ambos os cônjuges. o casamento.. os seus efeitos civis só a ele e aos filhos aproveitarão. Embora anulável ou mesmo nulo.] III . § 1o Se um dos cônjuges estava de boa-fé ao celebrar o casamento.561. produz todos os efeitos até o dia da sentença anulatória. 1. 139. os seus efeitos civis só aos filhos aproveitarão.sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei.

até que uma outra. ou seja.  Até que momento a lei terá vigência?  PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE (art. 2º. retirando-lhe a eficácia. 33 . expressa ou tacitamente a revogue.toda e qualquer lei. REVOGAR é tornar sem efeito uma lei ou qualquer outra norma jurídica. não se destinando à vigência temporária.  REGRA GERAL: lei permanece em vigor enquanto não modificada ou revogada por outra. LINDB) . permanecerá em vigor até que se torne incompatível.

Ex.: leis que concedem favores fiscais.  Desaparecem do ordenamento:  com o decurso do prazo estabelecido. EXCEÇÃO: leis de vigência temporária - algumas leis tem prazo de duração. 34 . ou  quando já cumpriu seus objetivos.

A cláusula de revogação deverá enumerar. que é a hipótese de revogação da lei pelos costumes (art.  Classificação da revogação QUANTO À FORMA DE EXECUÇÃO:  A revogação poderá ser EXPRESSA (o próprio texto da lei nova indica a revogação) ou TÁCITA (lei nova regula inteiramente matéria tratada por lei anterior). as leis ou disposições legais revogadas.  Art. LC 95/98. 35 . 9º. da LC 95/98). expressamente. ATENÇÃO! O direito brasileiro não admite o dessuetudo. 9º.

2.045.071. Ex. Revogam-se a Lei no 3. de 25 de junho de 1850. CC.Código Civil e a Parte Primeira do Código Comercial. Lei no 556.  PARCIAL ou DERROGAÇÃO: quando torna sem efeito apenas uma parte da lei ou norma. CC. . de 1o de janeiro de 1916 . ou quando existe incompatibilidade (explícita ou implícita) entre as leis. 2.045. A revogação pode ainda ser classificada em total ou parcial:  TOTAL ou AB-ROGAÇÃO: a lei nova regula inteiramente a matéria da lei anterior.  Art. permanecendo em vigor todos os dispositivos que não 36 foram modificados.: art.

LINDB)? • Não.  O direito brasileiro não admite a REPRISTINAÇÃO das leis.  Lei nova que traz disposições a par de uma lei já existente sobre a mesma matéria revoga ou não a lei anterior (art. restituir o valor. 37 . A revogação da lei revogadora não restabelece os efeitos da lei revogada (art. As espécies de revogação podem ser combinadas. 2º. §2º. § 3º). Só revoga ou modifica quando as disposições forem incompatíveis com a matéria ou quando a revogação for expressa. • Repristinar significa reconstruir. 2º.

não se restabelece a vigência da Lei 1. ou seja. determinar a repristinação da Lei 1. Mas há exceções: “salvo disposição em contrário”. posteriormente revogada a lei revogadora (2) pela Lei 3. • Exemplo: Revogada a Lei 1 pela Lei 2 e. ao revogar a revogadora (lei 2). salvo se a Lei 3. 38 . quando houver expressa previsão da própria lei.

a forma federativa de Estado.. 60. ATENÇÃO: Algumas matérias estabelecidas na Constituição Federal (art. as chamadas cláusulas pétreas:  Art.a separação dos Poderes. universal e periódico. IV . §4º) não podem ser objeto de revogação. 60.. CF.Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I . A Constituição poderá ser emendada mediante proposta: [. III . secreto.o voto direto.os direitos e garantias individuais. 39 . II .] § 4º .

Trata-se de exceção.  Extra-atividade: ocorre quando uma lei regula situações fora de seu período de vigência.  Ultra-atividade: a lei foi revogada. mas continua sendo aplicada. Diferença no uso de algumas expressões relacionadas à atividade da lei:  Atividade: fenômeno pelo qual a lei regula todas as situações durante o seu período de vida (vigência). 40 . Pode ser de duas espécies:  Retroatividade: a lei regula situações que ocorreram antes do início de sua vigência.

Os métodos de integração estão contemplados no 4º da LINDB: analogia. costumes e princípios gerais do direito. LINDB. os costumes e os 41 princípios gerais de direito. .  O art. o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia.1. É preencher um vazio.5 INTEGRAÇÃO DAS NORMAS JURÍDICAS  Integrar uma norma é colmatá-la. 4º consagra a proibição ao non liquet: o juiz não pode eximir-se do dever de julgar alegando desconhecimento ou a lacuna da lei. Quando a lei for omissa.  Art. 4o .

499. CC.  Exemplo de analogia: art. É lícita a compra e venda entre cônjuges. 42 . 499. que está tratada em lei.A)ANALOGIA  Ocorre quando se compara uma situação de omissão legislativa com outra situação próxima.  O uso da analogia no direito penal e no direito tributário somente é possível in bonam partem. parecida. com relação a bens excluídos da comunhão. do Código Civil (cônjuges e companheiros). aplicando-se a lei cabível a este caso.  Art.

 Ex. 43 . mas com o sistema jurídico como um todo.: união homossexual não está prevista em lei. Há dois tipos ou espécies de analogia:  Analogia legis – o juiz compara uma situação fática não prevista em lei com outra situação que está especificamente prevista em lei.  Analogia juris – O juiz não compara com um dispositivo de lei específico. com os princípios.

enquanto na interpretação ampliativa é quando se elastece o sentido da norma criada para aquela situação (existe norma nesse caso). 44 . Na analogia estende-se o sentido de outra norma para o caso concreto. Interpretação ampliativa – Não confundir com analogia.

B)COSTUMES  São os usos ou práticas reiteradas de um comportamento (elemento externo ou material). com a convicção de sua necessidade” (Washington de Barros Monteiro). constante.  Podem ser utilizados pelo juiz sem expressa determinação de lei e sem violar a lei. . pública e geral de determinado ato. 45  Também é fonte do Direito.  “São a prática uniforme. caracterizado pela convicção de sua obrigatoriedade (elemento interno ou psicológico). porém fonte secundária.

b. 445. Costumes Secundum legem – aquele cuja utilização é imposta pela própria lei. Mas. Ex. Costumes Contra legem – É proibido no nosso sistema o uso de costumes em desrespeito à lei. . O sistema jurídico reconhece três diferentes tipos de costumes: a. Exemplos: art. não raro. Costumes Praeter legem. § 2º. Exemplos: quebra-molas 46 (padrões técnicos CONTRAN). reconhecimento de validade de cheques pós-datados. 569. Constituem a própria aplicação da lei. art. está presente na vida social. II do CC. c.: impressão digital dos analfabetos na margem dos livros de procurações dos Cartórios.aquele cuja utilização decorre da falta da lei.

 Como utilizar o costume em nosso dia a dia? ) Para que o costume tenha força coercitiva é necessário o conhecimento de sua existência pela autoridade judiciária e sua aplicação. tornando-o obrigatório (tese da confirmação jurisprudencial de Orlando Gomes). 47 .

regras que se encontram na consciência dos povos e são universalmente aceitas. mesmo que não escritas.  Dos velhos princípios gerais do Direito Romano. extrai-se um substrato mínimo do que o ordenamento reputa fundamental em termos axiológicos:  Não lesar a ninguém (neminem laedere)  Dar a cada um o que é seu (suum cuique tribuere)  Viver honestamente (honeste vivere) 48 .C)PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO  São recomendações genéricas.

comete ato ilícito. por ação ou omissão voluntária. CC. como exemplo:  Ninguém pode lesar ninguém:  Art. Todo aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir. ainda que exclusivamente moral.  Vedação do enriquecimento sem causa:  Art.). estão implícitos em nosso sistema jurídico (“a boa-fé se presume. Aquele que.  Muitos desses princípios passaram a integrar o sistema jurídico. negligência ou imprudência. Grande parte dos casos. ninguém pode transferir mais direitos do que tem” etc. . violar direito e causar dano a outrem. 876. 186. obrigação que incumbe àquele que 49 recebe dívida condicional antes de cumprida a condição.

com alto grau de subjetivismo. São ambos espécies do grande gênero princípios:  PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS – São opções ideológicas do sistema jurídico. Têm força normativa (papel primário). Não confundir com princípio fundamental de direito.  PRINCÍPIOS GERAIS (INFORMATIVOS) – São meras recomendações. 50 . São método integrativo e não têm força normativa (papel secundário).

