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DEFINIÇÃO E OBJETO DO DIREITO TRIBUTARIO

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Definição / Conceito: é o “ramo do direito público que rege
as relações jurídicas entre o Estado e os particulares,
decorrentes da atividade financeira do Estado no que se refere
à obtenção de receitas que correspondam ao conceito de
tributos (Alexandre, Ricardo, 2015)

objeto: São as relações entre o Estado (como credor) e os
particulares (como devedores)

O DIREITO TRIBUTÁRIO COMO RAMO DO
DIREITO PÚBLICO

O direito Tributário não é um ramo do direito
privado, pois:

A principal característica do direito privado é a
predominância do interesse dos indivíduos participantes
da relação jurídica.

O DIREITO TRIBUTÁRIO COMO RAMO DO DIREITO
PÚBLICO
Em direito privado, portanto, pela subjacência sempre
presente do interesse privado, a regra é a livre manifestação
da vontade, a liberdade contratual, a igualdade entre as partes
da relação jurídica (os interesses privados são vislumbrados
como equivalentes).
Além disso, a regra em direito privado é a
disponibilidade dos interesses, podendo os
particulares abrir mão de seus direitos,
ressalvados aqueles considerados indisponíveis,

a análise parte de premissas bastante diferentes. quase que diametralmente opostas: Os princípios fundamentais do regime jurídico de direito público são: a) a supremacia do interesse público sobre o interesse privado. . O DIREITO TRIBUTÁRIO COMO RAMO DO DIREITO PÚBLICO Quando se passa a tratar de direito público. e b) a indisponibilidade do interesse público.

. agindo nesta qualidade (como ente estatal buscando a consecução de fins públicos). é considerada normal a atribuição de vantagens ao Estado. . O DIREITO TRIBUTÁRIO COMO RAMO DO DIREITO PÚBLICO Neste caso temos uma relação jurídica onde em um polo temos o Estado. e no outro temos o particular defendendo seus direitos individuais.

Qual será o solução para este problema. O DIREITO TRIBUTÁRIO COMO RAMO DO DIREITO PÚBLICO Problematizando: Adão é proprietário de uma pequena mercearia e quer expandir seus negócios e abrir um mercado de grande porte. . Para que isso ocorra ele precisa comprar o prédio vizinho que é de Antônio.

Ambos são Ambos defendem seus particulares. O DIREITO TRIBUTÁRIO COMO RAMO DO DIREITO PÚBLICO A única possibilidade à sua disposição é o acordo. é vontade individuais. poisA o ordenamento jurídico não assegura a preponderância de quaisquer dos interesses em jogo. relação jurídica interesses e nenhum deles pode impor sua horizontalizada. Se o vizinho não se interessar pelas propostas do visionário comerciante. . o negócio não se aperfeiçoará. ao outro.

Suponha-se que. num determinado ponto do trajeto da nova pista. Qual a solução para o caso: . Novamente. há uma pessoa (o Estado) precisando de um imóvel pertencente a outra (o particular). exista um imóvel pertencente a um particular que é utilizado como residência familiar. O DIREITO TRIBUTÁRIO COMO RAMO DO DIREITO PÚBLICO Imagine agora a duplicação de uma rodovia entre as cidades “A” e “B”.

ou seja. pois a duplicação da rodovia atende aos interesses de toda a coletividade. o ordenamento jurídico possibilita ao Estado utilizar-se do instituto da desapropriação. Aqui a relação jurídica é verticalizada. Mesmo com a possível discordância do particular. cederá em do à supremacia do homenagem interesse público sobre o privado. o Estado comparece numa situação de supremacia. embora legítimo. a inexistência de acordo não impedirá que o Estado adquira a propriedade.O DIREITO TRIBUTÁRIO COMO RAMO DO DIREITO PÚBLICO Nesse caso. o interesse particular. . Dessa forma.

a indisponibilidade do interesse público. traz a impossibilidade de os agentes públicos praticarem atos que possam lesar o patrimônio público ou o interesse público. . O DIREITO TRIBUTÁRIO COMO RAMO DO DIREITO PÚBLICO O segundo princípio.

o perdão está sendo concedido pelo próprio Estado ou.. diante da indisponibilidade do interesse público. nessa situação. Ocorre que. O DIREITO TRIBUTÁRIO COMO RAMO DO DIREITO PÚBLICO Alguns poderiam se perguntar como é possível. a concessão de perdão por intermédio de lei. . em face do princípio democrático. algo tão comum no direito brasileiro. pelo próprio povo. verdadeiro destinatário teórico de todas as ações estatais.

. no parlamento estão os representantes do povo. O DIREITO TRIBUTÁRIO COMO RAMO DO DIREITO PÚBLICO O ponto crucial é que. Dessa forma. ao menos na teoria. a concessão de qualquer benefício fiscal por lei significa que o povo quis o proveito do beneficiário.

inequivocamente. O DIREITO TRIBUTÁRIO COMO RAMO DO DIREITO PÚBLICO Tudo o que foi exposto deixa claro que o direito tributário é. . ramo do direito público e que a ele são inteiramente aplicáveis os princípios fundamentais inerentes ao regime jurídico de direito público.

