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VERSO E ESTROFE

Professor Clóvis
Linguagem Literária
A busca pela expressividade é o eixo central
O ESCRITOR TRABALHA COM A LINGUAGEM – Apesar de ser a inspiração um
ingrediente importante, o escritor procura meios de exprimir sentimentos, e de
instigar leitores a pensar de modo diferente sobre conceitos de sua época.

Rodolfo II Maximiliano II

Giuseppe Arcimboldo (1527-1599, Italia). Esse projeto tinha o objetivo de


representar os imperadores com composições muito bem elaboradas,
utilizando-se de elementos do mundo concreto, respeitando as formas e as
cores presentes na natureza.
Na pintura sabemos que cada vegetal, fruta, flor, é essencial para a
composição da figura humana.
No caso de um poema, quais partes cumprem esse
mesmo papel?
Verso
Unidade rítmica e melódica do poema.
Geralmente, é cada uma das linhas do poema.
O VERSO pode ser:

• METRIFICADO: Quando o poeta estabelece uma


medida em número de sílabas.

• LIVRE: Quando a medida é totalmente arbitrária.

• REGULAR: Quando o poeta determina um certo ritmo


com as sílabas tônicas e rimas a intervalos iguais.

• BRANCOS: quando não apresentam rimas.


Minha desgraça
Minha desgraça, não, não é ser poeta,
Nem na terra de amor não ter um eco,
E meu anjo de Deus, o meu planeta
Tratar-me como trata-se um boneco...

Não é andar de cotovelos rotos,


Ter duro como pedra o travesseiro...
Eu sei... O mundo é um lodaçal perdido
Cujo o sol (quem me dera!) é o dinheiro...

Minha desgraça, ó cândida donzela,


O que faz que o meu peito assim blasfema,
É ter para escrever todo um poema,
E não ter um vintém para uma vela.
Álvares de Azevedo
Análise do poema
O título, “Minha desgraça”, apresenta uma visão
impotente do eu-lírico diante do mundo.
Sua maior desgraça é ser pobre e não correspondido.
• No poema, há três estrofes formadas por quatro
versos cada.
• O poema caracteriza-se por apresentar uma forte
sonoridade, construída por meio de repetições,
ritmo, rima.
• O ritmo é dado pela alternância de sílabas
acentuadas e não acentuadas.
Mi/nha/ des/gra/ça/ não,/ não é/ ser/po/e/ta,
1 / 2 / 3 / 4 / 5/ 6 / 7 / 8 / 9 /10
Nem/na/ te/rra/ de/ a/mor/ não/ ter/ um /e/co
1 / 2 / 3 / 4 / 5/ 6 / 7 / 8 / 9 /10
Os versos e seus recursos musicais
Segundo o poeta Carlos Drummond de Andrade, “entre coisas
e palavras – principalmente entre palavras – circulamos”.
As palavras, entretanto, não circulam entre nós como
folhas soltas no ar. Elas são organizadas em textos, por
meio dos quais podem criar significados capazes de
transmitir ideias, sentimentos, desejos, emoções.
Muitas delas se combinam de tal forma que fica evidente
terem sido selecionadas com a finalidade de compor
imagens, sugerir formas, cores, odores, sons,
permitindo múltiplas sensações, leituras e
interpretações.
• Segundo Edgar Allan Poe:
“o poema é a criação rítmica da beleza”.
Tipos de estrofes
Os VERSOS organizam-se em estrofes. O número de
versos agrupados e cada estrofe pode variar.
• Dístico: é o nome que se dá a estrofe de dois versos;
• Terceto: três versos;
• Quadra ou Quarteto: quatro versos;
• Quintilha: cinco versos;
• Sexteto ou sextilha: seis versos;
• Sétima ou septilha: sete versos;
• Oitava: oito versos;
• Nona: nove versos;
• Décima: dez versos;
Viajante (Mário Quintana)
Eu, sempre que parti, fiquei nas gares
Olhando, triste, para mim...
As formas fixas
Uma das composições de forma fixa mais conhecidas é o
soneto, em que os versos são agrupadas em dois
quartetos e dois tercetos.
• O soneto geralmente desenvolve uma ideia até o
penúltimo verso e no último, considerado chave de
ouro, apresenta uma síntese do que foi
desenvolvido.
• A balada: (três oitavas e uma quadra)
• Vilancete: (um terceto e outros tipos de estrofes, à
escolha do poeta)
• Rondó: (apenas quadras, ou então quadras
combinadas com oitavas).
HAICAI – poema de origem japonese, constituído por
uma estrofe de 3 versos (terceto):
1º verso - 5 sílabas, 2º - 7 sílabas, 3º - 5 sílabas.
SONETO DO AMOR TOTAL
Amo-te tanto, meu amor... Não cante A
O humano coração com mais verdade... B
Amo-te como amigo e como amante A
Numa sempre diversa realidade. B

Amo-te afim, de um calmo amor prestante A


E te amo além, presente na saudade. B
Vinícius de Moraes,
Amo-te, enfim, com grande liberdade B
conhecido como grande
compositor de clássicos Dentro da eternidade e a cada instante. A
da MPB, como as
músicas: AQUARELA e Amo-te como um bicho, simplesmente C
GAROTA DE IPANEMA. De um amor sem mistério e sem virtude D
Com um desejo maciço e permanente. C

E de te amar assim, muito e amiúde D


É que um dia em teu corpo de repente C
Hei de morrer de amar mais do que pude. D
LINGUAGEM LITERÁRIA
Contagem do número de sílabas
existentes em cada verso
O processo de dividir os versos em sílabas poéticas
é chamado de escansão.

Regras de escansão:
• Contam-se as sílabas do verso apenas até a última sílaba tônica
da última palavra desse verso.
• Os ditongos crescentes constituem uma sílaba métrica:
(ua – ia – eo – io – ie)
• Duas ou mais vogais, posicionadas no fim de uma palavra e no
início da palavra seguinte, unem-se em uma só sílaba métrica.
Vamos agora contar
Junto as Sílabas
métricas
A/mo/-te a/fim,/ de um/ cal/mo a/mor/ pres/tan/te
1 -2 -3 -4 - 5 - 6 - 7 -8 - 9 -10
E/ te a/mo a/lém,/ pre/sem/te/ na/ sau/da/de.
1 – 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 - 8 - 9 - 10
A/mo/-te, em/fim,/ com /gran/de/ li/ber/da/de
1 – 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 - 8 – 9 - 10
Den/tro/ da e/ter/ni/da/de e a/ ca/da ins/tan/te.
1 - 2 - 3 - 4 - 5 – 6 - 7 - 8 - 9 - 10

A/mor/ é/ um/ fo/ go/ que ar/de/sem/ se/ver


1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 - 8 - 9 -10
É/ fe/ri/da/ que/ dói,/ e/ não/ se/sen/te
1 – 2 -3 -4 - 5 - 6 - 7 - 8 - 9 - 10
é/um/con/ten/ta/men/to/ des/con/ten/te;
1 – 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 - 8 – 9 - 10
é/ dor/ que/ de/sa/ti/na/ sem/ do/er
1 - 2 - 3 - 4 - 5 – 6 -7 8 - 9 - 10