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MANDADO DE

SEGURANÇA
COLETIVO

Inspiração

 Juízo de amparo – Direito mexicano
"um processo que se inicia pela ação que
exerce qualquer governado perante os
órgãos jurisdicionais federais contra todo
ato de autoridade (lato sensu) que lhe
cause um agravo em sua esfera jurídica e
que considere contrário a Constituição,
tendo por objeto invalidar dito ato e privá-
lo de sua eficácia em virtude de sua
inconstitucionalidade ou ilegalidade no
caso concreto que lhe deu origem“
Ignácio Burgoa

Inspiração
 Writ – Direito norte-americano
Duas formas: a do mandamus – solicitação à Corte que
ordene a execução de um ato qualquer; e injunction, -
requisição de proibição ao réu de realizar determinado ato.

“O writ of mandamus serve para "impedir", de forma
proibitória, a execução do ato ou da Lei questionados, ao
passo que o writ of injuction tem por escopo a "execução", de
modo explícito, de um ato ou dever pela autoridade
demandada, quando a violação consiste na recusa, por parte
dela, de cumprimento daquilo a que está legalmente obrigada
RABASA

Evolução histórica

A Constituição Federal de 1934 trouxe em seu
contexto o surgimento do mandado de segurança
que, com a força processual do habeas corpus,
garantia ao cidadão a possibilidade de uma
proteção contra o Estado ou aqueles que
estão em função deste quando agem de
maneira ilegal ou abusiva.

1533/1951 – lei regulamentadora  Constituição 1946 – retorno à Constituição  Constituição 1967 – art. § 21 . § 20  EC1/69 – art. Constituição 1937 – excluída  CPC 1939 – inclusão em procedimentos especiais  L. 153. 50.

12. LXX  Legitimação extraordinária  Direitos de natureza coletiva  Coletivos .natureza indivisível de que seja titular grupo. . cujos titulares são pessoas determinadas ou determináveis. 5.   Criação CF/88.natureza divisível. art.016/2009 Disciplina o mandado de segurança individual e coletivo e dá outras providências. categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contraria por uma relação jurídica  Individuais homogêneos .Previsão  L.

b) organização sindical. entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano.conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo. . não amparado por "habeas-corpus" ou "habeas-data". 5º LXIX .Previsão  CF/88 – art.o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional. em defesa dos interesses de seus membros ou associados.  LXX . quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público.

para a proteção de direito individual líquido e certo.Conceito – Hely Lopes Meireles "o meio constitucional posto à disposição de toda pessoa física ou jurídica. por ato de autoridade. órgão com capacidade processual. seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça“ Hely Lopes Meireles . ou universalidade reconhecida por lei. lesado ou ameaçado de lesão. não amparado por habeas corpus ou habeas data.

OBJETO DO MS COLETIVO .

sempre que houver ilegalidade ou abuso de poder perpetrado por autoridade. o coletivo destina-se a proteger direito líquido e certo só que de natureza corporativa. mas sim a grupo de pessoas.À semelhança com o MS individual. pertencente não a um indivíduo isolado. não amparado por habeas corpus ou habeas data. .

Momento à parte Individuais Direitos homogêneo Coletivos s Suj. indeterminados Determináveis no Suj. Determináveis futuro relação juridica de base Ligados por evento de entre si ou com o réu origem comum . indeterminados Suj.

os decorrentes de origem comum e da atividade ou situação específica da totalidade ou de parte dos associados ou membros do impetrante. da Lei n. para efeito da Lei 12. Interessante observar que os direitos difusos não foram incluídos pela Lei 12.016/09. assim entendidos. para efeito da Lei 12. de que seja titular grupo ou categoria de pessoas ligadas entre si ou com parte contrária por uma relação jurídica básica. parágrafo único.016/09 são bastante assemelhadas às que constam no art.016/09. os transindividuais. . apesar do Supremo Tribunal Federal já ter se manifestado no sentido de entender cabível o ajuizamento de Mandado de Segurança Coletivo para defender direitos difusos (RE 196. do Código de Defesa do Consumidor.016/09 os direitos protegidos pelo mandado de segurança coletivo podem ser: I – coletivos. incisos II e III. 12.Objeto De acordo com o disposto no artigo 21. 81. II – individuais homogêneos.016/09 na proteção do mandado de segurança coletivo. As definições de direitos coletivos e individuais homogêneos estabelecidas na Lei 12. assim entendidos. de natureza indivisível.184/AM).

Objetivo Invalidação Proteção de de atos direito líquido e certo Supressão de omissões .

Ato disciplinar Ato sujeito a recurso administrativo .

Modalidade ANTES de Preventivo concretizar a ofensa MS DEPOIS para Repressivo Correção da ilegalidade .