O DIREITO TRIBUTÁRIO COMO RAMO DO DIREITO PÚBLICO A supremacia do interesse público sobre o interesse privado é facilmente vista pelo fato de a obrigação de pagar tributo decorrer diretamente da lei. . como. querendo ou não) e pelas diversas prerrogativas estatais que colocam o particular num degrau abaixo do ente público nas relações jurídicas. por exemplo. tem que pagar IPTU. entre tantos outros. sem manifestação de vontade autônoma do contribuinte (foi proprietário de um imóvel na área urbana. o poder de fiscalizar. de aplicar unilateralmente punições e apreender mercadorias.

§ 6. na sempre presente exigência de lei para a concessão de quaisquer benefícios fiscais. 150. Leia- se o pedagógico art.º. O DIREITO TRIBUTÁRIO COMO RAMO DO DIREITO PÚBLICO Já a indisponibilidade do interesse e do patrimônio público é visualizada. de maneira cristalina. Por ser extremamente oportuno. da CF: .

. O DIREITO TRIBUTÁRIO COMO RAMO DO DIREITO PÚBLICO São claros os termosdo dispositivo. dependendo daedição e quaisquer específica a de deles. afinal. só o povo le implementação pode dispor do de i patrimônio público.comojá afirmado. institutos citados naTodos os enquadram-se “benefícios definição d fiscais”.

que dão origem a uma famosa classificação dada pelos financistas às receitas públicas. de duas . ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO O Estado para a do bem existe consecução comum. tal o que faz. Para atingir mister precisa obter recurso financeiros. basicamente. . s formas.

ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO 1 . .RECEITAS ORIGINÁRIAS. de maneira semelhante a um particular. obtém receitas patrimoniais ou empresariais. o Estado se despe das tradicionais vantagens que o regime jurídico de direito público lhe proporciona e.

cite-se um contrato de aluguel em que o locatário é um particular e o locador é o Estado. O particular somente se obriga a pagar o aluguel porque manifesta sua vontade ao assinar o contrato. . ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO A título de exemplo. não havendo manifestação de qualquer parcela do poder de império estatal.

independentemente de sua vontade. utiliza-se das suas prerrogativas de direito público. ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO 2 .RECEITAS DERIVADAS. . o Estado. agindo como tal. edita uma lei obrigando o particular que pratique determinados atos ou se ponha em certas situações a entregar valores aos cofres públicos.

ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO Como exemplo. . aquele que auferiu rendimento será devedor do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza (imposto de renda) independentemente de qualquer manifestação volitiva.

ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO .

ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO Atualmente. com a concepção de Estado mínimo que tem sido globalmente adotada. tendo como consequência a concentração da arrecadação estatal precipuamente nas receitas derivadas. perderam importância as receitas originárias. tornando excepcional a exploração de atividade econômica por parte do Estado. .

. 173). ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO A excepcionalidade da de exploração por parte econômica do atividade Estado é decorrente de previsão constitucional expressa (CF. art.

. especificamente a modalidade tributos. ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO Nosso Estudo será baseado nas receitas derivadas.

carrear recursos para os cofres públicos (ex. ou seja. .: ISS. no IOF. ICMS. no ITR etc. ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO Deve-se analisar que existem tributos cuja finalidade principal é fiscal.). no IPI. que têm por finalidade precípua intervir numa situação social ou econômica. contudo. Há tributos. É a finalidade extrafiscal (como nos exemplos citados. IR etc. arrecadar.

quem usa tais serviços (educação e saúde. ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO Mesmo os tributos fiscais podem possuir uma característica extrafiscal como é o caso do IR. por exemplo) são as pessoas isentas. parte da arrecadação é utilizada para prestar serviços públicos e. que ganha Quem “muito” contribui sob uma m alíquota de ganha “pouco”nada paga (isenção). . em regra. Em contrapartida.5%. 27. uma vez que as que possuem maior renda normalmente têm planos privados de saúde e pagam por educação particular.

por isso. o IR acaba tendo uma função extrafiscal embutida: redistribuir renda (alguns. ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO Dessa forma. de imposto Robin Hood – tira dos ricos para dar aos pobres). mais românticos. . chamam-no.

que. que passava a ter. também. em doutrina cita que. Como exemplo. antes da criação da Secretaria da Receita Previdenciária (hoje parte da Receita Federal do Brasil). na realidade. a e uma terceira. ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO Ao lado duas finalidades(fiscal dessas extrafiscal). podem ser citadas as contribuições previdenciárias. eram cobradas pelo INSS (autarquia federal). a disponibilidade dos recursos auferidos. objetiva-se também a arrecadação. Tem-se aí a finalidade .

SEBRAE. mas o produto da arrecadação é destinado a ente diverso daquele que institui a exação. na parafiscalidade. dentre outros). que. SEST. . o objetivo da cobrança de tributo é arrecadar. portanto. como os denominados serviços sociais autônomos (SESI. SENAI. SESC. ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO É possível concluir. Como por exemplo (o INSS) ou de interesse do Estado.