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Curso de Pós-Graduação para Técnico Superior de Segurança

e Higiene do Trabalho

AVALIAÇÃO DE VENTILAÇÃO EM ESPAÇOS


CONFINADOS DE NAVIOS

Orientação de Estágio:

Orientador Professor Dias Delgado – UNL-FCT


Dr. Vítor Miranda – Gaslimpo – Departamento de Certificação “Gas – Free”

Aluno:

Bruno Espírito Santo


Plano da Apresentação

1. Introdução

2. Enquadramento Teórico

3. Caracterização da Empresa

4. Desenvolvimento do Trabalho

5. Conclusões e Propostas de Melhoria


1. Introdução
1.1 Espaços Confinados

• Espaço Confinado é todo e qualquer espaço com Aberturas


Limitadas para entradas e saídas.

• A ventilação Natural é desfavorável, podendo acumular-se diversos


contaminantes tóxicos ou inflamáveis.

• Podem ter uma Atmosfera Deficiente de O2 e não está concebido


para uma Ocupação Continuada por parte do trabalhador.
• Abertos na sua parte superior e de uma profundidade tal que dificulta
a sua ventilação natural

• Fechados com uma pequena abertura de entrada ou saída.

Espaços fechados típicos


• Caldeira, Chaminé
• Encanamento, Poço
• Depósitos de combustível
• Tanque séptico
• Silos
• Barcaças
• Esgotos, Cavernas, Valas
• Escavações, Fossas
1.2 Tipos de Riscos

1.2.1 Riscos Gerais


São os riscos prévios inerentes ao próprio espaço confinado, que tem haver com a sua
própria geometria e conteúdo prévio.

• Choques, quedas ou golpes por obstáculos interiores;

• Contactos (directos ou indirectos) com elementos condutores;

• Sobre esforços posturais e físicos (musculares);

• Ambiente físico agressivo (temperatura, iluminação, ruído, vibrações, etc…);

• “Problemas” de comunicação com o exterior.


1.2.2 Riscos Específicos

São aqueles gerados pelas condições em que se desenvolve o trabalho e que são
poderão ser ocasionadas pela existência de uma atmosfera perigosa.

Normalmente, as suas consequências são:

• Asfixia;

• Incêndio e explosão;

• Intoxicação.
2.1 Ventilação de Espaços Confinados
A pesquisa básica necessária para compreender as complexidades de ventilar nestes tipos
de ambientes ainda está numa fase embrionária e suscitam várias questões:

• Quando e como ventilar um espaço confinado?


• A ventilação forçada é necessária em todos os espaços confinados?
• A ventilação natural deverá ser a primeira opção como método?
• A ventilação forçada só deverá ser aplicada quando a ventilação natural não for a
suficiente?

A eficácia da ventilação em espaços confinados, ganha uma maior complexidade e


dimensão, quando são consideradas e respondendo a todos os factores, que devem ser tomadas
em linha de conta, aplicáveis para a sua solução, tais como:

• Configuração do espaço;
• Fontes de emissões;
• Natureza de contaminantes;
• Opções de ventilação e equipamento;
• Limitações e restrições para cada espaço.

Até ao momento, não há nenhuma “receita” para ventilação em espaços confinados, longe
disso.
2.2 Ventilação em Atmosferas Perigosas
• Introdução de ar numa atmosfera que está acima do limite superior de
inflamabilidade, dilui parte da atmosfera para o intervalo da sua inflamabilidade. A
presença de uma fonte de ignição pode causar um incêndio ou explosão.

• Numa nuvem de gás ou vapor que seja mais denso que o ar pode acamar em espaços
mais baixos podem desenvolver uma nuvem, por combinação das substâncias, que
poderá ser extremamente difícil de dispersá-la do fundo do espaço.

• Transferir uma substância altamente tóxica para o exterior do espaço pode criar um
perigo de exposição na área de descarga.

• Arrefecendo abaixo da temperatura ambiente podem reduzir a volatilidade dos gases


como o caso do metano, caso contrário subiriam ao ponto mais alto do espaço.

• Aquecendo durante a ventilação poderiam aumentar a volatilidade e poderiam


conduzir possivelmente ao desenvolvimento de uma potencial mistura
inflamável/explosiva.
2.2 Modos de Ventilação
Os espaços confinados normalmente não possuem sistemas de ventilação, porque não estão
concebidos para a sua ocupação.
Há alguns modos para induzir movimento de ar em espaços confinados, o que podem ser
limitados por constrangimento impostos pelo tamanho e complexidade do espaço.
Os modos existentes são:

Ventilação natural Ventilação forçada Ar comprimido


Convectiva Agitação do ar na abertura
Vento Sistema de ventilação portátil

A estratégia correcta para ventilar espaços confinados deverá ser considerada como um
assunto de reconhecimento e adequação do que está disponível, completando com o que seja
necessário para estabelecer e manter as condições seguras de trabalho.
2.4 Ventilação Forçada
A que garante uma maior margem de segurança, comparado às vantagens, as desvantagens
são mínimas.

 A ventilação forçada é absolutamente requerida para espaços confinados que têm pouca ou
nenhum ventilação natural onde é desenvolvida potencialmente contaminações perigosas.

 Promove um maior controlo e flexibilidade na direcção do movimento do ar, do que se for


a ventilação natural, direccionando directamente para os locais de trabalho.

 Há quatro técnicas principais, utilizando equipamentos mecânicos para ventilar os espaços


confinados: fornecimento de ar para o espaço; remoção de ar do espaço; uma combinação de
ambas; extracção local na fonte.

 A grande preocupação sobre o uso de equipamentos mecânicos para ventilar espaços


confinados é a sua paragem por falta da corrente eléctrica ou problemas mecânicos, como
também pode causar níveis de ruído elevados dentro do espaço.

 Em situações em que envolva uma atmosfera inflamável, devem ser aplicados


equipamentos para uso em atmosferas perigosas (ATEX) ou serem distanciados suficientemente
dos acessos para não se tornarem um possível agente de ignição.
2.5 Estudos Laboratoriais de Ventilação em
Espaços Confinados
Alguns estudos dedicados determinaram as características da ventilação em espaços confinados,
em que focaram em parâmetros tais como: a forma, tamanho, orientação, modo de ventilação e
propriedades dos contaminantes.

Os testes envolveram modelos de caixas rectangulares e cubos, dado que estas formas foram
consideradas representativas da geometria em muitos espaços confinados.

Os modelos usados nestes estudos têm uma única abertura no topo próximo de um dos cantos,
de Ø 15 cm, com uma mangueira de ar com Ø interno 5,1 cm e Ø exterior 6,1 cm. Com estas
dimensões correspondia a uma abertura de Ø 61 cm e uma mangueira com Ø interno de 20 cm.

Estes estudos examinaram condições em diferentes níveis de concentração e densidade da


atmosfera no interior do espaço, bem como a sua diluição em misturas de gás.
Para cada teste foi utilizada ventilação forçada para reduzir a concentração de contaminantes na
atmosfera sob observação, que foi registrada em função do tempo.

O contaminante foi introduzido do fundo da câmara de teste e foram recolhidas amostras em


quatro localizações a diferentes cotas em diversos quadrantes verticais (falta de oxigénio
provocada pelo azoto e diluição do contaminante) e ao longo do eixo vertical (densidade do
contaminante), bem como a altura da mangueira de ventilação ao espaço e seu caudal volúmico.
Recomendações:
 Exigências de quantidade
 Exigências de qualidade

