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AÇO E MADEIRA

AULA 03 – PEÇAS TRACIONADAS

Prof.ª Deborah M. S. Madalozzo, MSc.


Prof. Henrique L. Rupp
Aço e Madeira – Aula 03

OBJETIVOS DA AULA

• Determinar a resistência de projeto Rd de peças metálicas tracionadas,


utilizando o Método dos Estados Limites.

Solicitação de projeto S d  Rd Resistência de projeto

Aula passada!!
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TIPOS CONSTRUTIVOS

Peças tracionadas  peças sujeitas a solicitações de tração axial (ou tração


simples)
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TIPOS CONSTRUTIVOS

Peças e ligações tracionadas

Ligação soldada

Ligação aparafusada
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TIPOS CONSTRUTIVOS

Hastes tracionadas ocorrem em vários tipos de construções e são


constituídas por cabos, barras rosqueadas, perfis simples e compostos.

Principais perfis utilizados em hastes tracionadas:


Treliças
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TIPOS CONSTRUTIVOS

Exemplos de utilização:
Cabos tracionados: Pontes estaiadas; Torres com estais; Tirantes de arcos.
Barras rosqueadas: Contraventamentos
Perfis simples e compostos: Contraventamentos; Treliças em geral:
coberturas, torres, pontes.
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TIPOS CONSTRUTIVOS

As ligações das extremidades das peças tracionadas com outras partes da


estrutura podem ser feitas por diversos meios:

• Soldagem;
• Conectores aplicados em furos;
• Rosca e porca (caso de barras rosqueadas)
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TIPOS CONSTRUTIVOS

Um dos aspectos importantes a considerar em hastes tracionadas é o


relativo ao efeito do furo nas chapas, nas regiões de ligação.

Nó de treliça com
ligação
aparafusada
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

DISTRIBUIÇÃO DE TENSÕES NORMAIS NA SEÇÃO


Nas peças tracionadas com furos:
Seção com furo: as tensões não são uniformes (em regime elástico) 
tensões mais elevadas nas proximidades do furo
Seção sem furo: as tensões são uniformes
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

Através de uma análise da evolução das tensões nas seções (com furo e sem
furo) a partir de esforços de tração crescentes, determinou‐se que:
A ruína da seção líquida (seção com furos) se dá para a tensão última
(tensão de ruptura)  fu
A tensão limite da seção bruta (seção sem furos) é a tensão de escoamento
do material  fy
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

ESTADOS LIMITES ÚLTIMOS


A resistência de uma peça sujeita à tração axial pode ser determinada por:
a) Ruptura da seção com furos
b) Escoamento generalizado da barra ao longo de seu comprimento,
provocando deformações exageradas

** O escoamento da seção com furos conduz a um pequeno alongamento


da peça e não constitui um estado limite
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

• ESFORÇOS NORMAIS RESISTENTES (Rd)


•Ruptura da seção com furos
*Peças com furos
•Escoamento da seção bruta
*Peças com extremidades rosqueadas

• LIMITAÇÕES DE ESBELTEZ DAS PEÇAS TRACIONADAS

• DIÂMETROS DOS FUROS DE CONECTORES (dd)

• ÁREA DA SEÇÃO TRANSVERSAL LÍQUIDA DE PEÇAS TRACIONADAS


An,ef
COM FUROS (An)

• ÁREA DA SEÇÃO TRANSVERSAL LÍQUIDA EFETIVA (An,ef)

• CISALHAMENTO DE BLOCO
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

ESFORÇOS NORMAIS RESISTENTES (Rd) ‐ PEÇAS COM FUROS:


A resistência de projeto é dada pelo menor dos seguintes valores:
• Ruptura da seção com furos
An, ef = área efetiva líquida
A .f
Rdt  n, ef u fu = tensão de ruptura à tração
 a2  a2 = 1,35 para esforço normal solicitante decorrente de
combinação normal de ações (Tab. 3 NBR8800/2008)

• Escoamento da seção bruta

A .f Ag = área bruta
Rdt  g y
fy = tensão de escoamento à tração
 a1
 a1 = 1,10 para esforço normal solicitante decorrente de
combinação normal de ações (Tab. 3 NBR8800/2008)
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

Coeficientes  a1  a 2

(NBR 8800: 2008)


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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

ESFORÇOS NORMAIS RESISTENTES (Rd) ‐ PEÇAS


COM EXTREMIDADES ROSQUEADAS:

Considera‐se neste item barras rosqueadas com


diâmetro ≥ 12 mm (1/2”), nas quais o diâmetro
externo da rosca é igual ao diâmetro nominal da
barra.
O dimensionamento dessas barras é
determinado pela ruptura da seção da rosca.
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

ESFORÇOS NORMAIS RESISTENTES (Rd) ‐ PEÇAS


COM EXTREMIDADES ROSQUEADAS:

Considerando‐se que nos tipos de rosca usados


na indústria, a relação entre a área efetiva à
tração na rosca (Aef) e a área bruta da barra (Ag)
varia dentro de uma faixa limitada de 0,73 – 0,80
 É possível calcular a resistência das barras
tracionadas em função da área bruta Ag, com um
coeficiente médio 0,75.
Resistência de projeto de barras rosqueadas:
0,75.A . f A .f
Rdt  g u
 g y
 a2  a1
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

LIMITAÇÕES DE ESBELTEZ DAS PEÇAS TRACIONADAS


Índice de esbeltez de uma barra = relação entre o comprimento entre apoios
(L) e o raio de giração mínimo da seção transversal (r):

  L , r  I min A
r
>> Normas fixam limites superiores do índice de esbeltez das peças
tracionadas com a finalidade de reduzir efeitos vibratórios provocados por
impactos, vento, etc.

  300
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

DIÂMETRO DOS FUROS DOS CONECTORES (dd)


Quando as seções recebem furos para permitir ligações com conectores
(rebites ou parafusos), a seção da peça é enfraquecida pelos furos.
Os tipos de furos adotados em construções metálicas são realizados por
puncionamento ou por broqueamento.
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

DIÂMETRO DOS FUROS DOS CONECTORES (dd)


Processo mais usual consiste em puncionar um furo com diâmetro 1,5 mm
superior ao diâmetro do conector.
>> essa operação danifica o material junto ao furo  O que se
compensa no cálculo, com a redução de 1 mm ao longo do perímetro do
furo

dd = diâmetro a ser considerado no projeto


dd  d  3,5 mm d = diâmetro nominal do parafuso
3,5 mm = 1,5 mm + 2 mm

folga do furo em relação ao diâmetro Correspondente ao dano por


do conector puncionamento
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

ÁREA DA SEÇÃO TRANSVERSAL LÍQUIDA DE PEÇAS TRACIONADAS COM FUROS (An)

Área líquida (An) = Área bruta - Área dos furos


(Ag) contidos na seção
da peça
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

Furação alinhada:

An  b  3.dd .t

dd = diâmetro de projeto do furo


t = espessura

b = largura
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

Furação enviesada: >> Neste caso, a peça pode romper considerando‐se mais de
um percurso (tracejado que une furos de extremidade a
extremidade da seção): 1‐1‐1 ou 1‐2‐2‐1
>> É necessário pesquisar diversos percursos para encontrar o
menor valor de seção líquida.

 s2 
An  b   dd     .t
 4g 

s = espaçamento longitudinal
entre furos de filas diferentes
g = espaçamento transversal
entre duas filas de furos
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

ÁREA DA SEÇÃO TRANSVERSAL LÍQUIDA EFETIVA (An,ef)


Quando a ligação é feita por todos os segmentos de um perfil, a seção
participa integralmente da transferência dos esforços.
Isto não acontece, por exemplo, nas ligações das cantoneiras com a chapa
de nó da figura abaixo, nas quais a transferência dos esforços se dá através
de apenas uma aba de cada cantoneira.

Nó de treliça com
ligação
aparafusada
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

Nesses casos as tensões se concentram no segmento ligado e não mais se


distribuem em toda a seção.
Este efeito é levado em consideração utilizando, no cálculo da resistência à
ruptura, a área líquida efetiva dada por:

An,ef  Ct .An

An = área líquida
Ct = fator redutor aplicado à área líquida An, no caso de ligações parafusadas, e
à área bruta Ag no caso de ligações soldadas (peças sem furação).
>> Quanto maior o comprimento da ligação, menor é a redução aplicada
às áreas.
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

FATOR REDUTOR (Ct)

* Quando a ligação é feita por todos os seguimentos de um perfil, a seção


participa integralmente da transferência de esforços  Ct = 1,0
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

FATOR REDUTOR (Ct)

