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AULA 1 - POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA

Gisele Souza
CONCEITO DE POLÍTICA EXTERNA

Definição de Política Externa de forma geral:

Conjunto de atividades políticas, mediante as quais


cada Estado promove seus interesses frente a outros
Estados.

Gisele Souza
CONCEITO DE POLÍTICA EXTERNA
A maneira como os páises irão se relacionar é pensada e
planejada, de acordo com os interesses e objetivos de cada um
deles.
Esse planejamento é chamado de política externa.

A política externa é um conjunto definido de medidas, decisões


e programas utilizado pelo governo de um país para projetar e
direcionar suas ações políticas no exterior.

Gisele Souza
CONCEITO DE POLÍTICA EXTERNA

Além disso, a Política Externa pode ser pensada


tanto bilateralmente – ou seja, como um país se
relacionará com outro país específico – como também
em âmbito multilateral considerando a participação do
país em organizações e fóruns internacionais.

Gisele Souza
CONCEITO DE POLÍTICA EXTERNA

São diversos os atores que podem participar da Política


Externa, desde representantes oficiais do governo –
diplomatas e o próprio Presidente da Republica -,
até representantes não oficiais como empresas, a
mídia nacional entre outros .

Gisele Souza
CONCEITO DE POLÍTICA EXTERNA

Em geral, qualquer pessoa ou entidade que atue


no exterior em nome do país pode ser considerada
como um ator da Política Externa.
No entanto, são os diplomatas – e o Ministério das
Relações Exteriores – os principais atores designados
para pensar, planejar e executar as ações do país no
plano internacional.
São o braço direito do governo federal em assuntos
externos.

Gisele Souza
POLÍTICA EXTERNA, DIPLOMACIA E RELAÇÕES
INTERNACIONAIS: QUAL A DIFERENÇA?

Apesar de interligados, política externa e diplomacia


não são sinônimos. E os dois conceitos diferem
também de relações internacionais.
Enquanto as relações internacionais correspondem a
uma idéia mais geral sobre como um país se relaciona
com os demais países e instituições no sistema
internacional, a Política Externa e a diplomacia são
conceitos mais específicos, que correspondem aos
objetivos e interesses de determinado país no exterior.

Gisele Souza
POLÍTICA EXTERNA, DIPLOMACIA E RELAÇÕES
INTERNACIONAIS: QUAL A DIFERENÇA?

Gisele Souza
POLÍTICA EXTERNA: POLÍTICA DE ESTADO OU POLÍTICA
DE GOVERNO?

• A formulação da política externa deve levar em conta o que


ocorre tanto em nível nacional, como em nível internacional.
• Apesar de ser uma política voltada para o exterior, sua
direção e os parâmetros a serem seguidos são determinados
pelas autoridades do país no plano nacional.
• Sendo assim, a formulação de uma Política Externa deve
considerar tanto as questões internas – como os interesses
da sociedade e os valores culturais do país – quanto questões
internacionais – como a distribuição de poder no cenário
internacional e a atuação das organizações internacionais.

Gisele Souza
POLÍTICA EXTERNA: POLÍTICA DE ESTADO OU POLÍTICA
DE GOVERNO?

• É bastante comum o debate sobre até que ponto as


questões internas podem ou devem influenciar nas
decisões sobre Política Externa.

• Enquanto alguns estudiosos defendem que Política


Externa deve ser considerada uma política de Estado,
outros dizem que é uma política de governo.
• Mas o que isso quer dizer?

Gisele Souza
POLÍTICA EXTERNA: POLÍTICA DE ESTADO OU POLÍTICA
DE GOVERNO?

• São duas interpretações sobre como a Política


Externa deve ser pensada e formulada:
• Como política de Estado: a Política Externa seria
guiada por interesses nacionais que pouco se
alteram ao longo do tempo, independentemente
do partido que está no poder.
• Sendo assim, esses interesses seriam questões
“de Estado” e não sofreriam alterações com a troca
de governantes.

Gisele Souza
POLÍTICA EXTERNA: POLÍTICA DE ESTADO OU POLÍTICA
DE GOVERNO?

• Como política de governo: a Política Externa


seria guiada por interesses que variam ao
longo do tempo, de acordo com as disputas
políticas e entre partidos no âmbito nacional.
Ou seja, a Política Externa refletiria os planos
do governo vigente no exterior, que podem
ser alterados com a troca do governante
e/ou do partido no poder.