Temperaturas nos locais de


trabalho
Actividade física ligeira 18ºC – 20ºC
Velocidade do ar
Inverno Inferior a 0,15 m/s
Actividade física intensa 15ºC – 17ºC Resto do ano Inferior a 0,25 m/s
Áreas sociais 20ºC – 23ºC
Em função do tipo de contaminante do espaço será aplicado a um adulto ou um número de
renovações de ar/hora de todos o volume iguais entre si, como mostra a tabela:
Espaço n.º renovações/hora
Catedrais 0,5
Salas de aulas 2–3
Hospitais 5–6
Oficinas em geral 5–6
Laboratórios 6–8
Fábricas em geral 5 – 10
Discotecas 10 – 12
Restaurante médio 8 – 10
Cafés 10 – 12
Cozinhas domésticas 10 – 15
Cozinhas industriais 15 – 20
Teatros 10 – 12
Fundições 20 – 30
Naves industriais 30 – 60
3. Caracterização da Empresa

A GASLIMPO – Sociedade de Desgasificação de Navios, SA, em 1967 com o


objectivo de operar estações de limpeza e desgasificação de navios, podendo prestar
serviços análogos em instalações industriais ou outras. Tem como objectivo garantir a
segurança de pessoas e materiais em espaços confinados, potencialmente perigosos,
em navios e instalações industriais e análises de risco, tendo em vista a realização de
trabalhos a fogo.

A LISNAVE, ESTALEIROS NAVAIS S.A. opera, desde o ano de 1997, os


Estaleiros Navais da Mitrena, em Setúbal. A LISNAVE como número um da
Europa e um dos principais estaleiros de manutenção naval a nível mundial, tem nos
últimos anos aumentado significativamente este tipo de trabalho, podendo neste
momento ser designado como um dos maiores.
4. Desenvolvimento do Trabalho
4.1 Equipamentos de Medição Utilizados

Anemómetro modelo AM – 8901; S.N. 9019678

Analisador de Gases (HC, O2) modelo EAGLE; S.N. E52012

Bomba de aspiração do tipo Dräger de capacidade 100 mm3

Tubos colorimétricos de hidrocarbonetos aromáticos; P.N. 5086-811


4.2 Levantamento dos Ventiladores utilizados e medições

Ventilador tipo BCF 1650 SWSI Ventilador tipo BCF 2700 SWSI

8200 m3/h 23000 m3/h

Velocidade do ar [m/s]
28,44 ± 0,67 Ventilador tipo ChB 33 EFACEC

Caudal [m3/s]
31867 m3/h
5,52 ± 0,13

19872 m3/h
4.2.1 Segunda Medição ao Ventilador

Saída de um calção
com 4 saídas de Ø
250 mm, ligado a
uma mangueira de
Ø 500 mm com
cerca de 25 m de
comprimento e 2
curvas a 90º

Velocidade do ar [m/s] Caudal [m3/s]

30,42 ± 0,62 1,48 ± 0,03


4.2.2 Terceira Medição ao Ventilador

Saída de uma mangueira de Ø 250 mm com cerca de 50 m de comprimento e 4 curvas a 90º

Velocidade do ar [m/s] Caudal [m3/s]


6,07 ± 0,40 0,30 ± 0,02
4.3 Descrição da Actividade Desenvolvida

O navio OVERSEAS MAREMAR é um navio tanque que


transporta Jet Fuel, construído em 1998 com as dimensões de
182,50 x 32,23 x 12,67 m e 47,225 Toneladas de DeadWeight
(DWT).
A chegada do navio ao estaleiro foi no dia 4 de Maio entrando
directamente na doca e como iria fazer um Special Survey, todos
os seus tanques foram abertos, ventilados e iluminados para
inspecção.

O navio ARAFURA SEA é um navio tanque que


transporta Crude Oil, construído em 2000 com as
dimensões de 248,21 x 43,03 x 14,20 m e 105,856
Toneladas de Deadweight (DWT).
Chegou ao estaleiro no dia 3 de Maio entrando
directamente na doca e tinha um dos seus diversos
trabalhos de reparação, a substituição dos esquadros nos
seus tanques de lastro.
No interior dos tanques de lastro 3 EB e duplo fundo, foram observados os trabalhos a realizar e a
eficácia da ventilação no seu interior. A mangueira de ventilação de Ø 500 mm que se encontrava a
meio do duplo fundo

• Na zona do tanque mais à ré (imagem da esquerda), a dispersão da fonte emissora dos gases
libertados pela soldadura, feita por ar ventilado no local de trabalho é praticamente nula, devido à
distância da mangueira e sua direcção.

• A meio do tanque (imagem do meio), a dispersão da fonte emissora é bastante boa, mas devido à
dimensão enorme e proximidade da mangueira de ventilação era criado uma enorme turbulência
provocando algum desconforto térmico e um aumento dos níveis de ruído.

• Mais à vante do tanque (imagem da direita), o mesmo se verificava com uma dispersão da fonte
emissora dos gases libertados pela soldadura bastante elevada sem qualquer efeito provocado pela
ventilação.
Pesquisa de gases, com um analisador de gases de HC e O2 modelo EAGLE, no interior do
tanque de SLOP EB, a qual estavam a efectuar trabalhos de remoção e limpeza de crude oil.

Objectivos
1ª Situação – medição próximo da substância removida

HC 0 % LEL
O2 20,9 % volume

2ª Situação – medição no interior do recipiente da substância removida

HC atingiu um valor máximo de 45 % LEL


O2 20,9 % volume
3ª Situação – medição no interior do SLOP, aproximadamente a 1 m de distância (zona de
trabalho) da substância removida

HC atingiram valores compreendidos entre 1 – 10 % LEL


O2 20,9 % volume

4ª Situação – medição no interior do SLOP, aproximadamente a 30 cm de distância da substância


removida e remexida

HC atingiram valores máximos de 37 % LEL


O2 20,9 % volume
5ª Situação – medição no interior do SLOP, aproximadamente a 1 cm de distância da substância
removida

HC atingiram valores máximos de 10 % LEL


O2 20,9 % volume

Medição do benzeno (C6H6) com o auxílio de tubos colorimétricos

A leitura não foi conclusiva, já que o


tubo surgia com uma cor difusa
resultado de interferências cruzadas.
Medição da ventilação no SLOP EB do navio ARAFURA SEA

Mangueira de ventilação de Ø 500 mm, localizada próxima da segunda escoa do tanque em 6 pontos
distintos uns dos outros

Distância à mangueira [m]


-2 -1 0 1 2
0
5
Velocidade do ar [m/s] 10
15
20
Saída da mangueira
25
A 2,5m da mangueira
30
A 5,0m da mangueira
35
40
45

Caudal [m3/s] Velocidade do ar [m/s] 50


55

1,87 ± 1,87 9,79 ± 9,94


Medição da ventilação no WBT 3 BB do navio ARAFURA SEA

Mangueira de ventilação de Ø 500 mm, onde decorriam trabalhos de soldadura

Caudal [m3/s] Velocidade do ar [m/s]

0,28 ± 0,14 0,05 ± 0,03


Medição da ventilação no Duplo Fundo do navio ARAFURA SEA

Mangueira de ventilação de Ø 500 mm

Mangueira

Caudal [m3/s] Velocidade do ar [m/s]


0,01 ± 0,02 0,05 ± 0,04
Medição da ventilação na cela do Duplo Fundo localizada a mangueira de ventilação do
navio ARAFURA SEA

Mangueira

Distância à mangueira [m]


-2 -1 0 1 2
0

5
Velocidade do ar [m/s]
10
Saída da mangueira
15 A 2,5m da mangueira
A 5,0m da mangueira
20 A 7,5m da mangueira
25 A 10m da mangueira

Caudal [m3/s] Velocidade do ar [m/s] 30

35
0,35 ± 0,14 2,17 ± 0,92
Medição da ventilação do COT 1 EB do navio ARAFURA SEA

Trabalhos de soldadura nas serpentinas, ventilado por uma mangueira de Ø 500 mm

Mangueira

6m

Distância à mangueira [m]


-3 -2 -1 0 1 2 3
0

0,2

0,4
Velocidade do ar [m/s] Saída da mangueira
0,6 A 4m da mangueira
A 8m da mangueira
0,8 A 12m da mangueira
A 16m da mangueira
1 A 20m da mangueira

Velocidade do ar [m/s] Caudal [m3/s] 1,2

0,56 ± 0,08 0,13 ± 0,03 1,4


Medição da ventilação do COT 3 BB do navio OVERSEAS MAREMAR

Ventilado com uma mangueira de Ø 250 mm, sem qualquer trabalho existente no seu interior.

Mangueira
Distância à mangueira [m]

8m -2 -1
0
0 1 2

Velocidade do ar [m/s] 5

7m Saída da mangueira
10
A 2m da mangueira
A 4m da mangueira
15 A 6m da mangueira

Velocidade do ar [m/s] Caudal [m3/s]


20

2,62 ± 0,73 0,13 ± 0,04


Medição da ventilação do COT 3 BB do navio OVERSEAS MAREMAR

A diferença dos diversos pontos em relação ao anterior, invés de ser junto à escoa, foi a uma altura
de 1,80 m.

Velocidade do ar [m/s] Caudal [m3/s]

0,00 ± 0,02 0,00 ± 0,02


Medição da ventilação do COT 7 BB do navio OVERSEAS MAREMAR

Ventilado por uma mangueira Ø 250 mm, suspensa, sem qualquer trabalho existente no seu interior

8m

Mangueira

5m Distância à mangueira [m]


-2 -1 0 1 2
0
1
2
Velocidade do ar [m/s]

3
Saída da mangueira
4 A 2m da mangueira
5 A 4m da mangueira

Velocidade do ar [m/s] Caudal [m3/s] 6 A 6m da mangueira


A 8m da mangueira
7
8
0,97 ± 0,35 0,07 ± 0,03 9
10
Juntando os valores obtidos nos diversos espaços obtemos a seguinte tabela:

Caudal
Espaço confinado Volume [m3] Velocidade do ar [m/s] n.º de trocas de ar por hora
[m3/s]
NAVIO ARAFURA SEA
SLOP EB 1310 1,87 9,79 5,13
WBT 3BB 1258 0,05 0,28 0,14
D.F. WBT 3BB 1417 0,05 0,01 0,12
Cela D.F. WBT 3BB 177 0,35 2,17 7,11
COT 1EB 8937 0,13 0,56 0,05
NAVIO OVERSEAS MAREMAR
COT 3BB 4075 0,13 2,62 0,11
COT 7BB 4075 0,07 0,97 0,06

Caudal Caudal Velocidade do Velocidade do


Balanço de Balanço de
Espaço confinado medido referência ar medido ar referência
caudal [m3/s] velocidade [m/s]
[m3/s] [m3/s] [m/s] [m/s]
SLOP EB 1,87 1,81 + 0,06 5,13 0,25 + 4,88
WBT 3BB 0,05 1,74 - 1,69 0,14 0,25 - 0,11
D.F. WBT 3BB 0,05 1,96 - 1,91 0,12 0,25 - 0,13
Cela D.F. WBT 3BB 0,35 0,24 + 0,11 7,11 0,25 + 6,86
COT 1EB 0,13 12,41 - 12,28 0,05 0,25 - 0,20
COT 3BB 0,13 5,65 - 5,52 0,11 0,25 - 0,14
COT 7BB 0,07 5,65 - 5,58 0,06 0,25 - 0,19
Ao calcular o grau de concentração em função do caudal formado pelo poluente no recinto,
adoptando um factor de segurança K igual a 5.

1
Grau de concentração [ppm] 0,9
0,8
0,7
0,6
SLOP EB
0,5
WBT 3BB
0,4
0,3
0,2
0,1
0
0 10 20 30 40 50
Caudal formado pelo poluente no recinto
[m3/h]

É fundamental para assegurar a acessibilidade à atmosfera interior e deve ser efectuada antes do
trabalho e durante o decorrer das actividades.
Geralmente recorre-se à ventilação forçada que depende das características do espaço e do tipo e
grau de contaminação.
5. Conclusões e Propostas de Melhoria
Ao introduzir ou alterar certas variáveis associadas à ventilação, podemos
obter daí benefícios conseguindo evitar consequências negativas, sendo o contrário
igualmente verdadeiro.

