You are on page 1of 27

Universidade Federal de Minas Gerais

Faculdade de Letras
Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos
Teorias do Discurso – Ida Lucia Machado

Uma análise semiolinguística


do discurso
Artigo de Patrick Charaudeau
Langages, v. 29, n. 117, 1995.

Leonardo Coelho Corrêa-Rosado


Bolsista CAPES/DS
Considerações Iniciais
• “Discurso” 
– campo disciplinar próprio que, sem negar o campo da língua, possui
seu domínio de objetos, seu conjunto de métodos, técnicas e
instrumentos.

• Problemática semiolinguística 

– tenta ligar os fatos da linguagem a certos fenômenos psicológicos e


sociais, como a ação e a influência.

Sujeito psico-sócio-
linguageiro
• Artigo 

– questões de ordem teórica.

– questões de ordem metodológica.


Problemática
Semiolinguística
• Linguagem 
– multidimensional;

• Dimensão cognitiva: “quais são as operações sêmantico-


cognitivas da estruturação linguística do mundo?”. (p. 97)

• Dimensão social e psicossocial: qual o valor da troca dos


signos? Qual o valor da influência dos fatos da linguagem?

• Dimensão Semiótica: “como se faz a semantização das


formas? Como se faz a semiologização do sentido? (...) essa
semiotização é da mesma ordem quando se considera o nível
da palavra, da frase ou do texto?”.
• Por que “Semiolinguística”? 
– posição na análise do discurso;

“Semio- de ‘semiosis’, evocando que a


construção do sentido e sua configuração se
fazem através de uma relação forma-sentido (nos
diversos sistemas semiológicos), sobre a
responsabilidade de um sujeito de
intencionalidade, tomado em um quadro de ação
e tendo um projeto de influência social; linguística
lembrando que essa forma é principalmente
constituída de uma matéria linguageira – essa
das línguas naturais – que, pelo fato de sua dupla
articulação, da particularidade combinatória de
suas unidades (sintagmático-paradigmático, em
vários níveis: palavra, frase, texto), impõe um
Questões ´Teóricas

• Processo de transformação 

– parte de um “mundo a significar” e o transforma em


um “mundo significado”, sobre a ação de um sujeito
falante.

• Processo de transação 

– faz desse “mundo significado” um objeto de troca com


um outro sujeito falante que joga o papel de
destinatário desse objeto.
O fato é que não há significado em nada, a não
ser o significado que nós atribuímos a tudo.
[...]
Não procurem o significado da vida, ou o
significado de qualquer acontecimento em
particular, de qualquer ocorrência ou
circunstância.Atribuam a eles um significado.
Em seguida, anunciem e declarem, expressem e
experimentem, realizem e tornem-se Quem
Vocês escolheram ser em relação a ele." - NEALE.
D. WALSCH
Exemplos
• Identificação 
– “identidades nominais”.
Modo de organização
Descritivo
• Qualificação 
– “identidades descritivas”.

• Ação 
Modo de organização
– “identidades narrativas”. Narrativo

• Causação 
– “relações de causalidade”. Modo de organização
Argumentativo
• Princípio de alteridade 
– todo ato de linguagem é um fenômeno de troca
entre dois parceiros que devem se reconhecer, ao
mesmo tempo, como semelhantes e diferentes.

• Princípio de pertinência 
– os parceiros do ato de linguagem devem poder
reconhecer os universos de referência que são
objeto da transação linguageira  ato de
linguagem deve ser apropriado ao seu contexto e à
sua finalidade.
• Princípio de influência 
– todo ato de linguagem é produzido com intuito de
atingir o parceiro da troca, seja para fazê-lo agir,
seja para emocioná-lo, seja para orientar seu
pensamento  a finalidade intencional de todo de
linguagem se inscreve no dispositivo
sociolinguageiro.

• Princípio de regulação 
– está ligado ao precedente;
– toda visada de influência é suscetível de uma
contrainfluência;
– os parceiros devem regular esse jogo de influência.
Exemplos
• Espaço de restrições 
– compreende os dados contratuais que o ato de
linguagem deve satisfazer para que seja válido 
princípio de pertinência e de alteridade.

• Espaço de estratégias
– corresponde às possíveis escolhas que os sujeitos
podem fazer dentro da mise en scène do ato de
linguagem  princípio de influência e de
regulação.
“(...) o ato de linguagem como nascendo em uma situação
concreta de troca, revelando uma intencionalidade, se
organizando em torno de um espaço de restrição e de um
espaço de estratégia, e significando na interdependência
entre um espaço externo e um espaço interno (...).” (p. 102)

• Nível situacional 
– compreende os dados do espaço externo (espaço de
restrições)

• Finalidade: “estamos aqui para dizer o quê?”.