• Pode ser legal (contida no texto da norma. como mecanismo de integração da norma. que prevê várias soluções) ou judicial (a decisão cabe ao magistrado para que formule a norma mais adequada ao caso). 51 . • Só pode ser utilizada quando a lei expressamente a permite. • Não constitui um dos meios supletivos de lacuna da lei. Excepcionalmente. nosso sistema jurídico permite. o uso da EQUIDADE. sendo um RECURSO AUXILIAR na aplicação desta.

• Exemplos de uso da equidade:

 Art. 127, CPC. O juiz só decidirá por equidade nos casos
previstos em lei.
 Art. 1.584, CC.  A guarda, unilateral ou compartilhada,
poderá ser:
[...]
§ 5o  Se o juiz verificar que o filho não deve permanecer sob a
guarda do pai ou da mãe, deferirá a guarda à pessoa que
revele compatibilidade com a natureza da medida,
considerados, de preferência, o grau de parentesco e as
relações de afinidade e afetividade. (equidade legal)
 Art. 1.740, CC. Incumbe ao tutor, quanto à pessoa do
menor:
[...]
II - reclamar do juiz que providencie, como houver por bem,
quando o menor haja mister correção; (equidade judicial) 52

1.6 APLICAÇÃO E INTERPRETAÇÃO
DAS NORMAS JURÍDICAS

 Art. 5o, , LINDB. Na aplicação da lei, o juiz atenderá
aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do
bem comum.

 Toda aplicação de lei deve ser precedida de
interpretação. O direito brasileiro nega a
incidência do brocardo latino in claris
interpretatio cessit (quando a lei for clara, cessa a
atividade de interpretação).

 Interpretar a norma = aplicar o direito. 53

 CLASSIFICAÇÃO:

 Conforme a origem ou fontes, a interpretação
pode ser:

 Jurisprudencial ou judicial – realizada
pelos tribunais ou pela jurisprudência (não
tem força coercitiva);
 Doutrinária ou doutrinal – realizada pelos
cientistas, estudiosos do Direito;
 Autêntica – realizada pelo próprio legislador,
através de outra lei. Ex: edição de uma lei
interpretando outra já editada.
54

 Conforme os meios de interpretação, esta pode
ser:

 Gramatical ou literal – realizada através das
regras de linguística, analisando o texto pelas
normas gramaticais.

 Art. 112, CC. Nas declarações de vontade se atenderá
mais à intenção nelas consubstanciada do que ao
sentido literal da linguagem.

 Lógica – tenta buscar o alcance e extensão da
lei, a partir das motivações políticas, históricas
e ideológicas, buscando os motivos do legislador. 55

 Histórica – busca a origem do texto. desde seus projetos de lei e votações.  Sistemática – aquela que busca o sentido na lei em consonância com as demais normas que inspiram o sistema jurídico como um todo. 56 . do momento histórico em que a lei foi editada.  Sociológica ou teleológica – aquela que tenta examinar os fins para os quais a lei foi editada.

CC (deve ser obedecido o princípio constitucional do devido processo legal).  Exemplo: art.  A CF/88 marca um novo tempo na interpretação normativa. 1. 57 . que não cumpre reiteradamente com os seus deveres perante o condomínio poderá. ser constrangido a pagar multa correspondente até ao quíntuplo do valor atribuído à contribuição para as despesas condominiais. por deliberação de três quartos dos condôminos restantes. impondo uma concepção socializada do direito (Princípios basilares do CC de 2002). 1337. independentemente das perdas e danos que se apurem. ou possuidor. Os diferentes meios ou técnicas de interpretação não se excluem. conforme a gravidade das faltas e a reiteração. O condômino.337.  Art. podendo ser combinados diferentes critérios.