Gisele Souza
EXEMPLOS DE AÇÕES DE POLÍTICA EXTERNA

• Visitas oficiais (visitas de Estado): são encontros entre


governantes (presidentes, primeiros-ministros ou membros
de famílias reais) ou outros representantes (como o vice-
presidente ou ministros) no país de origem de um deles.

• São exemplos recentes de visitas de Estado: a ida do duque e


da duquesa de Cambridge (membros da família real britânica)
ao Canadá e a visita do presidente norte-americano,
Barack Obama, a Cuba.

Gisele Souza
EXEMPLOS DE AÇÕES DE POLÍTICA EXTERNA

• Encontro de ministros: são encontros entre ministros de


diferentes Estados, normalmente de uma mesma região,
responsáveis por uma mesma área (economia ou saúde, por
exemplo) para discutir a situação dos respectivos países sobre
determinados temas.
• São exemplos desses encontros: as Reuniões de Consulta dos
Ministros das Relações Exteriores e a Conferência dos
Ministros da Defesa das Américas, ambas realizadas no
âmbito da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Gisele Souza
EXEMPLOS DE AÇÕES DE POLÍTICA EXTERNA

• Acordos bilaterais ou multilaterais:


• São acordos e negociações estabelecidos entre dois ou mais
Estados sobre os mais variados temas, como comércio
exterior, economia e finanças, defesa, entre outros.
Os acordos bilaterais são firmados diretamente entre dois
países.

Gisele Souza
EXEMPLOS DE AÇÕES DE POLÍTICA EXTERNA

• Representações no exterior: quando os países mantêm


relações diplomáticas, é comum que enviem representantes
(normalmente diplomatas de carreira) para o outro país para
acompanhar e fortalecer a relação entre eles. As embaixadas
– que abrigam esses representantes – simbolizam a presença
de um país no outro.
• Os consulados também são exemplos de representações no
exterior, porém tratam de assuntos mais cotidianos, como a
assistência aos nacionais que residem no outro país.

Gisele Souza
EXEMPLOS DE AÇÕES DE POLÍTICA EXTERNA

• Participação em Organizações Internacionais: as


Organizações Internacionais são instituições de cooperação
entre os países. Participar de uma Organização Internacional
sinaliza que o país está disposto a cooperar com os demais
membros sobre os mais variados temas.
• O principal exemplo de Organização Internacional é a
Organização das Nações Unidas (ONU). Também são
exemplos: a Organização Internacional do Comércio (OIT) e o
Fundo Monetário Internacional (FMI).

Gisele Souza
EXEMPLOS DE AÇÕES DE POLÍTICA EXTERNA

• Formação de Blocos ou Grupos: são formados por um grupo


de países que se aproximam para cooperar e discutir
determinados temas.
• Podem formados por questões econômicas, como o Mercosul
(Mercado Comum do Sul), o G-20 (Grupo dos Vinte) e a
ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático), ou por
questões políticas, como o grupo dos Brics (Brasil, Rússia,
Índia, China e África do Sul) e a Unasul (União de Nações Sul-
Americanas).

Gisele Souza
POLÍTICA EXTERNA – ATUAL GOVERNO

• Quais são essas diretivas do governo do presidente Michel


Temer ?
• Resumidamente, elas se referem aos seguintes pontos:
• 1)A política externa será regida pelos valores do Estado e da
nação, não do governo e jamais de um partido.

• 2)O Brasil se empenhará na defesa da democracia, das


liberdades e dos direitos humanos em qualquer país, em
qualquer regime político.

Gisele Souza
POLÍTICA EXTERNA – ATUAL GOVERNO

3)O Brasil assumirá plenas responsabilidades em matéria


ambiental e no que se refere a uma matriz energética renovável.

4) Ação multilateral construtiva em favor de soluções pacíficas e


negociadas para os conflitos internacionais e busca de uma
adequação das estruturas das organizações internacionais às
novas realidades e desafios internacionais.

Gisele Souza
POLÍTICA EXTERNA – ATUAL GOVERNO

5)No comércio internacional, complementação das negociações


multilaterais, hoje estancadas, por um ativo bilateralismo.

6)Abertura de negociações imediatas para abrir mercados para


as exportações e criar empregos no país, utilizando
pragmaticamente a vantagem do acesso ao grande mercado
interno como instrumento de obtenção de concessões
negociadas na base da reciprocidade equilibrada.

