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6557 – Humanização na

prestação de cuidados

Formadora
Rita Alexandre
2019
Humanização dos cuidados de saúde

Mas especificamente em que consiste isso do


humanizar?

O Picker Institute Europe, após vários anos de


investigação sobre as necessidades, expectativas e
experiências dos cidadãos em saúde, identificaram oito
dimensões fundamentais para uma abordagem centrada
no utilizador/ doente
Humanização dos cuidados de saúde

1) Rapidez no acesso aos cuidados de


saúde;

2) Garantia de cuidados de qualidade;

3) Participação nas decisões e respeito


pelas suas preferências;

4) Informação clara, compreensível e


apoio à autonomia;
Humanização dos cuidados de saúde

5) amenidades;

6) apoio emocional, empatia


e respeito;

7) envolvimento de
familiares e cuidadores;

8) continuidade de cuidados.
Humanização dos cuidados de saúde

Porquê especificar?

A intenção é tornar a humanização dos serviços um


verdadeiro indicador de desempenho dos serviços...
Humanização dos cuidados de saúde
Que vantagens podem daí ser obtidas?

A humanização dos serviços corresponde a uma maior


satisfação dos utentes:

- Cumpre melhor as indicações terapêuticas

- Usa menos recursos de saúde

- tem maior confiança no sistema de saúde

- tem maior predisposição para a condescendência de


erros
Humanização dos cuidados de saúde
- tem maior tolerância à espera;

- tem maior tolerância a risco;

- pode eventualmente ter diminuição do número de


complicações e do desconforto como resultado de uma
menor preocupação

E como resultado disto a opinião dos utentes serve para


avaliar a verdadeira missão do sistema de saúde e se este
efectivamente funciona.
Humanização dos cuidados de saúde

“Cuidados centrados no doente: é a dimensão


da qualidade que garante que as decisões
relacionadas com a prestação e organização
de cuidados têm como principal critério o
interesse dos doentes, as suas expectativas,
preferências e valores"(Campos et al, 2009)

Retirado da proposta para o PNS 2011-2016


CONSTRANGIMENTOS???
A vulnerabilidade da pessoa
O sofrimento, a luta contra todas as condições adversas
causadoras de dor e sofrimento fazem parte da condição
humana.
Estar vivo é estar em perigo, suscetível a sofrer danos, é estar
vulnerável.

As ameaças mais essenciais à condição humana:


• Fome
• Doença
• Dor
• Exploração
• Assassinato e a tortura, …são universais.
A vulnerabilidade da pessoa

• As estruturas sociais e políticas foram desenvolvidas para


combater a vulnerabilidade e a exploração.

• Nas sociedades desenvolvidas, onde a fome, a habitação e


a exposição ao frio são questões resolvidas, para o povo a
vulnerabilidade social mais importante é a saúde.

• O controlo de vulnerabilidade básicas gera inevitavelmente


outras.
Doença versus cuidados básicos de saúde
Doença - conjunto de sinais e
sintomas específicos que afetam um
ser vivo, alterando o seu estado
normal de saúde.

Cuidados Básicos de Saúde


Cuidados que previnem a doença e
são fundamentais para manter e
melhorar o funcionamento do
organismo, como por ex:
oExercício físico
oNão fumar
oDieta saudável
oDormir
oHigiene, …
Contacto com a dor
Dor
 5º Sinal Vital

 Varia de pessoa para pessoa

 Monitorização com escala visual/numérica da dor


Dor - Mitos

Só existe um tipo de dor?

MITO - A dor pode ser classificada por sua duração e


intensidade. Em geral é dividida em aguda e crónica.

Dor avaliada no início responde mais rapidamente ao


tratamento?

VERDADE . “Ela deve ser tratada o mais precocemente


possível, com medicamentos corretos e na dose adequada.
É errado tomar medicamentos somente quando a dor
ultrapassou o limite do suportável”, diz Heymann.
Dor - Mitos

Toda dor pode ser tratada com analgésicos isentos de


prescrição?

MITO . Existem diferentes classes de analgésicos para o


tratamento das diferentes ocorrências de dor. Alguns dos
medicamentos isentos de prescrição integram a classe dos
Aines – anti-inflamatórios não hormonais – e são voltados
para o alívio de dores agudas. Para as crónicas, há
medicamentos de outras classes terapêuticas.
Dor - Mitos
O uso abusivo de analgésico ou anti-inflamatório pode
piorar o quadro de dor?

VERDADE . A automedicação e o excesso de remédios


podem levar ao agravamento da saúde do utente. Pode
acontecer a cronificação da dor. O uso abusivo aumenta os
riscos de hemorragia gastrointestinal e de morte por lesões
hepáticas

Dor é um mal sem cura. Devo me acostumar a ela?