 Art. a interpretação da norma jurídica pode ser:  Ampliativo (interpretação pode elastecer o sentido da norma) – quando o legislador disse menos que queria dizer. 819.  Restritivo (restringir o sentido da norma) – quando o legislador disse mais do que queria dizer.: normas de direito administrativo. Ex. fiança e aval (art. A fiança dar-se-á por escrito. CC. Ex. sanção. CC). 5º e 7º da CF/88). Conforme o resultado. Ex.  Declarativo (declarar o sentido da norma) – quando o legislador se limita a dizer qual é o sentido da lei. e não 58 admite interpretação extensiva. .: garantias e direitos sociais e individuais (arts. obrigando o intérprete a restringir o alcance da lei. 819. renúncia.: normas que estabeleçam privilégio.

§ 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. ou alguém por ele. o direito adquirido e a coisa julgada.1. ou condição pré-estabelecida inalterável. a arbítrio de outrem. A Lei em vigor terá efeito imediato e geral. § 3º Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de 59 que já não caiba recurso. da LINDB. 6º. respeitados o ato jurídico perfeito. § 2º Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular. 6º. LINDB.7 CONFLITO DAS LEIS NO TEMPO  O art. como aqueles cujo começo do exercício tenha termo pré-fixo.  Art. consagra o princípio da IRRETROATIVIDADE das normas. (grifamos) . possa exercer.

o ordenamento permite a retroação dos efeitos de uma lei nova quando:  Houver expressa disposição nesse sentido (aplicação das disposições transitórias). Ex. A lei nova se aplica aos fatos pendentes e futuros. a coisa julgada e o direito adquirido.  Além de existir expressa disposição nesse sentido. Não se aplica aos fatos pretéritos.028 CC. a lei nova não viole o ato jurídico perfeito. 60 . art. 2.  Excepcionalmente.

61 . não atingindo aos fatos pretéritos. Teoria de Gabba: Aplica-se a lei nova aos fatos futuros como também às partes posteriores dos fatos pendentes. Não existe direto adquirido de caráter personalíssimo.  Direito adquirido: é aquele que foi incorporado ao patrimônio. Todo direito adquirido é sempre de conteúdo patrimonial.

Exemplos: Casamento e contrato ainda não encerrado. . já cumpriu o seu itinerário.  Não confundir ato jurídico perfeito com relação jurídica continuativa.  Ato jurídico perfeito: É aquele ato jurídico que não mais produz efeitos. que já exauriu a sua substância. Coisa julgada: É a qualidade que reveste os efeitos decorrentes de uma decisão judicial contra a qual já não cabe mais impugnação/ recurso. As relações jurídicas continuativas não podem ser atos jurídicos perfeitos porque os seus efeitos ainda se produzem. ainda não extinto. São 62 relações jurídicas continuativas.

em que a relação foi formada. eficácia. portanto. a solução estaria no CC 63 de 1916. Regime de bens diz respeito aos efeitos patrimoniais.  Entretanto. . Pode mudar porque a lei nova se aplica no plano da eficácia. Como as relações jurídicas continuativas. que não são atos jurídicos perfeitos. sua eficácia fica submetida à lei atual. Porém. serão tratadas no tempo?  Sua existência e validade ficam submetidas à lei do tempo em que o ato foi celebrado.  Ex: Se uma pessoa casou-se sob a égide do Código de 1916 essa pessoa pode alterar o regime de bens de seu casamento?  Pode sim e quem permite a mudança é o código novo. se a discussão fosse sobre a existência ou validade do casamento.

 Ultra-atividade da norma: É a possibilidade de invocar. Ex. A respeito do tema. Princípio de Saisine: a lei que norteia a sucessão é a lei do tempo de sua abertura. de aplicar. a Súmula 112.: direito das sucessões. 64 . já revogado.  No direito penal é mais comum. este inventário submete-se às regras do Código de 16.  No direito civil esse fenômeno é mais raro. mas cujo inventário só agora foi aberto. do STF. uma lei já revogada mesmo depois de sua revogação. em razão da regra da aplicação da lei mais benéfica. Supondo que alguém morreu no ano de 2000.

