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MEDIÇÃO E

ABORDAGENS
QUANTI-QUALI
Prof. Adauto de Galiza
1. MEDIÇÃO
MEDIÇÃO
• Definição:
- Medições são formas de se “traduzir” um conceito, de torná-
lo “operacional”.
- Estimativas são valores esperados de determinadas medidas.
- “Missing Information”.
- O que determina quais aspectos do objeto serão medidos?

 Como posso medir violência?


 Como posso medir inteligência?
 Como posso medir corrupção?
 Como posso medir o poder institucional do Judiciário?
 Como posso medir coesão partidária?
 Como posso medir ideologia política?
MEDIÇÃO
• Usos:
- Medições são utilizadas em abordagens quantitativa e qualitativa.

 Quantitativa:
Procuram atribuir valores numéricos para as observações.
Necessitam de um “padrão” como parâmetro comparativo.
Ex: altura do sujeito.

 Qualitativa:
Procuram estabelecer “categorias” de classificação das observações.
Necessitam de critérios conceituais claros.
Ex: altura por nacionalidade.
MEDIÇÃO
Exemplo 1: Nicolau (2005)
 O caso do NEP (número efetivo de partidos);
- Mede a fragmentação partidária do sistema político: muitos
ou poucos partidos relevantes?

Cenário:
Cinco partidos (A, B, C, D e E)
Partido A = obtêm 40% das cadeiras;
Partido B = obtêm 30% das cadeiras;
Partido C = obtêm 15% das cadeiras;
Partido D = obtêm 10% das cadeiras;
Partido E = obtêm 5% das cadeiras;
MEDIÇÃO
Equacionando...
N=𝟏/Σ𝒑𝒊² onde;

o p é o valor percentual das cadeiras obtidas na câmara.

N = 1 / (0,4 x 0,4) + (0,3 x 0,3) + (0,15 x 0,15) + (0,1 x 0,1) + (0,05


x 0,05)
:. N = 1 / 0,29 = 3.
 Portanto, existem neste caso 3 partidos relevantes na câmara.
 Se há apenas 5 partidos, podemos considerar o sistema
fragmentado.
MEDIÇÃO

Fonte: Barbosa (2016)


MEDIÇÃO
Exemplo 2: Barbosa (2016)
 Empoderamento institucional do STF.
- Mede a influência do poder judiciário em face do texto
constitucional dedicado ao STF.
- Número de palavras da constituição destinada a instituição.
MEDIÇÃO
Legenda: JUD / LEG / EXE

Fonte: Barbosa (2016)


MEDIÇÃO
Ou equacionando..
iSTF = p (AA) + j (gAP), onde:

o p(AA) = capacidade do STF em responder ao ser acionado;


o j(gAP) = capacidade do STF acionar, por conta própria, agentes
políticos.
MEDIÇÃO
• Exemplo 3: Tarouco e Madeira (2015)
 Medição de ideologia política
- Busca sistematizar a posição ideológica dos partidos
brasileiros numa escala Esquerda – Centro – Direita.

Possibilidades:
o Expert Survey;
o Avaliação de propostas parlamentares;
o Survey com opinião pública;
o Survey com membros partidários;
o Avaliação dos programas partidários.

- O que são as medições e as estimativas a seguir?


MEDIÇÃO

Fonte: Tarouco e Madeira (2015)


MEDIÇÃO
• Avaliação das Medidas:
- Minha medição é confiável?
- Eu estou realmente medindo o que quero medir?
- A avaliação ocorre por dois critérios.

1) Confiabilidade:
- Significado: repetindo diversas vezes o mesmo procedimento,
eu obtenho os mesmos resultados da minha medida?
- Utilidade: evitar viés de confirmação de hipóteses.
- Exemplo da “balança”:
Medir sucessivamente o peso resulta na mesma observação?
MEDIÇÃO
Exemplo 1:
Medição do empoderamento judicial.
Problema: não especificar que critério usou para medir o aumento de
força.

Exemplo 2:
Medição da ideologia política.
Técnica: avaliação programática.
Problema:
Não especificar que propostas são de direita ou esquerda;
Não indicar que critérios utilizou para definir propostas de esquerda e
direita.

E o exemplo de King (posição política vs Decisões Judiciais)?


 Como “medir” a confiabilidade?
- Avaliação dos professores (Direito – UFPI) por especialistas do MEC.

Avaliadores Resultados
MÉDIA
Professores X Y Z W SOMA
(SOMA/4)
A 6 6 5 4 21 5,25
B 4 6 4 3 17 4,25
C 4 4 5 2 15 3,75
D 3 1 3 1 8 2
E 1 2 2 0 5 1,25

- Se os prof. diferem entre si, suas médias devem divergir.


- Quanto mais divergente as médias, mais confiável a medida. Amplidute = 4.
- A medida será confiável se repetimos o teste com outros avaliadores e o
resultado for similar.
- Coerência entre as notas
MEDIÇÃO
- Avaliação dos professores (Direito – UFPI) por alunos egressos.

Avaliadores Resultados
MÉDIA
Professores M N O R SOMA
(SOMA/4)
A 2 5 6 1 14 3,50
B 5 2 6 4 17 4,25
C 2 3 1 5 11 2,75
D 3 1 3 2 9 2,25
E 6 3 4 4 17 4,25

- Baixa coesão entre as notas.


