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O RÁDIO NA ERA DA

CONVERGÊNCIA MIDIÁTICA:
NOVAS TECNOLOGIAS, NOVAS
LINGUAGENS
Profa. Ma. Isabela Naira Barbosa Rêgo

Radiodifusão brasileira na fase da
multiplicidade da oferta
• O mercado de radiodifusão tem sido afetado pelas
mudanças tecnológicas.
• Ferraretto (2010), de 1950 até início dos anos 1980:
1- Surgimento da televisão (migração de programas
de entretenimento);
2- Transistorização dos equipamentos (mobilidade);
3- Surgimento das rádios FM (melhor sonoridade).

Rádio sem ondas?
• Surgimento da Internet: a maior mudança de todas
(transmissão sem a dependência do sistema de
ondas hertzianas).
• Permanece a linguagem associada à fala, à
música e aos efeitos sonoros, independente do
suporte.
• Além disso, a Internet permite que características
fortes do rádio, como mobilidade e interatividade,
sejam ampliadas.

Fase da Multiplicidade da Oferta
• Brittos (2006) reflete as novas lógicas de produção
da televisão no Brasil, com alterações de caráter
econômico e tecnológico, resultantes da quebra
de monopólios e inserção de processos digitais.
• Ferraretto; Kischinhevsky (2010) adaptam conceito
para entender o atual contexto do rádio.
1) Passagem de uma lógica de oferta a uma lógica
de demanda.
2) Podcasting, streaming e redes sociais.
3) Disponibilização do conteúdo radiofônico em
diversos suportes tecnológicos.

Cultura da Convergência
• JENKINS (2009): “o poder do produtor de mídia e o
poder do consumidor interagem de maneiras
imprevisíveis”.
• A convergência não ocorre por meio de aparelhos,
por mais sofisticados que venham a ser. A
convergência ocorre dentro dos cérebros de
consumidores individuais e em suas interações
sociais com outros (JENKINS, 2009, p. 30).

Pesquisa Brasileira de Mídia (PBM 2016) • Mostra os hábitos de informação dos brasileiros. em 740 municípios de todas as regiões do país. . • Participaram da pesquisa 15. • Pesquisa encomendada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (SECOM) e realizada pelo IBOPE entre os dias 23 de março a 11 de abril de 2016.050 pessoas maiores de 16 anos.

Situação do Rádio na PBM 2016 .

Situação do Rádio na PBM 2016 .

Situação do Rádio na PBM 2016 .

Situação do Rádio na PBM 2016 .

Situação do Rádio na PBM 2016 .

Situação do Rádio na PBM 2016 .

Situação do Rádio na PBM 2016 .

Situação do Rádio na PBM 2016 .

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• A principal forma de acesso é por aparelhos de rádio tradicionais. . Situação do Rádio na PBM 2016 • Aproximadamente dois em cada três entrevistados afirmam ouvir rádio. sendo que por volta da metade destes o faz todos os dias. (Crescente o uso do celular). sendo que a média de tempo do acesso diário é próxima de três horas. • Ouve-se rádio mais entre segunda e sexta-feira. especialmente através da Frequência Modulada.

• Quase seis em cada dez ouvintes de rádio confiam sempre ou quase sempre nas notícias divulgadas por essa mídia. . Situação do Rádio na PBM 2016 • Devido à alta capilaridade desse meio. • A prática de atividades domésticas é o que mais se faz de maneira simultânea ao ato de ouvir rádio. proporção semelhante entre os leitores de jornais. nenhuma emissora tem mais do que 2% considerando a soma das citações.

Dados sobre Rádio no Piauí • Frequência de uso: 21% dos entrevistados responderam que escutam rádio todos os dias.PBM 2015 . 3% responderam que ouvem no carro. Ou seja. o uso do computador como plataforma de uso do rádio não aparece na porcentagem. contra 53% que nunca ouve. • Plataformas de uso do rádio: 85% dos entrevistados no Piauí responderam que acompanham a programação do rádio pelos aparelhos de rádio tradicionais. 11% pelo celular e 1% por aparelhos do tipo mp3 player. .