65 .  Solução prática: harmonização dos dispositivos. todas válidas.  Antinomia Real ou Lacuna de Colisão: quando existe o conflito e não há na ordem jurídica qualquer critério normativo para solucionar o impasse.  Solução ideal: editar nova norma.A) ANTINOMIA  Significa a presença de duas ou mais normas conflitantes. sem que se saiba qual deve ser aplicada ao caso concreto. com base nos arts. 4º e 5º da LINDB. Se subdivide em real ou aparente.

 Critério Cronológico (lex posterior derogat legi priori): no conflito entre uma norma posterior e outra anterior.  Critério da Especialidade (lex specialis derogat legi generali): no conflito entre uma norma especial e uma norma geral. aplica-se a lei posterior.: leis ordinárias mais recentes revogam as 66 antigas. Ex.  Critério Hierárquico (lex superior derrogat legi inferiori): havendo conflito entre uma norma de hierarquia superior e outra inferior. aplica-se a primeira. .: CF terá precedência sobre todas as demais fontes. aplica-se a norma especial. Ex. ANTINOMIA APARENTE: quanto existe o conflito e os critérios para solução estão presentes em nosso próprio ordenamento jurídico.

 A antinomia ainda pode se classificar quanto aos graus em:  Primeiro grau: se o conflito envolve apenas um dos critérios de solução. Ex: conflito entre uma norma especial e uma geral.  Segundo grau: quando o conflito envolve mais de um daqueles critérios. 67 .

pois não pode predominar um critério sobre o outro. Se estiver envolvida a CF. Na prática o juiz deverá solucionar o conflito 68 aplicando os arts. deve prevalecer o critério hierárquico.  Concorrendo os critérios hierárquico e especialidade (norma superior-geral com norma inferior-especial): não há consenso na doutrina. Concorrendo os critérios hierárquico e cronológico (conflito entre uma norma superior-anterior com outra inferior-posterior): prevalece o hierárquico. pois é um critério mais sólido. 4º e 5º da LINDB. .  Concorrendo os critérios de especialidade e cronológico (norma especial-anterior com norma geral-posterior): prevalece o da especialidade.

 Território é a extensão geográfica ocupada por uma nação e sobre a qual o Estado exerce sua soberania.1. 7º A 19)  REGRA GERAL: aplicação do princípio da territorialidade da lei: no Brasil aplica-se a lei brasileira. Pode ser real ou ficto: 69 . circunscrita por suas fronteiras.8 EFICÁCIA DA LEI NO ESPAÇO (ARTS.

os golfos. navegando em alto-mar são considerados território brasileiro. .  Regras gerais sobre os navios e aeronaves:  Navios e aeronaves de guerra brasileiros: onde quer que se encontrem (águas brasileiras. lagos e mares interiores. Ex: edifícios ocupados por agentes diplomáticos. o espaço aéreo correspondente etc. os navios e aeronaves. inclusive as ilhas.  Navios e aeronaves mercantes brasileiros: em águas territoriais brasileiras. devem 70 obedecer as leis deste País. alto-mar ou águas estrangeiras).  Território ficto: trata-se de um prolongamento da nação. os rios. são considerados como território brasileiro. a faixa de mar exterior que banha suas costas. as baias e os portos. Quando entrarem em território de outro país. Território real ou terrestre: todo o solo e subsolo ocupados pela nação.

 EXCEÇÕES: há casos excepcionais em que se admite a aplicação da lei estrangeira no Brasil. 71 .  Aplicação da extraterritorialidade .regra do estatuto pessoal. A LINDB acolheu o princípio da territorialidade moderada ou mitigada. Estatuto pessoal significa aplicação da lei do domicílio do interessado.

