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Psicologia Da Velhice

Objetivos

- Enunciar a importância da Gerontopsicologia no reconhecimento dos


problemas que se colocam à pessoa idosa.

- Reconhecer a importância da sexualidade na velhice.


Conteúdos

Gerontopsicologia

-Aspetos biológicos e psicológicos no envelhecer


- Emoções e velhice
- Motivação
- Personalidade: tipologias

-Tarefas Evolutivas da velhice


- Ajustamentos psicossociais da velhice
- Fase Final da vida/reflexão sobre a morte e o luto

-Aspetos cognitivos do envelhecimento


- velhice e aprendizagem
- avaliação das funções cognitivas
- modificações nas funções cognitivas
- inteligência, memória e aprendizagem
- resolução de problemas e criatividade
-A sexualidade na velhice
- Fatores que influenciam a mudança de comportamento
sexual na velhice
- Crise da menopausa
- Sexualidade depois dos 60 anos.
- Amor e sexualidade na pessoa idosa.
Gerontologia

A Gerontologia é uma especialidade que não está ligada somente à


área da saúde, pelo contrário, está aberta a todas as áreas. Um
arquiteto pode se especializar e com isso, trabalhar, por exemplo, a
questão da acessibilidade dos idosos nos imóveis. Um advogado, um
engenheiro, um dentista, um psicólogo, um cientista social… todos
esses profissionais podem direcionar seu trabalho para as questões
ligadas ao envelhecimento.
O profissional desta área está apto a contribuir para que o
envelhecimento seja um processo saudável, bem sucedido assistido e
cuidado. Inclusive orientando a família e a sociedade sobre como lidar
com o seu idoso, fazendo intervenções e combatendo preconceitos.
Geriatria

É uma especialidade médica que trata de doença de idoso ou de


doentes idosos, mas também se preocupa em prolongar a vida com
saúde.
Ao longo da vida a capacidade funcional vai reduzindo e na terceira
idade é importante manter a independência e prevenir incapacidades,
assim garantindo uma boa qualidade de vida. O processo natural do
envelhecimento associado ás doenças crónicas e a hábitos de vida
inadequados são os responsáveis pela limitação do idoso.

Nesta fase é importante focar sempre na prevenção, pois até o idoso


aparentemente saudável requer cuidados.
Aspetos biológicos e psicológicos no envelhecer

-Conceito biológico de Envelhecimento

A perspetiva biológica do envelhecimento reúne o seu ponto consensual


na chamada Teoria do declínio.
Segundo esta teoria, o envelhecimento é caracterizado por uma lentidão
que abrange diferentes domínios de comportamento. Na origem desta
lentidão está o declínio de um conjunto de funções orgânicas (como por
exemplo a diminuição da capacidade de regeneração das células e
consequente envelhecimento dos tecidos).
Estas alterações estão ligadas a fatores determinantes como a idade, o sexo,
a capacidade cognitiva e física da cada individuo. Ou seja, o processo de
deterioração das capacidades e aptidões manifesta-se de forma
diferenciada de indivíduo para indivíduo.
Envelhecimento Primário
-É um processo pessoal, natural, gradual que se caracteriza por uma
diminuição das aptidões e capacidades, tanto físicas como mentais, o
qual se encontra relacionado com o código genético de cada um.

Envelhecimento Secundário
- É um processo patológico, as alterações físicas e/ou mentais
ocorrem de forma imprevisível e as causas são diversas (determinadas
doenças ou lesões, fortemente relacionadas com alterações
ambientais), sendo as suas manifestações vivenciadas de forma
distinta pelo ser humano.
Manifestações Patológicas
- Surgimento de cataratas
- Diminuição nas sensibilidades visuais, auditivas, térmicas e
dolorosas
- Diminuição na intensidade do reflexo
- Modificações do apetite sexual
- Diabetes
- Hipertensão arterial
- Arteriosclerose
- Bronquite
- Insuficiência renal aguda
- Deformações torácicas
- Reumatismo
-Aparecimento do cancro nos mais variados órgãos.
Conceito Psicológico do Envelhecimento

O processo de envelhecimento envolve alterações ao nível dos


processos mentais, da personalidade, das motivações, das aptidões
sociais e aos contextos biográficos do sujeito.

