POSSÍVEIS (DES)CAMINHOS DA

CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTO EM MUSEUS DE CIÊNCIA

Profº. Daniel Maurício Viana de Souza

O FENÔMENO INFORMACIONAL NO
AMBIENTE MUSEOLÓGICO

Informação p do latim informare ² significa ´dar formaµ, ´colocar em formaµ, o que remete aos sentidos de criação, apresentação e representação. Zeman (1970, 156-157) p sentido formal/ordenador p ´caráter monísticoµ da informação

O FENÔMENO INFORMACIONAL NO
AMBIENTE MUSEOLÓGICO

Mônada, segundo Giordano Bruno (séc. XVI) e também, Leibniz (séc. XVIII), significa os ´elementos das coisasµ, isto é, representaria a menor partícula a partir da qual se constituiriam a complexidade das formas. Seriam, assim ´átomos da naturezaµ. Buckley (1983, p. 603) p Informação p ´inerentemente relacional entre dois ou mais conjuntos de eventosµ p sendo seu significado, assim, construído na arena de interações sociais

O FENÔMENO INFORMACIONAL NO
AMBIENTE MUSEOLÓGICO

No que tange a questão do significado p limitações de possibilidade de uma representação abarcar todo um universo de conotações e domínios semânticos de um determinado evento ou objeto A noção de ´reflexoµ p fundamental para o entendimento do caráter relacional da informação Todo registro de um objeto ou toda informação comporta um ´máximo de condensação possívelµ A proximidade fenomenal que nos traz a esfera da materialidade, estaria presa as reduções semânticas da nossa percepção por meio dos ´reflexosµ, e a informação também seria um fenômeno reflexivo no âmbito das relações sociais

O FENÔMENO INFORMACIONAL NO
AMBIENTE MUSEOLÓGICO

Considerando a problemática nos termos teóricos e conceituais descritos acima, desenha-se o quadro de possíveis relações e implicações do fenômeno da informação no espaço museológico, sobretudo no que tange aos aspectos relativos ao processo de construção e disseminação de conhecimento

OS MUSEUS DE CIÊNCIA E A PRODUÇÃO DE
CONHECIMENTO
Processos de transformação histórico e sócio-culturais que marcaram desde o início a Modernidade Ocidental

´Gabinetes de curiosidadesµ destinavam-se a reunião de uma diversidade de objetos, com vistas à construção de saberes e a compreensão, tanto quanto possível, do mundo construção de discursos sobre um postulado ´progresso científico da humanidadeµ Século XIX - ´idade de ouroµ dos museus Fins do séc. XIX (contexto acelerado de industrialização) níveis consideráveis de institucionalização e publicização questões de ´educação públicaµ Cientificismo. Museus de Ciência e Técnica responsáveis por apresentar, para um público amplo, o avanço da ciência, suas descobertas e contribuições para o desenvolvimento da humanidade

OS MUSEUS DE CIÊNCIA E A PRODUÇÃO DE
CONHECIMENTO
Proliferação de instituições museológicas de ciência ´idade da tecnologiaµ principal missão, em tese: comunicar e socializar o conhecimento Museu , segundo o ICOM: ´(...) instituição permanente, sem fins lucrativos, aberta ao público, a serviço de uma sociedade e de sua evolução, que adquire, conserva, pesquisa, comunica e expõe para fins de estudo, educação e lazer os testemunhos do homem e do seu meio-ambiente.µ A partir desta redefinição p movimento na Museologia fortemente inclinado a romper com paradigmas museológicos arraigados às técnicas de processamento de acervo, onde se tomava o objeto por ele mesmo importância e representatividade social do espaço museológico

OS MUSEUS DE CIÊNCIA E A PRODUÇÃO DE
CONHECIMENTO A informação portadora de um potencial propulsor de conhecimento p diretamente relacionados aos objetos musealizados. O objeto de museu p testemunho de uma realidade Para que seja possível uma leitura efetiva deste testemunho é necessário p reconhecer a linguagem do objeto em suas dimensões tanto materiais quanto estruturais.

OS MUSEUS DE CIÊNCIA E A PRODUÇÃO DE
CONHECIMENTO

Buckland (1991) p ´informação-como-coisaµ p informação de natureza concreta/material como intangível/simbólica. A devida relevância aos aspectos semânticos no processamento técnico do objeto musealizado p garantir que a informação possa assumir o papel de elemento estrutural capaz de dar acesso à possibilidade de construção e interpretação da realidade social.

OS MUSEUS DE CIÊNCIA E A PRODUÇÃO DE
CONHECIMENTO Museus de Ciência <=> Divulgação Científica perspectivas de construção e transferência da informação A análise do objeto no interior do espaço museológico à luz de um aprofundamento teórico que não se prende apenas aos aspectos formais

OS MUSEUS DE CIÊNCIA E A PRODUÇÃO DE
CONHECIMENTO Prisma relacional acerca da ¶informação/objeto musealizado·

Questões de representação e construção de significados a partir do meio físico sempre relacionadas à contextos de interesses específicos. Valores e significados atribuídos às coisas p que são manipuláveis, dinâmicos e transitórios (ALBERTI 2005, p. 561)

OS MUSEUS DE CIÊNCIA E A PRODUÇÃO DE
CONHECIMENTO

Instrumentalização operada na ´informação/objeto musealizadoµ diretamente vinculada aos aspectos info-comunicacionais norteadores da exposição museológica.

Espaço discursivo de (re)produção de sentidos por meio dos objetos

loci para a construção de significados, que de certo modo, contribuiriam para delinear os contornos da memória científica

OS MUSEUS DE CIÊNCIA E A PRODUÇÃO DE
CONHECIMENTO

O grau de acessibilidade aliado ao insumo instrumental para a negociação semântica, pode fazer da informação no museu um fator transformador p a possibilidade de se inserir em um processo de construção de conhecimento com vistas ao fortalecimento das memórias e identidades culturais, através do diálogo provocado pelo museu entre sujeito e sociedade.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful