Liturgia & Espiritualidade

Formacão - 2010

Liturgia
O que é?...

Da língua grega clássica, como palavra composta por duas raízes: leit (de laós = povo) e érgon (= ação, empresa, obra). Por «Liturgia» se entendia um serviço público feito para o povo por alguém de posses. Este realizava tal serviço ou de forma livre ou porque se sentia como que obrigado a fazê-lo, por ocupar elevada posição social e econômica.

Na época helênica a palavra conhece uma evolução no seu sentido e começa a designar seja um trabalho obrigatório realizado por um determinado grupo, como castigo por alguma desobediência ou como reconhecimento por honras recebidas.

Todavia, nesta mesma época helênica, começamos a ver o termo «Liturgia» sendo usado ao mesmo tempo e cada vez mais em sentido religioso-cultual, para indicar o serviço que algumas pessoas previamente escolhidas prestavam aos deuses.

80-90) e na I Carta de Clemente Romano aos Coríntios (+. «Liturgia» vai perdendo parte de seu aspecto negativo e começa a distinguir os ritos do culto cristão.96). . como se vê em documentos como a Didaché (+.Mas já na Igreja pós-apostólica.

a fonte da qual sai toda a sua força´ (SC 10). sendo que o Concílio Vaticano II o consagrará nos seus diversos documentos. em especial na Constituição sobre a Liturgia Sacrosanctum Concilium. ou o ³cume em direção ao qual se dirige toda a ação da Igreja e. entendendo sempre por «Liturgia» ³o exercício do sacerdócio de Jesus Cristo´ (SC 7).Por ocasião do Movimento Litúrgico do início deste século este termo será usado com grande força. ao mesmo tempo. .

A Liturgia nos ritmos do tempo .

o Ano Litúrgico é sacramento e. torna se um caminho pedagógico-espiritual nos ritmos do tempo. assim. nem somente renova a lembrança de ações passadas. . mas sua celebração tem força sacramental e especial eficácia para alimentar a vida cristã. Por isso.O Ano Litúrgico não apenas recorda as ações de Jesus Cristo.

ação e celebração: o ritmo anual. a liturgia se utiliza três ritmos diferentes: o ritmo diário. alternando trabalho e descanso. Para fazer memória do mistério.Como a vida. dia e noite. a Igreja guarda a sua identidade. alternando manhã e tarde. alternando o ciclo das estações e a sucessão dos anos. a liturgia segue um ritmo que garante a repetição. o ritmo semanal. . característica da ação memorial. Repetindo. luz e trevas.

O ritmo diário .

De tarde. na esperança da ressurreição. o sol poente evoca o mistério da morte. pela celebração do Ofício Divino. Daí o nome "Liturgia das Horas".O ritmo diário Acompanhando o caminho do sol. o povo de Deus faz memória de Jesus Cristo. nas horas do dia. . que é símbolo de Cristo.

novo dia para a humanidade. celebramos em espera vigilante o mistério da volta do Senhor. .De manhã. Em algum outro momento do dia ou da noite. celebramos a Eucaristia. em qualquer hora do dia. dia da ressurreição. nas vigílias. que abrange a totalidade do tempo. E. que inicia o domingo. rezamos o "Oficio das Leituras". De noite. o sol nascente evoca o mistério da ressurreição. principalmente na de sábado à noite.

salmos e cânticos bíblicos. expressa nosso caminhar pascaL do nascimento à morte e ressurreição. celebramos o mistério pascal do Cristo. do advento à segunda vinda gloriosa de Cristo. o Ofício acompanha o Ano Litúrgico. com leituras próprias.Com hinos. Como toda a liturgia. . com preces de louvor e de súplica.

verdadeira ação litúrgica.Como oração do povo de Deus. o Ofício Divino é excelente escola e referência fundamental para nossa oração individual. . Os ministros ordenados e religiosos assumem publicamente o compromisso de celebrarem a Liturgia das Horas nas principais horas do dia.

individual ou comunitariamente. que conserva a teologia e a estrutura da Liturgia das Horas. Podem fazê-lo seguindo o roteiro simples e adaptado proposto pelo Oficio Divino das Comunidades. .Os fiéis leigos também são convidados a celebrá-la.