Quer isto dizer que o envelhecimento vai depender de fatores de


ordem genética, patológica, de potencialidades individuais, com
interferência do meio ambiente e do contexto sociocultural.
Segundo perspetiva, é necessário perceber a importância das
formas de compensação, que cada um de nós utiliza para fazer face
às perdas associadas ao envelhecimento, pois estas vão influenciar
significativamente a qualidade de vida e o bem estar psicológico do
idoso.
Aspetos psicológicos

-Dificuldade de se adaptar a novos papeis;


- Falta de motivação e dificuldade de planear o futuro;
- Necessidade de trabalhar perdas orgânicas, afetivas e sociais;
- Dificuldade de se adaptar às mudanças rápidas;
- Baixa auto-estima e auto-conceito;
- Sinais de patologia.
Envelhecimento e o Contexto Social

O fenómeno do envelhecimento da população é um processo complexo e


mutável, claramente determinado por uma determinada época e
sociedade.
As dificuldades que o idoso enfrenta e a forma como envelhece, com
maior ou menor valorização, deve-se em muito ao estatuto que
determinada sociedade lhe confere.
Se em tempos mais longínquos o velho era considerado como um
arquivo de saberes e experienciais cuja transmissão era imprescindível
para a sobrevivência da comunidade, hoje, passamos a questionar o
sentido, os custos deste aumento da longevidade.
O envelhecimento social está de um modo geral associado a alterações no
status do individuo. Existe uma transição da categoria de ativo à de
reformado, esta desocupação de papeis é percecionada como uma perda de
utilidade e poder social. Com a ausência de um horário laboral, o
individuo tem que se adequar a novos papeis o que nem sempre é um
processo fácil.
É com esta mudança que alguns projetos de vida ficam comprometidos.
Existem idosos que apresentam dificuldades neste processo de adaptação e
iniciam um ciclo de perdas diversas que vão desde a condição económica
ao poder de decisão, à perda de parentes e amigos, da independência e da
autonomia, de contactos sociais, da auto-estima, à perda da sua
identidade.
Síntese
-Nem todos percecionamos e vivemos a velhice como a sequencia de
vários acontecimentos perturbadores inevitáveis. Esta nova etapa da vida
do individuo deve ser vivida com condições físicas e económicas e com
uma vida social ativa;
- Se estas alterações, por um lado, representam o afastamento do circuito
de produção, por outro, proporcionam o direito a um repouso
remunerado;
-a velhice é um processo natural, indiscutível e inevitável.
Independentemente das perspetivas explicativas, nesta fase ocorrem
mudanças biológicas, fisiológicas, psicossociais, económicas e políticas de
forma diferenciada de individuo para individuo. Contudo, o bem-estar do
idoso é influenciado por múltiplos fatores internos e externos, que vão
contribuir para uma melhor ou pior adaptação a estas transformações.
Emoções e Velhice

“A emoção é uma reação súbita de todo o nosso organismo, com


componentes fisiológicas, cognitivas e comportamentais que
permite ao sujeito se libertar das suas tensões.”
Emoções de Fundo
São detetadas através de pormenores como a velocidade dos movimentos
ou até a contração dos músculos faciais, pois comporta interferências de
incitadores internos. Estas podem ser relatadas como o entusiasmo,
tensão, calma, bem estar e mal estar.

Emoções Primárias
São universais e estão associadas a estados físicos. Podem ser relatas como
a alegria, tristeza, felicidade, medo, surpresa, raiva e repugnância.

Emoções Sociais
Emergem devido à relação socio-cultural e podem manifestar-se como a
simpatia, compaixão, embaraço, vergonha, culpa, orgulho, inveja, ciúme,
admiração e desprezo.
Incontinência emocional
Caracterizada em produzir intensas reações afetivas e uma
incapacidade para controlá-las.