*Nas ligações das cantoneiras com a chapa de nó, nas quais a transferência
dos esforços se dá através de uma aba de cada cantoneira, as tensões se
concentram no seguimento ligado e não mais se distribuem em toda a
seção  Ct < 1,0
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

FATOR REDUTOR (Ct)

* Nos perfis de seção aberta, tem‐se:


ec = excentricidade do plano da ligação em
ec
Ct  1  0,60 relação ao centro geométrico da seção toda ou
l da parte da seção que resiste ao esforço
transferido;
= comprimento do
l = comprimento da ligação cordão de solda
(ligações soldadas)
= distância entre o
primeiro e o último
parafuso na direção da
força (ligações
parafusadas)

NBR 8800/2008
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

FATOR REDUTOR (Ct)

* Nas peças tracionadas ligadas apenas por soldas transversais:

Ac
Ct 
Ag

Ac = área da seção transversal dos elementos conectados


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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

FATOR REDUTOR (Ct)

* No caso de chapas planas ligadas apenas por soldas longitudinais, o


coeficiente Ct depende da relação entre o comprimento lw das soldas e da
largura b da chapa:

Ct  1,00  lw  2b
Ct  0,87  1,5b  lw  2b
Ct  0,75  b  lw  1,5b

lw = comprimento dos cordões de solda


b = largura da chapa
NBR 8800/2008
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

FATOR REDUTOR (Ct)

Ct = 1,0

Ct < 1,0
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

CISALHAMENTO DE BLOCO:
No caso de perfis de chapas finas tracionados e ligados por conectores, além da
ruptura da seção líquida, o colapso por rasgamento ao longo de uma linha de
conectores pode ser determinante no dimensionamento.
Nesse tipo de colapso, ocorre ruptura do segmento do perfil que recebe a
ligação, envolvendo cisalhamento nos planos paralelos à força (áreas Av) e
tração no plano normal à força (área At).
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

CISALHAMENTO DE BLOCO:
A ruptura da área tracionada pode estar acompanhada da ruptura ou do
escoamento das áreas cisalhadas, o que fornece a menor resistência.
Dessa forma, a resistência é calculada com a seguinte expressão:

Rd 
1
 a2
0, 60. fu .Anv  Cts . f u .Ant   1
 a2
0, 60. f .A
y gv  Cts . f u .Ant 

0, 60. fu  Tensão de ruptura a cisalhamento do aço;


0, 60. f y  Tensão de escoamento a cisalhamento do aço;
Anv  Área líquida cisalhada
Agv  Área bruta cisalhada
Ant  Área líquida tracionada
Cts = 1 quando a tensão de tração na área Ant é uniforme
= 0,5 para tensão não uniforme
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

CISALHAMENTO DE BLOCO:

Rd 
1
 a2
0, 60. f u .Anv  Cts . f u .Ant   1
 a2
0, 60. f .A
y gv  Cts . f u .Ant 

>> A resistência Rd é obtida com a soma das resistências à ruptura das


áreas cisalhadas Anv e da área tracionada Ant, sendo que a resistência
da área cisalhada deve ser limitada pelo escoamento a cisalhamento.
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

 Exemplos
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

1) Calcular a espessura necessária de uma chapa de 100 mm de largura, sujeita a um esforço


axial de 100kN (10tf). Resolver o problema para o aço MR250 utilizando o método dos
estados limites.

2) Duas chapas 22 X 300 mm são emendadas por meio de talas com 2 X 8 parafusos
f22mm (7 /8"). Verificar se as dimensões das chapas são satisfatórias, admitindo-se aço
MR250(ASTM A36).
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

3)Duas chapas 28mmX20mm são emendadas por traspasse, com parafusos d=20 mm, sendo os
furos realizados por punção. Calcular o esforço resistente de projeto das chapas, admitindo-as
submetidas à tração axial. Aço MR250.

4)Calcular o diâmetro do tirante capaz de suportar uma carga axial de 150 kN, sabendo-se que a
transmissão de carga será feita por um sistema de roscas e porcas. Aço ASTM A36(MR250). Admite-
se que a carga seja do tipo permanente, com grande variabilidade.
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CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO

5)Para o perfil U381 ( 1 5") X 50,4 kg/m, em aço MR250, indicado na Fig. abaixo, calcular o esforço
de tração resistente. Os conectares são de 22 mm de diâmetro.