 São sete exceções à regra geral do sistema. 7º) c) Capacidade (art. §2º) g) Capacidade para suceder (art.  Admite-se a aplicação da lei estrangeira nos seguintes casos: a) Nome (art. 8º.  A aplicação das sete exceções depende da compatibilidade constitucional. 7º) b) Personalidade (art.  Se houver incompatibilidade com nosso sistema não se aplica o estatuto pessoal. sob pena de afronta à soberania nacional.8º. com a ordem jurídica interna. 10) 72 . §1º) f) Penhor – direito real sobre bens móveis (art. 7º) e) Bens móveis que a pessoa traz consigo (art. 7º) d) Direito de família (art.

8º. §1º). O sistema prevê mais três exceções. Nesses casos. 9º)  Regra sucessória mais benéfica: No que tange à direito da sucessão. 10º. quando se tratar de bens de estrangeiro situados no Brasil. caput)  Lugar da obrigação (internacional): O lugar do domicílio do proponente (art. que são exceções da exceção. aplica-se a lei sucessória mais benéfica (art. será aplicada a lei estrangeira sem o estatuto pessoal:  Bens imóveis: Lei do lugar em que estiverem situados. (art. 73 .

legal ou convencional. § 1o  Realizando-se o casamento no Brasil. 2o O casamento de estrangeiros poderá celebrar-se perante autoridades diplomáticas ou consulares do país de ambos os nubentes. respeitados os 74 direitos de terceiros e dada esta adoção ao competente registro. pode. . requerer ao juiz. LINDB. a do primeiro domicílio conjugal. se apostile ao mesmo a adoção do regime de comunhão parcial de bens. a capacidade e os direitos de família. regerá os casos de invalidade do matrimônio a lei do primeiro domicílio conjugal.O estrangeiro casado. que se naturalizar brasileiro. no ato de entrega do decreto de naturalização. o nome. § 4o  O regime de bens.  A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade. obedece à lei do país em que tiverem os nubentes domicílio. se este for diverso. e. § 3o  Tendo os nubentes domicílio diverso. será aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos dirimentes e às formalidades da celebração. Art. mediante expressa anuência de seu cônjuge. § 5º . 7o .

O Superior Tribunal de Justiça. decisões já proferidas em pedidos de homologação de sentenças estrangeiras de divórcio de brasileiros. obedecidas as condições estabelecidas para a eficácia das sentenças estrangeiras no país. considerar-se-á domiciliada no lugar de sua residência ou naquele em que se encontre. § 6º  O divórcio realizado no estrangeiro. poderá reexaminar. a fim de que passem a produzir todos os efeitos legais. na forma de seu regimento interno. quanto aos bens moveis que ele trouxer ou se destinarem a transporte para outros lugares. § 2o  O penhor regula-se pela lei do domicílio que tiver a pessoa. caso em que a homologação produzirá efeito imediato. o domicílio do chefe da família estende-se ao outro cônjuge e aos filhos não emancipados. § 8o  Quando a pessoa não tiver domicílio. em cuja posse 75 se encontre a coisa apenhada.  Art. § 1o  Aplicar-se-á a lei do país em que for domiciliado o proprietário. 8o  Para qualificar os bens e regular as relações a eles concernentes. se um ou ambos os cônjuges forem brasileiros. só será reconhecido no Brasil depois de 1 (um) ano da data da sentença. § 7o  Salvo o caso de abandono. . a requerimento do interessado. e o do tutor ou curador aos incapazes sob sua guarda. aplicar-se-á a lei do país em que estiverem situados. salvo se houver sido antecedida de separação judicial por igual prazo.

ou de quem os represente. situados no País.  A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que domiciliado o defunto ou o desaparecido. § 2o  A lei do domicílio do herdeiro ou legatário regula a 76 capacidade para suceder. qualquer que seja a natureza e a situação dos bens.  Art. será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros.  10. § 2o  A obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente. . § 1º A sucessão de bens de estrangeiros. 9o  Para qualificar e reger as obrigações. aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem. Art. sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus. § 1o  Destinando-se a obrigação a ser executada no Brasil e dependendo de forma essencial. será esta observada. admitidas as peculiaridades da lei estrangeira quanto aos requisitos extrínsecos do ato.