Habilidade afetiva
Que nada mais é do que a mudança rápida de emoções. As paixões
reprimidas ao longo da vida, não encontram na velhice energia e
produzem tristeza com suas frustrações, angústias e rancores.
Emoções Negativas Frequentes

-Raiva
- Mágoa
- Ressentimento
- Angústia
- Ansiedade
- Tristeza
Características do Envelhecimento Emocional
-Redução da tolerância a estímulos
- Vulnerabilidade à ansiedade e depressão
- Acentuação de traços obsessivos
- Sintomas hipocondríacos, depreciativos ou de passividade
- Conservadorismo de carácter e de ideias (rigidez mental)
- Atitude Hostil diante do novo
- Diminuição da vontade, das aspirações, da iniciativa
- Estreitamento da afetividade

É frequente que os idosos associem à idade avançada a melancolia e a


tristeza devido a perdas afetivas, económicas, sociais e doenças
crónicas.
Vídeo

Psicologia do Envelhecer
Motivação

É o desejo por trás de todas as ações de organismo.


Motivação é o processo responsável pela intensidade, direção e
persistência dos esforços de uma pessoa para o alcance de determinada
meta.
Motivação

-Alguma coisa que faz uma pessoa agir


- Processo de estimular uma pessoa agir
- Processos que incentivam um comportamento
- Processos que fornecem direção e propósito ao comportamento
- Processos que permitem a persistência do comportamento
- Processos que conduzem às escolhas ou preferências de um
determinado comportamento.
O envelhecimento é um processo que gradativamente conduz o sujeito à
inatividade física, que por sua vez leva ao descondicionamento e à
potencialização da fragilidade músculo-esquelética. Com o acúmulo
dessas variáveis, ocorre a perda de estilo de vida independente,
ocasionando diminuição da motivação e auto-estima, havendo
possibilidade de atingir um grau de ansiedade e depressão, que neste caso
aceleraria a inatividade física e o envelhecimento.
Freire, apresenta um modelo teórico com seis dimensões do
funcionamento positivo para explicar o bem estar do envelhecimento

1 – Auto Aceitação: implica uma atitude positiva do individuo em


relação a si próprio e ao seu passado, implica reconhecer e aceitar
diversos aspetos de si mesmo, características boas e más.

2 – Relações positivas com os outros: envolve ter uma relação de


qualidade com os outros, ou seja, uma relação satisfatória e verdadeira;
preocupa-se com o bem estar alheio, ser capaz de relações empáticas e
afetuosas.
3 – Autonomia: significa ser autodeterminado e independente, ter
habilidade para resistir às pressões sociais para pensar e agir de
determinada maneira, avaliar-se com base em seus próprios padrões.

4 – Domínio sobre o ambiente: aproveitar as oportunidades que


surgem à sua volta, ser hábil para escolher ou criar contextos
apropriados às suas necessidades e valores.

5 – Propósito de Vida: implica ter metas na vida e um sentido de


direção, o individuo percebe que há sentido em sua vida presente e
passada, possui crenças que dão propósitos à vida, acredita que a vida
tem um propósito e é significativa.
6 – Crescimento Pessoal: o individuo tem um senso de crescimento
contínuo e de desenvolvimento como pessoa, está aberto a novas
experiências, um senso de realização de seu potencial, e suas
mudanças refletem autoconhecimento e eficácia.

O bem estar psicológico irá refletir-se numa avaliação que o idosa faz
da sua vida que foi influenciada por valores pessoais, padrões sociais e
aspetos históricos que possuem componentes cognitivos (saúde,
relações sociais e espiritualidade) e afetivos (afetos positivos,
felicidade e alegria, e afetos negativos, tristeza, infelicidade).
Rowen e Kahn sugerem três ações que influenciam e melhoram a
qualidade de vida

“Como fazer o melhor dos últimos anos!”

1 – Evitar as doenças e as incapacidade (alimentação, não fumar).

2 – Manter ativas as funções físicas e cognitivas (exercício físico, ler,


fazer palavras cruzadas).

