NH1012 - Parasitologia

Profa. Dra. Márcia Aparecida Sperança
Dra. Aline Diniz Cabral
CCNH - UFABC

2017

Introdução à parasitologia – aula 01

Larva migrans. vaginalis 27/07 Nematódeos intestinais. Cestóides 10/08 Prova 02 17/08 Substitutiva/Exame . Filárias 03/08 Trematódeos. Microsporídeos. T. Parasitologia Data Aula 01/06 Introdução à Parasitologia 08/06 Plasmodium e Malária 15/06 Feriado 22/06 Toxoplasma gondii e Toxoplasmose 29/06 Trypanosoma cruzi e Doença de Chagas 06/07 Leishmania e Leishmaniose 13/07 Prova 01 20/07 Protozoários intestinais.

Para realizar a avaliação.  A avaliação do curso será realizada por duas provas escritas com utilização de um caderno contendo os exercícios semanais descritos abaixo. apenas o caderno contendo os exercícios manuscritos poderá ser utilizado. A nota final será a média das duas avaliações. Parasitologia  http://fb.me/parasito2017 (facebook)  O curso será constituído por aulas teóricas. 4 .

Como é feito o controle da parasitose? Discuta a estratégia empregada de acordo com os hospedeiros e o estágio de desenvolvimento do parasita. Qual a prevalência e incidência da doença causada pelo parasita (ex.  3. Quais os tratamentos utilizados para esta parasitose? Qual o mecanismo de ação de cada uma delas? Em sua resposta considere o estágio de desenvolvimento do parasita. Parasitologia  1. 5 . Descreva um mecanismo molecular que o parasita utiliza para escapar do sistema de defesa de um de seus hospedeiros. e qual o tipo de amostra clínica utilizada.  5. Como é feito o diagnóstico do parasita? Discuta as metodologias empregadas.: Plasmodia no caso da malária) no Brasil? Há diferença na prevalência e incidência das diferentes espécies do parasita no Brasil?  2.  4. incluindo o estágio de desenvolvimento do parasita detectado em cada uma das metodologias.

de compatibilidade ou de baixa virulência do parasitismo. em que os parceiros (hospedeiro e parasito) estabelecem entre si relações íntimas e duradouras com certo grau de dependência metabólica. caso contrário a espécie parasitária desapareceria. Um processo de adaptação recíproca. Que é parasitismo? Interação ecológica entre indivíduos de espécies diferentes. asseguram a sobrevivência de ambas as espécies. O parasito só poderá seguir existindo se não destruir toda a população de seus hospedeiros ou não impedir a reprodução destes. Geralmente o hospedeiro proporciona ao parasito todos ou quase todos os nutrientes e as condições fisiológicas requeridas por este. .

Especificidade parasitária Segundo as necessidades particulares de cada parasito (sejam elas de ordem metabólica ou de outra natureza). grande variedade e gêneros distintos. será dito monoxeno. será considerado estenoxeno. Se o parasito exigir apenas uma espécie de hospedeiro para completar seu ciclo biológico. ele exigirá apenas determinada espécie de hospedeiro ou um grupo de diferentes espécies ou. como o Ascaris lumbricoides. . se a espécie for sempre a mesma. ainda. que só parasita a espécie humana.

para que os parasitos possam completar seu ciclo biológico. Parasitos heteroxenos São aqueles que necessitam passar obrigatoriamente por dois ou mais hospedeiros. a tênia do porco (Taenia solium) e a do peixe (Diphyllobothrium latum) só parasitam o homem na fase adulta. e os demais são considerados hospedeiros intermediários. . Um deles é o hospedeiro definitivo. Assim.

que aí habitam sem causar danos. de sua localização no organismo humano e de como este responde à sua presença. Entretanto. que só causam danos ao organismo em condições especiais. ex. p.. como muitas amebas e flagelados do intestino humano. Parasitismo e patogenicidade A patogenicidade não é caráter obrigatório dos parasitos. ditos parasitos oportunistas. como. numerosas doenças são causadas por determinados parasitos normalmente patogênicos ou por outros. As lesões produzidas dependem da espécie de parasito. . que podem ser inofensivos. nos indivíduos com imunodeficiência de qualquer natureza.

devido aos produtos de seu metabolismo ou de algum simbionte associado ao parasito. ao crescerem e comprimirem as estruturas em torno. Mas. provocam uma resposta do sistema imunológico com diferentes resultados: .Relações parasito-hospedeiro Os parasitos que causam distúrbios no organismo po- dem fazê-lo mecanicamente. canais ou vasos. que serão analisadas adiante em cada caso. Ou obstruir ductos. com frequência. Podem exercer ação tóxica. causando sintomatologias as mais variadas.

c) causando respostas alérgicas ou inflamatórias que levam seja à necrose do tecido em torno. . b) limitação da população parasitária. seja a uma fibrose difusa ou à formação de granulomas.Relações parasito-hospedeiro a) destruição do próprio parasito e cura da infecção dentro de certo prazo. assegurando equilíbrio nas relações parasito-hospedeiro. fenômenos esses que alteram a fisiologia do hospedeiro em grau menor ou maior (doença) ou determinam sua morte em curto ou em longo prazo.