• Identidade: “quem fala com quem?”.
• Propósito: “a propósito de que se fala?”.
• Dispositivo: “dentro de qual quadro físico de espaço e de
tempo?”.
• Nível comunicacional 
– compreende as maneiras de falar/escrever;
– “como se diz?”.

• Nível discursivo
– lugar de intervenção do sujeito falante, enquanto
sujeito enunciador, devendo atender às condições
de legitimidade (princípio de alteridade ), de
credibilidade (princípio de pertinência) e de
captação (princípio de influência e de regulação ),
para realizar os “atos de discurso” que resultarão
num texto.
Questões Metodológicas
• Natureza da análise do discurso 
– empírico-dedutiva;

“Isso quer dizer que o analista parte de uma


material empírico, a linguagem, já configurada
em uma certa substância semiológica (verbal),
sendo que é esta configuração que ele percebe e
que ele pode manipular para determinar, através
da observação das compatibilidades e
incompatibilidades das infinitas possibilidades de
combinação, decupagens formais
simultaneamente às categorias conceituais que
as correspondem” (p. 103).
“Nosso objetivo de análise do discurso consiste
em encontrar as características dos
comportamentos linguageiros (o ‘como diz’) em
função das condições psicossociais que as
restringem conforme os tipos de situação de
troca (‘contrato’).” (p. 104).

• Condições 
– são estruturadas em um contrato de comunicação;
– constituição de um corpus de textos:

• condição de contrastividade  critério de


abertura/fechamento (contrastes sucessivos)>
Exemplos
• Notícia jornalística vs. Reportagem jornalística.

• Notícias(década de 1950) vs. Notícias(década de 1990).

• Reportagens publicadas em revistas masculinas vs.


Reportagens publicadas em revistas femininas.

• Reportagens televisiva no Brasil vs. Reportagem


televisiva na França.

• Telenovela na Rede Globo vs. Telenovela na Rede


Record.

• Quadrinhos autorais vs. Quadrinhos editoriais.


Metodologicamente, devemos seguir os seguintes passos:

-Tipologia da situação de
1º passo Constituição do corpus comunicação.
- Condição de contrastividade.

-Descobrir, destacar e
interpretar os índices que
Análise de textos caracterizam cada texto;
2º passo -Conformidade com o contrato;
particulares
-Transgressão do contrato;
-Estratégias do sujeito
• “Deve-se tratar da mesma maneira um texto
monológico e um texto dialógico?”

“Um modelo de análise do discurso deve poder levar


em conta todos os atos de linguagem, quaisquer que
eles seja. E, então, ele deve poder considerar os
diálogos assim como os textos escritos.” (p. 107)
• “Que lugares devem ocupar, na análise, as outras
matérias semiológicas tais como o icônico e o gestual?
Devem elas serem tratadas separadamente da análise
do verbal ou devem ser integradas (...)?”

“A outra posição, a nossa, consiste em estratificar o


objeto em níveis de análises autônomas
correspondente as suas diferentes dimensões
semiológicas.” (p. 108)
• “Qual instrumentação para quais hipóteses
metodológicas?”

“Toda instrumentação de análise depende tanto do


quadro teórico quanto das hipóteses metodológicas
gerais que dele decorrem, para especificar em
seguida, as ferramentas adequadas ao tipo do
objeto. É por isso que consideramos que a
instrumentação de análise deve destinar-se a dar
conta do que está em jogo no objeto de estudo
enquanto ato de comunicação.” (p. 109)
1. Todo sujeito linguageiro, para engajar-se num ato de
linguagem (seja ele monológico ou dialógico )m deve
resolver o problema de saber como ocupar o espaço de
fala. Ele deve pois, de uma maneira ou de outra, legitimar
e/ou justificar sua “tomada da palavra”, sua fala.

2. Todo sujeito linguageiro deve, ao mesmo tempo,


posicionar-se com relação aos outros (quer se trate do
parceiro real do ato de linguagem ou de diversos
destinatários visados) . Ele deverá, pois, usar de estratégias
discursivas para criar relações de aliança ou de oposição
com relação a seu (s) destinatário (s).

3. Todo sujeito linguageiro deve, concomitantemente, situar-


se com relação à enunciação de sua proposição sobre o
mundo. Ele deverá, pois, organizar e problematizar sua
enunciação de maneira adequada.
Referências Bibliográficas
• CHARAUDEAU, Patrick. Une analyse
sémiolinguistique du discours. Langages, v. 29,
n. 117, p. 96-111. Paris, 1995.
Merci Beaucoup!
timtimcorre@hotmail.com