3 – Estar envolvido com a vida e viver (relacionar-se com os outros,


contribuir com algo de valor).
Envelhecimento Mal Sucedido

Depressão

Muitos autores consideram as depressões na velhice como atípicas,


podem ser caracterizadas pela falta de episódios de tristeza, claramente
distintos, mostrando-se o doente apático, com queixas subjetivas de
comportamento cognitivo, ansiedade proeminente, somatização e
excesso de preocupação com o corpo.
Sintomas
-Humor depressivo e\ou uma diminuição clara do interesse ou prazer
em quase todas as atividades durante a maior parte do dia

- perda (sem dieta) ou ganho de peso, diminuição ou aumento de


apetite, insónia ou hipersónia, agitação ou lentidão psicomotora, fadiga
ou perda de energia.

- sentimento de desvalorização ou culpa excessiva ou indecisão.

- Menor capacidade de pensamento ou concentração ou indecisão.

- Pensamentos recorrentes sobre a morte, tentativa de suicídio ou a


existência de um plano especifico para cometer suicídio.
Ansiedade
Sintomas psíquicos – nervosismo, irritabilidade e agressividade.

Sintomas Físicos – tremor de extremidade, dificuldade para se


expressar e descontrolo motor.

Sistema Cardiovascular – taquicardia, arritmia cardíaca, suor nas


mãos, dor no peito, hipertensão e tontura.

Sistema respiratório – falta de ar, tontura, tosses, engasgo, gaguez e


soluço.

Sistema Génito – urinário – aumento da frequência e quantidade de


urina e problemas sexuais.
Personalidade Tipologias

Personalidade

Este termo exprime a totalidade de um ser, tal como aparece aos outros
e a si próprio, na sua unidade, na sua singularidade e na sua
continuidade. Cada um possui uma personalidade que resulta, ao
mesmo tempo, do seu temperamento, da sua constituição e das
múltiplas marcas deixadas pela sua história individual.
A personalidade sofre modificações ao longo do processo de
envelhecimento?

Os primeiros dados sobre a personalidade nos idosos, descobriram


quatro grandes tipos de personalidade presentes em indivíduos entre os
50 e os 90 anos.

-Integrado – pessoas que apresentam um bom funcionamento


psicológico geral, com uma “vida cheia”, interesses variados, com as suas
competências cognitivas intactas e retirando um elevado nível de
satisfação dos papeis desempenhados.

- Defensivo-combativo – pessoas orientadas e controladas,


experimentando níveis de satisfação entre o moderado e o elevado.
-Passivo-dependente – dependendo do tipo de funcionamento ao
longo da vida, assim estas pessoas apresentam na velhice uma
orientação passiva ou dependente, mostrando graus de satisfação muito
variados.

-Desintegrado – pessoas com lacunas no funcionamento psicológico,


pouca atividade, controlo pobre de emoções e deterioração dos
processos cognitivos, com baixa satisfação de vida.

As pessoas diferem muito na forma como vivem os últimos anos das


suas vidas, acabando a sua personalidade por ser influenciada e
modelada por fatores em linha com aquilo que sempre foram as reações
e os comportamentos ao longa da vida.
A personalidade organiza-se em redor de duas orientações
fundamentais:

Extroversão: atitude para com o mundo exterior.

Introversão: atitude para com o mundo interior e para com as


experiencias mentais subjetivas.

Estas duas orientações equilibram-se para permitir que o indivíduo


integre as limitações do ambiente e os desejos e fantasmas do seu
inconsciente.
De acordo com tendências que determinam a evolução do individuo no
decorrer da vida adulta:

Extroversão-introversão – produzir-se-ia uma inversão por altura do


meio da vida, que conduziria o individuo a um novo equilíbrio.

Na juventude – haveria a predominância de extroversão (traduzida pela


necessidade de afirmação do eu e de realização pessoal e profissional

Na segunda metade da vida: haveria um forte aumento da introversão, a


pessoa volta-se para a análise dos seus sentimentos pessoais, para o
balanço da vida e para a tomada de consciência do seu encontro inelutável
com a morte.
As características de personalidade podem tanto contribuir para a
manutenção da saúde e o bem estar subjetivo na velhice quanto
influenciar o desencadeamento de sintomas depressivos em idosos.

