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HISTÓRIA E TEOLOGIA

PENTECOSTAL I

Prof. Guilherme de Figueiredo Cavalheri


Aula 4
As raízes históricas da experiência
pentecostal IV:
O Pentecostalismo nos Estados Unidos e
na América Latina
Na aula anterior...

• Movimentos pós-reforma: as heranças de Müntzer, Menno Simons e


Jacó Armínio.
• Os movimentos puritano, pietista, Quaker e o avivamento metodista.
• Movimentos de Avivamento e Santidade nos Estados Unidos (Séc.
XIX).
A Origem do Pentecostalismo Moderno

• John Wesley: acreditava que a pessoa devia, após a justificação, se dedicar à


santificação.

• Essa concepção foi apropriada pelos evangelistas e teólogos que faziam


parte do movimento de santidade, surgido nos EUA em meados do
século XIX.

• Os principais representantes do movimento de santidade foram Asa


Maham e Charles Finney.

• Entre 1880 e 1923 surgiram cerca de duzentos grupos de oração nos


EUA, a maioria deles se com grande ênfase no batismo do Espírito
Santo.
A Origem do Pentecostalismo Moderno

Charles Fox Parham (1873-1929)

• Parham fundou o Lar de Curas Betel (1898) e o


Colégio Bíblico Betel (1900) na cidade de Topeka,
Kansas.

• Levantou uma questão entre seus alunos: existiria


uma evidência bíblica para o batismo do Espírito
Santo?

• Após um tempo se dedicando à pesquisa na Bíblia,


Parham chegou à conclusão de que a glossolalia
(falar em línguas estranhas) era o sinal que
procurava para o batismo.
A Origem do Pentecostalismo Moderno

Charles Fox Parham (1873-1929)

• Parham foi desconsiderado por muito tempo na


historiografia do pentecostalismo, por ter sido
acusado de ser homossexual, e ter inclinações
racistas e extremistas (assim como a Ku Klux
Klan). Chegou a defender que os Anglo-Saxões
seriam descendentes perdidos das 12 tribos de
Israel.

• Apesar disso, Parham foi uma peça fundamental


para a origem e desenvolvimento do movimento
pentecostal nos Estados Unidos.
A Origem do Pentecostalismo Moderno

Charles Fox Parham (1873-1929)

• Se havia na Bíblia a evidência do Espírito por


meio das línguas, então faltava uma
experiência em que alguém falasse essas
novas línguas.

• Esse fato ocorreu na passagem do ano de


1901.
A Origem do Pentecostalismo Moderno

• Durante a vigília Agnez Osman (uma das


alunas de Parham) sentiu necessidade de
receber oração por imposição de mãos. Com
a oração Ozman falou em outras línguas. Ela
foi a primeira pessoa nos EUA a receber o
batismo com o Espírito Santo, e este é
considerado o “marco zero” do
pentecostalismo moderno.
A Origem do Pentecostalismo Moderno

• Em 1905, Parham criou a escola bíblica de


Houston, no estado do Texas.

• Entre seus alunos estava William J.


Seymour, um pregador negro que pertencia
ao movimento de santidade.

• Convencido de que a glossolalia (falar em


línguas) sinalizava o batismo do Espírito
Santo, Seymour passou a destacar essa
experiência em suas pregações.
A Origem do Pentecostalismo Moderno

• Em várias ocasiões Seymour foi expulso de


igrejas por sua pregação chocar protestantes
mais conservadores.

• Por isso, suas reuniões de pregação e oração


passaram a acontecer em uma casa na região
norte da cidade de Los Angeles.

• Em 6 de Abril de 1906, sete pessoas, incluindo


um menino de 8 anos, falaram em línguas
estranhas e aqueles que ouviam os sons intensos
(músicas, palmas, cantos) começaram a
frequentar a casa onde essas reuniões ocorria.
A Origem do Pentecostalismo Moderno
• Como o movimento cresceu, o grupo se mudou
para um velho templo metodista na rua Azuza,
em Los Angeles, onde por três anos as reuniões
aconteceram dia e noite. Era frequentado por
evangélicos, de maioria negra e pobre.

• Esses cultos tinham como característica os


cânticos alegres e informais e as orações em voz
alto, simultâneas.

• O movimento ganhou adesão de pessoas


marginalizadas e alvos da discriminação social e
racial, e que encontraram na religião, de cunho
popular, uma maneira de enfrentar essas
dificuldades.
Contexto histórico e cultural do Pentecostalismo nos
Estados Unidos
“Nessa grande efervescência do campo religioso também refletiam as agitações dos últimos 35
anos do século XIX, que ficaram marcados pelo trauma da Guerra Civil; libertação dos
escravos negros; tensões raciais; crise prolongada do mundo da agricultura no sul do país;
mobilidade populacional em direção às cidades do norte em processo de industrialização;
chegada de milhões de imigrantes brancos, que vinham refazer na América laços rompidos
pela pobreza e miséria na Europa de então. O processo de urbanização e industrialização fez
crescer rapidamente a América urbana, esvaziando a zona rural e as pequenas cidades e vilas,
lócus de um intenso reavivamento espiritual do camp meeting. No entanto, a explosão de
movimentos voltados ao ideal de santificação oferecia às pessoas traumatizadas por uma
guerra civil terrível, pela falta de um norte seguro, ou então deslocado pela mobilidade
populacional, algumas ilhas de certezas. Assim, o “cinturão da Bíblia” e as comunidades
emocionais seriam ricas oportunidades para o encontro de regras seguras, inflexíveis e
indiscutíveis para a vida cotidiana. Em outras palavras, enquanto a demanda por vida
espiritual crescia, a população buscava reconstruir a nação, e o caminho da religião seria um
dos mais criativos para isso”. Campos, 2005, p. 105.
Contexto histórico e cultural do Pentecostalismo nos
Estados Unidos