as diligências deprecadas por autoridade estrangeira competente. que eles tenham constituído. observando a lei desta.  É competente a autoridade judiciária brasileira. § 1o  Não poderão. 77 . Art. 11. obedecem à lei do Estado em que se constituírem. ficando sujeitas à lei brasileira. concedido o exequatur e segundo a forma estabelecida pele lei brasileira. § 3o  Os Governos estrangeiros podem adquirir a propriedade dos prédios necessários à sede dos representantes diplomáticos ou dos agentes consulares. como as sociedades e as fundações. bem como as organizações de qualquer natureza. dirijam ou hajam investido de funções públicas. quando for o réu domiciliado no Brasil ou aqui tiver de ser cumprida a obrigação. § 1o  Só à autoridade judiciária brasileira compete conhecer das ações relativas a imóveis situados no Brasil. § 2o A autoridade judiciária brasileira cumprirá.  Art. quanto ao objeto das diligências. não poderão adquirir no Brasil bens imóveis ou susceptíveis de desapropriação. 12. § 2o  Os Governos estrangeiros. agências ou estabelecimentos antes de serem os atos constitutivos aprovados pelo Governo brasileiro.  As organizações destinadas a fins de interesse coletivo. entretanto ter no Brasil filiais.

  Não conhecendo a lei estrangeira. i da Constituição Federal).  Art. que reúna os seguintes requisitos: a) haver sido proferida por juiz competente. I.  13. 14.  A prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei que nele vigorar. c) ter passado em julgado e estar revestida das formalidades necessárias para a execução no lugar em que foi proferida.  Art.  Será executada no Brasil a sentença proferida no estrangeiro. . 78 (Vide art. b) terem sido os partes citadas ou haver-se legalmente verificado à revelia. Art. não admitindo os tribunais brasileiros provas que a lei brasileira desconheça. poderá o juiz exigir de quem a invoca prova do texto e da vigência. quanto ao ônus e aos meios de produzir-se. e) ter sido homologada pelo Supremo Tribunal Federal. d) estar traduzida por intérprete autorizado. 15.105.

nos termos dos artigos precedentes. quando ofenderem a soberania nacional. Parágrafo único.  As leis. 18. 16. ter-se-á em vista a disposição desta. Tratando-se de brasileiros.  Art. atos e sentenças de outro país. não terão eficácia no Brasil. são competentes as autoridades consulares brasileiras para lhes celebrar o casamento e os mais atos de Registro Civil e de tabelionato.657. 79 . 19. ao interessado é facultado renovar o pedido dentro em 90 (noventa) dias contados da data da publicação desta lei. com fundamento no artigo 18 do mesmo Decreto-lei.  Art. de 4 de setembro de 1942. se houver de aplicar a lei estrangeira. Reputam-se válidos todos os atos indicados no artigo anterior e celebrados pelos cônsules brasileiros na vigência do Decreto-lei nº 4. No caso em que a celebração desses atos tiver sido recusada pelas autoridades consulares. Art. 17. a ordem pública e os bons costumes. desde que satisfaçam todos os requisitos legais. sem considerar-se qualquer remissão por ela feita a outra lei. bem como quaisquer declarações de vontade.  Art.  Quando. inclusive o registro de nascimento e de óbito dos filhos de brasileiro ou brasileira nascido no país da sede do Consulado.

. constitutiva ou condenatória. Por isso. o § único do art. Se permite o cumprimento de sentença. o requisito da Súmula 420 do Supremo que diz expressamente: só será possível homologar no Brasil decisão judicial que tenha transitado em julgado. seja qual for a matéria. mas a execução será por juiz federal de primeira instância.  O STJ homologa.  Exige-se.036/09 (de 01/10/09). além da compatibilidade constitucional. da LINDB. 15). que dizia que “não dependem de homologação as sentenças meramente declaratórias do estado das pessoas” 80 foi revogado pela Lei 12. 15.  O STF vem entendendo que toda e qualquer decisão judicial estrangeira. só pode ser cumprida no Brasil se houver homologação pelo STJ. carta rogatória ou laudo arbitral estrangeiro no Brasil desde que haja homologação pelo STJ (art. seja declaratória.