Os idosos com características de personalidade mais voltadas para si


próprias, menos interativas e pouco dominantes, apresentam, menos
sintomas de depressão em relação àquelas que são mais voltadas e
interessadas no outro, mais organizadas, persistentes e interativas.
Fase Final da Vida / reflexão sobre a morte e o luto

Só pensamos na velhice quando ficamos velhos. A morte é parte


obrigatória da velhice. Na cultura ocidental, é característico que a
morte seja excluída dos nossos pensamentos pelo tempo mais longo
possível. Isso pode aumentar o medo inconsciente da morte, mas
tanto a velhice quanto a morte são processos pelos quais todos os
seres humanos passam.
Conceitos de Morte

Morrer é o cessar irreversível:

1 – da função de todos os órgãos, tecidos e células;


2 – do fluxo de todos os fluídos do corpo incluindo o sangue e o ar;
3 – do funcionamento do coração e do pulmão;
4 – do funcionamento espontâneo do coração e do pulmão,
5 – do funcionamento de todo o cérebro, incluindo o tronco cerebral.
A Morte sobre Duas Concepções

-A morte do outro: o medo do abandono, consciência da ausência e da


separação.

- A própria morte: a consciência da própria finitude, a fantasia de


como será o fim e quando ocorrerá.
Ao pensar a morte cada pessoa pode relaciona-la a um dos
seguintes aspetos:

-Medo de morrer – surge o medo do sofrimento, da indignidade


pessoal. Em relação à morte do outro é difícil ver o seu sofrimento e
desintegração, o que origina sentimentos de impotência por não se poder
fazer nada.

- Medo do que vem após a morte – quando se trata da própria morte é


o medo do julgamento, do castigo divino e da rejeição. Em relação à
morte do outro, surge o medo da retaliação e da perda da relação.
-Medo da extinção - Diante da própria morte existe a ameaça do
desconhecido, o medo básico da sua extinção. Em relação ao outro, a
extinção evoca a vulnerabilidade pela sensação de abandono.

Acontecem múltiplas perdas, na velhice, e num curto espaço de tempo:


são as mortes do cônjuge, de amigos e familiares da mesma faixa etária, as
alterações no corpo, perdas fisiológicas e funcionais, a reforma, as perdas
financeiras e o isolamento social, o surgimento de doenças crónicas e a
situação de dependência, entre outras.
Síntese

Passada a idade adulta, o ser humano enfrenta a terceira idade, etapa do


ciclo vital na qual há um número maior de perdas, colaborando para que o
idoso pense mais sobre a finitude. A perda de amigos e familiares, perda
da sua ocupação, de parte da sua força física, redução do aparelho
sensório e, em alguns casos, perda do funcionamento cerebral são comuns
nesta idade.
Vídeo

A Dor da Morte – Luto


Luto

Conjunto de reações que ocorrem em consequência de uma perda


significativa. Envolve um processo de recuperação e reparação psíquica
perante mudanças e situações que acarretam perdas e provocam
desequilíbrio, afetando a ideia que temos de nós próprios, da vida e do
mundo.
O que é o Processo de Luto?

Face a qualquer perda significativa, de uma pessoa ou até de um


objeto estimado, desenrola-se um processo necessário e fundamental
para que o vazio deixado, com o tempo, possa voltar a ser preenchido.
Esse processo é denominado de luto e consiste numa adaptação à
perda, envolvendo uma série de tarefas ou fases para que tal aconteça.

O Luto representa o estado experiencial que a pessoa sofre após


tomar consciência da perda, sendo um termo global para descrever o
vasto leque de emoções, experiências, mudanças e condições que
ocorrem como resultado da perda.
Vídeo

Luto
Luto

5 Fases de Kubler-Ross

-Choque/negação – particularmente proeminente quando a perda é


inesperada
- Revolta – dirigida a si próprio, a Deus, aos médicos ou a outro alvo
- Depressão – sintomas depressivos
- Negociação – com os médicos, Deus…
- Aceitação – apercebem-se da realidade do acontecimento, recuperação
funcional progressiva.
Luto

4 Fases de Bowlby

-Choque/negação – falha no registo da perda da figura de vinculação.