Vejamos as seguintes situações:

Ventilação suficiente
Ao introduzirmos diversas mangueiras de ventilação no interior do espaço
confinado, de modo a evitar a concentração de produtos tóxicos, que podem já
existir na atmosfera, ou gerar-se pela concretização de qualquer trabalho, que
ultrapassem valores acima dos limites de exposição admissíveis, iremos aumentar o
domínio de inflamabilidade das substâncias combustíveis no seu interior.

Quando a concentração se encontrar dentro dos domínios de inflamabilidade


dá-se a ignição dos gases, formando-se uma língua de chamas que se estende,
“rolando” ao nível do tecto. O “Roll-Over” permanece enquanto existirem gases
combustíveis e antecede o “Flash-Over”.
Ventilação insuficiente

Na situação, oposta em que optamos por retirar mangueiras de ventilação no


interior do espaço confinado, de modo a evitar aumentos da concentração de
O2 no ar.

Neste ambiente existem várias misturas combustível/oxigénio, mas não


inflamáveis devido a que a mistura se encontra acima do LSI, por deficiência
de comburente.

Em contrapartida, podemos criar uma atmosfera tal modo perigosa que pode
originar a asfixia dos trabalhadores no interior do espaço em causa.

Logo, é fundamental estabelecer um ponto de equilíbrio, de tal modo que a


avaliação da atmosfera interior satisfaçam as condições para a autorização de
entrada nos espaços confinados.

Daí a importância do sistemático controlo permanente do exterior sobre as


condições de trabalho, com monitorização contínua da atmosfera interior.
Sugestões de recomendações das melhorias:

1. Preferencialmente devia de ser utilizado um ventilador em cada tanque a ventilar.

2. Avaliação prévia do local a ventilar (o que se pressupõe uma análise de risco ao local e
trabalho). Cada espaço confinado tem a sua própria geometria e particularidades.

3. Todas as mangueiras devem ser presas na extremidade de modo a evitar o seu


varrimento e batimento descontrolado.

4. Usar mangueiras aramadas em espaços confinados de elevada profundidade, onde os


trabalhos a realizar sejam de volume reduzido, nomeadamente inspecções, trabalhos a frio,
etc; tal aplicação reduz a perda de carga na instalação evitando assim dobras na mangueira
e rasgos, aumentado portanto o seu caudal de ar para o seu interior.

5. Ramificar diversas mangueiras de menor diâmetro em espaços confinados com


diversos trabalhos a executar em simultâneo, se possível, uma mangueira para cada local de
trabalho; garantindo assim que o caudal de ar chega ao trabalhador e com uma velocidade
apropriada evitando assim desconforto próximo da saída da mangueira e reduzido caudal
de ar quando afastada da mangueira.
6. Por forma a minimizar as perdas de carga, deverão ser na medida do possível
eliminados os ângulos fechados das curvas da instalação da mangueira, escolhendo
igualmente a trajectória que melhor se adequa.

7. Fruto das nossas observações foram vistas muitas mangas de plástico rasgadas, cozidas
ou em estado de conservação bastante deficiente, esta situação observa-se com
frequência no convés.

8. Conviria que a mangueira à saída do ventilador fosse aramada e que as derivações


fossem feitas no interior no tanque, ou seja, o calção estar no interior do mesmo
ramificando assim as diversas mangueiras de plástico.

9. Formação administrada aos Bombeiros que instalam a ventilação dando-lhe


conhecimento das vantagens e limitações do processo levando em linha de conta o que
foi referido nos pontos anteriores.

10. Seria conveniente que os Técnicos de SHT façam medições da velocidade do ar nos
locais de trabalho, periodicamente por forma a monitorizar a conformidade
relativamente aos textos normativos do número de renovações de ar necessárias.