§2º.  Despacho ou decisão judicial. art. quando haja recurso previsto nas leis processuais com efeito suspensivo  Decisão judicial transitada em julgado  Atos de gestão comercial.NÃO CABIMENTO  Ato de que caiba recurso administrativo com efeito suspensivo. 1º. independente de caução. .

LEGITIMIDADE PARA IMPETRAR MS COLETIVO .

 Art. entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há. 1 (um) ano. autorização especial. para tanto. dos seus membros ou associados. dispensada.  . em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade. na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária.  O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional. ou por organização sindical. ou de parte.21. na forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades. pelo menos.

associação . De acordo com o artigo 5º. Legitimidade O estudo da legitimidade ativa para impetrar mandado de segurança coletivo é relevante porque tanto a Constituição Federal como a lei limitaram os autorizados a ingressar com esta espécie de ação. da Constituição Federal de 1988. hipóteses que foram repetidas no artigo 23 da Lei n. 12. estão autorizados a impetrar mandado de segurança coletivo: . .entidade de classe e . inciso LXX.MP??? .organização sindical. .016.partido político com representação no Congresso Nacional.

inciso LXX. mas sim apenas interesses relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária.016/09 em seu Art. pois a Constituição Federal não cuidou de restringir os direitos que podem ser pleiteados pelos partidos políticos a nível de mandado de segurança coletivo. de acordo com a lei não é qualquer interesse que pode ser objeto de mandado de segurança coletivo impetrado por partido político. 12. Assim. 21. alínea a afirma que o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional. exigiu que o mandado de segurança coletivo impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional deve defender interesses legítimos relativos a seus integrantes (parlamentares e filiados) ou à finalidade partidária.Legitimidade Partidos Políticos O artigo 5º. Isto quer significar que o partido político legitimado para o mandado de segurança coletivo deve ter pelo menos um deputado federal ou um senador no Congresso Nacional. a Lei n. caput. Há quem diga que referida limitação legal é inconstitucional. Avançando na regulamentação do dispositivo constitucional. .

95: ‘O partido político. no interesse do regime democrático.a lei não restringiu ou delimitou quais seriam os direitos que poderiam ser pleiteados em sede de mandado de segurança coletivo. de 19. Veja-se a amplitude do campo de atuação dos partidos políticos e. a autenticidade do sistema representativo e a defender os direitos fundamentais definidos na Constituição Federal’. pessoa jurídica de direito privado. em consequência. .O Art. destina-se a assegurar.9.Legitimidade Partidos Políticos Problemas: . sua competência para a interposição do mandado de segurança coletivo” . 1º da Lei 9096.

Exige-se.016/09 prevê a legitimidade ativa para impetração do mandado de segurança coletivo às organizações sindicais. portanto. Por sua vez. 12. . a entidade de classe ou a associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano. entidades de classe ou associações legalmente constituídas e em funcionamento há pelo menos um ano. estabelece como legitimados para impetrar mandado de segurança coletivo a organização sindical. em defesa dos interesses de seus membros ou associados. dispensada. autorização especial. na forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades.Legitimidade Organizações sindicais. em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade. inciso LXX. ou de parte dos seus membros ou associados. Associações e entidades de classe O artigo 5º. alínea b. para tanto. o artigo 21 da Lei n. nesses casos um vínculo de pertinência entre a atividade desenvolvida pela entidade e o objeto do mandado de segurança coletivo.

Legitimidade Organizações sindicais. . A defesa também pode ser da totalidade ou de parte dos membros ou associados. Associações e entidades de classe Dispensou-se a autorização especial e isso é uma característica da substituição processual. pois se o caso fosse de representação teríamos a necessidade de autorização dos membros ou associados.

. 12. como por exemplo a Ordem dos Advogados do Brasil.Legitimidade Organizações sindicais.016/09. 21 da Lei n. Tais entendimentos sumulados foram estendidos também para as organizações sindicais e para as associações conforme expresso na parte final do Art. que afirma que a impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes e a Súmula 630 que diz que a entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria. o Supremo Tribunal Federal editou duas Súmulas a respeito: a Súmula 629. Associações e entidades de classe Quanto à impetração de mandado de segurança coletivo por entidades de classe.