Via-Sacra e Rosário comunitário. Ladainhas. Ângelus. Horas Santas. por exemplo.Incentivem-se também outras formas de oração comunitária da Igreja. Celebrações da Palavra de Deus. . Ofícios Breves adaptados.

porém. com as Vésperas do dia precedente"."0 dia litúrgico se estende da meia noite à meia noite. . A celebração do domingo e das solenidades começa.

O ritmo semanal .

No primeiro dia da semana.O ritmo semanal O ritmo semanal é marcado pelo domingo. já não o encontraram mais. o dia em que o Senhor se manifestou ressuscitado. . quando as mulheres foram para embalsamar seu corpo. A história do domingo nasce na cruz e na ressurreição de Jesus.

. sozinhos. vinda do Espírito Santo. comeu e bebeu com eles e falou-lhes do Reino de Deus e da missão que tinham que levar adiante. Jesus apareceu vivo a vários dos discípulos. ou reunidos. também aconteceu no domingo.No domingo. O dia de Pentecostes.

O ritmo anual .

.

com sua preparação no Advento e o seu prolongamento até a festa do Batismo do Senhor. . temos o Tempo Comum.O Ano Litúrgico compreende dois tempos fortes: o Ciclo Pascal. Além destes dois. a Quaresma como preparação e o Tempo Pascal como prolongamento: o Ciclo do Natal. tendo como centro o Tríduo Pascal.

.a) Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreicão do Senhor Começa na 5a à feira à noite com a Missa da Ceia ( depois do pôr do sol) até à tarde do domingo da Páscoa da ressurreição com as Vésperas. É o ápice do Ano litúrgico porque celebra a Morte e a Ressurreição do Senhor.

"quando Cristo realizou a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus pelo seu mistério pascal. . quando morrendo destruiu a nossa morte e ressuscitando renovou a vida".

"um grande domingo´. um só dia de festa. . São dias de Páscoa e não após a Páscoa.b) Tempo Pascal Os 50 dias entre o domingo da Ressurreição e o domingo de Pentecostes. é o tempo da alegria e da exultação.

caracteriza se pela preparação à celebração da vinda do Espírito Santo. . A semana seguinte. A festa da Ascensão é celebrada no Brasil no 7° domingo da Páscoa. até Pentecostes."Os oito primeiros dias do tempo pascal formam a oitava da Páscoa e são celebrados como solenidades do Senhor".

no Brasil. . e oportunamente a celebração da missa votiva pela unidade da Igreja. realizamos nesta semana a "Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos". Recomendam-se para esta ocasião orações durante a missa.Em sintonia com as outras Igrejas cristãs. sobretudo na oração dos fiéis.

c) Tempo da Quaresma Da 4ª feira de Cinzas até a Missa da Ceia do Senhor. É o tempo para preparar a celebração da Páscoa. exclusive. .

. os dispõe à celebração do mistério pascal".³Tanto na liturgia quanto na catequese litúrgica esclareça-se melhor a dupla índole do tempo quaresmal que. principalmente pela lembrança ou preparação do Batismo e pela penitência. fazendo os fiéis ouvirem com mais freqüência a palavra de Deus e entregarem-se à oração.

d) Tempo do Natal Das primeiras vésperas do Natal do Senhor até a festa do Batismo do Senhor. .

. "luz para iluminar todos os povos no caminho da salvação''. Filho de Deus. em que celebramos a "troca de dons entre o céu e a terra". pedindo que possamos "participar da divindade daquele que uniu ao Pai a nossa humanidade''. celebramos a manifestação de Jesus Cristo.É a comemoração do nascimento do Senhor. Na Epifania.

até antes das primeiras vésperas do Natal do Senhor. "O tempo do Advento possui dupla característica: .e) Tempo do Advento Das primeiras vésperas do domingo que cai no dia 30 de novembro ou no domingo que lhe fica mais próximo.

em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens. é também um tempo em que. o tempo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa". voltam-se os corações para a expectativa da segunda vinda do Cristo no fim dos tempos. por meio desta lembrança. . Por este duplo motivo.sendo um tempo de preparação para as solenidades do Natal.

f) Tempo Comum Começa no dia seguinte à celebração da festa do Batismo do Senhor e se estende até a terça feira antes da Quaresma. . inclusive. Recomeça na segunda feira depois do domingo de Pentecostes e termina antes das Primeiras Vésperas do 1° domingo do Advento.

desde o chamamento dos discípulos até os ensinamentos a respeito dos fins dos tempos. demais Santos e Santas).A tônica dos 33 (ou 34) domingos é dada pela leitura contínua do Evangelho. . Apóstolos e Evangelistas. Cada texto do Evangelho proclamado nos coloca no seguimento de Jesus Cristo. Neste tempo. temos também as festas do Senhor e a comemoração das testemunhas do mistério pascal (Maria.

Montagem: Renato.SJ. Fonte: Guia Litúrgico-Pastoral-CNBB .

festas e memórias .As solenidades.

em 1969. . Estas celebrações tem orações. promulgadas por Paulo VI. 2. Algumas solenidades são também enriquecidas com uma Missa própria para a Vigília. que deve ser usada na véspera quando houver Missa vespertina". distinguem os dias litúrgicos. segundo sua importância.As Normas Universais sobre o Ano Litúrgico e o Calendário Romano (NALC). leituras e cantos próprios ou retirados do Comum. Festa e Memória.1. em Solenidade. cuja celebração começa no dia precedente com as Primeiras Vésperas. As solenidades "As solenidades são constituídas pelos dias mais importantes.

não têm Primeiras Vésperas. cujo Ofício substituem". leituras e cantos são próprios ou do Comum. as orações. Na Missa. As festas "As festas celebram se nos limites do dia natural por isso.2.2. a não ser que se trate de festas do Senhor que ocorrem nos domingos do Tempo Comum e do Tempo do Natal. .

Sua celebração se harmoniza com a celebração do dia de semana ocorrente. A única diferença entre os dois tipos de memória é que as memórias obrigatórias (como seu nome sugere) devem necessariamente ser celebradas e as memórias facultativas podem ser celebradas ou omitidas. procede-se da mesma maneira em ambos os casos. segundo se considere oportuno.2. As memórias são obrigatórias ou facultativas. . segundo as normas expostas na Instrução Geral sobre o Missal Romano e a Liturgia das Horas. As memórias A memória é uma recordação de um ou vários santos ou santas em dia de semana.3. Quanto ao modo de celebrá-las.

é chamada pela Igreja de Comemoração. Trata se de uma Comemoração muito especial. que ocorrem nos dias de semana da Quaresma e nos dias 17 a 24 de dezembro.2. Neste caso são chamadas simplesmente de comemoração. celebrada mesmo quando ocorre em domingo. A celebração de todos os fiéis defuntos. por não ter caráter de solenidade. CNBB . festa ou memória propriamente ditas.4. Fonte: Guia Litúrgico-Pastoral. ComemoraCões As memórias obrigatórias. podem ser celebradas como memórias facultativas.

INDICAÇÕES PARTICULARES .

Para os dias de semana o Evangelho tem um ciclo anual e as leituras um cliclo bienal um para os anos pares e outro para os anos ímpares (está no Lecionário Semanal). temos leituras próprias. O evangelho de João é proclamado em algumas solenidades e também durante alguns domingos do ano B. .Mateus. C Lucas. indicadas no Lecionário Santoral.OS LECIONÁRIOS As leituras indicadas nos Lecionários foram dispostas da seguinte maneira: para os domingos e algumas festas temos um ciclo de três anos (está no Lecionário Dominical): A . B Marcos. Para as festas e algumas memórias dos santos.