- Protesto – preocupação com a pessoa perdida e com a tentativa de
conseguir o seu regresso. Ansiedade, medo, revolta.
- Desespero e desorganização – resultante da constatação de ineficácia
em trazer de volta a figura de vinculação. Desespero, tristeza e solidão.
- Reorganização – recuperação gradual com interesses por atividades
sociais e outras.
Sentimentos comuns no processo de luto

Tristeza – o sentimento mais comum encontrado no enlutado, muitas


vezes manifestando-se através do choro.
Raiva – a raiva advem da duas fontes: da sensação de frustração por não
haver nada que se pudesse fazer para prevenir a morte e de um tipo de
experiência regressiva que ocorre após a perda de alguém próximo em que
a pessoa se sente indefesa, incapaz de existir sem o outro, formas
ineficazes de lidar com a raiva são deslocá-la ou direcioná-la erradamente
para outras pessoas, culpabilizando-as pela morte do ente querido ou virá-
lo contra o próprio, podendo, no extremo, desenvolver comportamentos
suicidas.
Culpa e Sensura – Normalmente, e principalmente no inicio do
processo de luto, há um sentimento de culpa por não se ter sido
suficientemente bondoso, por não ter levado a pessoa mais cedo para
o hospital, na maior parte das vezes, a culpa é irracional e irá
desaparecer através do teste com a realidade.

Ansiedade – Pode variar de uma ligeira sensação de insegurança até


um forte ataque de pânico e quanto mais intensa e persistente for a
ansiedade, mais sugere uma reação de sofrimento patológica, surge de
duas fontes: do sobrevivente temer ser incapaz de tomar conte dele
próprio sozinho e de uma sensação aumentada da consciência da
mortalidade do próprio.
Solidão – sentimento frequentemente expressado pelos sobreviventes,
particularmente aqueles que perderam os seus cônjuges e que estavam
habituados a uma relação próxima no dia a dia.

Fadiga – Pode, por vezes, ser experimentado como apatia ou indiferença,


um elevado nível de fadiga pode ser surpreendente e angustiante para
uma pessoa que é normalmente muito ativa.

Desamparo – Está frequentemente presente na fase inicial da perda.

Choque – Ocorre mais frequentemente no caso de morte inesperada,


mas também pode existir em casos cuja morte era previsível.
Anseio – Ansiar pela pessoa perdida, desejá-la fortemente de volta é uma
resposta normal à perda, quando diminui, pode ser um sinal de que o
sofrimento está a chegar ao fim.

Emancipação – A libertação pode ser um sentimento positivo após a


perda, por exemplo, no caso de uma jovem que perde o seu pai que era um
verdadeiro tirano e a oprimia por completo.

Alívio – É comum principalmente se a pessoa querida sofria de doença


prolongada ou dolorosa, contudo, um sentimento de culpa acompanha
normalmente esta sensação de alívio.

Torpor – Algumas pessoas relatam uma ausência de sentimentos, após a


perda, sentem-se entorpecidas, é habitual que ocorra no inicio do processo
de sofrimento, logo após tomar conhecimento da morte, pode ser uma
reação saudável bloquear inicialmente as sensações como uma espécie de
defesa contra o que de outra forma seria uma dor esmagadora e
insuportável.
Sensações físicas normalmente sentidas após a perda:

-Vazio no estômago;
- aperto no peito
- nó na garganta
- hipersensibilidade ao barulho
- sensação de despersonalização (nada parecer real, incluindo a próprio)
- falta de fôlego, sensação de falta de ar
- fraqueza muscular
- falta de energia
- boca seca
Perspetivas Biológicas

Resposta Fisiológica + resposta emocional

-Perturbação dos ritmos biológicos


- Comprometimento do funcionamento imunológico
- Maior mortalidade entre população viúva logo após a morte do cônjuge.
Cognições ou pensamentos habituais após a perda:

-Descrença (não acreditar na morte assim que se ouve a noticia)