. pulmonar etc. A esse sistema devem-se alguns dos principais mecanismos com que o organismo hospedeiro resiste ao parasitismo. basófilos. formam-se linfócitos T e B. eosinófilos e neutrófilos. Eles produzem anticorpos contra os antígenos de parasitos. como na autoimunidade. monócitos. hepática. desenvolvem a fagocitose de protozoários ou outros corpos estranhos e secretam diversas substâncias ativas que desencadeiam reação inflamatória nociva aos parasitos. por vezes. Mas.O sistema imunológico A partir de células fundamentais pluripotentes. de sua multiplicação e posterior diferenciação. na produção de acentuada fibrose intestinal. que participam do sistema imunológico. a reação imune pode tornar-se desfavorável ao hospedeiro e vir a ser a verdadeira causa da doença.

A temperatura do corpo. o pH.Outros mecanismos protetores A pele. em alguns casos. . as conjuntivas e suas secreções podem constituir barreiras à penetração de parasitos. Mas. chegam a ser as portas de entrada. que não se instalará aí. Igualmente a falta de algum nutriente essencial a ele. podem não ser adequados a determinado parasito. as mucosas. como na ancilostomíase e na esquistossomíase. a tensão do O2 etc.

a falta de mecanismos para a eclosão dos cistos e ovos.Outros mecanismos protetores A ativação do sistema complemento pelo parasitismo chega a ser letal para alguns parasitos. ou a falta de receptores celulares para a aderência e invasão dos tecidos do hospedeiro. A molécula de óxido nítrico (NO) produzida a partir da arginina. . em macrófagos e outras células estimuladas. tem efeito microbicida e tumoricida. por uma arginina sintase. Também.

. assim como os níveis de patogenicidade que podem contribuir para causar doença. O esquema mostra os resultados favoráveis à saúde.Fatores que condicionam a saúde ou a doença A resistência ou a tolerância aos parasitos varia segundo uma gama contínua. Ela depende da influência que os vários mecanismos fisiológicos possam estar exercendo em cada caso.

Resposta imunológica: reconhecimento do não eu pelo organismo hospedeiro Fatores que condicionam a saúde ou a doença Sobrevivência e reinfecções Variação e camuflagem parasitária Hipersensibilidade e/ou autoimunidade Desenvolvimento de tolerância imunológica .

Risco de infecção Populações que não dispõem de água potável correm alto risco de infecções (Foto OMS). .

Donde a importância da educação e. como outras doenças. Assim como a ignorância sobre os principais fatores de risco para a saúde presentes no ambiente e sobre as maneiras de evitá-los. Por isso. são mais frequentes entre populações com baixo nível cultural. que tende a reduzir esses riscos e deveria ser prioritária no currículo escolar. Educação e saúde Algumas das principais condições predisponentes para muitas doenças evitáveis decorrem do desconhecimento muito frequente dos fatos básicos relacionados com o corpo humano e com seu funcionamento. em particular. as parasitoses. da educação para a saúde. .

Parasitas são eucariotos Flagellates Sarcomastigophora Amoebae Ciliophora Protozoa Apicomplexa or Sporozoa Parasites Microspora Cestodes Platyhelminths Helminths Trematodes Nemathelminths Nematodes Chilopoda Metazoa Pentastomida Arthropods Crustacea Arachnida Insecta 19 .

20 .

Causas globais de morte .

Causas globais de morte .

Mortalidade segundo o desenvolvimento .

Mortalidade segundo o desenvolvimento .

que afligem grande parte da humanidade e o Brasil. a prevalência das parasitoses pouco ou nada mudou no 3º Mundo. . em particular. o que mostra a importância que aí continuam tendo. Nos últimos 50 anos. na atualidade:  os conhecimentos científicos  e as ações a serem desenvolvidas no campo das doenças parasitárias.

1993. Rio de Janeiro. REY. FUNASA – Doenças Infecciosas e Parasitárias. – Dicionário de Termos Técnicos de Medicina e Saúde. Guanabara Koogan. Belo Horizonte. Rio de Janeiro. 1995. HENNEQUIN & PAUGAM. Brasília. REY. PEREIRA. Médica e Científica. 2a edição.G. Vigot.Leituras complementares ANCELE. M. Guanabara Koogan. A.C. VAZ. 2a edição. – Bases da Parasitologia. Guanabara Koogan. T. N. Rio de Janeiro. MINISTÉRIO DA SAÚDE. L. & ALMEIDA FILHO. N. Rio de Janeiro. Paris.. M.M. – Epidemiologia. – Epidemiologia e Saúde.Z. L. Guanabara Koogan. – Parasitologia. 2003 [950 páginas].M. COOPMED Editora. 1999. 2001 [856 páginas]. Rio de Janeiro. REY. 2000 [219 páginas]. – Guia Incompleto de Imunologia. 3a edição. ilustrada. 1994 [338 páginas]. – Decision en Parasitologie et Médecine Tropicale. Ed. Teoria e prática. . ROUQUAYROL. MS/FUNASA. & FARIA. 2002 [380 páginas]. A. L.