Legitimidade E O MP? .

há corrente doutrinária que defende a legitimidade de outros entes aptos a ajuizar outras demandas coletivas para também ajuizar o mandado de segurança coletivo. Partindo desse pressuposto. . Legitimidade A questão da legitimidade ou não do Ministério Público para ajuizar mandado de segurança coletivo passa pela discussão acerca da taxatividade ou não do rol de legitimados para o ajuizamento dessa demanda. Existem entendimentos doutrinários que seguem a ideia no sentido da não taxatividade do rol de legitimados para o ajuizamento do mandado de segurança coletivo.

como cediço. Como observa a doutrina. não pode ser restringida. uma vez que entendem que o rol de legitimados não é taxativo. “a previsão constitucional que trata do mandado de segurança coletivo limita-se a estabelecer os legitimados para esta ação. mas nada impede (aliás será muito salutar) que seja ampliada. Nada há que autorize esta conclusão. Legitimidade Parte da Doutrina entende ser o MP um legitimado para também impetrar o MS coletivo. Em contraste com a legitimidade para outras ações coletivas (qualquer cidadão para a ação popular e vários entes para as ações civis públicas) é de se questionar se a legitimação aqui prevista é exclusiva. conforme MARIONI e MITIDIERO: “O rol de legitimados para propositura de mandado de segurança coletivo não é taxativo. se o rol trazido no dispositivo em questão é exaustivo. ou seja. A garantia fundamental.” .

III. Legitimidade O Art.016/09 afirma que podem ser tutelados através do mandado de segurança coletivo os direitos coletivos e individuais homogêneos. Além disso. da Lei n. . o artigo 129. parágrafo único. essencial à função jurisdicional do Estado. 127 da Constituição Federal de 1988 estabelece que o Ministério Público é instituição permanente. Assim. O art. nada impede que este ente impetre mandado de segurança coletivo para tanto. 12. do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. da Constituição Federal de 1988 é expresso ao afirmar que cumpre ao Ministério Público a defesa dos direitos difusos e coletivos. incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica. se a Constituição afirma que o Ministério Público pode tutelar esses direitos. 21.

a jurisprudência tem se mostrado não inclinada a reconhecer a não taxatividade do Rol dos legitimados. .Legitimidade Em que pese essa opinião doutrinária.

ASPECTOS PROCEDIMENTAIS .

Prazo  Art. contados da ciência.  O direito de requerer mandado de segurança extinguir-se-á decorridos 120 (cento e vinte) dias. do ato impugnado. pelo interessado. .23.

Competência É definida pela autoridade coatora e pela sua sede funcional.  Não interessa a natureza do ato impugnado  Competência funcional → absoluta .

Autoridade Autoridade Federal Est/Mun Local da COMARCA sede Capital do Estado .

que deverá preencher os requisitos estabelecidos pela lei processual. a pessoa jurídica que esta integra.Procedimentos  INICIAL  Lei 12016/09 Art. será apresentada em 2 (duas) vias com os documentos que instruírem a primeira reproduzidos na segunda e indicará. à qual se acha vinculada ou da qual exerce atribuições . além da autoridade coatora. 6o  A petição inicial.

7º  I .  III – que seja suspenso o ato que deu motivo ao pedido .  II – que seja dada ciência do feito ao órgão de representação da PJ interessada. NOTIFICAÇÃO – art.Pessoal ao impetrado para prestar informações no prazo de 10 dias.

Ao despachar a inicial. com o objetivo de assegurar o ressarcimento à pessoa jurídica.Liminar  L.016/2009. 12. caso seja finalmente deferida. quando houver fundamento relevante e do ato impugnado puder resultar a ineficácia da medida. Art. o juiz ordenará: III . fiança ou depósito. sendo facultado exigir do impetrante caução.que se suspenda o ato que deu motivo ao pedido. 7º .  .

Art.Código de Processo Civil. de 11 de janeiro de 1973 . § 1o  Da decisão do juiz de primeiro grau que conceder ou denegar a liminar caberá agravo de instrumento.869. 7º.Recurso  Agravo de instrumento. observado o disposto na Lei no 5.  .

.Sentença  Repressiva = tem como objetivo sanar a ilegalidade  Preventiva = visa impedir o cometimento de ilegalidade iminente.

exceto quando relativa a vencimentos e vantagens de servidores públicos  Descumprimento → crime de desobediência . será feita por ação direta e autônoma.Execução da Sentença  Imediata  No caso de danos patrimoniais.

art. 12. RE – art. 14)  Recurso de ofício. 102. 105.Recursos  Apelação (art. II. art. § 1º. 10. da CF/88 . 18 →única instância  Recurso Ordinário. II. § 1º  Agravo Regimental. art. art. pu.  Resp. b. 16. a e art.

CONCLUSÃO .

à limitação dos direitos a serem defendidos pelos partidos políticos e à ausência de legitimação expressa do Ministério Público para impetrar o mandado de segurança coletivo. mas são tímidos em alguns aspectos e merecem nestes casos uma interpretação diferenciada. tais como no que diz respeito à ausência de previsão de tutela de direitos difusos. evitando o ajuizamento de inúmeras ações individuais acerca do mesmo assunto. Os dispositivos legais consagram alguns entendimentos jurisprudenciais acerca do instituto.Conclusão O mandado de segurança coletivo é ação extremamente relevante no que diz respeito à tutela de direitos coletivos em sentido amplo. .