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UFCD 8092 – ÉTICA E DEONTOLOGIA EM GERIATRIA

Ética vs Moral
Conceito de Ética

A palavra Ética deriva do termo Grego “ Ethos”, usado pela primeira


vez por Aristóteles.
É uma reflexão sobre os princípios que se baseiam na moral, ou seja
é o modo de ser e de atuar do homem, estabelece normas gerais de
comportamento deixando a cada indivíduo a responsabilidade pelos
seus atos concretos.
A Ética é o campo do conhecimento que se debruça sobre o estudo
dos valores e virtudes do homem, propondo um conjunto de normas
de conduta e de postura para que a vida em sociedade se dê de forma
ordenada e justa.
Quando se fala de ética, fala-se de reflexão sobre os
nossos atos, o nosso carácter, personalidade. Quando
aceitamos a ética, como sendo um conjunto de regras a
orientar o relacionamento humano no seio de uma
determinada comunidade social, podemos admitir a
conceptualização de uma ética deontológica, uma ética
voltada para a orientação de uma atividade profissional.
A ética não envolve apenas um juízo de valor sobre o
comportamento humano, mas determina em si, uma
escolha, uma direção, a obrigatoriedade de agir num
determinado sentido em sociedade.
Ética
É extremamente importante saber diferenciar a Ética, da Moral e
do Direito. Estas três áreas de conhecimento distinguem-se,
porém têm grandes vínculos e até mesmo sobreposições.

Tanto a Moral como o Direito baseiam-se em regras que visam


estabelecer uma certa previsibilidade para as ações humanas.
Ambas, porém, se diferenciam.
Moral vs Direito

A Moral estabelece regras que são assumidas pela pessoa, como uma forma de
garantir o seu bem-viver. A Moral é independente das fronteiras geográficas e
garante uma identidade entre pessoas que nem sequer se conhecem, mas
utilizam este mesmo referencial moral comum.

O Direito procura estabelecer as regras de uma sociedade delimitada pelas


fronteiras do Estado. As leis têm uma base territorial, elas valem apenas para
aquela área geográfica onde uma determinada população ou os seus delegados
vivem. O Direito Civil, que é o referencial utilizado em Portugal, baseia-se na lei
escrita.
Deontologia

A Ética é o estudo geral do que é bom ou mau. Um dos objetivos da Ética


é a busca de justificativas para as regras propostas pela Moral e pelo
Direito. Ela é diferente de ambos - Moral e Direito - pois não estabelece
regras. Esta reflexão sobre a ação humana é que a caracteriza.

Deontologia é um termo que surge da junção de duas palavras gregas:


“déon” e “logos”. Para os gregos “déon” significa dever, enquanto “logos”
se traduzia por discurso ou tratado.
Deontologia vs Ética
Então, deontologia seria o tratado do dever, ou o conjunto de deveres,
princípios ou normas adaptadas com um fim determinado (regular ou
orientar determinado grupo de indivíduos no âmbito de uma atividade
laboral, para o exercício de uma profissão).

A par desta ideia de tratado, associado à regulamentação de uma profissão


estava implícita uma certa ética, aquilo a que posteriormente viria a ser
entendido como a ciência do comportamento moral dos homens em
sociedade.

Devemos entender o conjunto de deveres exigidos aos profissionais, como


uma ética de obrigações para consigo próprio, com os outros e com a
comunidade.
Deontologia Profissional
Parece evidente que todas as profissões implicam uma ética, pois todas se
relacionam direta ou indiretamente com os outros seres humanos. Cada profissão
tem como finalidade o bem comum e o interesse público, e tem uma dimensão
social, de serviço à comunidade, que se antecipa à dimensão individual (na forma
de benefício particular que se retira dela).

Em suma, a deontologia é um conjunto de comportamentos exigíveis aos


profissionais, muitas vezes não codificados em regulamentação jurídica. Ou seja,
a deontologia é uma ética profissional das obrigações práticas, baseada na livre
ação da pessoa e no seu carácter moral.
Código de Ética / Código Deontológico
Um Código de Ética pode ser definido como
um documento escrito, formal que enuncia
diversos padrões morais tendo em vista
orientar e inspirar os comportamentos dos
seus colaboradores.