- Confusão (pensamento confuso, dificuldade de concentração ou
esquecimento de coisas)
- Preocupação (obsessão com pensamentos acerca do falecido)
- Sensação de presença, alucinações (visuais e auditivas, são uma
experiência frequente nos enlutados, são normalmente experiências
ilusórias passageiras, que ocorrem habitualmente após poucas semanas da
perda e normalmente não provocam uma experiência de sofrimento mais
complicada ou difícil)
Comportamentos usualmente manifestados após a perda:
- Distúrbios de sono (insónias)
-Distúrbios no apetite (normalmente há uma redução, mas também pode
haver um aumento do apetite)
- Comportamentos de distração (andar aéreo)
- Isolamento social
- Sonhos com a pessoa falecida
- Evitar lembranças da pessoa falecida
- Procurar e chamar pelo ente perdido
- Suspirar
- Hiperatividade, agitação
- Chorar
- Visitar sítios ou transportar consigo objetos que lembrem a pessoa
perdida
- Guardar objetos que pertenciam à pessoa falecida
Luto – Duração

A maioria das sociedades apresenta um padrão de reações e duração do


luto.

Em geral:
-Regresso ao trabalho/escola: algumas semanas
- Estabelecer equilíbrio – alguns meses
- Estabelecer novas relações – 6 meses a 1 ano.

O processo de luto não termina dentro de um intervalo prescrito – alguns


aspetos podem persistir definidamente para muitos indivíduos normais e
com bom funcionamento.
Luto – Reações de Aniversário

Quando o desencadeador da dor da perda é uma ocasião especial:


-Primeiro ano – período mais difícil;
- 1.ºaniversário sem o falecido
- 1.º Natal
- 1.º Páscoa

As reações tendem a tornar-se mais leves com o passar do tempo mas


quando surgem podem assemelhar-se à dor original e persistir durante
horas ou dias.
Quatro tarefas essenciais do processo de luto

Após a perda de alguém que nos é querido, existe uma serie de tarefas
de luto que têm de ser concretizadas para que se restabeleça o
equilíbrio e para o processo de luto ficar completo. Desta forma, a
adaptação à perda envolve 4 tarefas básicas:

1 – Aceitar a realidade da perda


2 – Trabalhar a dor advinda da perda
3 – Ajustar a um ambiente em que o falecido está ausente
4 – Transferir emocionalmente o falecido e prosseguir com a vida
Na realidade, o tempo cura todas as feridas (desde que
consigamos integrar a cura)
A Sexualidade é um energia que nos motiva a procurar
amor, contacto, ternura, intimidade, que se integra no
modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos
tocados: é ser sexual, ela influencia pensamentos,
sentimentos, ações, interações e, por isso, influencia
também a nossa saúde física e mental.
Sexualidade na Terceira Idade

UMA QUESTÃO DE SAÚDE…


UMA QUESTÃO DE PRAZER…
UMA QUESTÃO DE AFECTOS…
UMA QUESTÃO DE FELICIDADE!!
-O sexo é uma necessidade humana básica e a sexualidade um aspeto
central da vida humana, cuja dinâmica e riqueza devem ser vividas
plenamente.

-Sexualidade é um fenómeno que envolve a pessoa no seu todo e que


abrange uma complexa interação de variáveis biológicas, psicológicas
e sócio-culturais.

-A educação do idosos: os idosos de hoje foram educados na primeira


metade do século XX, quando as práticas homossexuais, bissexuais e
de masturbação não estavam admitidas socialmente e a educação
sexual era inexistente.
A dificuldade para falar sobre sexualidade é um problema
frequente entre os idosos e, quando um casal não é capaz
de conversar sobre sexo a resolução dos problemas torna-
se impossível.
-Na velhice, é fundamental que exista uma boa perspetiva relacionada com
a sexualidade e que se tenha a consciência de que esta é muito mais do que
um ato físico ou a simples relação pénis-vagina.

- A sexualidade não deve, portanto, ser confundida com a relação sexual,


que é apenas uma das componentes da sexualidade.

- Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, “amor, o calor, o


carinho e o compartilhar entre as pessoas” são exemplos claros da
complexidade da sexualidade.
-Enquanto o Homem viver, seja qual for a sua idade, é capaz de sentir
impulsos eróticos não existindo nenhuma idade em que a atividade
sexual, os pensamentos sobre o sexo ou o desejo acabem.

- Como em qualquer outra idade, na velhice, o ser humano também sente


desejo de amor, de se sentir amado, de continuar a ser objeto de atenção e
de afeto.
-Com o avançar dos anos, as rugas e os cabelos brancos aparecem, o
corpo começa a ceder, mas envelhecer não é doença.