Gisele Souza
POLÍTICA EXTERNA – ATUAL GOVERNO

7)Reafirmação da parceria com a Argentina, para renovar o


Mercosul, resolvendo seus problemas de livre comércio, e
engajamento reforçado com parceiros da região, como os
membros da Aliança do Pacífico.

8)Ampliação do intercâmbio comercial com parceiros


tradicionais, troca de concessões entre o Mercosul e a União
Europeia, e exame de facilitação do comércio com os Estados
Unidos.

Gisele Souza
POLÍTICA EXTERNA – ATUAL GOVERNO

9) Prioridade para parceiros asiáticos, como China e Índia; com a


África, a cooperação será pragmática, assim como com países
árabes.

10)Ênfase na redução do custo Brasil, para aumentar


competitividade e produtividade da produção brasileira e para
atrair investimentos estrangeiros.

Gisele Souza
POLÍTICA EXTERNA – ATUAL GOVERNO

Uma outra diretriz foi apresentada, no sentido de se realizar a


coordenação com órgãos de proteção das fronteiras (Justiça,
Defesa, Fazenda-Receita Federal) para combater o crime
organizado, em cooperação com os países vizinhos.
O ministro se comprometeu igualmente a resolver os difíceis
problemas orçamentários do Itamaraty, tanto no apoio ao pessoal
do serviço exterior servindo em postos da rede mundial, quanto
para regularizar o pagamento devido a organismos internacionais.
Tratou-se, como evidenciado, de uma plataforma concisa, mas
focado em objetivos concretos no terreno econômico e comercial.

Gisele Souza
POLÍTICA EXTERNA – ATUAL GOVERNO

• O argumento inicial quanto aos valores e princípios da


diplomacia brasileira, como sendo os da nação, nunca de um
partido, é uma crítica direta à diplomacia partidária do
anterior governo do Partido dos Trabalhadores, e pode ser
visto como um alerta aos antigos aliados do PT no plano
regional e internacional, no sentido em que o Brasil não mais
favorecerá e privilegiará relações políticas especiais com os
chamados países bolivarianos (ou seja, os membros da Alba, a
Aliança Bolivariana dos Povos da América, criada pelo falecido
líder da Venezuela Hugo Chávez, em aliança com os dirigentes
comunistas de Cuba, progressivamente incorporando outros
países, como Bolívia, Equador, Nicarágua, El Salvador

Gisele Souza
POLÍTICA EXTERNA – ATUAL GOVERNO

Foram justamente estes países que emitiram fortes críticas ao


processo de impeachment no Brasil, que redundou no
afastamento da presidente eleita em 2014 (sendo que dois,
Venezuela e El Salvador, chegaram a chamar seus
embaixadores), o que motivou o primeiro gesto público da nova
diplomacia brasileira, que divulgou notas bastante contundentes
de crítica às “mentiras” assacadas por esses governos contra um
processo estritamente constitucional e respeitador dos
princípios democráticos do país.

Gisele Souza
POLÍTICA EXTERNA – ATUAL GOVERNO

• Trata-se de uma importante mudança, tanto no plano


estritamente regional, ou seja, das relações bilaterais do
Brasil com esses países, mas também bastante significativa do
ponto de vista das posturas políticas assumidas pela
diplomacia brasileira no contexto mais vasto da política
internacional.

Gisele Souza
POLÍTICA EXTERNA – ATUAL GOVERNO

• Se as áreas econômica e diplomática lograrem trabalhar em


perfeita coordenação de intenções e de mecanismos nos
próximos dois anos, o Brasil poderá estar alterando
significativamente sua postura internacional, tal como
observada nos últimos treze anos, quando a diplomacia
partidária do PT subordinou a política externa a preferências
ideológicas claramente perceptíveis, e praticou uma
enviesada diplomacia que não produziu quase nada como
resultados efetivos.

Gisele Souza
POLÍTICA EXTERNA – ATUAL GOVERNO

• O Brasil abandonará o universo restrito desses alinhamentos


políticos a regimes de esquerda na América Latina para
retomar sua antiga vocação universalista e pragmática, com
foco principal em metas e objetivos econômicos e comerciais.

• Grande parte desse esforço será conduzido no próprio Cone


Sul, agora reconfigurado também pela mudança de
orientação política na Argentina, com a qual o Brasil precisará
se coordenar para impulsionar um novo cenário geopolítico
em escala continental e até mundial.

Gisele Souza