Existem inúmeros códigos de deontologia,


sendo esta codificação da responsabilidade
de
Declaração Universal dos Direitos Humanos

Regra geral, os códigos deontológicos têm por base as


grandes declarações universais, nomeadamente a
Declaração Universal dos Direitos Humanos, e esforçam-
se por traduzir o sentimento ético expresso nestas,
adaptando-o, no entanto, às particularidades de cada
país e de cada grupo profissional. Para além disso, estes
códigos propõem sanções, segundo princípios e
procedimentos explícitos, para os infratores do mesmo.
Implementação do Código Deontológico

Em matéria de implementação do código devem ter atenção:


Deve ser colocado à disposição de todos os colaboradores.
A instituição deve facultar informação suficiente para que às pessoas não restem
dúvidas interpretativas.
Os líderes devam apoiar vigorosamente o código, cumprir as suas normas e
denotarem um comportamento exemplar.
Se fica instituída a obrigatoriedade dos colaboradores denunciarem as violações ao
código, então é necessário que sejam também instituídos mecanismos protetores
aos denunciantes – anonimato e confidencialidade e proteção de eventuais
retaliações.
Atos legítimos e Ilegítimos

Na modalidade dos atos jurídicos intencionais é possível distinguir-se a vontade


humana, sendo que esta é considerada para o direito, como a génese da
voluntariedade de determinar Direito – vontade expressa de uma certa ação.
Noutros casos para além dessa voluntariedade, atende-se também ao facto de o
agente querer expressar uma determinada conduta de pensamento.

A vontade funcional encontra-se sempre nos atos intencionais, não tendo no


entanto em todos eles a mesma extensão, processando-se a distinção nos
termos seguintes. Em certos atos jurídicos intencionais, a vontade, embora se
refira aos efeitos do ato, não estipula esses efeitos.
Responsabilidade

A responsabilidade traduz uma obrigação que o indivíduo tem em dar conta


dos seus atos e suportar as consequências dele. Um indivíduo responsável – é
aquele que age com conhecimento e liberdade suficiente para com os seus
atos possam ser considerados como dignos, devendo responder por eles, é
ainda um indivíduo que dentro de um grupo pode tomar decisões.

A relação entre o Profissional/ Utente resulta na forma como o Profissional


deve cuidar do Utente, com respeito, como uma pessoa que tem o direito de
tomar as suas decisões de ser autodeterminação e que merece a defesa ou a
confidencialidade das suas informações.
O trabalho com pessoas dependentes encerra uma incontornável dimensão
humana dado que os profissionais são pessoas que trabalham com pessoas,
cada qual com as suas próprias expectativas, desejos, vontades, etc.

O exercício da prestação de trabalho, independentemente da profissão, exige


que a mesma seja efetuada de forma responsável e atenta, imbuída de um
espírito de cooperação, altruísmo, autonomia, competência e profissionalismo.

A teoria sobre as relações humanas mostra que existem fatores sociais que
envolvem pessoas e estão ligados à produtividade.
A parceria entre o cliente, pessoas significativas e colaboradores (internos, externos)
deve ser caracterizada por uma partilha ativa de informação, responsabilização e
implicação de todos os intervenientes em atividades/ações conjuntas, com a
finalidade de proporcionar um maior benefício ao cliente, assim como a melhoria
contínua dos serviços prestados.

A Direção deve prever estratégias de envolvimento do cliente e pessoas significativas


na gestão, como forma de desenvolver os serviços que presta na permanente
satisfação das necessidades e expectativas dos clientes, sempre numa óptica de
melhoria contínua
O Sigilo Profissional

O sigilo profissional faz parte dos valores éticos que devem ser seguidos por todos
os profissionais.