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. p. Midiamorfose • A midiamorfose não é tanto uma teoria. 1998. (FIDLER. mas um modo de pensar a respeito da evolução tecnológica dos meios de comunicação como um todo. 57). leva-nos a ver todas elas como integrantes de um sistema interdependente e a reparar nas semelhanças e relações existentes entre as formas do passado. do presente e as emergentes. Ao invés de estudar cada modalidade separadamente.

p. veremos que os novos meios não surgem por geração espontânea. nem de modo independente. Aparecem gradualmente pela metamorfose dos meios antigos. as antigas geralmente não deixam de existir. 57). Midiamorfose • Ao estudar o sistema de comunicação como um todo. mas continuam evoluindo e se adaptando. E quando emergem novas formas de meios de comunicação. . (FIDLER. 1998.

). Rádio e Convergência • Âmbitos de convergência (SALAVERRÍA. . aquisições. etc. 2) Empresarial – Compreende a origem e a composição dos capitais que controlam os grupos de comunicação (alianças. 2008): 1) Tecnológico – Engloba a infraestrutura de produção. GARCÍA AVILÉS. distribuição e recepção de conteúdos em suportes digitais. fusões.

Rádio e Convergência • Âmbitos de convergência (SALAVERRÍA. 4) Dos Conteúdos – A produção de conteúdos. 2008): 3) Profissional – A integração de estruturas para produção de conteúdos a serem distribuídos em múltiplos suportes. GARCÍA AVILÉS. as mudanças nas rotinas e nas relações de trabalho. com a exploração de novas linguagens e formatos possibilitados pela hibridização de formas simbólicas desenvolvidas para difusão multiplataforma .

LIMA. 2009. põe em xeque a “zona de conforto do razoavelmente bem-sucedido modelo de negócios das mídias tradicionais” (SAAD CORRÊA. . p. Âmbito dos Conteúdos • O novo ambiente midiático. 24). com a emergência das chamadas mídias sociais e a crescente indistinção entre os pólos da emissão e da recepção.

Âmbito dos Conteúdos • A capacidade das empresas de comunicação de gerar lucros passa hoje. geração de receptores-emissores. • Emergência do podcasting: emancipa o ouvinte. não apenas pelos milhares de ouvintes por minuto de uma emissora de rádio. . estratégias inéditas de comunicação de nicho. mas também pela sua capacidade de geração de fluxos comunicacionais entre participantes de redes sociais. conforme Mariano Cebrían Herreros (2001) ou Alex Primo (2005). portanto.

Exemplo de Podcast .

Exemplo de Podcast .

Redes sociais de base radiofônica .

Redes sociais de base radiofônica .

Redes sociais de base radiofônica .

A situação é desafiadora a considerar que uma parte significativa das comunitárias atua rivalizando com as comerciais em termos de oferta conteúdo de entretenimento e na disputa por patrocinadores junto ao comércio local. mesmo que a lei 9. Aspectos que desafiam o rádio nesse novo ambiente • BIANCO (2012) • 1. . O crescimento das comunitárias Em breve. as concessões para emissoras de baixa potência deverão ultrapassar as de AM e FM.612/98 de criação dessa modalidade de frequência não permita veiculação de comerciais.

• A simultaneidade de atividades e consumo de mídia ocorre especialmente entre jovens. . Aspectos que desafiam o rádio nesse novo ambiente • 2. Novos hábitos de consumo de rádio • Múltiplas plataformas. • Outra mudança significativa é que a audição acontece simultaneamente a outras atividades como também ao consumo de outras mídias. Ascensão dos dispositivos móveis. em especial celular.

. Presença nas redes sociais • A questão central não está somente no avanço do número de participantes das mídias sociais. Aspectos que desafiam o rádio nesse novo ambiente • 3. • As mídias sociais passaram a pautar a mídia tradicional e não apenas o inverso. mas o que eles fazem nesse espaço de interação e comunicação.