"dias de preceito". como se diz.DIAS SANTOS DE GUARDA "Dias de festa". a alegria própria do Dia do Senhor e o devido descanso do corpo e da alma´ (cân. ³dias santos de guarda". são dias em que "os fiéis têm obrigação de participar da Missa e devem abster-se das atividades e negócios que impeçam o culto a ser prestado a Deus. "festas de preceito" ou. 1247). .

Imaculada Conceição de Nossa Senhora (8 de dezembro). da Assunção de Nossa Senhora.O domingo é o dia de festa por excelência. em toda a Igreja. dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e a de Todos os Santos ficam transferidas para o domingo. de acordo com as normas litúrgicas. . As celebrações da Epifania. Corpo e Sangue de Cristo (quinta feira após o domingo da Santíssima Trindade). da Ascensão. as festas de preceito são as seguintes: Natal do Senhor Jesus Cristo (25 de dezembro). além do domingo. SS. No Brasil. Santa Maria Mãe de Deus (1° de janeiro).

TRANSFERÊNCIA PARA OS DOMINGOS DO TEMPO COMUM DE CELEBRAÇÕES QUE OCORREM NUM DIA DE SEMANA. ex. as festas dos(as) Padroeiros(as)) e que ocorrem durante a semana. contanto que. elas se anteponham ao próprio domingo. Estas celebrações podem ser realizadas em todas as Missas celebradas com o povo. na tabela de precedência. é lícito transferir para os domingos do Tempo Comum as celebrações pelas quais o povo tem grande apreço (p. . ‡ Para promover o bem pastoral dos fiéis.

nos seus diversos coloridos.. com os problemas que lhe tocam mais de perto.) Assim.. o domingo celebra realmente a vida da comunidade. mas à luz da palavra viva.... na docilidade do Espírito. E quando não se penetra profundamente na palavra de Deus. . corno o único tema. SEMANAS E DIAS TEMÁTICOS "A comunidade deve celebrar a sua vida na liturgia(. e não à luz de um tema. vivo. facilmente pode-se cair na moralização.MESES.). sim. presente e atuante na comunidade. Deve celebrar a sua vida..). mergulhada na única vida do Ressuscitado que lhe dá vida´.. (. de uma idéia (. Mas deve celebrá-la à luz de Jesus Cristo ressuscitado..

é a fonte donde emana a sua força" (SC 10). A liturgia "não esgota toda a ação da Igreja" (SC 9). "o cume para o qual tende a ação da Igreja e. . Ele é.A liturgia não pode se tornar lugar para discutir soluções e respostas para os temas e problemas que afligem a comunidade. ao mesmo tempo. sim.

Renato. Ela "não pode ser aproveitada (usada) quase que exclusivamente para fins que não lhe pertencem. Fonte: Guia Litúrgico-Pastoral. CNBB Montagem: Pe.A liturgia não é primordialmente o lugar de evangelização e conscientização. não reproduzindo apenas folhetos e subsídios oferecidos. na homilia e nas preces dos fiéis. segundo as 'cores' da vida da comunidade. Pois seu objetivo é a celebração da presença viva do mistério da vida.SJ. Ela é o tema! Existem coloridos diferentes para a celebração. Na missa. Mas o único tema é sempre o mesmo na diversidade das situações: a luz do mistério pascal nas 'cores' diferentes da vida trazida com seu mistério para o encontro da celebração dominical´. é importante que a Equipe de Pastoral Litúrgica prepare bem a celebração. Para dar aos meses e dias temáticos o seu justo lugar. . os "temas" podem ser lembrados no início (recordação da vida). Daí se poderá concluir também que a missa não tem tema.

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