O dever de sigilo obriga o funcionário a “guardar segredo profissional relativamente


aos factos de que tenha conhecimento em virtude de exercício das suas funções e
que não se destinem a ser do domínio público”.

Os fundamentos do sigilo profissional assentam no facto de haver informação e


conhecimentos pertencentes a um indivíduo de que os profissionais tomam
conhecimento durante o exercício da sua profissão.
Um indivíduo tem direito a que todas as informações que lhe
pertencem sejam mantidas em segredo, em confidencialidade,
assegurando assim os seus interesses.

A relação entre o Profissional/ Utente resulta na forma como o


Profissional deve cuidar do Utente, com respeito, como uma pessoa
que tem o direito de tomar as suas decisões de ser autodeterminação
e que merece a defesa ou a confidencialidade das suas informações.
A violação da confidencialidade é o desrespeito por uma determinada
pessoa, é uma irresponsabilidade do profissional, já que o seu papel é
responsabilidade perante a sociedade. Manter o sigilo profissional é
ajudar o Utente a manter a sua própria integridade moral.

Definido deste modo, o segredo profissional apresenta um conteúdo


amplo, susceptível de abranger não apenas o segredo profissional,
como o senso comum, mas igualmente elementos relevantes
compreendidos na exigência da descrição profissional.
Quando quebrar o sigilo profissional? Quando existe o consentimento
informado, pela exigência do bem comum, pela exigência do bem de terceiro, se
a revelação poupar prejuízo à pessoa interessada no segredo ou se da não
revelação do segredo decorrer prejuízo grave para o respetivo depositário.

Os profissionais que trabalham com idosos e/ou cidadãos dependentes devem


ter consciência da grande responsabilidade que recai sobre si, em virtude de,
pelo seu trabalho conhecerem vários aspetos da vida das pessoas.
Os Direitos do Ser Humano
Declaração Universal dos Direitos do Homem

Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948,


enuncia os direitos fundamentais, civis, políticos e sociais de
que devem gozar todos os seres humanos, sem
discriminação de raça, sexo, nacionalidade ou de qualquer
outro tipo, qualquer que seja o país que habite ou o regime
nele instituído.
Estatuto dos Utentes
1 – Os utentes têm direito a:
a) Escolher, ao âmbito do sistema de saúde e na medida
dos recursos existentes e de acordo com as regras de
organização, o serviço e agentes prestadores;
b) Decidir receber ou recusar a prestação de cuidados que
lhes e proposta, salvo disposição especial da lei;
c) Ser tratados pelos meios adequados, humanamente e
com prontidão, correção técnica, privacidade e respeito;
Estatuto dos Utentes

d) Ter rigorosamente respeitada a confidencialidade sobre os


dados pessoais revelados;
e) Ser informados sobre a sua situação, as alternativas
possíveis de tratamento e a evolução provável do seu estado;
f) Receber, se o desejarem assistência religiosa;
g) Reclamar e fazer queixa sobre a forma como são tratados e,
se for caso disso. a receber indemnização por prejuízos
sofridos;
Estatuto dos Utentes

h) Constituir entidades que os representem e defendam os seus


interesses;
i) Constituir entidades que colaborem com o sistema de saúde,
nomeadamente sob a forma de associações para a promoção e
defesa da saúde ou de grupos de amigos de estabelecimentos de
saúde.
Deveres dos Utentes

Os utentes devem:

a) Respeitar os direitos dos outros utentes;


b) Observar as regras sobre a organização e o funcionamento dos serviços e
estabelecimentos;
c) Colaborar com os profissionais de saúde em relação à sua própria situação;
d) Utilizar os serviços de acordo com as regras estabelecidas;
e) Pagar os encargos que derivem da prestação dos cuidados de saúde, quando for
caso disso.
Direitos dos Utentes

3 – Relativamente a menores e incapazes, a lei deve prever as


condições em que os seus representantes legais podem exercer os
direitos que lhes cabem, designadamente o de recusarem a
assistência, com observância dos princípios constitucionalmente
definidos.