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História das disciplinas

escolares: reflexões sobre


um campo de pesquisa
André Chervel
O autor

André Chervel, nascido em 5 de novembro de 1931, é


um lingüista, gramático e historiador francês.

Foi graduado em Gramática em 1955 e Doutor em Artes em 1977. Ele lecionou na


Universidade de Provence e na Universidade da Califórnia em Santa Bárbara de 1964
a 1973. De 1983 a 1997, trabalhou no Instituto Nacional de Pesquisa Educacional
(França).

Ele é creditado com muitos trabalhos relacionados à história da educação na França.


Uma das mais conhecidas, escrita em colaboração com Danièle Manesse, é intitulada
O ditado: o francês e a ortografia (1873-1987) (Paris, INRP e Calmann-Lévy, 1989).
História das disciplinas escolares: reflexões
sobre um campo de pesquisa
André Chervel
 ●A noção de história das disciplinas escolares tem
sentido?
 ● A história das diferentes disciplinas apresenta
analogias, traços comuns?
 ● As observação histórica permite resgatar as regras de
funcionamento, ver um ou vários modelos disciplinares
ideais, cujo conhecimento e exploração poderiam ser
de alguma utilidade nos debates pedagógicos atuais
ou no futuro? P. 177
I. A noção de “disciplina escolar”
 ● A noção de “disciplina”:

MATÉRIAS
DISCIPLINA
CONTEÚDOS

 Significados da expressão “disciplina”:


- Séc. XIX: designava vigilância dos estabelecimentos, repressão de
conduta;
- Palavras utilizadas, na época para designar o que conhecemos
como “disciplinas escolares”: objeto, partes, ramos, matérias de
ensino e faculdade;
 A nova acepção da palavra “disciplinar” vai ocorrer na
segunda metade do século XIX, em estreita ligação
com a renovação das finalidades do ensino secundário
e primário:

DISCIPLINAR = GINÁSTICA INTELECTUAL

“... Disciplinar a inteligência das crianças.”


P. 179
 Passa a significar “ matéria de ensino suscetível de servir
de exercício intelectual”.
 Após a Primeira Guerra, “torna-se uma simples rubrica
que classifica as matérias de ensino”. P. 180
II. As disciplinas escolares, as ciências
de referência e a pedagogia
Nessa hipótese, as disciplinas reduzem-se às
metodologias
DISCIPLINA – VULGARIZAÇÃO
PEDAGOGIA – LUBRIFICANTE P. 180 E 181

“A história cultural de um lado, a história da


pedagogia de outro, têm, até o presente,
ocupado e esgotado a totalidade do
campo”. P. 181
III. O objeto da história das disciplinas
escolares
A História das Disciplinas Escolares não vem
apenas para preencher uma lacuna: trata-se
de uma nova categoria historiográfica.
Como campo historiográfico precisa dar conta
de três problemas:
A gênese das disciplinas
Sua função
Seu funcionamento
IV. As finalidades do ensino escolar
 Finalidades religiosas (sob o antigo Regime);
 Finalidades sócio-políticas (essas finalidades
determinam os conteúdos quanto a sua estrutura);
 Finalidades de ordem psicológica;
 Finalidades culturais;
 Finalidades de socialização;

 “O conjunto dessas finalidades consigna à escola sua


função educativa. Uma parte somente entre elas
obriga-a a dar uma instrução”. p. 188
 “A definição das finalidades reais da escola passa pela
resposta à questão ‘por que a escola ensina o que
ensina?’, e não pela questão à qual muito
frequentemente nos apegamos: ‘que é que a escola
deveria ensinar para satisfazer os poderes públicos?’” p.
190
 “ O estudo das finalidades não pode, pois, de forma
alguma, abstrair os ensinos reais. Deve ser conduzido
simultaneamente sobre os dois planos, e utilizar uma
dupla documentação, a dos objetivos fixados e a da
realidade pedagógica”. P. 191
 “No coração do processo que transforma as finalidades
em ensino, há a pessoa do docente.” p. 191
V. Os ensinos escolares
 É a parte da disciplina que põe em ação as finalidades
impostas à escola, e provoca a aculturação conveniente. P.
192
 DO ENSINO PRESCRITO PARA OS ENSINOS EFETIVAMENTE
DISPENSADOS
 Dois elementos operam no ensino:
Professor
Aluno
 No hiato entre o que o professor efetivamente ensina e os
alunos efetivamente aprendem é que estará o resultado, o
efeito verdadeiro do ensino de uma disciplina escolar. P. 194
e 195
VI. Os constituintes de uma disciplina
escolar p. 200
 Há traços comuns às diferentes disciplinas?
 A noção de disciplina implica uma estrutura própria, uma
economia interna que a distinguiriam de outras entidades
culturais?
 Haveria um modelo ideal da disciplina em direção ao qual
tendem todas as disciplinas em via de constituição?
 Algumas disciplinas são melhor “resolvidas” do que outras?
 Há, dito de outro modo, matérias que se prestam mais do
que outras a um processo de “disciplinarização”?
VII. A aculturação escolar dos alunos
p. 208
 Constitui o terceiro aspecto da História das Disciplinas
Escolares: investigar os efeitos do ensino sobre os
alunos, o resultado que o ensino das disciplinas
escolares oferece à mesma sociedade que confiou a
escola as finalidades educativas e de instrução.
 Esses resultados podem ser investigados em duas
direções:
Fracasso escolar
Aculturação do alunos
VIII. Disciplinas escolares e educação:
problemas de distribuição p.212
 Trata da distinção entre as matérias de ensino e as fronteiras entre uma e
outra disciplina.

 “A escola pode ensinar tudo? P. 216


 “A natureza “escolar”, ou “disciplinar”, do tratamento ao qual ela submete
as aprendizagens lhe impede, por princípio, de pretender jamais anexar
certos domínios?
 Todas as aprendizagens são, ou não, “disciplinarizáveis”?
Conclusão
 “Se é verdade que a sociedade impõe à escola suas finalidades,
estando a cargo dessa última buscar naquela apoio para criar suas
próprias disciplinas, há toda razão em se pensar que é ao redor
dessas finalidades que se elaboram as políticas educacionais, os
programas e os planos de estudo, e que se realizam a construção e
a transformação históricas da escola. P. 219

 “ A História das Disciplinas Escolares (...) mostra (...) que a disciplina


é, por sua evolução, um dos elementos motores da escolarização,
e que se encontra sua marca em todos os níveis e em todas as
rubricas da história tradicional do ensino, desde a história das
construções escolares até a das políticas educacionais ou dos
corpos docentes.” p. 220
2018