MITO . Especialistas alertam que a dor não deve ser


negligenciada. Atualmente existem diversos tratamentos,
desde medicamentos até cirurgias e técnicas alternativas,
como massagens e acupuntura, entre outros recursos.
Dor - Mitos
Posso ignorar a dor, ela passa com o tempo?

MITO . Deve-se investigar as causas do incómodo.


Pesquisas apontam que a dor pode ser incapacitante,
sendo uma das principais causas de falta ao trabalho e
perda de produtividade. Ou seja, ignorá-la compromete a
rotina e a qualidade de vida.

A dor piora com o envelhecimento?

MITO . Nem todos envelhecemos ou sentimos dor.


Mas quanto mais velhos ficamos, mais desgaste ocorre em
músculos, ossos e articulações, podendo levar a
desconfortos. Várias doenças também se tornam
frequentes, podendo gerar quadros dolorosos
Dor - Mitos
Dor exige repouso?

DEPENDE . É preciso conhecer a causa da sua dor. O


exercício na presença da dor aguda, na maioria das vezes,
é contraindicado, pois pode piorar a lesão e aumentar o
desconforto.. Porém, o exercício costuma ajudar a controlar
a dor e a aumentar a força, a flexibilidade e o
condicionamento físico.

Dores musculares e de cabeça são as mais comuns?

VERDADE . Segundo estudos, essas são as dores que


mais acometem os portugueses
Dor - Mitos

Hábitos de vida saudável podem prevenir e ajudar a


lidar melhor com as dores?
VERDADE . Hábitos de sono saudáveis, dieta equilibrada,
manter controlo do peso, prática regular de atividade física,
cuidados com a postura no dia a dia são atitudes que
devem ser incorporadas na rotina para prevenir as dores e
ajudar quando o quadro já está instalado. O estado
emocional da pessoa também influencia na maneira de lidar
com a dor.
Relação com o doente terminal
Relação com doente terminal
Morte como parte integrante da vida

•O paciente, fora da expectativa de cura, ou seja, em fase


terminal, apresenta-se frágil e com limitações de natureza
psicossocial, espiritual e física

•Humanização no atendimento aos pacientes em fase


terminal, frente aos familiares e profissionais de saúde
envolvidos

•Promoção de acesso a cuidados paliativos


RELAÇÃO COM DOENTE TERMINAL
CUIDADOS PALIATIVOS
“Cuidados específicos na doença avançada, incurável e
progressiva, centrados na prevenção do sofrimento gerado
pelos sintomas e múltiplas perdas associadas ao processo
de doença” – Isabel Galriço Neto

http://darvidaaosdias.weebly.com/direitos-do-doente-terminal.html
RELAÇÃO COM DOENTE TERMINAL
4 Princípios:
 Respeito pela autonomia do
utente

 Fazer o bem

 Minimizar o mal

 Justiça (uso criterioso dos


recursos disponíveis)
Objetivos dos Cuidados Paliativos
- Maximizar o conforto;

- Controlar os sintomas;

- Promover uma comunicação adequada;

- Promover apoio psicológico e espiritual;

- Apoiar a família ou outros cuidadores na


vida e após a morte;

- Suporte adequado na fase agónica.


Condutas
•Reconhecer, sempre que possível, seu lugar ativo,
autonomia e escolhas

•Estabelecimento de metas conjuntas para propiciar o bem-


estar

•Comunicação na relação utente-profissional mostra-se


instrumento básico na construção de estratégias que almejem
um cuidado humanizado

•Preservar a dignidade e aplicar uma abordagem holística


DILEMAS ÉTICOS????
Questões Controversas
1.Lidar com o sofrimento

2.Lidar com as emoções e sentimentos da família

3.Lidar com a conspiração do silêncio entre familiares e doente

4.Lidar com as divergências entre as diferentes abordagens


profissionais (Ex. ressuscitação cardiopulmonar e futilidade
terapêutica prescritas pelos médicos e o nosso desacordo)

5.Lidar com o desrespeito da dignidade humana

6. Lidar com o desrespeito à autodeterminação do doente (ex.


decisão sobre a própria morte)
Questões Controversas

Deverá o doente saber que está numa fase terminal da sua


doença, quando a família pede para que ele não saiba?

Deve-se dar todos os detalhes da doença ao doente,


quando este não quer?

Quando o doente pede para parar de ser medicado, ou


deseja outra forma de tratamento, os profissionais devem
faze-lo?
DÚVIDAS?