Neodesenvolvimento: 15 anos de gestação

(José Eli da Veiga,2006)

José Eli da Veiga nasceu em São Paulo, em 1948. É professor sênior do
Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-
USP). Por trinta anos (1983-2012) foi docente do Departamento de
Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade
(FEA-USP), onde obteve o título de professor titular em 1996. Publicou
25 livros, entre os quais: A desgovernança mundial da sustentabilidade
(2013); e Para entender o desenvolvimento sustentável (2015), ambos
pela Editora 34. É colaborador das colunas “Opinião”, do jornal Valor
Econômico, e “Análise”, da revista Página 22.

Introdução 03 choques cognitivos na gestação do neodesenvolvimentismo:  1º Relatório anual do PNUD – IDH (1990).  O surgimento da corrente pós-desenvolvimentista (1991)  Conferência da ONU (Rio-92): “desenvolvimento sustentável” .

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kit de tabelas. renda).  “Só há desenvolvimento quando os benefícios do crescimento servem à ampliação das capacidades humanas”:  Vida longa e saudável. . Desenvolvimento: humano e sustentável Pressupostos:  Amartya Sen. Mahbud ul Haq – um indicador sintético (hodômetro do desenvolvimento). ser instruído. acesso a recursos necessários a um nível de vida digno e ser capaz de participar da vida da comunidade.  “Tirania da renda per capita” . (longevidade. escolaridade.

incluindo a participação nas decisões.  IDH como um ponto de partida (complexidade do processo de desenvolvimento).  IDH ilustra com clareza a diferença entre rendimento e bem-estar. Ponto de Partida  Dois critérios para avaliar a realização do bem-estar humano:  As capacidades devem ser universalmente valorizadas.  Devem ser básicas para a vida. . É no entanto uma média aritmética limitada.  O desenvolvimento então depende da maneira de se usar os recursos.

. Relatório Bruntland – Assembleia Geral da ONU  Inovação retórica: base material sólida  Razões: “memória das calamidades anteriores. conhecimento científico insuficiente. “opção pelo desastre e comportamento racional das elites no poder. comportamento irracional”.  1987: “conceito político”. Sustentabilidade  O desenvolvimento pode ser ambientalmente sustentável ?  1979: Simpósio da ONU sobre inter-relações entre recursos. ambiente e desenvolvimento.

Hannah Arendt. Václav Havel. Arturo Escobar (colombiano). etc. Paulo Freire. Josué de Castro. Marcel Mauss. Frantz Fanon. Foucault. O PÓS-DESENVOLVIMENTO  Sete autores: Majid Rahnema (iraniano). Wolfgang Sachs (alemão).  Herança intelectual: Mahatma Gandhi. Susan Georg (ativista internacional). François Partant. Luther King. Gilbert Rist (suiço). . Henry Thoreau. Serge Latouche (francês). Gustavo Esteva (mexicano). Ivan Illich.

. Valorização das sociedades que não se desenvolveram. 2. educação. Meios de comunicação e Organizações internacionais). 5. Crítica dos principais vetores do desenvolvimento (economia. 3. Fundamentos do pós-desenvolvimentismo 1. Desvalorização da ideia de progresso. Estado-nação. pensamento único. ciência. 4. Crítica das ´práticas desenvolvimentistas. Elogio dos modos de resistência dos perdedores que estão abrindo o caminho para a era do “pós-desenvolvimento”. colonização mental.

Valorização das sociedades que não se desenvolveram  Marshall Sahlins: paradoxo (pobreza. • Criatividade cultural e a morfogênese social (interação e questões postas) .  Evolução dawiniana e a mudança cultural: • Direcionalidade cumulativa • Impacto explosivamente útil (ou destrutivo) • Evolução natural (não dispõe de progresso previsível) DIFERENTE evolução cultural (progressiva e autocomplexificadora). mudança cultural). evolução.

acumulação de capital e relações sociais do modo de produção capitalista).  Manipulação dos conceitos: “humano” e “sustentável”.  Desenvolvimento como mito: (dilema – tudo e o seu contrário) = crescimento econômico. . Antagonismos sociais ocultos pela força de “valores” partilhados: progresso.  Desenvolvimento como realidade histórica: empreendimento que visa transformar em mercadoria as relações dos homens entre eles e com a natureza. universalismo.Desvalorização da ideia de progresso  Para os membros da ROCADe. racionalidade quantificável. o desenvolvimento foi a continuação do colonialismo por outros meios. domação da natureza.

pobreza. (Boa vizinhança e desenvolvimento).  crítica do capitalismo e da mundialização (Reformismo ou superação?)  Desconstrução das noções: crescimento.  Resistência e dissidência:  Sociedade convivial x Sociedade industrial. necessidades. etc. financeira e midiática (meios) .  Colapso dos poderes coloniais europeus e a “missão salvadora” americana.  ROCADe e a ruptura:  Desenvolvimento e crescimento econômico moderno.Definições e conceitos  Era do desenvolvimento: 1949 (Harry Truman).

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à crença de que mais é igual a melhor”. Relações sociais/produção e consumo de coisas descartáveis. não é renúncia. redução tempo de trabalho/emprego. nem imobilismo conservador  “Renunciar ao imaginário econômico. Retração  Retração: condição de possibilidade – (meio ambiente e justiça social)  Limites do patrimônio natural: Sobrevivência social e sobrevivência biológica  Retração.  Lazer/trabalho. .

 Época de catástrofes  Sociedade de risco  mercantilização da natureza  .

Reutilizar.  Tal contestação ao desenvolvimento não pode ser empreendimento paternalista ou universalista. Redistribuir. Países do Sul  Programa dos seis “R”:  Reavaliar. Reduzir. Reestruturar. Reciclar.  Imaginário econômico do Norte e do Sul: problema ou solução? .  Trata-se menos de decrescer (ou de crescer) do que retomar o fio de sua história rompido pela colonização.

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Reforçar a coerência teórica e prática das iniciativas alternativas. Conceber e promover resistência e dissidência à sociedade de crescimento e de desenvolvimento econômico. . Lutar pela descolonização do imaginário economicista dominante. 3. Manifesto da ROCADe 1. Fazer nascer verdadeiras sociedades autônomas e conviviais. 2. 4.

afirmar que a ideia de desenvolvimento econômico é um simples mito. . para concentrá-las em objetivos abstratos. como são os investimentos. 2005) “Cabe. Avaliação crítica  Mito do desenvolvimento econômico (FURTADO. portanto. Graças a ela. tem sido possível desviar as atenções da tarefa básica de identificação das necessidades fundamentais da coletividade e das possibilidades que abrem ao homem o avanço da ciência. as exportações e o crescimento”.

. Avaliação crítica  Perspectiva e função do mito  Invenção cultural: o homem como uma agente transformador do mundo (perspectiva antropológico-filosófica)  Teoria do desenvolvimento e a ´”lógica dos meios”  Novo desenvolvimentismo como “um dos frequentes deslizamentos para o reducionismo econômico” (Celso Furtado).