- Baixa variabilidade entre as médias. Amplitude = 2.
MEDIÇÃO
2) Validade:
- Você está medindo o que pensa estar medindo?
- Medidas confiáveis podem não ser válidas.
- Por quais critérios julgo a validade?
- Exemplo da “balança”:
 Uma balança indica que peso 70 e outra indica que peso 80.

Validade

Visual Imparcialidade Eficiência


MEDIÇÃO
a) Visual:
- Minha medida é consistente com evidência anterior?

Exemplo: Carreirão (2014)


Composição de coalizões governamentais.

Hipótese:
- A ideologia partidária pouco importa na composição de
governos.
- A disputa presidencial não estrutura a formação de gabinete.
MEDIÇÃO

- Evidência: coalizões abrigam todo o espectro


- Validade: Faz sentido medir ideologia para explicar formação de
governo?
Fonte: Carreirão (2014)
MEDIÇÃO
b) Imparcialidade:
- Medidas que depende diretamente da participação da população-
alvo tendem a ser enviesadas.
- Exemplo da “balança”:
 Pedir para o sujeito indicar o próprio peso é imparcial?

Exemplo 2:
Estimativa da ideologia política dos partidos.
Técnica: Survey com a opinião pública.
Problemas:
 Os entrevistados podem ter percepções distintas sobre os partidos;
 A identificação partidária prévia “contamina” o julgamento do
indivíduo.
MEDIÇÃO
c) Eficiência:
- Entre duas medições, escolha sempre a que produzir menor
erro ou “ruído”.

Survey
Opinião
Pública

Expert
Survey
2. ABORDAGEM QUALI-QUANTI
ABORDAGEM QUALI-QUANTI
• Quantitativismo vs Qualitativismo:
- Conceitos: dois universos isolados.

Quantitativismo Qualitativismo
• “Positivismo” • “Interpretativismo”
• Proximidade com as • Separação entre
ciências naturais ciência social e
• Explicações natural
• Significados
ABORDAGEM QUALI-QUANTI
• Distinções:
 Quanto aos dados:

Quantitativos

• Índice, Indicadores, Números


• Uso de Estatística
• Dados secundários
• Dados delimitados.

Qualitativos

• Percepções, Atitudes, Comportamentos, Categorias


• Pesquisa de “campo”
• Dados primários
• Dados não delimitados.
ABORDAGEM QUALI-QUANTI
 Quanto aos objetivos:

Quantitativo Qualitativo

• Propor descrições
• Explicações entre • Identificar atores
variáveis • Estabelecer
• Estimar efeitos na relações entre
variável agentes e
dependente instituições
• “Amplitude” • Identificar
consequências
• “Profundidade”
ABORDAGEM QUALI-QUANTI
Exemplo:
O status socioeconômico mais alto dos pais reduz as chances
dos filhos cometerem atos de delinquência?
Quantitativo

• Estudo comparativo entre casos. Há Diferenças


“numéricas”?
• Estimação de proporcionalidade: “direta” ou “inversa”?
• Existem variáveis condicionais?

Qualitativo

• Quem são os envolvidos? Eles se relacionam entre si?


• Qual o papel da política?
• Como isto começou? Quais os resultados observados?
• Quais os mecanismos em ação?
ABORDAGEM QUALI-QUANTI
• Triangulação Metodológica:
- Epistemologicamente ambas as abordagens tem o mesmo
objetivo:

 Como as sociedades funcionam?


 Meus procedimentos são sistemáticos?
 Minhas observações são confiáveis e válidas?

O que define o caráter da pesquisa?


ABORDAGEM QUALI-QUANTI
Portanto...
Faz sentido pensar em abordagens mutuamente excludentes?

Objeto de
Estudo

Abordagem Abordagem
Qualitativa Quantitativa
ABORDAGEM QUALI-QUANTI
• Gargalos metodológicos:
- “Bolha epistemológica”: quantitativistas não conhecem
métodos qualitativistas e vice-versa.

 Exame dos periódicos:


- Ausência de métodos (qualitativos ou quantitativos).
 Exame de dissertações e teses:
- Predominância de “ensaios”.
- Ausência de empiria.

ATENÇÃO!
Ser “qualitativo” não significa não fazer exames estatísticos!
Existem métodos qualitativos de pesquisa.
ABORDAGEM QUALI-QUANTI
 Precariedade no ensino de Técnicas:
- A maioria das universidades não dispões de disciplinas
voltadas exclusivamente para o treinamento em técnicas de
análise!
- Professores “teóricos”: ensino das teorias de quem, não nas
teorias de quê.
- O problema é falta de dados?
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

EPSTEIN, L., KING, G. (2013). Pesquisa empírica em direito: as regras


de inferência. São Paulo: Direito GV.

KERLINGER, F. N. Metodologia da Pesquisa em Ciência Social. São


Paulo: Pedagógica e Universitária, 2007.

PARANHOS, Ranulfo et al. Uma introdução aos métodos


mistos. Sociologias, Porto Alegre , v. 18, n. 42, p. 384-
411, Aug. 2016.