- É importante notar que estas alterações não ocorrem nem mesma


altura nem da mesma forma em todas as pessoas. Cada individuo tem o
seu próprio ritmo e para alguns, estas mudanças não chegam a ser muito
pronunciadas.

- Também o modo como cada pessoa vive estas alterações é diferente.


Algumas encaram-nas como naturais, enquanto que outras ficam
alarmadas e preocupadas, pensando que vão deixar de poder ter relações
sexuais.
Júlio Machado Vaz
-Muitas vezes, os tabus sociais são os principais castradores de qualidade
de vida dos idosos sobretudo quando se fala de sexualidade.

- Segundo os especialistas, o preconceito e a falta de informação


atrapalham o desenvolvimento da sexualidade na terceira idade.

- Há mudanças físicas, sim, mas elas não são as responsáveis pelo fim da
intimidade entre o casal.
Na mulher mais idosa, a sexualidade ainda é mais complicada do que no
homem, pois, com a atual valorização do corpo feminino e do ideal de
juventude, a mulher com mais idade sente-se desvalorizada no seu
corpo, que já perdeu as formas e o vigor de outros tempos.
Alterações Físicas da Mulher

-Involução Progressiva da genitália, com estreitamento e escurecimento


vaginal;
- Aumento da fragilidade das paredes vaginais;
- Diminuição da lubrificação vaginal;
- Paragem da menstruação e da ovulação;
- Eventual baixa progressiva dos níveis de estrogénios, com aumento relativo
da testosterona.
Assim sendo devemos compreender que na sexualidade dos
idosos

-A atividade sexual não tem de conduzir obrigatoriamente à penetração;


- A principal prioridade deve ser a companhia;
- Atentar aos desejos e necessidades do parceiro/a;
- Investir na ternura e no carinho;
- Dialogar abertamente sobre medos e expectativas;
- Perceber e respeitar as alterações que ambos estão a enfrentar;
- Usar novas estratégias (tempos de ação, posições, caricias, etc.)

Respeitar o caso de um ou de ambos necessitarem de mais tempo para


estarem aptos a desempenharem o ato sexual.
Não esquecer que a comunicação é um fator crucial.
Procurar ajuda especializada sempre que houver necessidade.
Conclusão

-Aos mais velhos deve ser imputado o direito de compreender e


assumir, com toda a dignidade, as mudanças corporais, munindo-se de
novos recursos e estratégias.

- Acreditando que em qualquer fase da vida, é possível uma vivência


sexual satisfatória e de prazer.
Inserir tema “Lazer na terceira idade”

LAZER NA
TERCEIRA
IDADE
Lazer

"O lazer é um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode


entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-
se, recrear-se e entreter-se, ou ainda, para desenvolver sua
informação ou formação desinteressada, sua participação social
voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se ou
desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais."
(Dumazedier, 1976, apud Oleias)
De uns tempos para cá os fatos mudaram, e muitos idosos estão
chegando a terceira idade mais forte e saudáveis.
A maioria das pessoas que passaram dos 60 anos se
acostumaram a uma vida agitada e com exercícios físicos,
entrando nesse contexto a importância de proporcionar o lazer a
essas pessoas.
O convívio social e a amizade também têm grande importância na
vida dos idosos. Junto com a família, significam para estes quase que
um fator de sobrevivência, pois, assim, não perdem a própria
identidade.
DEZ CONSELHOS (Mandamentos)
PARA VIVER MAIS E MELHOR
I - Nunca fique só; homem algum é uma ilha.
II - Sorria sempre que possível, chore se necessário.
III - Mantenha-se sempre ativo: caminhe, jogue,brinque, dance.
IV - Seja um eterno aprendiz; busque sempre o saber.
V - Curta a natureza sem destruí-la; somos parte dela.
VI - Faça planos e tente realizar seus sonhos;
VII - Participe das decisões que lhe dizem respeito e ajude a
executá-las.
VIII - Coma o necessário para viver; apenas o “pão nosso de
cada dia”.
IX - Evite o que faz mal, para o corpo e para a mente.
X - Nunca perca a esperança. Desesperar jamais!