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OS

PROCESSOS
CONATIVOS

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Prof. Nuno Barreiros
O que é um motivo? A resposta é
complexa, já que pode ser uma necessidade,
uma vontade, um interesse ou um desejo que
orienta o teu comportamento. De forma
simples, podemos falar em motivação e no
conjunto de forças (internas e externas) que
mobilizam, dirigem ou sustentam o teu
comportamento, conferindo-lhe força, direção
e persistência.
Os porquês que estão na raiz das
nossas escolhas e ações, isto é que estão na
base da parte proativa da motivação
correspondem aos processos conativos. A
conação é, portanto, indissociável da
motivação.
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Conação – Do latim “esforço”.
Juntamente com a cognição e a
emoção, é um dos três conjuntos de
processos mentais tradicionalmente
identificados. Corresponde à dimensão
intencional, empenhada e deliberada
dos processos psíquicos. Refere-se à
dimensão psíquica proativa (consciente
e dirigida) da motivação, que implica
esforço pessoal (vontade) em direção a
um objetivo específico. Remete para os
aspetos que se relacionam com a
iniciativa da ação.

Reconhece-se hoje que a vontade diz


respeito à capacidade do indivíduo
orientar de forma consciente a sua
ação, a liberdade de deliberar e de
tomar decisões, ao esforço dirigido
para a realização de objetivos, ao
controlo do próprio comportamento.
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Enquanto as tendências são mecanismos biológicos universais
que orientam o comportamento para a satisfação das necessidades, as
intenções são processos psicológicos e sociais complexos que orientam
a ação para a realização de desejos.
Quando Ralston (um alpinista), desesperado com sede, amputou
o seu próprio braço, falamos de tendências e de conduta dirigida para a
persecução de fins ou de metas, isto é, orientada para a
autoconservação,

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Tipologia das motivações
• Motivações primárias ou básicas
– Inatas, fisiológicas, universais
(fome, sede).
– Asseguram a sobrevivência do
organismo
• Motivações secundárias
– Aprendidas, sociais, culturalmente
condicionadas (sucesso, prestígio,
dinheiro, afiliação).
• Motivações combinadas
– Resultam da interação de fatores
biológicos e sociais (impulso sexual
e maternal).
– Inatas e aprendidas.
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Tendências Intenções

Biológicas Psicológicas

Universais Pessoais

Necessidades Desejos

Fins/Metas Objetivos/Projetos

Autoconservação Auto-organização

A auto-organização da ação
pressupõe a consciência de si, dos
objetivos a atingir e das
potencialidades da própria conduta. É
esta força autorreguladora que
permite às pessoas adiar gratificações
imediatas (satisfação de necessidades)
em favor de objetivos a longo prazo
(realização de projetos). 6
Walter Mischel e a sua equipa, observando uns certos
comportamentos infantis (teste dos marshmallows), percebeu que as
crianças que conseguiam esperar pela segunda guloseima utilizavam
estratégias de autoproibição e de autodistração (sentar-se sobre as
mãos, esconder o doce, olhar para o lado ou cantar uma canção, por
exemplo), o que indicava que o autocontrolo tinha mais a ver com a
estratégia e esforço consciente do que com um comportamento natural
das crianças.
A nossa capacidade de trocar gratificações instantâneas por um
futuro melhor obedece a variações muito significativas entre indivíduos
e aumenta progressivamente com a idade, entre os 4 e os 14 anos.

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O papel ativo dos seres humanos
nos processos motivacionais e de tomada
de decisão é igualmente evidenciado pela
teoria biopsicossocial da motivação de
Abraham Maslow. Maslow desenvolveu
uma proposta relativa à hierarquia de
necessidades que concilia aspetos
biológicos e psicológicos.
Se nos sentirmos esfomeados, é
provável que tendamos primeiro a acalmar
a sede antes de nos alimentarmos. A
necessidade de líquidos desencadeia um
impulso mais intenso do que a de
nutrientes e a necessidade de ar, por
exemplo, um impulso mais intenso do que a
necessidade de líquidos. Por outro lado, o
sexo é bem mais prioritário do que
qualquer uma destas necessidades. 8
Do mesmo modo, todas estas
necessidades fisiológicas – diretamente
relacionadas com a sobrevivência e com
o equilíbrio biológico do ser humano –
tornam-se prementes em relação às
necessidades de segurança. É também
frequente observar, em situações de
conflito bélico, pessoas esfomeadas que
abandonam os seus refúgios em busca de
alimento, transformando-se em alvos
fáceis para os atiradores furtivos ou
grupos armados.
Só quando o primeiro patamar se
encontra realizado entram em jogo as
necessidades de segurança, e assim
sucessivamente até ao topo da pirâmide,
passando pelas necessidades de afeto e
pertença e pelas de estima. 9
Só quando todas as necessidades de
défice se encontram realizadas podemos
dedicar-nos à autorrealização, à necessidade
de ser tudo o que se possa e queira ser, à
realização de sonhos, projetos e aspirações.
A pessoa autorrealizada vive de
acordo com o seu potencial pessoal,
encontra sentido na existência, aceitando-se
a si mesma e não sendo indiferente aos que
a cercam. É criativa e aberta à novidade e
aos desafios, entre outras qualidades.
Para Maslow, só uma pequena
percentagem de seres humanos atinge este
patamar de realização e crescimento
pessoais. Alguns exemplos referidos pelo
autor incluem Madre Teresa, Mahatma
Gandhi, Martin Luther King e Albert Einstein.
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Embora alguns dos princípios
subjacentes ao modelo de Maslow sejam
ainda hoje aceites, a aplicação universal da
hierarquia é, porém, amplamente
contestada. Por exemplo, algumas pessoas
passam fome até à morte intencionalmente,
outras prescindem conscientemente da sua
segurança para demonstrarem a importância
que atribuem às crenças pessoais e ideais,
outros ainda, embora tendo as suas
necessidades fisiológicas e de segurança
satisfeitas, são solitários que não procuram a
companhia dos outros, preferindo realizar-se
cognitiva ou profissionalmente.
Independentemente de precisarmos
de ser autorrealizados para sermos felizes, a
classificação das necessidades não é tão
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simples como propunha Maslow.
A teoria da motivação de Abraham Maslow

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Se comer, beber, dormir, ter atividade
sexual, entre outros exemplos possíveis, são
condutas que visam satisfazer necessidades
básicas ou primárias, a verdade é que a maior
parte reúne, simultaneamente, fatores biológicos
e aspetos psicológicos e socioculturais. Assim, se,
por um lado, a conduta motivada pode
desencadear-se como consequência de défices,
carências, e impulsos fisiológicos, é também
possível falarmos, por outro lado, de conduta
motivada na ausência destes sinais. Nesta
segunda possibilidade verificamos como as
influências sociais podem desencadear a
motivação mesmo não estando em jogo a
sobrevivência. Por exemplo, na maioria dos casos
bebemos ou comemos porque temos sede ou
fome, mas acontece-nos frequentemente beber
ou comer em circunstâncias em que não existem 13
sinais de carência de líquidos ou nutrientes.