• Fim da escravidão afro-americana


• Guerra de Civil Americana
• Êxodo rural
• Industrialização e urbanização
• Formação do “Bible Belt”
• Crises, discriminação e incertezas
Contexto histórico e cultural do Pentecostalismo nos
Estados Unidos
Contexto histórico e cultural do Pentecostalismo nos
Estados Unidos
O CINTURÃO DA BÍBLIA
Contexto histórico e cultural do Pentecostalismo nos
Estados Unidos

• Fim da escravidão afro-americana


• Guerra de Civil Americana
• Êxodo rural
• Industrialização e urbanização
• Formação do “Bible Belt”
• Crises, discriminação e incertezas
Contexto histórico e cultural do Pentecostalismo nos
Estados Unidos
“Portanto, Azuza Street se tornou, a partir de 1906, a
‘Jerusalém norte-americana’. Embora se dirigissem para essa
cidade caravanas de cristãos, negros e brancos,
indistintamente, todos estavam ansiosos por uma “experiência
com o Espírito Santo”. Assim, nesses anos iniciais de Azuza
Street, parecia que o poder do Espírito iria romper as
barreiras de separação entre ricos e pobres, brancos e negros.
O Espírito de Deus, assim acreditavam os pioneiros do
pentecostalismo, agora administrado por um filho de ex-
escravos, Willian Seymour, romperia com ‘the color line’”.
Campos, 2005, p.112.
Contexto histórico e cultural do Pentecostalismo nos
Estados Unidos
• O movimento que, no início, era marcado pela
espontaneidade, pela ruptura de diferenças raciais e
sociais, com participação de mulheres, negros, com
muita liberdade, começou a mudar.

• Em pouco tempo, o movimento pentecostal começa a se


acomodar à ordem social, se dividindo em igrejas
“brancas” e ricas, e outras “negras” e pobres. As
mulheres passaram a ser colocadas de lado na liderança
e organização das igrejas.
A Chegada do Pentecostalismo no Brasil
• Apenas 4 anos depois do início do movimento da Rua Azuza, têm
início os movimentos missionários pentecostais fora dos EUA.

• Começam a se formar as primeiras denominações pentecostais.

• A pioneira foi a Assembleia de Deus, organizada em 1919 com o


nome de “General Council”.

• Em Chicago, um “discípulo” de Seymour, William Durham fundou


uma igreja, e dentre seus membros estava um sueco de nome Daniel
Berg.
A Chegada do Pentecostalismo no Brasil

• Os suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren


fundam a Assembleia de Deus no Brasil, em
Belém do Pará, em 1911.

• A expansão do pentecostalismo fora dos


Estados Unidos teve, em seu início, um forte
impulso assembleiano.

• Mas mesmo antes de sair de seu país de


origem, o pentecostalismo apresentou
inúmeras divisões doutrinárias, o que lhe deu
uma grande variedade de expressões e formas
de manifestação.
A Chegada do Pentecostalismo no Brasil

• Após a fundação da Assembleia de Deus, o


segundo grande grupo pentecostal que se
organiza nos EUA é a Igreja do
Evangelho Quadrangular, na liderança da
canadense Aimeé Simple Mcpherson, em
1910.

• A presença quadrangular no Brasil


ocorreu em um momento posterior,
também em um movimento missionário.
A Chegada do Pentecostalismo no Brasil

• Outro ouvinte das pregações de William


Durham, junto a Daniel Berg, foi Luigi
Francescon, imigrante italiano de Chicago que
também se sentiu chamado à ir para a América
Latina para dar início ao trabalho pentecostal.

• Chegou primeiro à Argentina e depois ao Brasil.

• Aqui, fundou a Congregação Cristã no Brasil,


que com o tempo se concentrou na observância
de doutrinas, usos e costumes e em uma ética
rigorosa.
Tipologia do Pentecostalismo no Brasil e na América
Latina e suas Ramificações
Pentecostalismo “Criollo”

Originário das igrejas “históricas”.


Com fortes raízes na cultura
popular católica. Econômica e
estruturalmente independente de
qualquer missão estrangeira.
Ministério pastoral local. (esse tipo
não existiu no Brasil).
Tipologia do Pentecostalismo no Brasil e na América
Latina e suas Ramificações
• Pentecostalismo Missionário

Vindo particularmente dos Estados


Unidos. Econômica e
estruturalmente dependente das
juntas missionárias. Ministério
pastoral local, embora claramente
de acordo com padrões
estrangeiros. (Ex: Assembleia de
Deus, Congregação Cristã no
Brasil, Igreja de Cristo Pentecostal
do Brasil).
Tipologia do Pentecostalismo no Brasil e na América
Latina e suas Ramificações
• Movimentos Pentecostais
“Heréticos”

Surgidos em igrejas nacionais.


Fortes padrões messiânicos.
Econômica e estruturalmente
cooperativistas e comunitários.
Ministério pastoral local, mas
conduzidos autoritária e
verticalmente por um líder
carismático-messiânico. (Ex.
Movimento “Mita em Aarón”,
Templo do Povo de Jim Jones,
Crescendo em Graça).
Tipologia do Pentecostalismo no Brasil e na América
Latina e suas Ramificações
Neopentecostalismo

Movimento mais recente na história


do pentecostalismo. Fortes padrões
messiânicos. Econômica e
estruturalmente empresarial.
Ministério local débil, muito
dependente da estrutura de
liderança ou do “herói” carismático
empresário.