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. as rádios de maior porte já estão investindo em aplicativos para conexão para ouvir a emissora em tempo real pelo celular e smartphones. um novo espaço para o rádio • Com o crescimento do acesso a telefonia móvel. Aspectos que desafiam o rádio nesse novo ambiente • 4. Comunicação móvel.

mas também fazer projetos customizados para atender a necessidade do patrocinador. • A sustentabilidade financeira hoje é um desafio que exige das emissoras construírem estratégias não somente para vender espaços de inserção de spots de 30 segundos. Faturamento estagnado. Aspectos que desafiam o rádio nesse novo ambiente • 5. . • Novo paradigma para a publicidade: Rádio + Promoção + Evento + Internet + Celular + Ação de relacionamento.

ouvir AM é penoso. • A saída sugerida pelos radiodifusores é utilizar os canais 5 e 6 das TVs analógicas que serão desocupados totalmente. Som chiado. cada emissora de rádio AM receberá um canal na nova faixa de FM. reduzindo o espectro de produção a programas falados. . Na prática. Agravamento da crise do AM • Numa época em que o som stereo é dominante. Aspectos que desafiam o rádio nesse novo ambiente • 6. quase incompreensível. dificulta a audição de música.

era uma forma de distração através da audição. Independente do motivo pelo qual o meio de comunicação foi projetado na origem. por exemplo.Como o rádio se relaciona com as telas? • Mágda da Cunha (2012) • Como pode um meio que possui a característica embrionária da linguagem audiofônica dialogar com um conteúdo visual interativo sem perder contudo sua essência? • Os meios estão presentes em todas as partes. . também pode se apresentar em formato de tela em tablets e celulares. ele pode criar uma nova finalidade. • O rádio. Porém.

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O Rádio sem onda (KISCHINHEVSKY. 2009). . aos efeitos sonoros e ao silêncio – independente do suporte (FERRARETTO. 2010) • Mudança de teor conceitual. KISCHINHEVSKY. • A digitalização tem acarretado substanciais alterações nos modos de criação. 2007) deve ser visto antes de tudo como uma linguagem – o texto na forma da fala associado à música. produção/edição. Considerações Finais • (FERRARETTO. distribuição e consumo de formas simbólicas.

e garantir efetivamente o uso social dos novos meios de comunicação. Resta avaliar as possibilidades trazidas pela transformação das audiências e das formas de recepção de conteúdos radiofônicos. com grandes grupos empresariais se apropriando dos novos canais de difusão de áudio em formato digital. Considerações Finais • A convergência midiática parece estar absorvendo o rádio. . com o desenvolvimento de novas linguagens.

Gêneros de grande apelo popular (programas informativos.) permanecem dominando as grades das emissoras abertas. musicais. de debates.. Considerações Finais • A linguagem consolidada na irradiação hertziana persiste mesmo nas novas plataformas digitais e raras são as experiências inovadoras em termos de formato e sonoridade. ..

2010. 19.) São Paulo: INTERCOM.br/media/g6_luiz_arthur_ferraretto_marcelo_kischinhe vsky. da Mágda et al.) São Paulo: INTERCOM. Disponível em: <http://compos. BIANCO.puc- rio. Nélia Del. Marcelo. In: O rádio brasileiro na era da Convergência. 2010. 2012. Nélia Del. BIANCO. Anais. Luiz Artur. (org.com.pdf> Acesso em: 07 de agosto de 2014. Rio de Janeiro: Compós. KISCHINHEVSKY. Referências • BIANCO. 2012. (org. • CUNHA. Rádio e Convergência: uma abordagem pela economia política da comunicação. Rio de Janeiro. In: O rádio brasileiro na era da Convergência. Nélia Del. Rádio e o cenário da convergência tecnológica. . As linguagens radiofônicas em um cenário de múltiplas telas e mobilidade. • FERRARETTO. In: Encontro Anual da Compós.